{"id":35872,"date":"2025-06-07T13:13:29","date_gmt":"2025-06-07T16:13:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=35872"},"modified":"2025-06-06T12:10:32","modified_gmt":"2025-06-06T15:10:32","slug":"de-osasco-para-ninguem-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2025\/06\/07\/de-osasco-para-ninguem-3\/","title":{"rendered":"De Osasco para ningu\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-163816\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/gravador.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/gravador.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/gravador-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0<strong>Daniel Thame<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-148718\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/DT-jornalista-Cuba.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"271\" \/>R\u00e1dio Iguatemi, Osasco (SP), 1980. A emissora operava em Ondas Tropicais, podia ser ouvida na Amaz\u00f4nia, nos rinc\u00f5es da Am\u00e9rica do Sul, mas em Osasco mesmo s\u00f3 era captada em aparelhos de r\u00e1dio especiais. Ou seja, era \u201cfalando para o mundo e cochichando para ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Ainda assim, eu, Cl\u00e1udio Cruz (um dos amigos que preservei por\u00a0 quase 30 anos depois de ter trocado S\u00e3o Paulo pela Bahia e que faleceu prematuramente) e Chico Motta (que depois se elegeria vereador) faz\u00edamos com galhardia um programa esportivo di\u00e1rio.<\/p>\n<p>Acho que s\u00f3 o operador de \u00e1udio \u00a0da emissora \u00a0ou algum visitante eventual que estivesse no est\u00fadio (ou ent\u00e3o algum \u00edndio amaz\u00f4nico, um cocalero boliviano, um peruano perdido l\u00e1 pelos altos de Machu Pichu) ouvia aquele programa; mas era como se fal\u00e1ssemos para Osasco inteira e para boa parte de Carapicu\u00edba, Barueri, Jandira, Itapevi e outras cidades da Regi\u00e3o Oeste da Grande S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s n\u00e3o bastava apresentar um programa esportivo na \u00fanica emissora de r\u00e1dio de Osasco. O pioneirismo nos convocava, ati\u00e7ava.<\/p>\n<p>Pois eu, Chico e Cl\u00e1udio decidimos que ser\u00edamos os primeiros a transmitir ao vivo um jogo entre dois times de futebol profissional de Osasco.<\/p>\n<p>\u201cProfissional\u201d \u00e9 um pouco de exagero. Rochdale e Montenegro disputavam o equivalente \u00e0 5\u00aa. Divis\u00e3o do futebol de S\u00e3o Paulo e teriam certa dificuldade em vencer o Itabuna e o Colo Colo, times do Sul da Bahia cujos jogadores tinham\u00a0 s\u00e9rios problemas\u00a0 de relacionamento com uma dama chamada bola de futebol.<\/p>\n<p>\u201cTransmiss\u00e3o ao vivo\u201d tamb\u00e9m \u00e9 um pouco de exagero. O que a gente iria fazer era gravar o jogo, com narra\u00e7\u00e3o, coment\u00e1rios e reportagens e depois correr pra r\u00e1dio e colocar no ar. Um gravador pr\u00e9-hist\u00f3rico foi colocado \u00e0 beira do campo e fizemos o nosso trabalho, cobrindo aquela partida mulambenta como se fosse uma final de Copa do Mundo. Chico se esgoelava na narra\u00e7\u00e3o, Cl\u00e1udio caprichava nos coment\u00e1rios e eu fazia as reportagens de campo. Sintonia total e perfeita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O \u201ccl\u00e1ssico\u201d da Cidade-Trabalho (acho que esse era o slogan de Osasco) terminou 2&#215;2 e est\u00e1vamos prontos para entrar na Hist\u00f3ria. Quando chegamos \u00e0 r\u00e1dio e ligamos o gravador, nada. Nem um chiado. Mudo como aquelas liga\u00e7\u00f5es que a gente faz para pedir o cancelamento de um cart\u00e3o de cr\u00e9dito ou reclamar do servi\u00e7o da empresa de telefonia..<\/p>\n<p>Mexe no gravador, d\u00e1 umas pancadas nele. Nada, de novo. Mudo estava e mudo ficou. A Hist\u00f3ria parecia nos virar as costas. E nos virou mesmo!<\/p>\n<p>Por uma dessas coisas inacredit\u00e1veis, n\u00f3s que pensamos em tudo, no esquema de transmiss\u00e3o como se fosse ao vivo, no tempo que levar\u00edamos para chegar \u00e0 emissora e at\u00e9 na chamada anunciando a narra\u00e7\u00e3o pioneira, nos esquecemos de que, quando n\u00e3o est\u00e3o ligados a uma tomada (o que n\u00e3o era o caso, pois est\u00e1vamos \u00e0 beira do gramado), gravadores necessitam de pilhas para funcionar.<\/p>\n<p>E ningu\u00e9m se lembrou de colocar pilhas no desgra\u00e7ado do gravador.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve transmiss\u00e3o nenhuma e o pioneirismo deu lugar a uma imensa frustra\u00e7\u00e3o, curada com copos e mais copos de rabo de galo (uma mistura bomb\u00e1stica de pinga com groselha, muito popular naquele tempo) no boteco da esquina, onde provavelmente nem o dono nos ouvia. A menos que fiz\u00e9ssemos o programa esportivo berrando l\u00e1 do est\u00fadio!<\/p>\n<p>O \u00edndio amaz\u00f4nico, o cocalero boliviano e o viajante andino nem se deram ao trabalho de escrever pra protestar por serem privados daquele momento \u00edmpar em suas mon\u00f3tonas exist\u00eancias.<\/p>\n<p>Fizemos, enfim, \u201ca primeira transmiss\u00e3o mais an\u00f4nima da hist\u00f3ria do r\u00e1dio osasquense\u201d. Qui\u00e7\u00e1 paulista, qui\u00e7\u00e1 brasileira, qui\u00e7\u00e1 mundial.<\/p>\n<p>A gente perde a pilha, mas n\u00e3o perde a pose.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Daniel Thame R\u00e1dio Iguatemi, Osasco (SP), 1980. A emissora operava em Ondas Tropicais, podia ser ouvida na Amaz\u00f4nia, nos rinc\u00f5es da Am\u00e9rica do Sul, mas em Osasco mesmo s\u00f3 era captada em aparelhos de r\u00e1dio especiais. Ou seja, era \u201cfalando para o mundo e cochichando para ningu\u00e9m\u201d. 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