{"id":34088,"date":"2014-10-28T08:53:34","date_gmt":"2014-10-28T11:53:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=34088"},"modified":"2014-10-28T08:53:34","modified_gmt":"2014-10-28T11:53:34","slug":"a-midia-no-fundo-do-poco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2014\/10\/28\/a-midia-no-fundo-do-poco\/","title":{"rendered":"A m\u00eddia no fundo do po\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-33390\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/kot.jpg\" alt=\"kot\" width=\"275\" height=\"183\" \/>2002, 2006, 2010, 2014.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas quatro elei\u00e7\u00f5es presidenciais, a velha m\u00eddia familiar brasileira fez o diabo, vendeu a alma e foi ao fundo do po\u00e7o para derrotar o PT de Lula e Dilma.<\/p>\n<p>Perdeu todas.<\/p>\n<p>Desta vez, perdeu tamb\u00e9m a compostura, a vergonha na cara e at\u00e9 o senso do rid\u00edculo.<\/p>\n<p>Teve at\u00e9 herdeiro de jornal\u00e3o paulista que deu uma de black bloc e foi sem m\u00e1scara \u00e0 passeata pr\u00f3-A\u00e9cio em S\u00e3o Paulo, chamada de &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o da Cashmere&#8221; pela revista brit\u00e2nica &#8220;The Economist&#8221;, carregando um cartaz com ofensas \u00e0 Venezuela.<\/p>\n<p>Antigamente, eles eram mais discretos, mas agora perderam a mod\u00e9stia, assumiram o protagonismo.<\/p>\n<p>Agora, n\u00e3o adianta rasgar as pregas das cal\u00e7as nem sapatear na avenida Faria Lima. &#8220;The game is over&#8221;, como eles gostam de dizer em bom ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Se bem que alguns j\u00e1 pregam o terceiro turno e pedem abertamente o impeachment da presidente reeleita Dilma Rousseff, que derrotou o candidato deles, o tucano A\u00e9cio Neves, por 51,6% a 48,4%. Endoidaram de vez. E n\u00e3o \u00e9 para menos: ao final do segundo mandato de Dilma, o PT ter\u00e1 completado 16 anos no poder central, um recorde na\u00a0nossa hist\u00f3ria republicana.<\/p>\n<p>S\u00f3 teremos nova elei\u00e7\u00e3o presidencial daqui a quatro anos. At\u00e9 l\u00e1, ter\u00e3o que esperar no banco de reservas do poder os herdeiros dos bar\u00f5es de imprensa e seus sabujos amestrados, inconformados com o resultado das urnas, se \u00e9 que v\u00e3o sobreviver aos novos tempos da m\u00eddia democratizada. Cegados pela intoler\u00e2ncia, ainda n\u00e3o se deram conta de que j\u00e1 nem elegem nem derrubam mais presidentes. Alguns ficaram parados em 1932 ou 1964, por a\u00ed.\u00a0Vivem ainda em tempos passados, dos quais o Brasil contempor\u00e2neo n\u00e3o tem saudades. Devo-lhes informar que o pa\u00eds mudou, e\u00a0n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo dos currais midi\u00e1ticos de meia d\u00fazia de fam\u00edlias, hoje abrigadas no Instituto Millenium.<\/p>\n<p>Diante da gravidade dos acontecimentos nas \u00faltimas 48 horas que antecederam a vota\u00e7\u00e3o, a partir da publica\u00e7\u00e3o da capa-panfleto da revista &#8220;Veja&#8221;, a \u00faltima &#8220;bala de prata&#8221; do arsenal de inf\u00e2mias midi\u00e1ticas\u00a0para mudar o rumo das elei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o d\u00e1 agora para simplesmente fingir que nada houve, virar a p\u00e1gina e tocar a bola pra frente, como se isso fosse algo natural na disputa pol\u00edtica. N\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Caso convoque uma rede nacional de r\u00e1dio e televis\u00e3o para anunciar os rumos, as mudan\u00e7as\u00a0e as primeiras medidas do seu novo governo _ o que se tornou um imperativo, e deve ocorrer o mais r\u00e1pido poss\u00edvel,\u00a0para restaurar a normalidade democr\u00e1tica no pa\u00eds amea\u00e7ada pelos pittbulls da imprensa _ a presidente Dilma ter\u00e1 que tocar neste assunto, que ficou de fora do seu pronunciamento ap\u00f3s a vit\u00f3ria de domingo: a cria\u00e7\u00e3o de um marco regulat\u00f3rio das comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No seu brilhante artigo &#8220;Dilma 7 X 1 Mentira&#8221;, publicado pela Folha nesta segunda-feira, o xar\u00e1 Ricardo Melo foi ao ponto:<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m do combate implac\u00e1vel \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e de uma reforma pol\u00edtica, a tarefa de democratizar os meios de informa\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida, est\u00e1 na ordem do dia. Sem inten\u00e7\u00e3o de censurar ou calar a liberdade de opini\u00e3o de quem quer que seja. Mas para dar a todos oportunidades iguais de falar o que se pensa. Resta saber qual caminho Dilma Rousseff vai trilhar&#8221;.<\/p>\n<p>A presidente reeleita, com a for\u00e7a do voto, n\u00e3o precisa esperar a nova posse no dia 1\u00ba de janeiro de 2015. Pode, desde j\u00e1, demitir e nomear quem ela quiser, propor as reformas que o pa\u00eds reclama, desarmando os profetas do caos e acabando com este clima pesado que se abateu sobre o pa\u00eds nas \u00faltimas semanas de campanha.<\/p>\n<p>Pode tamb\u00e9m, por exemplo, anunciar logo quem ser\u00e1 seu novo ministro da Fazenda e, imediatamente, reabrir o di\u00e1logo com os empres\u00e1rios e investidores nacionais e estrangeiros, que jogaram tudo na vit\u00f3ria do candidato de oposi\u00e7\u00e3o, especulando na Bolsa e no d\u00f3lar, e precisam agora voltar \u00e0 vida real, j\u00e1 que eles n\u00e3o t\u00eam o h\u00e1bito de rasgar dinheiro. Queiram ou n\u00e3o, o Brasil continua sendo um imenso mercado potencial para quem bota f\u00e9 no seu taco e acredita na vit\u00f3ria do trabalho contra a usura.<\/p>\n<p>O povo, mais uma vez, provou que n\u00e3o \u00e9 bobo.<\/p>\n<p>Valeu a luta, Dilma. Valeu a for\u00e7a, Lula.<\/p>\n<p>Vida que segue.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho &nbsp; 2002, 2006, 2010, 2014. Nas \u00faltimas quatro elei\u00e7\u00f5es presidenciais, a velha m\u00eddia familiar brasileira fez o diabo, vendeu a alma e foi ao fundo do po\u00e7o para derrotar o PT de Lula e Dilma. Perdeu todas. 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