{"id":2013,"date":"2011-07-09T10:55:18","date_gmt":"2011-07-09T13:55:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=2013"},"modified":"2011-07-09T10:55:18","modified_gmt":"2011-07-09T13:55:18","slug":"paulo-lima-o-coronel-do-cacau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2011\/07\/09\/paulo-lima-o-coronel-do-cacau\/","title":{"rendered":"PAULO LIMA, O CORONEL DO CACAU"},"content":{"rendered":"<div class=\"mceTemp\">\n<dl id=\"attachment_2014\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 229px;\">\n<dt class=\"wp-caption-dt\"><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/paulo-lima-coron\u00e9.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-2014\" title=\"paulo lima coron\u00e9\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/paulo-lima-coron\u00e9-219x300.jpg\" alt=\"\" width=\"219\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/paulo-lima-coron\u00e9-219x300.jpg 219w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/paulo-lima-coron\u00e9.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 219px) 100vw, 219px\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"wp-caption-dd\">ele s\u00f3 esqueceu de falar da vassoura-de-bruxa<\/dd>\n<\/dl>\n<p>Len\u00e7\u00f3is, 1998. Encontro Estadual de Jornalistas. Apesar do nome pomposo, o evento j\u00e1 conhecera tempos melhores e praticamente havia se transformado num convescote. As discuss\u00f5es se limitavam ao nhem nhem nhem de sempre: exig\u00eancia do diploma, surgimento de novos cursos de comunica\u00e7\u00e3o nas faculdades e valoriza\u00e7\u00e3o profissional.<br \/>\nNa verdade, essa baboseira toda s\u00f3 valia a pena pela oportunidade de rever amigos do Extremo Sul, de Jequi\u00e9, de Vit\u00f3ria da Conquista e Feira de Santana, tudo regado a hectolitros de cerveja.<\/p>\n<p>No encontro em quest\u00e3o, Itabuna estava representada por Ederivaldo Benedito, Joselito Reis,Jos\u00e9 Carlos Bombinha. Juarez Vicente, Paulo Lima e este escriba.<br \/>\nDevidamente hospedados no Portal Len\u00e7\u00f3is, hotel com uma vista maravilhosa da Chapada Diamantina, constatamos que Paulo Lima havia viajado sem um puto no bolso. Lisinho, lisinho.<br \/>\nAt\u00e9 ai, nada demais. O hotel era por conta do Sindicato dos Jornalistas com direito a caf\u00e9 da manh\u00e3, almo\u00e7o e jantar e a bebida estava garantida pelos in\u00fameros regabofes oferecidos pelas autoridades locais, \u00e1vidas pra fazer m\u00e9dia com a imprensa.<\/p>\n<p>Bastava apenas evitar que Paulo Lima fizesse as chamadas \u201cdespesas extras\u201d. Em comum acordo, foi decidido que eu avisaria a portaria do hotel que com aquele cliente nada de despesas para pagar no check-out, popularmente conhecido como fechar a conta sa\u00edda do hotel. Chato, mas melhor do que ter que passar a sacolinha no final do evento.<br \/>\nPor volta das 19 horas, enquanto aguardava a abertura do semin\u00e1rio, fui ao bar do hotel, ser apresentado a uma leg\u00edtima cachacinha da Chapada.<\/p>\n<p>Eis que, me deparo com Paulo Lima, num impec\u00e1vel terno azul marinho, sentado numa das mesas com duas senhoras que, pelas roupas e pelas j\u00f3ias, eram o que se pode chamar de cheias da grana. Sinal amarelo. Perigo, perigo, perigo&#8230;<br \/>\nDiscretamente, sentei no balc\u00e3o do bar, nem t\u00e3o perto que incomodasse, nem t\u00e3o longe que me impedisse de ouvir aquele bolod\u00f3rio.<br \/>\nPaulo Lima estava inspirad\u00edssimo. Dizia que tinha v\u00e1rias fazendas de cacau no Sul da Bahia (incr\u00edvel como, com a vassoura-de-bruxa devastando as ro\u00e7as e transformando rica\u00e7os em pobret\u00f5es, algu\u00e9m ainda aplicava o conto do fazendeiro de cacau!), que possu\u00eda iate em Ilh\u00e9us, apartamentos no Rio, S\u00e3o Paulo e Salvador. E ainda se gabava de suas viagens \u00e0 Europa e aos Estados Unidos, com a freq\u00fc\u00eancia com que n\u00f3s, pobres mortais, vamos ao boteco da esquina.<\/p>\n<p>As diletas senhoras pareciam estar adorando a conversa e eu at\u00e9 achava gra\u00e7a daquela situa\u00e7\u00e3o. Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o acabaria ali. Enquanto eu sorvia meu terceiro copo de cacha\u00e7a (bem abaixo da minha m\u00e9dia, reconhe\u00e7o), aconteceu. Sinal vermelho!<br \/>\nQuando as mulheres pediram a conta de um jantar pra l\u00e1 de fornido e o gar\u00e7om apresentou a fatura, Paulo Lima se antecipou e perpetrou:<br \/>\n-Mesa em que Paulo Lima senta, mulher n\u00e3o paga a conta. Deixa que eu assino essa nota&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se foi meu olhar de desespero, se foi a engasgada que eu dei com a cacha\u00e7a ou se duas senhoras sabiam que a tal riqueza dos coron\u00e9is do cacau j\u00e1 eram lendas reduzidas aos livros de Jorge Amado.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que elas gentilmente tomaram a nota das m\u00e3os Paulo Lima, sacaram um humilhante cart\u00e3o American Express e a conta foi devidamente paga. Por elas, ufa!<br \/>\nResumo da \u00f3pera: o nosso preju\u00edzo se limitou aos dois u\u00edsques que Paulo Lima bebeu enquanto representava o papel de milion\u00e1rio com a galhardia que lhe \u00e9 peculiar.<\/p>\n<p>Pensando bem, at\u00e9 que foi lucro.<br \/>\nSe as duas damas, na verdade turistas de S\u00e3o Paulo em tour pela Bahia, n\u00e3o fossem t\u00e3o distintas, era bem capaz da gente jogar o Paulo Lima l\u00e1 do alto do Morro do Pai In\u00e1cio.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ele s\u00f3 esqueceu de falar da vassoura-de-bruxa Len\u00e7\u00f3is, 1998. Encontro Estadual de Jornalistas. Apesar do nome pomposo, o evento j\u00e1 conhecera tempos melhores e praticamente havia se transformado num convescote. As discuss\u00f5es se limitavam ao nhem nhem nhem de sempre: exig\u00eancia do diploma, surgimento de novos cursos de comunica\u00e7\u00e3o nas faculdades e valoriza\u00e7\u00e3o profissional. 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