{"id":30784,"date":"2014-06-07T11:35:08","date_gmt":"2014-06-07T14:35:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=30784"},"modified":"2014-06-07T11:35:08","modified_gmt":"2014-06-07T14:35:08","slug":"uma-rica-regiao-rica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2014\/06\/07\/uma-rica-regiao-rica\/","title":{"rendered":"Uma rica regi\u00e3o rica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Ricardo Ribeiro<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-30785\" alt=\"ricardo\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/ricardo.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" \/>O soci\u00f3logo Selem Rashid Asmar costuma definir o sul da Bahia como \u201cuma pobre regi\u00e3o rica\u201d. Paradoxo constatado ainda no tempo em que o cacau sustentava praticamente sozinho a economia desta ponta do territ\u00f3rio baiano. A riqueza ent\u00e3o existente estava concentrada nas m\u00e3os de poucos, o que explica a interessante defini\u00e7\u00e3o rashidiana.<\/p>\n<p>Pensamento semelhante \u00e9 externado pelo professor Alessandro Fernandes, economista e pr\u00f3-reitor de Extens\u00e3o da Universidade Estadual de Santa Cruz. Segundo ele, h\u00e1 40 anos a regi\u00e3o era considerada pr\u00f3spera em fun\u00e7\u00e3o do bom momento da cacauicultura. No entanto, afirma o professor, os indicadores sociais de hoje s\u00e3o melhores que os daquela \u00e9poca, o que \u00e0 primeira vista \u00e9 dif\u00edcil de compreender.<\/p>\n<p>Como se sabe, houve uma praga chamada vassoura-de-bruxa no meio do caminho, que destruiu lavouras, expulsou 250 mil trabalhadores do campo, desvalorizou terras. Em cidades como Ilh\u00e9us e Itabuna, assistiu-se ao crescimento de favelas, amplia\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria, surgimento de contingentes sem perspectiva.<\/p>\n<p>Acontece que, al\u00e9m do estrago, a vassoura deixou como legado uma regi\u00e3o que se reinventou. Da monocultura de cacau, para a diversidade produtiva e a fabrica\u00e7\u00e3o de chocolate; da riqueza nas m\u00e3os de poucos, para uma melhor distribui\u00e7\u00e3o da terra, com o fortalecimento da agricultura familiar. Hoje, existem novas pol\u00edticas p\u00fablicas que ajudam a fixar o homem no campo.<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que a regi\u00e3o mudou seus paradigmas, depois de muito chorar pela vassoura espalhada. Presenciei recentemente, na arena virtual, um debate de temperatura elevada sobre a quest\u00e3o, com o nosso amigo Gerson Marques defendendo a melindrosa tese de que a vassoura-de-bruxa foi boa para o sul da Bahia. Entendi o argumento como uma defesa da mudan\u00e7a de mentalidade em uma regi\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o presa a um modelo produtivo atrasado.<\/p>\n<p>N\u00e3o chegaria a classificar a vassoura como algo positivo para a regi\u00e3o, pois o pre\u00e7o foi demasiadamente alto, principalmente para os milhares de desempregados e suas fam\u00edlias, ainda hoje atingidos pelas consequ\u00eancias da praga em m\u00faltiplas formas. A aplaudida mudan\u00e7a de paradigmas, que ocorreu \u201cpela dor\u201d, nada mais \u00e9 do que uma rea\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria de uma regi\u00e3o que chegou ao fundo do po\u00e7o, mas tem plenas condi\u00e7\u00f5es de se recuperar em novas bases, e seguir em frente.<\/p>\n<p>Nosso desejo \u00e9 de que esta venha a ser, futuramente, uma \u201crica regi\u00e3o rica\u201d. E os caminhos est\u00e3o tra\u00e7ados para que assim seja.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ricardo Ribeiro\u00a0<\/strong>\u00e9 advogado e editor do BA24Horas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Ribeiro O soci\u00f3logo Selem Rashid Asmar costuma definir o sul da Bahia como \u201cuma pobre regi\u00e3o rica\u201d. Paradoxo constatado ainda no tempo em que o cacau sustentava praticamente sozinho a economia desta ponta do territ\u00f3rio baiano. A riqueza ent\u00e3o existente estava concentrada nas m\u00e3os de poucos, o que explica a interessante defini\u00e7\u00e3o rashidiana. 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