{"id":185447,"date":"2026-03-07T08:30:11","date_gmt":"2026-03-07T11:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=185447"},"modified":"2026-03-07T08:43:29","modified_gmt":"2026-03-07T11:43:29","slug":"como-a-praia-dos-milionarios-recebeu-esse-nome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2026\/03\/07\/como-a-praia-dos-milionarios-recebeu-esse-nome\/","title":{"rendered":"Como a Praia dos Milion\u00e1rios recebeu esse nome"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-185448\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Praia-dos-Milionarios-Ilheus-Foto-Jose-Nazal.jpg\" alt=\"\" width=\"454\" height=\"301\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Praia-dos-Milionarios-Ilheus-Foto-Jose-Nazal.jpg 512w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Praia-dos-Milionarios-Ilheus-Foto-Jose-Nazal-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 454px) 100vw, 454px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-150678\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Walmir-Rosario-2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"164\" height=\"123\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Walmir-Rosario-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Walmir-Rosario-2.jpg 410w\" sizes=\"(max-width: 164px) 100vw, 164px\" \/>No final da d\u00e9cada de 1960 e in\u00edcio de 1970 o point ilheense era o distrito de Oliven\u00e7a. Distante 18 quil\u00f4metros da sede, era frequentada por poucos ilheenses e ainda menos itabunenses. Estrada de ch\u00e3o, muita poeira, areia e as chamadas costelas de vaca tornavam a viagem uma aventura. O local de \u00e1rea de veraneio, f\u00e9rias ou outros desafios. Destino de alguns abastados.<\/p>\n<p>Alguns itabunenses tamb\u00e9m possu\u00edam casas, s\u00edtios ou fazendas na antiga estrada Pontal-Oliven\u00e7a, entre eles a fam\u00edlia Messias. Num desses domingos, Berger Brasil, da Loja Consul, que atendia a Classe A de Itabuna, se dirigiu para encontrar o amigo Jos\u00e9 Badar\u00f3 e encontra outro chegado, Ant\u00f4nio Brito, que o convida para passar o dia com eles.<\/p>\n<div id=\"attachment_185449\" style=\"width: 270px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-185449\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-185449\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Iram-Marques-Cacifao.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"224\" \/><p id=\"caption-attachment-185449\" class=\"wp-caption-text\">Iram Marques &#8211; Cacif\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Ap\u00f3s as desculpas de praxe, Brasil explica que tem compromisso firmado em Oliven\u00e7a, onde iria jogar um baba, e para tanto, carregava uma bola e um isopor cheio de cervejas em lata. Diante da extens\u00e3o do convite para o pr\u00f3ximo domingo, prometeu que apareceria com os colegas para o prometido baba. E chegou com uma boa turma, boa de bola e de cerveja.<\/p>\n<p>De maneira informal, come\u00e7aria ali a primeira partida do futuro Baba dos Milion\u00e1rios, que fez hist\u00f3ria e batizaria uma das mais importantes praias da zona sul de Ilh\u00e9us. No domingo seguinte \u2013 o terceiro \u2013, apareceram tamb\u00e9m alguns ilheenses, a exemplo de Ninho (Marcos Vieira). A ideia era manter os jogos entre os itabunenses e os ilheenses.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>E tudo combinava favoravelmente entre eles, pois na semana posterior apareceu um senhor de nome Sidrak, com uma galinhota (carrinho de m\u00e3o) carregada de cerveja gelada. A turma jogou o baba, bebeu a cerveja que levaram e ainda acabou todo o estoque do Sidrak. Naquele dia ficou mais que provado que o baba teria vida longa e os jogos seriam entre as sele\u00e7\u00f5es de Itabuna e Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>Na segunda-feira, Renato Cunha e Ninho resolvem comprar os uniformes das duas sele\u00e7\u00f5es. Nisso Berger Brasil encarrega Iram Marques (Cacif\u00e3o) de comprar as camisas para a Sele\u00e7\u00e3o de Itabuna. E por ironia do destino, ele encontra as camisas nas cores amarela e preta, no padr\u00e3o da bandeira itabunense. Agora seria apenas imprimir o nome.<\/p>\n<p>De repente, Renato Cunha e Ninho resolvem mudar o nome dos times, para evitar o acirramento da rivalidade existente entre as duas cidades no futebol amador. A ideia era nomear a tal Sele\u00e7\u00e3o de Itabuna com um nome tupi-guarani. Ao dar a contra ordem a Cacif\u00e3o, Brasil ouve o que n\u00e3o queria:<\/p>\n<p>\u2013 Agora \u00e9 tarde, Brasil, as camisas j\u00e1 est\u00e3o impressas. E o nome \u00e9 Os Milion\u00e1rios \u2013, informou Cacif\u00e3o.<\/p>\n<p>E para justificar, Iram Marques, do alto de sua sabedoria e criatividade, convenceu os amigos com a narrativa de que o nome criado por ele era perfeito, pois s\u00f3 participava do baba quem tinha dinheiro, possu\u00eda carro, argumentando que nem todos poderiam ir, j\u00e1 que sequer existiria linha de \u00f4nibus. E assim Os Milion\u00e1rios foi o nome aprovado.<\/p>\n<p>E o baba se tornou sucesso em Itabuna e Ilh\u00e9us, tanto que Os Milion\u00e1rios tamb\u00e9m passou a dar nome \u00e0 conhecida a praia onde as partidas eram jogadas. A cada domingo chegavam novos pretendentes, muitos desconhecidos, o que levou Cacif\u00e3o a adotar nova estrat\u00e9gia para manter o grupo pioneiro unido.<\/p>\n<p>O controverso Iram Marques (Cacif\u00e3o), que \u00e0 \u00e9poca n\u00e3o possu\u00eda carro, sa\u00eda de Itabuna para Ilh\u00e9us no \u00f4nibus das 5 da manh\u00e3 e conseguia chegar de t\u00e1xi primeiro que todos. Munido de uma prancheta e papel pautado, escalava os times a seu bel prazer, al\u00e9m de ditar todas as regras no sentido de afastar os menos favorecidos, financeiramente.<\/p>\n<p>E Cacif\u00e3o passou a instituir taxas para a lavagem do material esportivo (30,00, em moeda da \u00e9poca), al\u00e9m da quantidade de cervejas e tira-gostos que cada um deveria levar. Mesmo que o pretendente fosse bom de bola, era vetado, n\u00e3o importando os pedidos. Com isso, os incidentes entre a rivalidade entre as duas cidades tamb\u00e9m permaneceram zerados.<\/p>\n<p>E o baba dos Milion\u00e1rios, como passou a ser chamado, ganhou a aten\u00e7\u00e3o dos boleiros e da m\u00eddia. Um dos primeiros jogadores profissionais a jogar no baba foi Jorge Campos, atacante do Bahia, levado pelo seu irm\u00e3o C\u00e9sar Campos. Em outra feita apareceram o jogador do Flamengo e Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, J\u00fanior (Capacete) e o t\u00e9cnico Cl\u00e1udio Coutinho.<\/p>\n<p>Dentre os frequentadores pioneiros do baba dos Milion\u00e1rios: Berger Brasil, Renato Cunha, Ant\u00f4nio Brito, Eduardo Brito, Iram Marques (Cacif\u00e3o), Jos\u00e9 Verdinho, Jo\u00e3o Carlos Fontes, Cesar Campos, Ant\u00f4nio Wense com os filhos Ronie e Marcos, Edulindo, Erick Etinger, Tonho Bicudo, Tonh\u00e3o, Ninho, Geraldo Sessa, George Cordeiro, Alcides Paulino, Chico Orelinha, Dr. Alair, os 4 irm\u00e3os Andrade, Haroldo Messias, dentre outros.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a verdadeira hist\u00f3ria da Praia dos Milion\u00e1rios, desbravada por itabunenses e que se transformou na grande e festejada praia das grandes cabanas da zona sul de Ilh\u00e9us. Hoje os respons\u00e1veis por essa cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o respeit\u00e1veis senhores que, aos s\u00e1bados, ainda sentam pra\u00e7a no Beco do Fuxico, especialmente na Fuxicaria. Outros j\u00e1 n\u00e3o habitam mais entre n\u00f3s, a exemplo de Cacif\u00e3o, o homem das ingrisilhas, que deixou suas hist\u00f3rias a serem contadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Walmir Ros\u00e1rio \u00e9 \u00a0radialista, jornalista e advogado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Walmir Ros\u00e1rio &nbsp; No final da d\u00e9cada de 1960 e in\u00edcio de 1970 o point ilheense era o distrito de Oliven\u00e7a. Distante 18 quil\u00f4metros da sede, era frequentada por poucos ilheenses e ainda menos itabunenses. Estrada de ch\u00e3o, muita poeira, areia e as chamadas costelas de vaca tornavam a viagem uma aventura. 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