{"id":25733,"date":"2013-11-26T09:23:54","date_gmt":"2013-11-26T12:23:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=25733"},"modified":"2013-11-26T09:36:16","modified_gmt":"2013-11-26T12:36:16","slug":"por-que-o-acordo-com-o-ira-e-bom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2013\/11\/26\/por-que-o-acordo-com-o-ira-e-bom\/","title":{"rendered":"Por que o acordo com o Ir\u00e3 \u00e9 bom"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><b>por Jos\u00e9 Antonio CartaCapital online<\/b><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/ir\u00e3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-25734\" alt=\"ir\u00e3\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/ir\u00e3.jpg\" width=\"299\" height=\"200\" \/><\/a>Um dia depois do an\u00fancio de que as pot\u00eancias mundiais chegaram a um acordo preliminar com Teer\u00e3 a respeito do programa nuclear iraniano, a diplomacia dos Estados Unidos tem gastado boa parte de seu tempo para defender o resultado das negocia\u00e7\u00f5es. De Israel, dos pa\u00edses do Golfo e de dentro do Congresso norte-americano surgiram diversas cr\u00edticas pesadas, entre as quais a de que o acordo \u00e9 um &#8220;erro hist\u00f3rico&#8221; e transpareceu a &#8220;fraqueza&#8221; de Washington diante dos aiatol\u00e1s. Barack Obama, seu secret\u00e1rio de Estado, John Kerry, e outros integrantes do governo insistem que o acordo \u00e9 interessante n\u00e3o s\u00f3 para os EUA mas tamb\u00e9m para seus aliados no Oriente M\u00e9dio, e, desta vez, est\u00e3o certos.<\/p>\n<p>Todas as cr\u00edticas feitas ao acordo eram previstas. Em Israel, a impress\u00e3o \u00e9 a de que os interesses do pa\u00eds foram deixados de lado nas negocia\u00e7\u00f5es de Genebra. O compromisso firmado na Su\u00ed\u00e7a \u00e9 retratado como uma vit\u00f3ria do Ir\u00e3 e uma derrota dos israelenses, em particular do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o l\u00edder mais vocal na condena\u00e7\u00e3o ao Ir\u00e3. Refor\u00e7a esse sentimento de trai\u00e7\u00e3o o fato, revelado pelo site Al-Monitor, de que Washington e Teer\u00e3 vinham negociando um acerto secretamente, antes mesmo de Rossam Rouhani ser eleito presidente do Ir\u00e3, o que ampliou as possibilidades de acordo. Israel, ao que parece, n\u00e3o tinha conhecimento dessas conversas.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A indigna\u00e7\u00e3o israelense deve ser ponderada, entretanto, pois a ret\u00f3rica b\u00e9lica de Netanyahu tem objetivos claros: internamente, ela \u00e9 usada para refor\u00e7ar o poder do premi\u00ea na pol\u00edtica local; externamente, \u00e9 uma forma de press\u00e3o para for\u00e7ar os Estados Unidos a cessarem o projeto at\u00f4mico iraniano. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que Netanyahu prefere viver ao lado dos EUA o pesadelo de um confronto com o Ir\u00e3 a faz\u00ea-lo sozinho.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses \u00e1rabes, o sentimento de trai\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 presente. O governo da Ar\u00e1bia Saudita permanece em sil\u00eancio at\u00e9 agora. Bahrein e Emirados \u00c1rabes Unidos elogiaram moderadamente o acordo. Nos bastidores, entretanto, \u00e9 certo o temor. Os pa\u00edses do Golfo, em especial a Ar\u00e1bia Saudita, temem o expansionismo iraniano, de forma mais intensa at\u00e9 do que Israel. A presen\u00e7a de minorias xiitas nesses pa\u00edses, e o temor de que elas sejam manipuladas pelo Ir\u00e3 e provoquem instabilidade, assusta as fam\u00edlias reais locais. A sensa\u00e7\u00e3o de terem sido deixados para tr\u00e1s pelos Estados Unidos na disputa contra o Ir\u00e3 \u00e9 grande nos pa\u00edses do Golfo: ela se tornou clara desde setembro, quando Washington desistiu da interven\u00e7\u00e3o na S\u00edria, campo de batalha principal para a disputa por influ\u00eancia entre a Ar\u00e1bia Saudita, sunita, e o Ir\u00e3, xiita, que vem se intensificando nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>As acusa\u00e7\u00f5es de fraqueza contra Obama feitas pelos congressistas norte-americanos, republicanos e democratas, tamb\u00e9m eram esperadas. O ceticismo tem diversas explica\u00e7\u00f5es, mas duas se destacam. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o acordo com o Ir\u00e3 \u00e9 uma aposta arriscada. Para um deputado ou um senador que em breve vai disputar uma elei\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais interessante deixar o fardo com a Casa Branca do que colocar seu peso pol\u00edtico sobre uma negocia\u00e7\u00e3o cujo desfecho \u00e9 incerto. Em segundo lugar, o Congresso \u00e9 muito mais suscet\u00edvel ao lobby de Israel e da Ar\u00e1bia Saudita do que o Executivo. Obama e seus auxiliares precisam pesar n\u00e3o apenas o que \u00e9 mais interessante para seus aliados, mas tamb\u00e9m para os EUA. O acordo preliminar feito em Genebra indica a dire\u00e7\u00e3o correta.<\/p>\n<p>Na rela\u00e7\u00e3o entre os Estados Unidos e o Ir\u00e3, a alternativa para a diplomacia \u00e9 a confronta\u00e7\u00e3o. Sem di\u00e1logo, Washington precisaria impor mais san\u00e7\u00f5es e bloqueios ao Ir\u00e3 e, em \u00faltimo caso, atacar o pa\u00eds dos aiatol\u00e1s at\u00e9 destruir todas suas instala\u00e7\u00f5es nucleares, um desfecho que talvez n\u00e3o seja poss\u00edvel sem uma ocupa\u00e7\u00e3o. Um ataque n\u00e3o seria simples, mas exigiria um esfor\u00e7o colossal por parte dos Estados Unidos e de seus aliados e intensificaria ainda mais o conflito entre Ar\u00e1bia Saudita e pa\u00edses do Golfo (com o inusitado apoio de Israel) contra o Ir\u00e3, o grupo liban\u00eas Hezbollah e o regime de Bashar al-Assad na S\u00edria. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que esse c\u00e1lculo foi feito pela Casa Branca quando Obama decidiu recuar na S\u00edria.<\/p>\n<p>Ao se engajar num di\u00e1logo com o Ir\u00e3, a administra\u00e7\u00e3o Obama d\u00e1 uma chance para a diplomacia. \u00c9 uma oportunidade que, se n\u00e3o for aproveitada agora, provavelmente n\u00e3o vai surgir em muitos anos. Rouhani \u00e9 um l\u00edder conservador, mas parece disposto a chegar a um acordo razo\u00e1vel com Washington e seus aliados. Por enquanto, o presidente iraniano conta com o apoio do l\u00edder supremo, o aiatol\u00e1 Ali Khamenei, mas a linha-dura do regime est\u00e1 \u00e0 espreita, aguardando um fracasso do di\u00e1logo para retomar o poder, o que inviabilizaria a continuidade das negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos seis meses, per\u00edodo em que as pot\u00eancias e o Ir\u00e3 devem tornar o acordo nuclear preliminar em definitivo, todas as for\u00e7as contr\u00e1rias ao di\u00e1logo v\u00e3o agir contra ele. Ocorre que a mesa de negocia\u00e7\u00f5es \u00e9 o melhor lugar para o mundo compreender um fato irremedi\u00e1vel, que n\u00e3o se manifesta apenas com o programa nuclear iraniano. Com o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica na d\u00e9cada de 1990 e a derrubada de Saddam Hussein (no Iraque) e do Taleban (no Afeganist\u00e3o) na d\u00e9cada de 2000, o Ir\u00e3 se tornou uma pot\u00eancia regional e n\u00e3o vai aceitar ser menos do que isso. Ou os Estados Unidos e seus aliados buscam um entendimento aceit\u00e1vel com Teer\u00e3 agora ou precisar\u00e3o deflagrar uma guerra regional para obter um novo status quo. Para a economia mundial e para os milhares de soldados e civis que inevitavelmente perderiam suas vidas nesse conflito, \u00e9 melhor que isso ocorra pela via pac\u00edfica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Jos\u00e9 Antonio CartaCapital online Um dia depois do an\u00fancio de que as pot\u00eancias mundiais chegaram a um acordo preliminar com Teer\u00e3 a respeito do programa nuclear iraniano, a diplomacia dos Estados Unidos tem gastado boa parte de seu tempo para defender o resultado das negocia\u00e7\u00f5es. 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