{"id":32254,"date":"2014-08-18T10:29:41","date_gmt":"2014-08-18T13:29:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=32254"},"modified":"2014-08-18T10:29:41","modified_gmt":"2014-08-18T13:29:41","slug":"o-que-esta-pior-a-economia-ou-a-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2014\/08\/18\/o-que-esta-pior-a-economia-ou-a-midia\/","title":{"rendered":"O que est\u00e1 pior, a economia ou a m\u00eddia?,"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\"><strong>\u00a0F\u00e1bio Jammal Makhul, na Revista do Brasil<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-32255\" alt=\"midia p\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/midia-p.jpg\" width=\"144\" height=\"188\" \/>N\u00e3o \u00e9 improv\u00e1vel um espectador do telejornal noturno ter o sono perturbado com vozes soturnas de apresentadores e analistas. Pelo que se v\u00ea e se ouve, n\u00e3o se sabe o que aquele apresentador s\u00e9rio quer dizer com \u201cboa noite\u201d. Afinal, a economia do Brasil pode estar \u00e0 beira da bancarrota. Tampouco se perdoa o \u201cbom dia\u201d do apresentador da manh\u00e3, pois os jornais do dia tamb\u00e9m trar\u00e3o o apocalipse. N\u00e3o \u00e9 para menos.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com a economia move o dia a dia das pessoas, inclusive as que dormem mais cedo que os jornais noturnos. Ningu\u00e9m passa um \u00fanico e escasso dia sem fazer contas. Foi entendendo a import\u00e2ncia dessa ci\u00eancia, nem sempre exata, que o estrategista James Carville, do Partido Democrata, eternizou a frase \u201c\u00e9 a economia, est\u00fapido!\u201d Era 1992, e com esse aprendizado Bill Clinton superaria o favoritismo do republicano George Bush, o pai, demonstrando sintonia com as ang\u00fastias cotidianas dos norte-americanos nesse quesito. Eis o segredo do homem que faria hist\u00f3ria no Sal\u00e3o Oval da Casa Branca pelos pr\u00f3ximos oito anos: saber o que, com quem e por que estava falando.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O notici\u00e1rio econ\u00f4mico cumpre v\u00e1rios objetivos. Um deles, saciar os humores do mercado financeiro, servir de ponte para suscitar apostas nos cassinos da especula\u00e7\u00e3o, detectar (ou criar) o clima do ambiente eleitoral, entre outros, inclusive informar de vez em quando. Por\u00e9m, pelo que algumas pesquisas t\u00eam demonstrado, a opini\u00e3o p\u00fablica talvez n\u00e3o veja a economia do Brasil como a veem os especialistas.<\/p>\n<p>Pesquisas do Datafolha apuram o \u00edndice de confian\u00e7a do brasileiro em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds. Numa escala de 0 a 200, um levantamento feito no in\u00edcio de julho revelou que a expectativa da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica pessoal \u00e9 de 160 pontos, sendo um dos \u201caspectos para os quais os brasileiros demonstram um sentimento positivo acima da m\u00e9dia\u201d, no relato do instituto. J\u00e1 a expectativa da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds\u00ad registrou 102 pontos em julho, alta de 6 pontos na compara\u00e7\u00e3o com maio. Os eleitores brasileiros tamb\u00e9m foram consultados sobre a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica pessoal e 48% esperam que ela v\u00e1 melhorar nos pr\u00f3ximos meses. Outros 38% acreditam que ficar\u00e1 como est\u00e1. E apenas 12%, que vai piorar. Pela pesquisa, pode-se constatar que h\u00e1 um grande descompasso entre o sentimento positivo do brasileiro com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia e o cen\u00e1rio catastr\u00f3fico divulgado pela m\u00eddia tradicional.<\/p>\n<p><strong>O jornal ou o caixa<\/strong><\/p>\n<p>O comerciante M\u00e1rio Paix\u00e3o da Silva, de 46 anos, tem uma pequena loja de roupas no centro do Recife (PE) h\u00e1 mais de 20 anos. E diz que basta conferir as vendas para saber se a economia est\u00e1 bem ou n\u00e3o. \u201cVoc\u00ea acha que vou acreditar no jornal ou no meu caixa?\u201d, brinca, ainda comemorando as vendas que fez durante a Copa do Mundo. \u201cA gente precisa ser criativo e se reinventar a cada dia. Durante a Copa, por exemplo, troquei as tradicionais roupas da vitrine por camisas da sele\u00e7\u00e3o ou por pe\u00e7as que privilegiassem o verde e o amarelo. Vendi muito, n\u00e3o posso reclamar. E, nos \u00faltimos meses, minhas vendas est\u00e3o no mesmo patamar dos anos anteriores\u201d, diz.<\/p>\n<p>Mesma opini\u00e3o tem a auxiliar de servi\u00e7os gerais Vilma Silva de Lima, de 57 anos. O notici\u00e1rio econ\u00f4mico n\u00e3o \u00e9 algo que a perturbe, ou atraia. Moradora de um bairro pobre de Camaragibe, regi\u00e3o metropolitana do Recife, Vilma diz que as principais preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o com a sa\u00fade p\u00fablica e a seguran\u00e7a. \u201cAli\u00e1s, nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, vou prestar aten\u00e7\u00e3o no que os candidatos v\u00e3o dizer sobre esses problemas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Com a aproxima\u00e7\u00e3o do pleito, a m\u00eddia tradicional come\u00e7a a definir candidatos que querem ajudar ou atrapalhar. E, diferentemente de quase um quarto do eleitorado, parece n\u00e3o estar indecisa, analisa o jornalista e soci\u00f3logo Ven\u00edcio Artur de Lima, professor titular de Ci\u00eancia Pol\u00edtica e Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade de Bras\u00edlia (UnB). Ele analisa o comportamento midi\u00e1tico em elei\u00e7\u00f5es h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas e tem v\u00e1rios livros sobre o tema.<\/p>\n<p>Lima avalia que a profus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es parciais para privilegiar uns e prejudicar outros d\u00e1 o tom. \u201cSeguem a mesma conduta das elei\u00e7\u00f5es passadas, talvez de forma ainda mais exacerbada.\u201d<\/p>\n<p>O pesquisador pondera, por\u00e9m, que o Brasil mudou e o eleitor est\u00e1 mais capacitado e disp\u00f5e de meios diversos de informa\u00e7\u00e3o para decidir o voto. \u201cTenho uma vis\u00e3o diferente da que tinha quando comecei a estudar elei\u00e7\u00f5es, nos anos 80. As pessoas buscam muito mais informa\u00e7\u00e3o fora do esquema da grande m\u00eddia. \u00c9 claro que a TV aberta continua sendo a principal fonte de informa\u00e7\u00e3o, mas as fontes alternativas t\u00eam peso muito grande desde 2006\u201d, avalia. Isso n\u00e3o significa, observa Lima, que a m\u00eddia convencional n\u00e3o seja importante para influenciar comportamentos em longo prazo. \u201cA percep\u00e7\u00e3o das pessoas sobre corrup\u00e7\u00e3o e a estigmatiza\u00e7\u00e3o dos partidos ainda \u00e9 influenciada pela m\u00eddia, mas no comportamento eleitoral em si, o peso do que \u00e9 publicado nos principais jornais, na TV e no r\u00e1dio diminuiu, gra\u00e7as a meios que antes n\u00e3o existiam\u201d, comenta.<\/p>\n<p><strong>Pessimismo militante<\/strong><\/p>\n<p>Usar o jornalismo econ\u00f4mico para fazer pol\u00edtica no Brasil \u00e9 uma estrat\u00e9gia que tem sido bastante criticada por Luis Nassif, jornalista econ\u00f4mico com 45 anos de experi\u00eancia e organizador do portal GGN. Para ele, h\u00e1 muitas cr\u00edticas \u00e0 condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo federal e vulnerabilidades que precisam ser enfrentadas \u2013 especialmente o desequil\u00edbrio nas contas externas do pa\u00eds. \u201cMas nada que, nem de longe, se pare\u00e7a com o quadro pintado nos grandes ve\u00edculos. Aumentos de meio ponto percentual ao ano nos \u00edndices inflacion\u00e1rios s\u00e3o tratados como pren\u00fancio de hiperinfla\u00e7\u00e3o; acomodamento das vendas do varejo, em n\u00edveis elevados, como pren\u00fancio de recess\u00e3o\u201d, comenta.<\/p>\n<p>O que ele chama de \u201cpessimismo militante\u201d compromete a cr\u00edtica necess\u00e1ria sobre os pontos efetivamente vulner\u00e1veis da pol\u00edtica econ\u00f4mica e do processo de desenvolvimento do Brasil. \u201cH\u00e1 uma guerra pol\u00edtica inaugurada em 2005, que sacrifica a not\u00edcia no altar das disputas partid\u00e1rias. \u00c9 evidente que h\u00e1 muito a melhorar no ambiente e na pol\u00edtica econ\u00f4mica, mas quem est\u00e1 em crise exposta, hoje em dia, \u00e9 certo tipo de jornalismo que acabou subordinando os fatos a disputas menores.\u201d<\/p>\n<p>O fot\u00f3grafo Alexandre Lombardi, de 38 anos, n\u00e3o gosta de generalizar uma m\u00e1 conduta da m\u00eddia. Ele n\u00e3o duvida que todo ve\u00edculo favore\u00e7a um lado e prejudique outro. L\u00ea os jornais tradicionais, procura na internet por blogs, f\u00f3runs de discuss\u00e3o e m\u00eddias sociais com pensamentos diferentes, mas desconfia \u00e0 esquerda e \u00e0 direita, e procura consist\u00eancia:<\/p>\n<p>\u201cGosto da pluralidade de pensamentos\u201d, conta Alexandre, que mora em Sorocaba, interior paulista. \u201cA internet deixou tudo muito f\u00e1cil. \u00c9 poss\u00edvel comparar vers\u00f5es. Analiso, converso com os amigos e formo a minha pr\u00f3pria opini\u00e3o. N\u00e3o tiro conclus\u00f5es baseadas em uma \u00fanica fonte\u201d, explica. Ele ainda n\u00e3o definiu candidatos para a pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o, mas levar\u00e1 em conta as\u00ad propostas, inclusive para a economia.<\/p>\n<p>Transmitir confian\u00e7a, credibilidade e consist\u00eancia, com propostas claras, ser\u00e1 o melhor meio de ganhar o voto do eleitor em outubro. Quem afirma \u00e9 o publicit\u00e1rio Renato Meirelles, s\u00f3cio-diretor do instituto Data Popular \u2013 empresa de pesquisa especializada no conhecimento das classes C e D, onde se concentra a maioria dos brasileiros. \u201cO que vai decidir o voto \u00e9 a capacidade das candidaturas de entender os problemas reais que o eleitor enfrenta e de oferecer perspectivas de futuro\u201d, observa.<\/p>\n<p>Para Meirelles, ser\u00e1, antes de tudo, uma elei\u00e7\u00e3o sobre o futuro e n\u00e3o de legado. \u201cOs eleitores est\u00e3o mais preocupados em saber o que vai levar o Brasil adiante e n\u00e3o o que trouxe o pa\u00eds at\u00e9 aqui. Isso \u00adcoloca a discuss\u00e3o em outro patamar. Os candidatos devem fazer uma campanha muito mais propositiva em vez de ficar falando do passado\u201d, explica. A queda na credibilidade da m\u00eddia, as novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e a recente ascens\u00e3o social no Brasil criaram um novo formador de opini\u00e3o que ter\u00e1 peso nestas elei\u00e7\u00f5es. Trata-se do jovem da classe C. \u201cEsses jovens estudaram mais que os pais, est\u00e3o mais conectados, contribuem mais com a renda familiar do que o jovem da elite. Ele \u00e9 provedor de conte\u00fado em casa e sua opini\u00e3o vai ajudar a definir o voto da fam\u00edlia\u201d, afirma Meirelles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0F\u00e1bio Jammal Makhul, na Revista do Brasil N\u00e3o \u00e9 improv\u00e1vel um espectador do telejornal noturno ter o sono perturbado com vozes soturnas de apresentadores e analistas. Pelo que se v\u00ea e se ouve, n\u00e3o se sabe o que aquele apresentador s\u00e9rio quer dizer com \u201cboa noite\u201d. 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