{"id":30179,"date":"2014-05-14T14:46:31","date_gmt":"2014-05-14T17:46:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=30179"},"modified":"2014-05-14T14:46:59","modified_gmt":"2014-05-14T17:46:59","slug":"lula-destaca-valorizacao-da-imprensa-do-interior-e-defende-lei-da-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2014\/05\/14\/lula-destaca-valorizacao-da-imprensa-do-interior-e-defende-lei-da-midia\/","title":{"rendered":"Lula destaca valoriza\u00e7\u00e3o da imprensa do Interior e defende Lei da Midia"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30038\" alt=\"lula brasil\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/lula-brasil-300x229.jpg\" width=\"300\" height=\"229\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/lula-brasil-300x229.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/lula-brasil-1024x783.jpg 1024w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/lula-brasil.jpg 1127w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>(do Brasil 247)\u2013<\/strong>\u00a0O ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva avan\u00e7ou na defesa de uma nova legisla\u00e7\u00e3o para regular o funcionamento dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, a chamada Lei de M\u00eddia, ou de Meios. At\u00e9 o discurso feito ontem na abertura do 2\u00ba Encontro Nacional de Di\u00e1rios do Interior, em Bras\u00edlia, o ex-presidente sempre fora um cr\u00edtico do notici\u00e1rio dos ve\u00edculos da m\u00eddia nacional, de perfil tradicional e familiar, mas n\u00e3o havia deixado t\u00e3o claro o quanto considera importante mudar a legisla\u00e7\u00e3o do setor.<\/p>\n<p>&#8211; O C\u00f3digo de Telecomunica\u00e7\u00f5es \u00e9 de 1962, quando n\u00e3o havia nem televisores no Brasil, mas televizinhos, como diz o Franklin Martins, divertiu-se o ex-presidente diante da plateia. Al\u00e9m do ex-ministro da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o, principal incentivador de uma Lei de M\u00eddia dentro do governo e do PT, Lula tamb\u00e9m citou o ex-secret\u00e1rio-geral da Presid\u00eancia Luiz Dulci, defensor da mesma posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Uma das mudan\u00e7as mais importantes que fizemos nestes 11 anos foi democratizar o crit\u00e9rio de programa\u00e7\u00e3o da publicidade oficial, afirmou Lula. Em seguida, fez uma compara\u00e7\u00e3o de causar impacto:<\/p>\n<p>&#8211; Quando chegamos ao governo, a publicidade oficial era veiculada em anunciava em 249 r\u00e1dios e jornais. Em 2009, o governo federal j\u00e1 estava anunciando em 4.692 r\u00e1dios e jornais de todo o pa\u00eds, cotejou.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Lula frisou que considera completamente distorcidas as coberturas jornal\u00edsticas feitas pela &#8220;m\u00eddia nacional&#8221; sobre, sem exce\u00e7\u00e3o, todos os programas de inclus\u00e3o social de sua gest\u00e3o e da presidente Dilma Rousseff. Iniciando pela hist\u00f3ria da implanta\u00e7\u00e3o do Fome Zero, Lula assinalou que viu os jornais de maior circula\u00e7\u00e3o e as principais emissoras de televis\u00e3o \u2013 sem citar o nome de nenhum ve\u00edculo, empresa ou fam\u00edlia detentora \u2013 atacarem, desdenharem, criticarem, encobrirem e n\u00e3o reconhecerem os resultados das seguintes a\u00e7\u00f5es de governo:\u00a0Luz Para Todos, Mais Alimentos, Mais M\u00e9dicos, Minha Casa, Minha Vida, ProUni, Reuni, Fies, o Samu e, ainda, o BNDES. Ufa!<\/p>\n<p>Para cada programa, citou lembran\u00e7as de como vem sendo a cobertura nos jornal\u00f5es e resgatou que as maiores ag\u00eancias de publicidade criticam o governo quando verbas foram redivididas:<\/p>\n<p>&#8211; Reclamaram quando o Luiz Dulci incluiu a imprensa regional na programa\u00e7\u00e3o de publicidade do governo federal.<\/p>\n<p>E reclamaram ainda mais quando o Franklin Martins aprofundou a pol\u00edtica de democratiza\u00e7\u00e3o da publicidade, abrangendo as empresas estatais, sublinhou.<\/p>\n<p>Lula prosseguiu:<\/p>\n<p>&#8211; Diziam (as ag\u00eancias) que para falar com o Brasil bastava anunciar nos jornais de circula\u00e7\u00e3o nacional e nas redes de r\u00e1dio e TV. Hoje \u00e9 f\u00e1cil ver como estavam errados, pois a imprensa regional est\u00e1 cada vez mais forte. S\u00e3o 380 di\u00e1rios que circulam 4 milh\u00f5es de exemplares por dia, de acordo com os dados da ADI-Brasil.<\/p>\n<p>Antes da \u00edntegra do pronunciamento de Lula, que j\u00e1 reacendeu o debate sobre uma Lei de M\u00eddia, um dos pontos altos do discurso ao 2\u00ba Encontro dos Di\u00e1rios do Interior:<\/p>\n<p>&#8211; Os grandes jornais nunca deram valor ao Luz Pra Todos, mas quando o programa superou todas as expectativas e alcan\u00e7ou 15 milh\u00f5es de brasileiros, um desse jornais deu na primeira p\u00e1gina: &#8220;1 milh\u00e3o de brasileiros ainda vivem sem luz&#8221;. Est\u00e1 publicado, n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o, riu-se Lula.<\/p>\n<p>Abaixo, a \u00edntegra:<\/p>\n<p>\u00c9 sempre um prazer dialogar com os jornalistas e empres\u00e1rios da imprensa regional brasileira. Por isso agrade\u00e7o o convite da Associa\u00e7\u00e3o dos Di\u00e1rios do Interior do Brasil para participar desse Congresso.<\/p>\n<p>Voc\u00eas acompanharam as transforma\u00e7\u00f5es que ocorreram no Brasil nesses 11 anos e que beneficiaram o conjunto do pa\u00eds, n\u00e3o apenas os privilegiados de sempre ou as grandes capitais.<\/p>\n<p>Sabem exatamente como essa mudan\u00e7a chegou \u00e0s cidades m\u00e9dias e aos mais distantes munic\u00edpios.<\/p>\n<p>O Brasil antigo, at\u00e9 2002, era um pa\u00eds governado para apenas um ter\u00e7o dos brasileiros, que viviam principalmente nas capitais. A grande maioria da popula\u00e7\u00e3o estava condenada a ficar com as migalhas; exclu\u00edda do processo econ\u00f4mico e dos servi\u00e7os p\u00fablicos, sofrendo com o desemprego, a pobreza e a fome.<\/p>\n<p>Os que governavam antes de n\u00f3s diziam que era preciso esperar o pa\u00eds crescer, para s\u00f3 depois distribuir a riqueza. Mas nem o pa\u00eds crescia o necess\u00e1rio nem se distribu\u00eda a riqueza.<\/p>\n<p>N\u00f3s invertemos essa l\u00f3gica perversa, adotando um modelo de desenvolvimento com inclus\u00e3o social. Criamos o Fome Zero e o Bolsa Fam\u00edlia, que hoje \u00e9 um exemplo de combate \u00e0 pobreza em muito pa\u00edses.<\/p>\n<p>Adotamos uma pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o permanente do sal\u00e1rio e de expans\u00e3o do cr\u00e9dito, que despertaram a for\u00e7a do mercado interno, e ao mesmo tempo garantimos a estabilidade, controlando a infla\u00e7\u00e3o e reduzindo a d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>O resultado voc\u00eas conhecem: 36 milh\u00f5es de pessoas sa\u00edram da extrema pobreza, 42 milh\u00f5es alcan\u00e7aram a classe m\u00e9dia e mais de 20 milh\u00f5es de empregos foram criados.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o \u00e9 mais um pa\u00eds acanhado e vulner\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 mais o pa\u00eds que seguia como um cordeirinho a pol\u00edtica externa ditada de fora. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o pa\u00eds do futebol e do carnaval, embora tenhamos orgulho da alegria e do talento do nosso povo.<\/p>\n<p>O Brasil tornou-se um competidor global \u2013 e isso incomoda muita gente, contraria interesses poderosos.<\/p>\n<p>A imprensa cumpre o importante papel de traduzir essa nova realidade para a popula\u00e7\u00e3o. E isso n\u00e3o se faz sem uma imprensa regional fortalecida, voltada para aquela grande parcela do pa\u00eds que n\u00e3o aparece nas redes de TV.<\/p>\n<p>Todo governo democr\u00e1tico tem a obriga\u00e7\u00e3o de prestar contas de seus atos \u00e0 sociedade. E tem obriga\u00e7\u00e3o de divulgar os servi\u00e7os p\u00fablicos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A publicidade oficial \u00e9 o instrumento dessa divulga\u00e7\u00e3o, que se faz em parceria com os ve\u00edculos de imprensa \u2013 desde a maior rede nacional at\u00e9 os jornais do interior profundo do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Uma das mudan\u00e7as mais importantes que fizemos nestes 11 anos foi democratizar o crit\u00e9rio de programa\u00e7\u00e3o da publicidade oficial.<\/p>\n<p>Quero recordar que esta medida encontrou muito mais resist\u00eancias do que poder\u00edamos imaginar, embora ela tenha sido muito importante para aumentar a efici\u00eancia da comunica\u00e7\u00e3o de governo.<\/p>\n<p>Essa medida foi tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de justi\u00e7a, para reconhecer a import\u00e2ncia do interior no desenvolvimento do Brasil.<\/p>\n<p>Quando o companheiro Luiz Gushiken, que era o ministro da Secom em meu primeiro mandato, come\u00e7ou a democratizar a publicidade oficial, muita gente foi contra.<\/p>\n<p>As ag\u00eancias de publicidade, os programadores de m\u00eddia e os representantes dos grandes ve\u00edculos achavam que era uma mudan\u00e7a desnecess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Reclamaram quando o Luiz Dulci incluiu a imprensa regional na programa\u00e7\u00e3o de publicidade do governo federal.<\/p>\n<p>E reclamaram ainda mais quando o Franklin Martins aprofundou a pol\u00edtica de democratiza\u00e7\u00e3o da publicidade, abrangendo as empresas estatais.<\/p>\n<p>Diziam que para falar com o Brasil bastava anunciar nos jornais de circula\u00e7\u00e3o nacional e nas redes de r\u00e1dio e TV.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 f\u00e1cil ver como estavam errados, pois a imprensa regional est\u00e1 cada vez mais forte. S\u00e3o 380 di\u00e1rios que circulam 4 milh\u00f5es de exemplares por dia, de acordo com os dados da ADI-Brasil.<\/p>\n<p>Isso ocorre porque temos pol\u00edticas que levam progresso e inclus\u00e3o social ao interior do pa\u00eds.<\/p>\n<p>De cada 3 empregos criados no ano passado, 2 se encontram em cidades do interior e apenas 1 nas regi\u00f5es metropolitanas.<\/p>\n<p>Nunca antes o governo federal investiu tanto no desenvolvimento regional, para combater desequil\u00edbrios injustos e injustific\u00e1veis.<\/p>\n<p>Nunca antes a rela\u00e7\u00e3o entre o governo federal, os Estados e as prefeituras foi t\u00e3o republicana quanto nestes 11 anos.<\/p>\n<p>E s\u00e3o jornais do interior \u2013 e n\u00e3o os ve\u00edculos nacionais \u2013 que traduzem essa realidade.<\/p>\n<p>Quando chegamos ao governo, a publicidade oficial era veiculada em anunciava em 249 r\u00e1dios e jornais. Em 2009, o governo federal j\u00e1 estava anunciando em 4.692 r\u00e1dios e jornais de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Meus amigos, minhas amigas<\/p>\n<p>Pediram-me para contar aqui uma experi\u00eancia com a imprensa regional no per\u00edodo em que fui presidente da Rep\u00fablica. Vou contar o que aprendi comparando a cobertura da imprensa regional com a que fazem os grandes jornais.<\/p>\n<p>Quando o Luz Pra Todos chega numa localidade rural ou numa periferia pobre, est\u00e1 melhorando a vida daquelas pessoas e gerando empregos. Isso \u00e9 uma not\u00edcia importante para os jornais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os grandes jornais nunca deram valor ao Luz Pra Todos, mas quando o programa superou todas as expectativas e alcan\u00e7ou 15 milh\u00f5es de brasileiros, um desse jornais deu na primeira p\u00e1gina: &#8220;1 milh\u00e3o de brasileiros ainda vivem sem luz&#8221;. Est\u00e1 publicado, n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Onde \u00e9 que estava esse grande jornal quando 16 milh\u00f5es de brasileiros n\u00e3o tinham luz?<\/p>\n<p>Quando chega o momento de plantar a pr\u00f3xima safra, s\u00e3o os jornais regionais que informam sobre as datas, os prazos, os juros e as condi\u00e7\u00f5es de financiamento nas ag\u00eancias banc\u00e1rias locais.<\/p>\n<p>Mas na hora de informar \u00e0 sociedade que em 11 anos o cr\u00e9dito agr\u00edcola passou de R$ 30 bilh\u00f5es para R$ 157 bilh\u00f5es, o que a gente l\u00ea num grande jornal \u00e9 que a infla\u00e7\u00e3o pode aumentar porque o governo est\u00e1 expandindo o cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Quando uma ag\u00eancia banc\u00e1ria da sua cidade recebe uma linha do BNDES pra financiar a compra de tratores e ve\u00edculos pelo Mais Alimentos, voc\u00eas sabem que isso aumenta a produtividade e aquece o com\u00e9rcio local. \u00c9 uma boa not\u00edcia.<\/p>\n<p>Mas quando o programa bate o recorde de 60 mil tratores e 50 mil ve\u00edculos financiados, a not\u00edcia em alguns jornais \u00e9 que o governo &#8220;est\u00e1 pressionando a d\u00edvida interna bruta&#8221;.<\/p>\n<p>Quando nasce um novo bairro na cidade, constru\u00eddo pelo Minha Casa Minha Vida, essa \u00e9 uma not\u00edcia local muito importante.<\/p>\n<p>Mas um programa que contratou 3 milh\u00f5es de unidades, e j\u00e1 entregou mais da metade, s\u00f3 aparece na TV e nos grandes jornais se eles encontram uma casa com goteira ou um caso qualquer de desvio.<\/p>\n<p>Quando o governo federal inaugura um hospital regional, isso \u00e9 manchete nos jornais de todas as cidades daquela regi\u00e3o. O mesmo acontece quando chega o SAMU ou um posto do Brasil Sorridente.<\/p>\n<p>Mas lendo os grandes jornais \u00e9 dif\u00edcil ficar sabendo das quase 300 UPAs, 3 mil ambul\u00e2ncias do SAMU e mais de mil consult\u00f3rios odontol\u00f3gicos que foram abertos por todo o pa\u00eds nestes 11 anos.<\/p>\n<p>A maior cobertura de pol\u00edticas p\u00fablicas que os grandes jornais fizeram, nesse per\u00edodo, foi para apoiar o fim da CPMF, que tirou R$ 50 bilh\u00f5es anuais do or\u00e7amento da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Quando sua cidade recebe profissionais do Mais M\u00e9dicos, voc\u00eas sabem o que isso representa para os que estavam desatendidos. V\u00e3o entrevistar os m\u00e9dicos, apresent\u00e1-los \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas quando 15 mil profissionais v\u00e3o atender 50 milh\u00f5es de pessoas no interior do pa\u00eds, a imprensa nacional s\u00f3 fala daquela senhora que abandonou o programa por raz\u00f5es pol\u00edticas, ou daquele m\u00e9dico que foi falsamente acusado de errar numa receita.<\/p>\n<p>Quando um novo c\u00e2mpus universit\u00e1rio \u00e9 aberto numa cidade, os jornais da regi\u00e3o d\u00e3o mat\u00e9rias sobre os novos cursos, as vagas abertas, debatem o curr\u00edculo, acompanham o vestibular.<\/p>\n<p>Lendo os grandes jornais \u00e9 dif\u00edcil ficar sabendo que nestes 11 anos foram criadas18 novas universidades e abertos 146 novos campi pelo interior do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 nos jornais do interior que se percebe a mudan\u00e7a na vida de milh\u00f5es de jovens, porque eles n\u00e3o precisam mais sair de casa, deixar para tr\u00e1s a fam\u00edlia e os valores, para cursar a universidade.<\/p>\n<p>O n\u00famero de universit\u00e1rios no Brasil dobrou para 7 milh\u00f5es, gra\u00e7as ao Prouni, ao Reuni e ao FIES. Os grandes jornais n\u00e3o costumam falar disso, mas s\u00e3o capazes de fazer um esc\u00e2ndalo quando uma prova do ENEM \u00e9 roubada de dentro da gr\u00e1fica \u2013 que por sinal era de um dos maiores jornais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Quando uma escola t\u00e9cnica \u00e9 aberta numa cidade do interior, essa \u00e9 uma not\u00edcia muito importante para os jovens e para os seus pais, e vai sair com destaque em todos os jornais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando eu informo que nesses 11 anos j\u00e1 abrimos 365 escolas t\u00e9cnicas, duas vezes e meia o que foi feito em s\u00e9culo neste pa\u00eds, os grandes jornais dizem apenas que o Lula &#8220;exaltou o governo do PT e voltou a atacar a oposi\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Quando chega na sua cidade um \u00f4nibus, um barco ou um lote de bicicletas para transportar os estudantes da zona rural, essa \u00e9 uma boa not\u00edcia.<\/p>\n<p>O programa Caminho da Escola j\u00e1 entregou 17 mil \u00f4nibus, 200 mil bicicletas e 700 embarca\u00e7\u00f5es, para transportar 2 milh\u00f5es de alunos em todo o pa\u00eds. Mas s\u00f3 aparece na TV se faltar combust\u00edvel ou se o motorista do \u00f4nibus n\u00e3o tiver habilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu costumo dizer que os grandes jornais me tratam muito bem. Mas eu gostaria mesmo \u00e9 que mostrassem as mudan\u00e7as que ocorrem todos os dias em todos os cantos do Brasil.<\/p>\n<p>Meus amigos, minhas amigas,<\/p>\n<p>Quanto mais distante estiver da realidade, mais vai errar um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o. Basta ver o que anda publicando sobre o Brasil a imprensa econ\u00f4mica e financeira do Reino Unido.<\/p>\n<p>O pa\u00eds deles tem uma d\u00edvida de mais de 90% do PIB, com \u00edndice recorde de desemprego, mas eles escrevem que o Brasil, com uma d\u00edvida l\u00edquida de 33%, \u00e9 uma economia fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>N\u00e3o conhe\u00e7o economia fr\u00e1gil com reservas de US$ 377 bilh\u00f5es, infla\u00e7\u00e3o controlada, investimento crescente e vivendo no pleno emprego.<\/p>\n<p>Escrevem que os investidores n\u00e3o confiam no Brasil, mas omitem que somos um dos cinco maiores destinos globais de investimento externo direto, \u00e0 frente de qualquer pa\u00eds europeu.<\/p>\n<p>Dizem que perdemos o rumo e devemos seguir o exemplo de pa\u00edses obedientes \u00e0 cartilha deles. Mas esquecem que desde 2008, enquanto o mundo destruiu 62 milh\u00f5es de postos de trabalho, o Brasil criou mais de 10 milh\u00f5es de novos empregos.<\/p>\n<p>O que eu lamento \u00e9 que alguns jornalistas brasileiros fiquem repetindo not\u00edcias erradas que v\u00eam de fora, como bonecos de ventr\u00edloquo. Isso \u00e9 ruim para a imprensa, porque o p\u00fablico sabe distinguir o que \u00e9 realidade do que n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Alguns jornalistas dos grandes ve\u00edculos passaram o ano de 2013 dizendo que a infla\u00e7\u00e3o ia estourar, mas ela caiu. Passaram o ano dizendo que a inadimpl\u00eancia ia explodir, mas ela tamb\u00e9m caiu.<\/p>\n<p>Diziam que o desemprego ia crescer, e n\u00f3s terminamos o ano com a menor taxa da hist\u00f3ria. Chegaram a dizer que o Brasil entraria em recess\u00e3o, mas a economia cresceu 2,3%, numa conjuntura internacional muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Eu gostaria que esses jornalistas viajassem pelo interior do pa\u00eds, conhecessem melhor a nossa realidade, estudassem um pouco mais de economia, antes de repetir previs\u00f5es pessimistas que n\u00e3o se confirmam.<\/p>\n<p>E vou continuar defendendo a liberdade de imprensa e o direito de opini\u00e3o, porque sei que, mesmo quando erra, a imprensa livre \u00e9 protagonista essencial de uma sociedade democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Meus amigos, minhas amigas,<\/p>\n<p>A democracia \u00e9 o \u00fanico sistema que permite transformar um pa\u00eds para melhor. E ela n\u00e3o existe sem que as pessoas participem diretamente da vida pol\u00edtica. Por isso digo sempre aos jovens: se querem mudar a pol\u00edtica, fa\u00e7am pol\u00edtica. E fa\u00e7am de um jeito melhor, diferente. Negar a pol\u00edtica \u00e9 o caminho mais curto para abolir a democracia.<\/p>\n<p>Aprimorar a democracia significa tamb\u00e9m garantir ao cidad\u00e3o o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o correta e ao conhecimento da diversidade de ideias, numa sociedade plural. Esse tema passa pela constru\u00e7\u00e3o do marco regulat\u00f3rio da comunica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, conforme previsto na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n<p>O C\u00f3digo Brasileiro de Telecomunica\u00e7\u00f5es \u00e9 de 1962, quando no pa\u00eds inteiro havia apenas 2 milh\u00f5es de aparelhos de TV. Como diz o Franklin Martins, havia mais televizinhos do que televisores.<\/p>\n<p>\u00c9 de um tempo em que n\u00e3o havia r\u00e1dio FM, n\u00e3o havia computadores, n\u00e3o havia internet. De um tempo em que era preciso marcar hora para fazer interurbano.<br \/>\nNo Brasil de hoje \u00e9 preciso garantir a complementariedade de emissoras privadas, p\u00fablicas e estatais. Promover a competi\u00e7\u00e3o e evitar a contamina\u00e7\u00e3o do espectro por interesses pol\u00edticos. Estimular a produ\u00e7\u00e3o independente e respeitar a diversidade regional do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Uma regula\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica vai incentivar os meios de comunica\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter comunit\u00e1rio e social, fortalecer a imprensa regional, ampliar o acesso \u00e0 internet de banda larga. Por isso foi t\u00e3o importante aprovar o Marco Civil da Internet.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o desafio que se apresenta aos meios de comunica\u00e7\u00e3o, seus dirigentes e seus profissionais, nesse novo Brasil: o desafio de ser relevante num pa\u00eds com uma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais educada, com um n\u00edvel de renda que favorece a independ\u00eancia de opini\u00e3o e com acesso cada vez mais amplo a outras fontes de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quero cumprimentar a ADI-Brasil, mais uma vez, pela realiza\u00e7\u00e3o desse Congresso, e dar os parab\u00e9ns aos seus associados, que levam not\u00edcias para a popula\u00e7\u00e3o do interior desse imenso pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(do Brasil 247)\u2013\u00a0O ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva avan\u00e7ou na defesa de uma nova legisla\u00e7\u00e3o para regular o funcionamento dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, a chamada Lei de M\u00eddia, ou de Meios. 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