{"id":27573,"date":"2014-02-07T10:00:39","date_gmt":"2014-02-07T13:00:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=27573"},"modified":"2014-02-06T18:38:00","modified_gmt":"2014-02-06T21:38:00","slug":"a-fazenda-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2014\/02\/07\/a-fazenda-2\/","title":{"rendered":"A Fazenda"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Daniel Thame<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/fazenda-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-27574\" alt=\"fazenda 2\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/fazenda-2-224x300.jpg\" width=\"224\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/fazenda-2-224x300.jpg 224w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/fazenda-2.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><\/a>\u201cA gente passava v\u00e1rias \u00a0semanas colhendo cacau, levando para as barca\u00e7as, ensacando, os caminh\u00f5es saindo lotados para Ilh\u00e9us. Tinha um monte de gente trabalhando aqui&#8230;\u201d <\/i><\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 exuberante, o verde chega a doer nos olhos, enquanto caminhamos em meio aos cacaueiros. Amaro, o autor da frase, \u00e9 administrador de uma fazenda localizada numa estrada vicinal em Pau Brasil, no Sul da Bahia.<\/p>\n<p>Ou, o que restou dela.<\/p>\n<p><i>\u201cA gente chegou a colher tr\u00eas mil arrobas de cacau. Esse ano vamos colher 120 arrobas. E olha que j\u00e1 colhemos menos. O dono s\u00f3 vem aqui uma vez por ano. Ainda bem que tem outras atividades, porque o que tira daqui n\u00e3o paga nem os trabalhadores&#8230;\u201d<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i>Por \u201cos trabalhadores\u201d, entendam-se oito pessoas, quase todos da mesma fam\u00edlia. A maioria ficou na fazenda por absoluta falta de op\u00e7\u00f5es. Amaro entre eles. Com a mulher e os filhos, cuida da pequena \u00e1rea de cacau e cultiva produtos de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p><i>\u201cO dono da fazenda fez clonagem, mas as \u00e1rvores n\u00e3o eram resistentes e a vassoura voltou com tudo. Agora estamos tentando novos clones para ver se a produ\u00e7\u00e3o aumenta de novo, mas nunca ser\u00e1 como antes, isso eu sei&#8230;\u201d<\/i><\/p>\n<p>Por \u201cantes\u201d entenda-se duas d\u00e9cadas. Antes da chegada da vassoura-de-bruxa, doen\u00e7a que por absoluta falta de cuidados e de conhecimentos praticamente dizimou a lavoura cacaueira e que num par de anos empobreceu uma regi\u00e3o absurdamente rica. O que Amaro sabe, o que todos j\u00e1 sabem, \u00e9 que nunca ser\u00e1 como antes.<\/p>\n<p><i>\u201cOlhe esse jacarand\u00e1, deve ter mais de cem anos. Essa \u00e1rvore aqui \u00e9 pau-brasil. O fazendeiro n\u00e3o permitiu que a gente derrubasse a mata, t\u00e1 tudo conservado. Mas o cacau, a vassoura levou embora&#8230;\u201d<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/fazenda-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-27575\" alt=\"fazenda 1\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/fazenda-1-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/fazenda-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/fazenda-1.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/i>Amaro acaricia os poucos frutos sadios, aponta para as plantas semi-mortas, espera que dessa vez a clonagem seja bem sucedida, para que pelo menos o cacau pague as despesas da fazenda. O receio, evidente, \u00e9 que o dono tenha um limite para arcar com os preju\u00edzos, ano ap\u00f3s ano.<\/p>\n<p><i>\u201cQuanta gente foi embora e hoje eu nem sei por onda anda. A gente vai nas outras fazendas e d\u00e1 pena. Muitas delas est\u00e3o abandonadas,\u00a0 as casas depredadas, onde tinha cacau, hoje s\u00f3 tem mato. Tenho 50 anos, nasci e cresci nas ro\u00e7as de cacau. Nunca pensei que iria ver isso&#8230;\u201d<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i>Amaro sai da planta\u00e7\u00e3o de cacau e se dirige para casa, onde a mulher, tamb\u00e9m nascida e criada nas ro\u00e7as de cacau, serve um caf\u00e9 ralo. A\u00a0 impress\u00e3o \u00e9 de que, ao transpor aqueles cacaueiros, deixou para tr\u00e1s um sonho.<\/p>\n<p>Ou, um pesadelo, que insiste em atormentar o sono de Amaro e\u00a0 de ilhares de pessoas que esperam pelo fim de uma crise como quem espera pelo fim de uma longa noite tenebrosa.<\/p>\n<p>Um dia que insiste em n\u00e3o amanhecer&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Thame &nbsp; \u201cA gente passava v\u00e1rias \u00a0semanas colhendo cacau, levando para as barca\u00e7as, ensacando, os caminh\u00f5es saindo lotados para Ilh\u00e9us. Tinha um monte de gente trabalhando aqui&#8230;\u201d A Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 exuberante, o verde chega a doer nos olhos, enquanto caminhamos em meio aos cacaueiros. 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