{"id":23891,"date":"2013-09-25T08:50:22","date_gmt":"2013-09-25T11:50:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=23891"},"modified":"2013-09-25T08:22:03","modified_gmt":"2013-09-25T11:22:03","slug":"ex-catadora-de-latinhas-de-brasilia-passa-em-concurso-do-tribunal-de-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2013\/09\/25\/ex-catadora-de-latinhas-de-brasilia-passa-em-concurso-do-tribunal-de-justica\/","title":{"rendered":"Ex-catadora de latinhas de Bras\u00edlia  passa em concurso do Tribunal de Justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_23892\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/latinha.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23892\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-23892\" title=\"latinha\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/latinha-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/latinha-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/latinha.jpg 620w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-23892\" class=\"wp-caption-text\">um exemplo de supera\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>(do G1)-Uma catadora de latinhas do Distrito Federal conseguiu passar em um concurso de n\u00edvel m\u00e9dio do Tribunal de Justi\u00e7a estudando apenas 25 dias. Com isso, ela trocou uma renda mensal de R$ 50 por um sal\u00e1rio de R$ 7 mil. \u201cFoi muito dif\u00edcil. Hoje, contar parece que foi f\u00e1cil, mas eu venci\u201d, afirma. Agora, ela diz que pensa em estudar direito.<\/p>\n<p>Sem dinheiro nem para comprar g\u00e1s e obrigada a cozinhar com gravetos, Marilene Lopes viu a vida dela e a da fam\u00edlia mudar em 2001, depois de ler na capa de um jornal a abertura das inscri\u00e7\u00f5es para o concurso do Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal.<\/p>\n<p>Ela, que at\u00e9 ent\u00e3o ganhava R$ 50 por m\u00eas catando latinhas em Brazl\u00e2ndia, \u00a0a cerca de 30 quil\u00f4metros de Bras\u00edlia, decidiu usar os 25 dias de repouso da cirurgia de corre\u00e7\u00e3o do l\u00e1bio leporino para estudar com as irm\u00e3s, que tinham a apostila da sele\u00e7\u00e3o. Apenas Marilene foi aprovada.<\/p>\n<p>&#8220;Minha m\u00e3e disse que, se eu fosse operar, ela cuidava dos meninos, ent\u00e3o fui para a casa dela. Minha m\u00e3e comprou uma apostila para as minhas irm\u00e3s, a\u00ed dei a ideia de formarmos um grupo de estudo. \u00cdamos de 8h \u00e0s 12h, 14h \u00e0s 18h e de 19h \u00e0s 23h30. Depois eu seguia sozinha at\u00e9 as 2h&#8221;, explica.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O esfor\u00e7o de quase 12 anos atr\u00e1s ainda tem lugar especial na mem\u00f3ria da fam\u00edlia. Na \u00e9poca, eles moravam em uma invas\u00e3o em Brazl\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Marilene j\u00e1 havia sido agente de sa\u00fade e dom\u00e9stica, mas perdeu o emprego por causa das vezes em que faltou para cuidar das crian\u00e7as. Como os meninos eram impedidos de entrar na creche se estivessem com os p\u00e9s sujos, ela comprou um carrinho de m\u00e3o para lev\u00e1-los e aproveitou para unir o \u00fatil ao agrad\u00e1vel: na volta, catava as latinhas de alum\u00ednio.<\/p>\n<div id=\"attachment_23893\" style=\"width: 235px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/latinha-2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23893\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-23893\" title=\"latinha 2\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/latinha-2-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/latinha-2-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/latinha-2.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-23893\" class=\"wp-caption-text\">Marilene no local de trabalho: vida melhor<\/p><\/div>\n<p>Segundo ela, a situa\u00e7\u00e3o durou um ano e meio, e na \u00e9poca a fam\u00edlia passava muita fome. &#8220;Nunca tinha nem fruta para comer. Eu me lembro que passei um ano com uma s\u00f3 calcinha. Tomava banho, lavava e dormia sem, at\u00e9 secar, para vestir no outro dia. Roupas, sapato, bicicleta [os filhos puderam ter depois da aprova\u00e7\u00e3o no concurso]. Nunca tive uma bicicleta&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Mesmo para se inscrever na prova Marilene, que \u00e9 t\u00e9cnica em enfermagem e em administra\u00e7\u00e3o, encontrou dificuldades. Ela lembra ter pedido R$ 5 a cada amigo e ter chegado \u00e0 ag\u00eancia banc\u00e1ria dez minutos antes do fechamento, no \u00faltimo dia do pagamento. E o resultado foi informado por uma das irm\u00e3s, que leu o nome dela no jornal.<\/p>\n<p>&#8220;Tinha medo [de n\u00e3o passar] e ao mesmo tempo ficava confiante. Sabia que se me dedicasse bem eu passaria, s\u00f3 precisava de uma vaga&#8221;, diz. &#8220;Dei uma flutuada ao ver o resultado. Pedi at\u00e9 para minha irm\u00e3 me beliscar.&#8221;<\/p>\n<p>Ganhando atualmente R$ 7 mil, a t\u00e9cnica judici\u00e1ria garante que n\u00e3o tem vergonha do passado e que depois de formar os cinco filhos pretende ingressar na faculdade de direito. &#8220;Mesmo quando minhas colegas passavam por mim com seus carros e riam ao me ver catando latinhas com o meu carrinho de m\u00e3o eu n\u00e3o sentia vergonha. E meus filhos t\u00eam muito orgulho de mim, da nossa luta. Eles querem seguir meu exemplo.&#8221;<\/p>\n<p>Marilene j\u00e1 passou pelo Juizado Especial de Compet\u00eancia Geral, 2\u00aa Vara C\u00edvel, \u00d3rf\u00e3os e Sucess\u00f5es de Sobradinho, 2\u00aa Vara Criminal de Ceil\u00e2ndia, 12\u00aa Vara C\u00edvel de Bras\u00edlia e Contadoria. A trajet\u00f3ria dela inspira os colegas. Por e-mail, o primeiro chefe, o analista Josias D&#8217;Olival Junior, \u00e9 s\u00f3 elogios. &#8220;A sua hist\u00f3ria de vida, a sua garra e o seu car\u00e1ter nos tocavam e nos inspiravam profundamente.&#8221;<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica afirma ainda que n\u00e3o se arrepende de nada do que passou, nem mesmo de ter tido cinco filhos \u2013 como diz terem comentado amigos. &#8220;Ainda hoje choro quando me lembro de tudo. Eu n\u00e3o tinha g\u00e1s e nem comida e n\u00e3o ia falar pra minha m\u00e3e. Se falasse, ela me ajudaria, mas achava um abuso. Al\u00e9m de ficar 25 dias na casa dela, comendo e bebendo sem ajudar nas despesas, ainda ia pedir compras\u00a0 ou o dinheiro para o g\u00e1s? Ah, n\u00e3o. Ent\u00e3o assim, quando passei, foi como se Deus me falasse &#8216;calma, o deserto acabou&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>Da \u00e9poca de catar latinhas, Marilene diz que mant\u00e9m ainda a qualidade de ser superecon\u00f4mica. Ela afirma que n\u00e3o junta mais alum\u00ednio por n\u00e3o encontr\u00e1-los mais na rua. &#8220;As pessoas descobriram o valor, descobriram que d\u00e1 para vender e juntar dinheiro&#8221;. J\u00e1 as irm\u00e3s com quem estudou, uma se formou em jornalismo em 2011 e outra passou quatro anos depois no concurso do TJ de Minas Gerais, e foi lotada em Paracatu.<\/p>\n<p><strong>Dificuldades<\/strong><br \/>\nO primeiro problema enfrentado por Marilene veio na posse do concurso. A cerim\u00f4nia ocorreu tr\u00eas dias ap\u00f3s o nascimento do quinto filho, em um parto complicado. A m\u00e9dica n\u00e3o queria liber\u00e1-la para a prova, mas s\u00f3 consentiu com a garantia de que ela voltaria at\u00e9 18h30. Por causa do tr\u00e2nsito, a catadora se atrasou em uma hora.<\/p>\n<p>&#8220;A m\u00e9dica chamou a pol\u00edcia dizendo que eu tinha abandonado meu filho. \u00c9 que eu estava de alta, mas o beb\u00ea n\u00e3o, e ele precisava tomar leite no ber\u00e7\u00e1rio enquanto eu estivesse fora&#8221;, lembra. &#8220;A enfermeira ligou para a pol\u00edcia do hospital e explicou a situa\u00e7\u00e3o e a\u00ed pararam de me procurar. A m\u00e9dica me deixou com o problema e foi embora, no t\u00e9rmino do plant\u00e3o dela.&#8221;<\/p>\n<p>Resolvida a situa\u00e7\u00e3o, Marilene e a fam\u00edlia viveram bem at\u00e9 2003, quando o marido resolveu sair de casa. O homem, que j\u00e1 havia sido preso por porte ilegal de arma, havia &#8220;se deslumbrado&#8221; com a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da mulher. A casa e o carro comprados a partir do sal\u00e1rio do tribunal precisaram ser divididos.<\/p>\n<p>Atualmente, ela mora com os filhos na casa de um amigo, na Estrutural, enquanto aguarda a entrega de um apartamento de tr\u00eas quartos em \u00c1guas Claras. Marilene tem uma moto e, junto com uma das irm\u00e3s, est\u00e1 pagando um cons\u00f3rcio para comprar um carro zero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(do G1)-Uma catadora de latinhas do Distrito Federal conseguiu passar em um concurso de n\u00edvel m\u00e9dio do Tribunal de Justi\u00e7a estudando apenas 25 dias. Com isso, ela trocou uma renda mensal de R$ 50 por um sal\u00e1rio de R$ 7 mil. \u201cFoi muito dif\u00edcil. Hoje, contar parece que foi f\u00e1cil, mas eu venci\u201d, afirma. 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