{"id":187135,"date":"2026-04-25T08:29:09","date_gmt":"2026-04-25T11:29:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=187135"},"modified":"2026-04-24T15:35:33","modified_gmt":"2026-04-24T18:35:33","slug":"nem-sempre-a-historia-de-repete-em-forma-de-farsa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2026\/04\/25\/nem-sempre-a-historia-de-repete-em-forma-de-farsa\/","title":{"rendered":"Nem sempre a hist\u00f3ria de repete em forma de farsa"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-187136\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Muro-entre-propriedades-e-Passos-Minas-Gerais.jpg\" alt=\"\" width=\"362\" height=\"241\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Muro-entre-propriedades-e-Passos-Minas-Gerais.jpg 362w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Muro-entre-propriedades-e-Passos-Minas-Gerais-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 362px) 100vw, 362px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-151289\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Walmir-Rosario-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"259\" height=\"194\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Walmir-Rosario-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Walmir-Rosario-1.jpg 410w\" sizes=\"(max-width: 259px) 100vw, 259px\" \/>Caso ainda vivo estivesse o ex-governador da Bahia, Oct\u00e1vio Mangabeira (1947-1951) estaria a dar boas gargalhadas com o reconhecimento de uma de suas frases, talvez a mais famosa delas e que o tornou not\u00e1vel (n\u00e3o s\u00f3 por isso), mas que sempre \u00e9 lembrado quando a reconhecemos em voga: \u201cPense num absurdo, na Bahia tem precedente\u201d.<\/p>\n<p>E Oct\u00e1vio Mangabeira n\u00e3o era um pol\u00edtico qualquer, daqueles que ficam famosos pelo besteirol proferido numa frase infeliz. Era um pol\u00edtico de respeito, com um curr\u00edculo de fazer inveja: engenheiro civil, jornalista, professor, diplomata (ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores), orador e ensa\u00edsta. Como pol\u00edtico foi Membro do Conselho Municipal de Salvador, deputado federal e senador.<\/p>\n<p>Voltando ao assunto desta cr\u00f4nica, depois de 25 anos um fato ocorrido na cidade mineira de Passos, finalmente, ganhou o notici\u00e1rio internacional, embora poucas pessoas tenham conhecimento da rela\u00e7\u00e3o que teria com o precedente baiano. Mas garanto que tem, pois me considero bem informado no tema, apesar dos 25 anos que distancia um do outro, o mais velho em Salvador, que n\u00e3o causou esse bochicho todo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>De pronto me ponho a discordar de Karl Marx, quando disse na obra \u201cO 18 Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte (1852), quando construiu a frase: &#8220;A hist\u00f3ria se repete, a primeira vez como trag\u00e9dia e a segunda como farsa&#8221;. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma mediocridade ou mesmo conhecimento dos autores dos fatos, em Salvador ou em Passos. Uma simples coincid\u00eancia, se \u00e9 que ela existe.<\/p>\n<p>A not\u00edcia amplamente divulgada pela imprensa sobre a constru\u00e7\u00e3o de um muro no quintal de uma casa para preservar a privacidade dos moradores passou 25 anos inc\u00f3lume do largo conhecimento p\u00fablico, restringida apenas aos moradores de Passos, al\u00e9m de poucos \u201cestrangeiros\u201d. E o que \u00e9 pior: a not\u00edcia \u00e9 esmiu\u00e7ada de todas as formas em busca dos culpados.<\/p>\n<p>Num programa de TV que assisti no You Tube, o apresentador questionou at\u00e9 qual o motivo que o vizinho da casa baixa teria ao tentar esconder, como se sua privacidade n\u00e3o fosse um direito fundamental na preserva\u00e7\u00e3o da dignidade humana. \u00c9 que enquanto o pr\u00e9dio estava sendo constru\u00eddo ele tentou trocar a \u00e1rea por uma que tinha de maior pre\u00e7o, no centro da cidade, e foi recusada.<\/p>\n<p>Em seguida, tentou comprar os apartamentos cujas janelas permitiriam vasculhar sua casa, seu quintal, sua piscina (?). Depois se prop\u00f4s mandar fabricar e colocar, a custo zero, um sistema extra janelas que permitisse a ventila\u00e7\u00e3o e evitasse a indiscri\u00e7\u00e3o. Nova recusa. A\u00ed teve a ideia de erigir um muro com 13 metros de altura para evitar olhares curiosos sobre sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O mais curioso desta hist\u00f3ria \u00e9 que os dois moradores estavam legalmente corretos com a legisla\u00e7\u00e3o municipal que regulava e regula as constru\u00e7\u00f5es e o direito de vizinhan\u00e7a. Constru\u00eddo o muro, isso l\u00e1 pelo ano de 2001, a discuss\u00e3o rolou \u00e0 vontade entre os moradores de Passos. Agora, com a passagem de um influencer o muro passou a ser questionado l\u00e1 e alhures.<\/p>\n<p>Ainda bem que o caso precedente, em Salvador, a capital da Bahia, aconteceu em 1976, com a comunica\u00e7\u00e3o sem os grandes avan\u00e7os e alcances de hoje, que o fez permanecer paroquiano. Portanto, 50 anos ap\u00f3s me veio \u00e0 mente a luta do pai (cujo nome do saudoso preservo, por ser de fam\u00edlia bastante conhecida) de um amigo para defender a privacidade de sua fam\u00edlia dos olhos dos moradores do pr\u00e9dio vizinho, \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o de seu quintal e piscina.<\/p>\n<p>O propriet\u00e1rio da casa era uma pessoa influente no cen\u00e1rio empresarial, social e pol\u00edtico da Bahia, que poderia ter utilizado seu prest\u00edgio, mas preferiu abdicar das poss\u00edveis vantagens para agir na conformidade da lei. A resid\u00eancia, uma das bem postas e constru\u00eddas do Horto Florestal, foi devassada por um pr\u00e9dio de tr\u00eas andares, cujo projeto tamb\u00e9m se encontrava dentro da legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso baiano, o propriet\u00e1rio, ao sentir a devassa de sua privacidade, e n\u00e3o possuir os instrumentos legais para barrar a invas\u00e3o, mandou construir uma estrutura de cano grosso galvanizado, na mesma altura e largura das janelas vizinhas. Ao que tudo parecia, bastaria plantar uma esp\u00e9cie de trepadeira de crescimento r\u00e1pido que estaria protegido.<\/p>\n<p>Ledo engano. Exatamente a\u00ed foi que novos problemas come\u00e7aram, de verdade, pois as folhas teimavam em cair exatamente na piscina. Eu mesmo presenciei o dono da casa de alt\u00edssimo padr\u00e3o, logo pela manh\u00e3 retirando as birrentas folhas da l\u00edmpida e bem tratada \u00e1gua. Hoje sabemos que se ele ou seus arquitetos tivessem pensado na constru\u00e7\u00e3o de um muro as complica\u00e7\u00f5es teriam sido mais que passageiras.<\/p>\n<p>Dois problemas diferentes, em \u00e9pocas distintas, com solu\u00e7\u00f5es d\u00edspares, em que as das partes possu\u00edam direitos. A \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 que o avan\u00e7o da comunica\u00e7\u00e3o tornou um dos fatos not\u00f3rios, ao ponto de ganhar o mundo e debates nas m\u00eddias sociais. O pior \u00e9 que a devassa familiar n\u00e3o foi vista como um bem, um direito por alguns dos comunicadores.<\/p>\n<p>A meu ver, farsa n\u00e3o existiu por serem fatos isolados, acontecimentos d\u00edspares, sem qualquer tentativa da segunda tentar imitar a primeira, at\u00e9 por falta de conhecimento.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><em>Walmir Ros\u00e1rio \u00e9 Radialista, jornalista e advogado.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio &nbsp; Caso ainda vivo estivesse o ex-governador da Bahia, Oct\u00e1vio Mangabeira (1947-1951) estaria a dar boas gargalhadas com o reconhecimento de uma de suas frases, talvez a mais famosa delas e que o tornou not\u00e1vel (n\u00e3o s\u00f3 por isso), mas que sempre \u00e9 lembrado quando a reconhecemos em voga: \u201cPense num absurdo, na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":187136,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[42142,1077],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/187135"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=187135"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/187135\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":187137,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/187135\/revisions\/187137"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187136"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=187135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=187135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=187135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}