{"id":31714,"date":"2014-07-24T12:08:22","date_gmt":"2014-07-24T15:08:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=31714"},"modified":"2014-07-24T12:08:22","modified_gmt":"2014-07-24T15:08:22","slug":"rafael-correa-a-relacao-do-povo-com-o-poder-na-america-latina-vive-um-momento-de-mudancas-historicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2014\/07\/24\/rafael-correa-a-relacao-do-povo-com-o-poder-na-america-latina-vive-um-momento-de-mudancas-historicas\/","title":{"rendered":"Rafael Correa: \u201cA rela\u00e7\u00e3o do povo com o poder na Am\u00e9rica Latina vive um momento de mudan\u00e7as hist\u00f3ricas\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-31716\" alt=\"rafael correa\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/rafael-correa-300x177.gif\" width=\"300\" height=\"177\" \/><\/p>\n<p>Em passagem recente pelo Brasil, o presidente do Equador, Rafael Correa, concedeu entrevista aos jornalistas Valter X\u00e9u, (P\u00e1tria Latina); Beto Almeida (Brasil de Fato, Telesul e TV Comunit\u00e1ria e ao soci\u00f3logo Emir Sader (TV Brasil).<\/p>\n<p>Foram 40 minutos de uma conversa\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel onde o presidente equatoriano que esta no poder desde 2007, afirmou que pretende concorrer \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o em 2017.<\/p>\n<p>Correa esteve no Brasil para participar da reuni\u00e3o da UNASUL, que re\u00fane pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, com os BRICS, integrado por China, R\u00fassia, Brasil, \u00c1frica do Sul e \u00cdndia.<\/p>\n<p>O presidente equatoriano, que defende a exist\u00eancia de leis que limitem o po\u00adder midi\u00e1tico, tamb\u00e9m acredita que, no momento, est\u00e1 em marcha na Am\u00e9rica Latina uma \u201crestaura\u00e7\u00e3o conservadora\u201d, que tem como objetivo p\u00f4r fim ao ciclo de governos progressistas que emergiu no continente nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Veja a entrevista<\/p>\n<p><b>\u00a0<!--more--><\/b><\/p>\n<p><b>Beto Almeida<\/b> \u2013 Senhor presidente. Muito obrigado por nos ter recebido aqui. Trazemos aqui as sauda\u00e7\u00f5es do Brasil com o reconhecimento do gigante papel que o Equador tem desempenhado, tanto na Am\u00e9rica Latina como no mundo. Viemos aqui com tr\u00eas periodistas: 1) Valter X\u00e9u do P\u00e1tria Latina, que nasceu depois de uma reuni\u00e3o de Fidel Castro com v\u00e1rios periodistas e intelectuais da Am\u00e9rica Latina. Essa apresenta\u00e7\u00e3o seguiu-se da exclama\u00e7\u00e3o do presidente dizendo ent\u00e3o:- \u201cnaturalmente, o Valter do P\u00e1tria Latina\u201d. 2) Eu, Beto Almeida, presidente da TV Comunit\u00e1ria de Bras\u00edlia, a qual tem um conv\u00eanio de colabora\u00e7\u00e3o com a Telesul e represento aqui tamb\u00e9m o peri\u00f3dico Brasil de Fato, ligado aos movimentos sociais como os dos sindicatos, e\u00a0 dos sem terra. 3) Emir Sader da TV Brasil, a qual foi criada na \u00e9poca do Lula. Agora dou ent\u00e3o a palavra a Emir Sader.<\/p>\n<p><b>Emir Sader<\/b> \u2013 Sr. Presidente Rafael, no seu primeiro mandato presidencial o senhor disse que n\u00e3o era uma \u00e9poca de c\u00e2mbio, mas um c\u00e2mbio de \u00e9poca. J\u00e1 l\u00e1 se apontava para as rela\u00e7\u00f5es e diferen\u00e7as entre um mundo unipolar, e um mundo multipolar. O Senhor diria que estamos saindo de um mundo unipolar e nos dirigindo a um multipolar? O senhor diria ent\u00e3o que haveria espec\u00edficas consequ\u00eancias para a Am\u00e9rica Latina como resultado das decis\u00f5es tomadas nas diversas reuni\u00f5es dessa semana, como as decis\u00f5es dos BRICS? Estaremos aqui saindo da era unipolar, do ap\u00f3s guerra fria, para um mundo multipolar?<\/p>\n<p><b>Presidente Correa<\/b> \u2013 Muchas gracias. Em primeiro lugar abra\u00e7os ao Brasil com votos da melhor sorte para todos. Bem, sim. Eu creio que est\u00e1 se dando uma mudan\u00e7a de \u00e9poca e que um novo ciclo est\u00e1 se aproximando. Muitos progressistas chegaram ao poder na Am\u00e9rica Latina conjuntamente com o debacle das direitas nacionais, as quais ficaram ent\u00e3o aturdidas pelo seu grande fracasso, o qual est\u00e1 ligado ao fracasso do neoliberalismo, e n\u00e3o conseguiram reagir convenientemente de maneira imediata. Temos aqui uma mudan\u00e7a de \u00e9pocas. Essas s\u00e3o mudan\u00e7as profundas. N\u00e3o se trata somente de reformas superficiais. S\u00e3o mudan\u00e7as hist\u00f3ricas, com uma grande mudan\u00e7a das rela\u00e7\u00f5es do poder. \u00c9 uma mudan\u00e7a de um estado burgu\u00eas a um popular. Essa mudan\u00e7a na Am\u00e9rica Latina foi se consolidando atrav\u00e9s dos governos de Hugo Chaves na Venezuela, Lula da Silva no Brasil, de Morales na Bol\u00edvia, de Bachelet no Chile, de Tavares Vasquez no Uruguai, e da revolu\u00e7\u00e3o no Equador.<\/p>\n<p>Entretanto, tem que se ter cuidado. Um novo ciclo conservador pode tentar reverter o que j\u00e1 se ganhou. \u00c9 necess\u00e1rio muita aten\u00e7\u00e3o. Depois do debacle que os aturdiu est\u00e3o agora come\u00e7ando uma nova coordena\u00e7\u00e3o, e isso nos n\u00edveis locais, regionais, e internacionais. H\u00e1 que se ter muita aten\u00e7\u00e3o. Eu creio que a Am\u00e9rica Latina nunca voltar\u00e1 \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do passado, mas se poder\u00e1 perder muito do que j\u00e1 se conseguiu. Muito poderia ser revertido. Tem-se aqui a influ\u00eancia da cultura hegem\u00f4nica transmitida pela m\u00eddia, inculcando nos pobres que o que \u00e9 bom para os ricos, \u00e9 tamb\u00e9m bom para os pobres. E da\u00ed segue a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois se tem a constru\u00e7\u00e3o dos blocos, o que faz parte do processo de mudan\u00e7as. Pode ser. Parece-me tamb\u00e9m que com a unipolaridade a Am\u00e9rica Latina saiu perdendo muito, uma vez que com a unipolaridade a Am\u00e9rica Latina perdeu em import\u00e2ncia, visto em rela\u00e7\u00e3o ao tempo em que ela era central no jogo contra o comunismo.<\/p>\n<p>Mas sim, h\u00e1 uma mudan\u00e7a de era, onde o encontro entre os blocos \u00e9 um fator muito importante. Unir-se em blocos \u00e9 uma boa maneira de mudar a ordem injusta dos mais fortes, a ordem dos pa\u00edses hegem\u00f4nicos, do capital financeiro, e do pior de tudo nesse contexto, do capital financeiro especulativo. Veja-se o caso da Argentina. Os Estados Unidos a poderiam ter quebrado. H\u00e1 aqui tamb\u00e9m uma necessidade de se assegurar uma realidade multipolar, a qual permitiria maior participa\u00e7\u00e3o, conquanto evitando, ao mesmo tempo, o eterno tipo de perigo que pairou sobre a Argentina, por exemplo. Isso exige a constru\u00e7\u00e3o de blocos s\u00f3lidos. Isso tem que ser feito atrav\u00e9s de blocos que possam apresentar trabalho efetivo. O Brasil \u00e9 grande em si, e talvez pudesse enfrentar o problema sozinho, mas para os pa\u00edses que s\u00e3o pequenos, e muitos o s\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, \u00e9 necess\u00e1ria a coopera\u00e7\u00e3o em blocos, e o encontro entre esses blocos.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma realidade que tem de ser consolidada.<\/p>\n<p>Mas, por enquanto, estar\u00edamos j\u00e1 no in\u00edcio de um novo ciclo? Teremos que esperar para saber a resposta exata.<\/p>\n<p><b>Beto Almeida<\/b> \u2013 Sr presidente, a uni\u00e3o dos BRICS com a UNASUL \u00e9 um passo muito importante para o setor econ\u00f4mico, tamb\u00e9m em escala internacional, e aqui se poderia reivindicar ent\u00e3o uma integra\u00e7\u00e3o internacional politica e\/ou anti-imperialista.<\/p>\n<p>Em sua opini\u00e3o, como poderia ser feita uma coordena\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o econ\u00f4mica com a politica? O nosso saudoso Ch\u00e1vez j\u00e1 falava de uma esp\u00e9cie de Quinta Internacional. Outros falam de um campo anti-imperialista. Quais deveriam ser na sua opini\u00e3o as convenientes iniciativas para sustentar uma coordena\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos fundos, e do banco de desenvolvimento, que esta nascendo, com uma coordena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e\/ou anti-imperialista?<\/p>\n<p><b>Presidente Correa<\/b> &#8211; Temos de ser realistas.\u00a0 Blocos alternativos s\u00e3o necess\u00e1rios e bons, mas aqui se tem que nem todos os pa\u00edses do bloco dos BRICS t\u00eam governos progressistas, e o mesmo se d\u00e1 com a UNASUL. Temos que estar atentos, mas j\u00e1 \u00e9 muito o que se consegue com a arquitetura financeira regional, que traz uma independ\u00eancia da tradicional hegemonia, o que se est\u00e1 fazendo agora com os BRICS, com os seus fundos de reserva, com o seu novo Banco de Desenvolvimento, e com o j\u00e1 estabelecido acordo entre o Brasil e China, para com\u00e9rcio e transa\u00e7\u00f5es nas pr\u00f3prias moedas. A situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 mudou muito.<\/p>\n<p>No que j\u00e1 foi feito n\u00e3o se trataria de uma uni\u00e3o ideol\u00f3gica, mas de uma uni\u00e3o pr\u00e1tica, independente do ideol\u00f3gico. Entretanto, isso j\u00e1 em si \u00e9 muito importante. Segue-se agora que o trabalho da uni\u00e3o pol\u00edtica ainda tem que ser tratado e aprofundado. O que j\u00e1 temos \u00e9 um novo consenso em rela\u00e7\u00e3o a novos interesses. Com os BRICKS tem-se uma nova arquitetura financeira, a qual poderia evitar, por exemplo, que todas as transa\u00e7\u00f5es financeiras internacionais tivessem necessariamente que passar pelos Estados Unidos, aos quais ent\u00e3o se continuariam dando os meios financeiros necess\u00e1rios para quebrar a quem quer que fosse. BRICS \u00e9 bom. Traz consigo uma realidade menos injusta.<\/p>\n<p><b>Valter X\u00e9u<\/b> \u2013 Senhor presidente. Durante o seu mandato os \u00edndices de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o cresceram muito e teve-se a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza. Como se explicaria que Equador, um pa\u00eds com uma pequena economia tenha conseguido \u00edndices onde pa\u00edses com maiores recursos, n\u00e3o conseguiram?<\/p>\n<p><b>Presidente Correa<\/b> \u2013 Trata-se de um processo pol\u00edtico. Tem-se que, no passado, nesse continente, a Am\u00e9rica Latina n\u00e3o se desenvolveu, mas que os Estados Unidos se desenvolveram. Temos um passado hist\u00f3rico, onde civiliza\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas j\u00e1 aqui estavam desde o in\u00edcio, como por exemplo, os Maias, os Aztecas e os Incas. No total trata-se de uma constela\u00e7\u00e3o de fatores, mas um desses fatores \u00e9 o de classes. Tivemos um passado social onde a classe das elites nos dominou desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p>Mas quanto a sua pergunta posso dizer que o processo no Equador foi pol\u00edtico.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos a domin\u00e2ncia de um estado burgu\u00eas que estamos mudando para um estado popular. Os recursos sempre estiveram aqui, por exemplo, os petroleiros, mas digamos que entre a elite e o povo tinha-se, na \u00e1rea petrol\u00edfera, uma rela\u00e7\u00e3o de 4vs1, rela\u00e7\u00e3o essa que agora est\u00e1 se levando a uma rela\u00e7\u00e3o de 1vs4. No setor petroleiro n\u00f3s fizemos renegocia\u00e7\u00f5es e tivemos sucesso com isso. Ningu\u00e9m pagava impostos. Os recursos sempre estiveram presentes, mas s\u00e3o agora usados para o bem comum. Ent\u00e3o isso significaria que se trata de uma mudan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es de poder, que agora se usam em fun\u00e7\u00e3o do bem da popula\u00e7\u00e3o e do poder popular.<\/p>\n<p>Mas aqui encontramos limites e restri\u00e7\u00f5es externas. Isso \u00e9 perigoso. Temos ataques vindos de todos os lados. A Chevron poderia ter quebrado o Equador. Temos que encarar restri\u00e7\u00f5es impostas a n\u00f3s, mas que os pr\u00f3prios ricos n\u00e3o seguem, usando-se de expedientes, pretextos, e escusas. T\u00eam-se aqui a ver com desculpas como lavagem de dinheiro, terrorismo, e outras, mas os ricos n\u00e3o se incomodam com essas restri\u00e7\u00f5es, que imp\u00f5em a n\u00f3s, mas n\u00e3o a eles pr\u00f3prios. Vejam-se os para\u00edsos fiscais. Os direitos de propriedade alcan\u00e7a at\u00e9 o conhecimento, que se privatiza a favor deles, mas os bens ambientais, por exemplo, eles os querem consumir de gra\u00e7a. \u00c9 custoso conservar as selvas. H\u00e1 press\u00f5es externas que exigem coopera\u00e7\u00e3o. Temos que criar, em etapas, uma integra\u00e7\u00e3o. Temos que ser eficientes e criar mais recursos. O socialismo sempre falou dos aspectos sociais, mas quanto \u00e0 efici\u00eancia n\u00e3o se falou muito. Temos agora que falar tamb\u00e9m do aspecto da efici\u00eancia, conjuntamente com os aspectos sociais.<\/p>\n<p><b>Emir Sader<\/b> \u2013 Frente \u00e0 debilidade dos partidos pol\u00edticos, de direita a m\u00eddia age quase como que um partido pol\u00edtico em oposi\u00e7\u00e3o. Isso se v\u00ea bem quanto aos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Trata-se aqui de uma quest\u00e3o de democratiza\u00e7\u00e3o, na qual o Equador avan\u00e7ou muito. Qual seria o modelo a ser seguido?<\/p>\n<p><b>Presidente Correa<\/b> \u2013 Esse \u00e9 o nosso principal advers\u00e1rio. \u00c9 uma luta enorme. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o pertencem aos pobres. Eles est\u00e3o em m\u00e3os particulares, em m\u00e3os da elite financeira. No Equador 90% dos meios de comunica\u00e7\u00e3o est\u00e3o em m\u00e3os particulares. N\u00f3s temos um peri\u00f3dico nacional dos cincos dos grandes peri\u00f3dicos nacionais. Peri\u00f3dicos locais e regionais s\u00e3o muito mais. Temos dois canais de televis\u00e3o, dos seis ou sete canais nacionais. N\u00f3s resgatamos a radio nacional, mas existem mais do que mil outras. \u00c9 pouco, mas j\u00e1 com isso o povo ganha alguma coisa. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o deveriam ser p\u00fablicos, mas est\u00e3o em m\u00e3os particulares. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito, e uma coisa fundamental na comunica\u00e7\u00e3o social. No sistema capitalista o direito dos povos quanto a uma comunica\u00e7\u00e3o livre e abrangente est\u00e1 em direta oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 exig\u00eancia de lucros.\u00a0 Lucro e direito de comunica\u00e7\u00e3o v\u00e3o em dire\u00e7\u00f5es opostas. As elites, entretanto n\u00e3o procuram s\u00f3 os lucros, querem naturalmente o poder. Temos uma contradi\u00e7\u00e3o. Temos aqui que a comunica\u00e7\u00e3o social, e, portanto de massas, est\u00e1 em m\u00e3os particulares.<\/p>\n<p>Pode-se falar em restringir o poder politico, e de uma certa maneira as pessoas aceitam. Pode-se falar em restringir o poder econ\u00f4mico, e at\u00e9 isso se aceita. Mas quando se fala em p\u00f4r qualquer limite ao poder midi\u00e1tico l\u00e1 isso j\u00e1 n\u00e3o se aceita de maneira alguma. A tentativa de exigir uma certa balan\u00e7a nas apresenta\u00e7\u00f5es, uma certa objetividade, ou neutralidade, \u00e9 imediata e fortemente atacada, como um grav\u00edssimo ato contra a liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p>A imprensa latina \u00e9 excepcionalmente ruim quanto \u00e0 falta de \u00e9tica, quanto \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o da propriedade, quanto \u00e0 falta de profissionalismo, assim tamb\u00e9m como quanto as suas manipula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, e muito mais, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><b>Beto Almeida<\/b> \u2013 Para fazer frente a manipula\u00e7\u00f5es no campo monet\u00e1rio, financeiro, e social, temos, por exemplo, organiza\u00e7\u00f5es como a CELAC. Entretanto, apresenta-se aqui no Brasil tamb\u00e9m a necessidade de uma realidade periodista de integra\u00e7\u00e3o. O que temos \u00e9 um periodismo de desintegra\u00e7\u00e3o. Tem-se o caso do Campeonato Mundial. Foi o Mundial um fracasso? N\u00e3o, n\u00e3o foi, mas ele foi apresentado como um fracasso total. Importantes reuni\u00f5es e encontros s\u00e3o desacreditados. Tentam desacreditar, ou silenciam, todos esses momentos Tratou-se o muito importante encontro BRICS\u2013UNASUL como se fosse nada. O periodismo tenta desintegrar, quebrar, ou silenciar, mas h\u00e1 que se ter a capacidade de integrar, de cooperar de construir, e de se acreditar na capacidade das pessoas de conseguirem dirigir essa integra\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p><b>Presidente Correa<\/b> &#8211; Exatamente. Essa tentativa de desintegra\u00e7\u00e3o social \u00e9 uma consequ\u00eancia da m\u00eddia como um neg\u00f3cio privado, com fins de lucros em m\u00e3os privadas. Isso \u00e9 extremamente concentrado. \u00c9 necess\u00e1rio que se tenha mais meios comunit\u00e1rios, sem fins de lucro. De uma maneira natural a exig\u00eancia do que d\u00e1 lucro vai em rela\u00e7\u00e3o inversa ao direito de informa\u00e7\u00e3o e ao direito de comunica\u00e7\u00e3o social. A comunica\u00e7\u00e3o deve ser usada como um meio da sociedade, como um meio p\u00fablico. Quando se fala em meios p\u00fablicos n\u00e3o se est\u00e1 falando somente do governo central.<\/p>\n<p>Agora a Constitui\u00e7\u00e3o do Equador, em rela\u00e7\u00e3o aos meios visuais e de comunica\u00e7\u00e3o ordena que a rela\u00e7\u00e3o seja de 1\/3 ao setor privado com fim de lucro, 1\/3 ao setor p\u00fablico, e 1\/3 ao setor comunit\u00e1rio sem interesse de lucro. \u00c9 uma luta dur\u00edssima. Tudo est\u00e1 muito concentrado. Temos que diminuir o particular para poder aumentar o publico e o comunit\u00e1rio. O setor privado tem que ir ao 1\/3 nessa rela\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma das respostas quanto a n\u00e3o desintegrar, mas integrar. Mas essa \u00e9 s\u00f3 uma das respostas, tem que ser feito muito mais para que se chegue a uma solu\u00e7\u00e3o quanto, por exemplo, as manipula\u00e7\u00f5es. Mas estejamos preparados para ouvir que estamos atentando contra a liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Beto Almeida<\/b> \u2013 T\u00eam-se universidades para a integra\u00e7\u00e3o aqui no Brasil, como por exemplo, a UNILA, constitu\u00edda no per\u00edodo Lula. Tem-se tamb\u00e9m a ELAM- Faculdade Latina Americana de Ci\u00eancias M\u00e9dicas em Cuba. Essa ideia integrante seria agora necess\u00e1ria tamb\u00e9m no setor da imprensa?<\/p>\n<p><b>Presidente Correa<\/b> \u2013 O maior desafio que se apresenta \u00e9 vencer o poder midi\u00e1tico. Esse tem fortes mecanismos de defesa. Pensando em criticar? Atacam imediatamente com o \u201catentado \u00e0 liberdade de express\u00e3o\u201d temos que superar esse engano.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><b>Emir Sader<\/b> \u2013 Recentemente, voc\u00eas fundaram uma nova universidade, baseada na ideia do \u201cconhecer bem\u201d, do saber comum. Qual \u00e9 a natureza deste projeto novo que est\u00e3o desenvolvendo?<\/p>\n<p>Na verdade, criamos quatro novas uni\u00adversidades. A qual se refere? Acredito que voc\u00ea se refira \u00e0 Ikiam [Universidade Regional Amaz\u00f4nica], na selva. Aprovei\u00adtando essa vantagem enorme que \u00e9 a sel\u00adva amaz\u00f4nica, maior e melhor laborat\u00f3\u00adrio natural do mundo, e diferentemente do Brasil onde a floresta amaz\u00f4nica fica bastante distante das grandes cidades, aqui no Equador, em tr\u00eas horas e meia, a partir de Quito, pode-se estar em plena selva amaz\u00f4nica, onde a Ikiam est\u00e1 lo\u00adcalizada. Criamos essa nova universida\u00adde, chamada Ikiam, que na l\u00edngua shuar, uma das tantas l\u00ednguas ancestrais que t\u00eam nosso pa\u00eds, significa \u201cselva\u201d, que fica no meio de uma reserva natural de cerca de 900 km\u00b2, para ser uma universidade de n\u00edvel mundial, basicamente, para no caso nacional atender a regi\u00e3o amaz\u00f4ni\u00adca que, praticamente, carecia de univer\u00adsidades ou eram universidades de p\u00e9ssi\u00adma qualidade&#8230; no meio da selva, orientada ao bioconhecimento. Ent\u00e3o, posso lhes garantir que ser\u00e1 uma universidade \u00fanica e com vantagens irrepet\u00edveis nessa classe de estudo: de biodiversidade, de bioconhecimento.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><b>Valter X\u00e9u \u2013<\/b> Voltando a falar sobre o terrorismo midi\u00e1tico. No in\u00edcio do seu governo, houve um atrito com a empresa brasileira Norberto Odebrecht e a imprensa brasileira s\u00f3 faltou dizer ao Planalto que invadisse o Equador. A imprensa independente foi a que compreendeu as raz\u00f5es do Equador e o defendeu. Naquela \u00e9poca, isso criou um certo mal-estar dentro do governo e hoje como est\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es bilaterais entre Equador e Brasil?<\/p>\n<p><b>Presidente Correa<\/b> \u2013 At\u00e9 o momento, s\u00e3o extraordin\u00e1rias, com Dilma e com Lula tamb\u00e9m. Mas nesse momento, l\u00e1 atr\u00e1s, nos tiraram at\u00e9 o embaixador, contudo, o tempo nos deu absolutamente toda a raz\u00e3o. A Odebre\u00adcht reconheceu o seu erro. Era uma hi\u00addroel\u00e9trica mal constru\u00edda, que entrou em colapso. Reparou a hidroel\u00e9trica, as\u00adsumindo os custos como tinha que ser. E agora est\u00e1 trabalhando normalmente no Equador e ganhando muitos contratos.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><b>Beto Almeida \u2013<\/b><strong> Sabemos que o senhor gosta bastante de falar sobre o papel das ONGs porque h\u00e1 ONGs e ONGs&#8230; Aqui tivemos uma experi\u00eancia muito sinistra. Algumas ONGs est\u00e3o promovendo manifesta\u00e7\u00f5es que promovem a viol\u00eancia gratuitamente para destruir pr\u00e9dios p\u00fablicos, instala\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, metr\u00f4s&#8230; Na Venezuela, sabemos o que aconteceu&#8230; as guarimbas [protestos e bloqueios], com muitas ONGs financiadas por funda\u00e7\u00f5es externas de pa\u00edses ricos que est\u00e3o atuando. Mas esse \u00e9 um novo processo que alguns chamam de \u201ca cara social do neoliberalismo\u201d&#8230; porque estamos tamb\u00e9m enfrentando isso aqui no Brasil no momento..<\/strong><b>.<\/b><\/p>\n<p><b>Presidente Correa<\/b> \u2013 Temos aqui um problema imenso. Trata-se de uma t\u00e1ctica de desestabiliza\u00e7\u00e3o dirigida, efetuada por meios muito violentos, aos quais d\u00e3o nomes atraentes, os quais evocam de maneira autom\u00e1tica, rea\u00e7\u00f5es positivas. J\u00e1 no Chile de Pinochet levantavam-se as palavras de honra, democracia e liberdade, mas agora isso est\u00e1 sendo usado de uma maneira consistente, como uma estrat\u00e9gia onde a viol\u00eancia, abaixo de nomes agrad\u00e1veis, apresenta-se de maneira muito brutal e mesmo extrema.\u00a0 Toda a aten\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 necess\u00e1ria. Trata-se de organiza\u00e7\u00f5es sociais, mas&#8230; Cuidado! Trata-se de uma nova estrat\u00e9gia de infiltra\u00e7\u00e3o e sabotagem. Essas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o n\u00e3o governamentais, ou antigovernamentais, s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es de governos estrangeiros trabalhando para derrubar os governos de outros pa\u00edses que n\u00e3o lhes agradem. Entre as organiza\u00e7\u00f5es sociais que trabalham honestamente, existe um muit\u00edssimo alto n\u00famero de outras, que trabalham abaixo desse manto para destruir outros governos e avan\u00e7ar os interesses das grandes pot\u00eancias, as quais n\u00e3o assinam a nada, n\u00e3o se comprometem e n\u00e3o se restringem, exigindo tudo para si mesmos.\u00a0 Atentos \u2013 a desestabiliza\u00e7\u00e3o \u2013 defendem os interesses da extrema direita norte-americana.<\/p>\n<p>Composi\u00e7\u00f5es extremas prejudicam, quer sejam de direita ou de esquerda. Nesse contexto precisa-se ent\u00e3o tocar tamb\u00e9m no assunto das ONGs de esquerda, que exigem que n\u00e3o se toque nos recursos naturais. O que seria da Venezuela sem o petr\u00f3leo? O que seria da Bol\u00edvia sem o g\u00e1s? O que seria do Equador? N\u00e3o tocar em nenhum dos nossos recursos seria um suic\u00eddio. De acordo com certos segmentos de extrema esquerda n\u00f3s n\u00e3o poder\u00edamos tocar em nada, mas ao mesmo tempo, a extrema direita, tanto nacional como internacional, estaria desfrutando aqui, como sempre, de todos os frutos. Tem-se nesse contexto que muitas composi\u00e7\u00f5es extremas de esquerda n\u00e3o entendem ou querem entender o que \u00e9 governar. Para que possamos nos defender temos que usar alguns dos nossos recursos. \u00c0s vezes as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda nos prejudicam mais do que as de direita.<\/p>\n<p><b>Beto Almeida<\/b> \u2013 Senhor presidente. Muchas gracias em nome da TV Comunit\u00e1ria, de P\u00e1tria Latina e da TV Brasil.<\/p>\n<p>Presidente Correa. Gracias a todos e um grande abra\u00e7o ao Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0<em>Tradu\u00e7\u00e3o Anna Malm para P\u00e1tria Latina<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em passagem recente pelo Brasil, o presidente do Equador, Rafael Correa, concedeu entrevista aos jornalistas Valter X\u00e9u, (P\u00e1tria Latina); Beto Almeida (Brasil de Fato, Telesul e TV Comunit\u00e1ria e ao soci\u00f3logo Emir Sader (TV Brasil). Foram 40 minutos de uma conversa\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel onde o presidente equatoriano que esta no poder desde 2007, afirmou que pretende [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[898,7408,7907],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31714"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31714"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31714\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31717,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31714\/revisions\/31717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31714"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31714"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31714"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}