{"id":2994,"date":"2011-08-19T08:08:02","date_gmt":"2011-08-19T11:08:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=2994"},"modified":"2011-08-19T15:00:26","modified_gmt":"2011-08-19T18:00:26","slug":"as-trabalhadoras-sem-direitos-da-natura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2011\/08\/19\/as-trabalhadoras-sem-direitos-da-natura\/","title":{"rendered":"As trabalhadoras sem direitos da Natura"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_3011\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/NATUREZA1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3011\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-3011\" title=\"NATUREZA\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/NATUREZA1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/NATUREZA1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/NATUREZA1.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3011\" class=\"wp-caption-text\">tem que cuidar da natureza e das pessoas tamb\u00e9m<\/p><\/div>\n<p align=\"right\"><strong><\/strong>\u00a0<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Por Cida de Oliveira, na <a href=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/temas\/trabalho\/2011\/08\/vendedoras-natura-sem-direitos-e-com-riscos-financeiros\">Rede Brasil Atual<\/a>:<\/strong><\/p>\n<p>Elas fazem o sucesso comercial da maior empresa brasileira de cosm\u00e9ticos, mas n\u00e3o t\u00eam qualquer v\u00ednculo empregat\u00edcio ou direito trabalhista e ainda assumem diversos riscos financeiros. Estas s\u00e3o as principais constata\u00e7\u00f5es da pesquisa &#8220;Make up do trabalho: uma empresa e um milh\u00e3o de revendedoras de cosm\u00e9ticos&#8221;, para o doutoramento da soci\u00f3loga Ludmila Costhek Ab\u00edlio pelo Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>Segundo o estudo, a empresa \u00e9 um exemplo da explora\u00e7\u00e3o do trabalho e das injusti\u00e7as que deixaram de ser discutidas diante da amea\u00e7a do desemprego. Ao mesmo tempo em que transmite a imagem de companhia moderna e comprometida com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, explora o trabalho informal de aproximadamente 1 milh\u00e3o de revendedoras, contingente equivalente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Campinas (SP), que se exp\u00f5e a riscos inclusive ?nanceiros numa atividade que raramente \u00e9 reconhecida pela sociedade como um trabalho.<\/p>\n<p>Procurada desde segunda-feira (15), a Natura n\u00e3o apresentou posi\u00e7\u00e3o oficial sobre o tema, nem esclareceu a forma como as revendedoras s\u00e3o tratadas. Na p\u00e1gina da empresa na internet, s\u00e3o apresentados 10 motivos para ser uma &#8220;consultora&#8221;, incluindo &#8220;alta lucratividade&#8221;, a flexibilidade de hor\u00e1rio e compromissos socioambientais da companhia.<\/p>\n<p>A pesquisa da Unicamp aborda aspectos relacionados \u00e0 informaliza\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho dentro de um segmento denominado Sistema de Vendas Diretas. A Natura foi escolhida por se se tratar de uma empresa brasileira multinacional l\u00edder de mercado e de reconhecido sucesso comercial. A marca est\u00e1 presente em sete pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e tamb\u00e9m na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre as chamadas consultoras e a empresa constitui um fen\u00f4meno social importante. Afinal s\u00e3o pessoas cujo trabalho, mesmo informal, contribui para o \u00eaxito da marca e a realiza\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o dos produtos, inclusive internacionalmente.<\/p>\n<p>Conforme a pesquisa, a rela\u00e7\u00e3o entre a Natura e as consultoras \u00e9 amb\u00edgua porque elas s\u00e3o tratadas igualmente como revendedoras e consumidoras. Muitas come\u00e7am a vender os produtos para poder consumi-los. Ou seja, parte do que seria seu lucro \u00e9 revertido em itens para uso pr\u00f3prio. Mas, para a empresa, o primordial \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de venda com as consultoras.<\/p>\n<p>O que acontece entre elas e seus clientes n\u00e3o afeta de fato a acumula\u00e7\u00e3o da empresa, que determina uma pontua\u00e7\u00e3o m\u00ednima para os pedidos (cujo valor m\u00e9dio equivale a aproximadamente R$ 250), e formaliza a rela\u00e7\u00e3o com as consultoras via boleto banc\u00e1rio. Novos pedidos s\u00f3 podem ser feitos quando a consultora tiver quitado as faturas anteriores. Para tornar-se uma &#8220;representante&#8221; da marca, a interessada precisa fazer um cadastro, ser maior de 18 anos e comprovar que n\u00e3o tem impedimentos financeiros em sistema de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito ligados ao seu CPF. Cumpridas as exig\u00eancias, a candidata est\u00e1 liberada para comprar os produtos da empresa com 30% de desconto, o equivalente \u00e0 comiss\u00e3o pelas vendas.<\/p>\n<p>Como nem sempre essa revendedora consegue atingir a cota m\u00ednima para fechar o pedido, a alternativa quase sempre \u00e9 vender os produtos que adquiriu para uso pr\u00f3prio para outras pessoas. O passo seguinte \u00e9 aproveitar as promo\u00e7\u00f5es do tipo &#8220;compre um perfume e ganhe outro&#8221;. Quando se d\u00e1 conta, ela come\u00e7a a fazer um estoque em casa, at\u00e9 para ter itens de pronta entrega e n\u00e3o perder vendas. O aspecto \u00e9 interessante, segundo a pesquisa, porque configura transfer\u00eancia de risco da empresa para a trabalhadora.<\/p>\n<p>As vendas da empresa para a rede de consultoras \u00e9 muito segura. Caso descumpram o compromisso assumido, podem ser protestadas. O \u00edndice de inadimpl\u00eancia \u00e9 pr\u00f3ximo a 1%, mas as revendedoras, ainda segundo o estudo, e elas n\u00e3o t\u00eam a mesma garantia em rela\u00e7\u00e3o a sua clientela \u2013 est\u00e3o sujeitas a calotes.<\/p>\n<p>A pesquisadora entrevistou faxineiras, professoras, donas de casa, mulheres de altos executivos e at\u00e9 uma delegada da Pol\u00edcia Federal (que vende os cosm\u00e9ticos no pr\u00e9dio da pr\u00f3pria corpora\u00e7\u00e3o), ao longo do expediente. Algumas disseram vender muito e alcan\u00e7ar bons ganhos, o que \u00e9 minoria. Em 2009, a empresa divulgou que, para 22% das mulheres consultoras, esta \u00e9 sua ocupa\u00e7\u00e3o principal.<\/p>\n<p>A pesquisa constatou ainda que, apesar de dedicar muito do seu tempo \u00e0 venda dos cosm\u00e9ticos e de enfrentar uma s\u00e9rie de di?culdades, essas mulheres di?cilmente s\u00e3o vistas como trabalhadoras. A atividade \u00e9 considerada algo l\u00fadico, quase um lazer, ou no m\u00e1ximo, um bico. Mas a pesquisadora diz que que claramente essas mulheres s\u00e3o trabalhadoras. Tanto que a atividade assume um papel central no sucesso empresarial da Natura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00a0 Por Cida de Oliveira, na Rede Brasil Atual: Elas fazem o sucesso comercial da maior empresa brasileira de cosm\u00e9ticos, mas n\u00e3o t\u00eam qualquer v\u00ednculo empregat\u00edcio ou direito trabalhista e ainda assumem diversos riscos financeiros. 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