{"id":187537,"date":"2026-05-09T08:15:18","date_gmt":"2026-05-09T11:15:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=187537"},"modified":"2026-05-08T10:19:47","modified_gmt":"2026-05-08T13:19:47","slug":"agenor-gasparetto-um-gaucho-que-escolheu-o-sul-da-bahia-para-eternizar-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2026\/05\/09\/agenor-gasparetto-um-gaucho-que-escolheu-o-sul-da-bahia-para-eternizar-historias\/","title":{"rendered":"Agenor Gasparetto: um ga\u00facho que escolheu o Sul da Bahia para eternizar hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-187538\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PHOTO-2026-05-07-08-39-39.jpg\" alt=\"\" width=\"316\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PHOTO-2026-05-07-08-39-39.jpg 550w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PHOTO-2026-05-07-08-39-39-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PHOTO-2026-05-07-08-39-39-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 316px) 100vw, 316px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Cl\u00e9ber Isaac Filho<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cA verdadeira Bahia \u00e9 o Rio Grande do Sul\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A frase frequentemente associada ao universo tropicalista de Caetano Veloso talvez nunca tenha feito tanto sentido quanto quando pensamos na trajet\u00f3ria de Agenor Gasparetto.<\/p>\n<p>Ga\u00facho de origem, mas profundamente ligado \u00e0 identidade cultural baiana, Agenor construiu no Sul da Bahia uma hist\u00f3ria marcada pela literatura, pela mem\u00f3ria regional e pela valoriza\u00e7\u00e3o da cultura do interior.<\/p>\n<p>Em tempos em que grande parte da produ\u00e7\u00e3o cultural brasileira gira em torno do eixo Rio\u2013S\u00e3o Paulo, Gasparetto escolheu outro caminho: ajudar a construir uma literatura enraizada na vida real das pessoas, das cidades do interior, da cultura do cacau e das hist\u00f3rias humanas da regi\u00e3o grapi\u00fana.<\/p>\n<p>Mais do que escritor, tornou-se um articulador cultural.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17081\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PHOTO-2026-05-07-08-39-36.jpg\" alt=\"\" width=\"765\" height=\"139\" \/><\/p>\n<p>Professor universit\u00e1rio, soci\u00f3logo, cronista e editor, Agenor encontrou no Sul da Bahia n\u00e3o apenas um lugar para viver, mas um territ\u00f3rio afetivo e intelectual. Com sensibilidade rara, compreendeu rapidamente que a regi\u00e3o n\u00e3o produzia apenas riqueza agr\u00edcola atrav\u00e9s do cacau \u2014 produzia tamb\u00e9m identidade, linguagem, personagens, mem\u00f3ria e narrativas profundamente brasileiras.<\/p>\n<p>E talvez justamente por enxergar isso com o olhar de quem veio de fora, conseguiu valorizar aspectos que muitas vezes os pr\u00f3prios baianos deixam passar despercebidos.<\/p>\n<p>\u00c0 frente da Via Litterarum Editora??, Gasparetto ajudou a abrir espa\u00e7o para dezenas de escritores independentes do Sul da Bahia. Em um pa\u00eds onde publicar livros fora dos grandes centros editoriais ainda \u00e9 um enorme desafio, sua atua\u00e7\u00e3o se tornou quase uma miss\u00e3o cultural.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A Via Litterarum virou mais do que uma editora.<\/p>\n<p>Virou ponto de resist\u00eancia intelectual.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-17083\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/via-l-2.jpg\" alt=\"\" width=\"273\" height=\"273\" \/><\/p>\n<p>Ali passaram cronistas, pesquisadores, poetas, memorialistas, professores e escritores regionais que talvez jamais tivessem oportunidade de transformar seus textos em livros sem esse incentivo. Enquanto muitos mercados editoriais buscam apenas escala comercial, Agenor manteve o foco na preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria cultural regional.<\/p>\n<p>Seu trabalho tem algo muito ligado \u00e0 pr\u00f3pria ess\u00eancia do cacau.<\/p>\n<p>Assim como o sistema cabruca preserva \u00e1rvores centen\u00e1rias dentro da Mata Atl\u00e2ntica, Gasparetto ajudou a preservar hist\u00f3rias humanas dentro da paisagem cultural do Sul da Bahia.<\/p>\n<p>Existe algo profundamente grapi\u00fana em sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-17085\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/via-l-3.jpg\" alt=\"\" width=\"361\" height=\"361\" \/><\/p>\n<p>Suas obras misturam observa\u00e7\u00e3o social, mem\u00f3ria afetiva, humor, cr\u00edtica e regionalismo sem caricatura. Livros como \u00caxtase, de birra com Jorge Amado e outras cr\u00f4nicas grapi\u00fanas demonstram exatamente isso: uma rela\u00e7\u00e3o madura e afetiva com a cultura local, sem a necessidade de copiar modelos prontos.<\/p>\n<p>Ao longo das d\u00e9cadas, o Sul da Bahia se tornou conhecido nacionalmente pela for\u00e7a da literatura ligada ao cacau, especialmente atrav\u00e9s de Jorge Amado. Mas existe uma nova gera\u00e7\u00e3o de autores, cronistas e editores que continua mantendo viva essa tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria regional \u2014 e Agenor Gasparetto \u00e9 um dos principais respons\u00e1veis por essa continuidade.<\/p>\n<p>Seu trabalho tamb\u00e9m ajuda a quebrar uma vis\u00e3o limitada sobre o interior da Bahia.<\/p>\n<p>Muitas vezes, a cultura produzida fora das capitais \u00e9 tratada apenas como folclore ou curiosidade regional. Mas o Sul da Bahia desenvolveu ao longo do tempo uma identidade cultural sofisticada, marcada pela mistura entre cacau, Mata Atl\u00e2ntica, migra\u00e7\u00f5es, pol\u00edtica, conflitos agr\u00e1rios, praia, religiosidade, boemia e transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Poucas regi\u00f5es brasileiras produziram um imagin\u00e1rio t\u00e3o forte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-17086\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/via-1.jpg\" alt=\"\" width=\"482\" height=\"183\" \/><\/p>\n<p>E poucas tiveram tantos personagens humanos interessantes circulando entre fazendas, portos, bares, praias e universidades.<\/p>\n<p>Gasparetto entendeu isso.<\/p>\n<p>E ajudou a registrar isso em livros, encontros liter\u00e1rios, lan\u00e7amentos, projetos editoriais e incentivo constante \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cultural regional.<\/p>\n<p>Em um momento em que a intelig\u00eancia artificial, os v\u00eddeos r\u00e1pidos e os algoritmos aceleram tudo, o trabalho de Agenor parece seguir na dire\u00e7\u00e3o oposta: perman\u00eancia.<\/p>\n<p>Perman\u00eancia da mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Perman\u00eancia da palavra.<\/p>\n<p>Perman\u00eancia da identidade cultural do Sul da Bahia.<\/p>\n<p>Talvez seja justamente por isso que sua trajet\u00f3ria mere\u00e7a ser reconhecida n\u00e3o apenas no meio liter\u00e1rio, mas como parte importante da pr\u00f3pria hist\u00f3ria cultural da regi\u00e3o cacaueira brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cl\u00e9ber Isaac Filho \u201cA verdadeira Bahia \u00e9 o Rio Grande do Sul\u201d A frase frequentemente associada ao universo tropicalista de Caetano Veloso talvez nunca tenha feito tanto sentido quanto quando pensamos na trajet\u00f3ria de Agenor Gasparetto. 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