{"id":185,"date":"2009-02-19T15:12:00","date_gmt":"2009-02-19T18:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2009\/02\/19\/a-bruxa-e-as-bolsas\/"},"modified":"2009-02-19T15:12:00","modified_gmt":"2009-02-19T18:12:00","slug":"a-bruxa-e-as-bolsas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2009\/02\/19\/a-bruxa-e-as-bolsas\/","title":{"rendered":"A BRUXA E AS BOLSAS"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/SZ2hUV44BPI\/AAAAAAAAAVc\/hgdS6EK_KlY\/s1600-h\/cacau+gigante.jpg\"><img style=\"float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 294px;\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/SZ2hUV44BPI\/AAAAAAAAAVc\/hgdS6EK_KlY\/s320\/cacau+gigante.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5304573306957464818\" \/><\/a><br \/>Retorno de uma viagem de trabalho a Ipia\u00fa. O pneu estoura num dos in\u00fameros buracos do trecho entre Ubaitaba e Itaju\u00edpe da rodovia BR 101.<\/p>\n<p>Enquanto a troca \u00e9 feita, \u00e9 tentador observar uma ro\u00e7a de cacau \u00e0s margens da pista. N\u00e3o existem cercas e os cacaueiros est\u00e3o ali, expostos. Avan\u00e7o uns poucos metros no interior da propriedade. <\/p>\n<p>O quadro \u00e9 de abandono. O mato se mistura aos p\u00e9s de cacau. Uma observa\u00e7\u00e3o mais atenta e nota-se que os frutos est\u00e3o podres, os galhos infectados pela vassoura-de-bruxa. A produ\u00e7\u00e3o, se \u00e9 que vai haver alguma, n\u00e3o compensa as despesas com a manuten\u00e7\u00e3o do cultivo.<\/p>\n<p>A cena se repete em maior ou menor intensidade \u00e0s margens das rodovias, das estradas vicinais, dos caminhos onde mal passam animais: fazendas e mais fazendas abandonadas, cen\u00e1rios fantasmag\u00f3ricos onde uns poucos trabalhadores permanecem por absoluta falta de op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sedes de fazendas, outrora vistosas, exp\u00f5em a deteriora\u00e7\u00e3o atual. Casas que antes abrigavam centenas, milhares de trabalhadores, mais parecem casebres. <\/p>\n<p>\u00d3bvio que existem os produtores que ainda resistem, mant\u00e9m as fazendas em funcionamento, investem em novas tecnologias, apostam na recupera\u00e7\u00e3o do cacau. <br \/>Mas, a profus\u00e3o de fazendas-fantasmas chama a aten\u00e7\u00e3o, evidencia uma realidade que n\u00e3o pode ser ignorada.<\/p>\n<p>O calor \u00e9 insuport\u00e1vel em Camacan, que j\u00e1 se orgulhou de ser cidade campe\u00e3 mundial na produ\u00e7\u00e3o de cacau.<\/p>\n<p>Na avenida principal, centenas de pessoas, mulheres em sua maioria, enfrentam uma fila que parece intermin\u00e1vel. Destino final: a casa lot\u00e9rica que tamb\u00e9m \u00e9 ag\u00eancia avan\u00e7ada da Caixa Econ\u00f4mica Federal. Objetivo: receber o Bolsa Fam\u00edlia, programa de transfer\u00eancia de renda que tem contribu\u00eddo para reduzir a pobreza e al\u00e7ou Lula \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mito popular.<\/p>\n<p>Em Camacan, n\u00e3o \u00e9 diferente. Citar Lula para aquelas pessoas da fila \u00e9 como evocar o nome de um santo. N\u00e3o se pode dizer o mesmo ao falar em cacau. H\u00e1 um misto de desd\u00e9m e desencanto, que n\u00e3o se restringe apenas aos humildes benefici\u00e1rios do programa. Se estende a todas as camadas sociais.<\/p>\n<p>Camacan \u00e9 uma cidade que, em vez de crescer, encolheu. Em 20 anos, perdeu quase 10 mil habitantes. Nessa toada, acaba virando uma cidade-fantasma, como aquelas dos filmes de faroeste norte-americano. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mais o dinheiro do cacau quem movimenta o com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Neste dia especialmente quente, donos de mercados, de lojas, de farm\u00e1cias e at\u00e9 feirantes (apesar do dia inapropriado) exultam. \u00c9 o dinheiro do Bolsa Fam\u00edlia que lhes d\u00e1 alento, faz girar a economia e preservar empregos que inexistem nas ro\u00e7as. <\/p>\n<p>A cena foi observada em Camacan, mas poderia ter sido em Pau Brasil, Jussari, Arataca, Itajuipe, Buerarema, Floresta Azul, Itaju do Col\u00f4nia, Una, etc., etc.,etc&#8230;<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o se voltam as aten\u00e7\u00f5es para a Bolsa de Londres e a Bolsa de Nova York, onde se acompanhava a cota\u00e7\u00e3o do  cacau em libras esterlinas, em d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Agora, \u00e9 o Bolsa Fam\u00edlia, com seus preciosos reais, imprescind\u00edveis reais, benditos reais.<\/p>\n<p>A fazenda abandonada \u00e0s margens da BR 101 e a fila do Bolsa Fam\u00edlia em Camacan s\u00e3o varia\u00e7\u00f5es de um mesmo tema.<\/p>\n<p>Uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retorno de uma viagem de trabalho a Ipia\u00fa. 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