{"id":2056,"date":"2011-07-12T08:23:37","date_gmt":"2011-07-12T11:23:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=2056"},"modified":"2011-07-12T08:23:37","modified_gmt":"2011-07-12T11:23:37","slug":"cadeiras-na-calcada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2011\/07\/12\/cadeiras-na-calcada\/","title":{"rendered":"CADEIRAS NA CAL\u00c7ADA"},"content":{"rendered":"<div class=\"mceTemp\">\n<dl id=\"attachment_2057\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 310px;\">\n<dt class=\"wp-caption-dt\"><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/medo-para-Contudo-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-2057\" title=\"medo para Contudo 2\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/medo-para-Contudo-2-300x220.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/medo-para-Contudo-2-300x220.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/medo-para-Contudo-2.jpg 435w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"wp-caption-dd\">uma rua chamada medo<\/dd>\n<\/dl>\n<p>H\u00e1 pouco menos de cinco anos, a rua Henrique Alves, em Itabuna, era um exemplo de um Pontalzinho bo\u00eamio, com uma vida noturna efervescente, e ao mesmo tempo com ares de cidade interiorana, onde os vizinhos colocavam cadeiras na cal\u00e7ada para jogar conversa fora, as crian\u00e7as brincavam livremente e casais de namorados davam seus amassos discretos ou nem tanto na porta de casa.<\/p>\n<p>O chamado bairro ideal, com tudo perto. Farm\u00e1cia, padaria, mercado, a\u00e7ougue e uma profus\u00e3o de bares, estrelado pelo Katiquero, com sua cerveja sempre gelada e caranguejos que merecem ser degustados de joelhos.<br \/>\nEssa rua e esse bairro, infelizmente n\u00e3o existem mais, embora a padaria, a farm\u00e1cia, o mercado, o a\u00e7ougue e o Katiquero continuem nos mesmos lugares.<\/p>\n<p>A rua Henrique Alves, que de t\u00e3o pacata \u00e0s vezes parecia modorrenta, tornou-se a s\u00edntese de uma viol\u00eancia que se estende a todas as ruas e a todos os bairros dessa cidade sitiada pela bandidagem.<br \/>\nN\u00e3o passa um dia sem que haja um assalto, n\u00e3o passa uma semana sem que haja um arrombamento de casa ou estabelecimento comercial. E vieram tamb\u00e9m os assassinatos.<\/p>\n<p>Tornou-se banal, em qualquer hora do dia, algu\u00e9m gritar que teve seu telefone celular roubado. Os marginais, sozinhos ou em duplas, agem livremente. O simples barulho de uma moto provoca calafrios, tantos s\u00e3o os motobandidos cometendo crimes com a quase certeza da impunidade.<br \/>\nO que era paz, virou pavor. \u00c9 raro encontrar algu\u00e9m na rua a partir das 20 horas. Pais s\u00f3 se tranq\u00fcilizam quando os filhos retornam para casa, como se chegar vivo do trabalho, da escola ou do lazer fosse uma esp\u00e9cie de pr\u00eamio de loteria.<\/p>\n<p>As resid\u00eancias viraram verdadeiras fortalezas, com grades, correntes e sistemas de vigil\u00e2ncia eletr\u00f4nica. Uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, j\u00e1 que ningu\u00e9m passa a vida toda trancado. E tamb\u00e9m porque nem esse aparato evita a a\u00e7\u00e3o dos bandidos, cada vez mais ousados e destemidos.<br \/>\nBeira o inacredit\u00e1vel, mas um marginal escalou tr\u00eas andares para roubar roupas que estavam secando na varanda de uma casa. As grades que deveriam servir de prote\u00e7\u00e3o, serviram como escada para o ladr\u00e3o.<\/p>\n<p>Parte dessa tranq\u00fcilidade perdida deve-se \u00e0 expans\u00e3o do consumo de crack, essa droga devastadora que leva empurra os viciados ao mundo do crime.<br \/>\nRoupas, cal\u00e7ados, celulares, pulseiras e an\u00e9is se transformam em moeda de troca na hora de adquirir as pedras que eles consomem sem parar.<br \/>\nE o bairro, que j\u00e1 foi uma esp\u00e9cie de para\u00edso na terra para quem quer conciliar as facilidades da cidade grande com a tranq\u00fcilidade de uma pequena cidade, se transformou num inferno, onde as pessoas n\u00e3o est\u00e3o seguras nem dentro de casa.<\/p>\n<p><strong>A CADEIRA SUMIU<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0Talvez com saudade de um tempo que n\u00e3o volta mais, uma moradora colou a cadeira na cal\u00e7ada e ficou observando o movimento. O telefone tocou e ela entrou em casa para atender.<br \/>\nQuando retornou minutos depois, haviam roubado a cadeira&#8230;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>uma rua chamada medo H\u00e1 pouco menos de cinco anos, a rua Henrique Alves, em Itabuna, era um exemplo de um Pontalzinho bo\u00eamio, com uma vida noturna efervescente, e ao mesmo tempo com ares de cidade interiorana, onde os vizinhos colocavam cadeiras na cal\u00e7ada para jogar conversa fora, as crian\u00e7as brincavam livremente e casais de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2056"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2056"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2056\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2058,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2056\/revisions\/2058"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}