{"id":184360,"date":"2026-02-01T09:34:47","date_gmt":"2026-02-01T12:34:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=184360"},"modified":"2026-02-01T09:34:47","modified_gmt":"2026-02-01T12:34:47","slug":"cronica-de-domingo-caymmi-e-a-conta-de-coral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2026\/02\/01\/cronica-de-domingo-caymmi-e-a-conta-de-coral\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nica de domingo: Caymmi e a conta de coral"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-184361\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-01-06-29-35.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-01-06-29-35.jpg 452w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-01-06-29-35-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Paloma Amado<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-35009\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/paloma-amado.jpg\" alt=\"\" width=\"272\" height=\"289\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/paloma-amado.jpg 745w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/paloma-amado-282x300.jpg 282w\" sizes=\"(max-width: 272px) 100vw, 272px\" \/>Foi no ano 1976 que, a convite de meus pais, fizemos uma viagem linda pelo Norte, incluindo o Piau\u00ed e o Maranh\u00e3o. No Par\u00e1 fomos h\u00f3spedes da fam\u00edlia Steiner. Foi Ruth, a matriarca, quem nos levou a um antiqu\u00e1rio cheio de coisas bonitas. Eu, sem um tost\u00e3o furado para comprar nada, ganhei do dono da loja uma conta de coral, que eu coloquei em minha carteira. Vai que d\u00e1 sorte, eu pensei, e na pr\u00f3xima vez posso comprar uma pe\u00e7a bonita. Nosso p\u00e9riplo terminou em Manaus, depois da travessia do Amazonas feita num navio gaiola.<\/p>\n<p>1977, um ano se passara da viagem. Papai e mam\u00e3e estavam no Rio, onde eram meus vizinhos na rua Rodolfo Dantas. Cheguei para v\u00ea-los de manh\u00e3 e l\u00e1 estava Caymmi tomando caf\u00e9 com cuscuz de milho, feito por mam\u00e3e. Maior alegria, muitos abra\u00e7os e beijinhos, e o pedido de sempre: Voc\u00ea trouxe uma prendinha para o seu tio, Pap\u00e1?<\/p>\n<p>Caymmi era divertid\u00edssimo. Andava sempre com uma malinha, onde guardava as mais diversas coisas que ganhava. Adorava ganhar presentes, e os pedia com gosto. Comadre Z\u00e9lia, n\u00e3o tem nenhum mimo para mim hoje?<\/p>\n<p>Naquele dia, ao ouvir o pedido, lembrei da conta de coral de Bel\u00e9m do Par\u00e1. H\u00e1 um ano vivia na minha carteira, estava na hora de mudar de endere\u00e7o. Tenho sim, Dod\u00f4. Vou em casa rapidinho buscar.<\/p>\n<p>Quando voltei, entreguei a conta com um r\u00e1pido discurso: Senhor Dorival Caymmi, fiz longa viagem \u00e0 Amaz\u00f4nia em busca de um regalito para meu tio querido. Todos riam. \u00c9 pequenino, mas de grande valor, pois traz uma sorte danada&#8230; Entreguei a conta e vi Caymmi ficar l\u00edvido, o riso se virou em espanto. Mam\u00e3e se preocupou. O que foi, compadre?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Ele n\u00e3o disse nada, foi buscar sua maletinha, abriu e tirou uma pulseira de contas de coral. Pegou a conta que eu dei e a colocou no lugar onde faltava uma &#8211;apenas uma!\u2014exatamente aquela, do tamanho certo. Ganhei ontem. Faltava essa conta que voc\u00ea me trouxe. Como soube? Agora est\u00e1 completo. D\u00e1 c\u00e1 um beijo.<\/p>\n<p>Emo\u00e7\u00e3o total, olhos cheios d\u2019\u00e1gua, um espanto, uma magia que tomou conta da sala. Deus benza, Oxal\u00e1 proteja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paloma Amado Foi no ano 1976 que, a convite de meus pais, fizemos uma viagem linda pelo Norte, incluindo o Piau\u00ed e o Maranh\u00e3o. No Par\u00e1 fomos h\u00f3spedes da fam\u00edlia Steiner. Foi Ruth, a matriarca, quem nos levou a um antiqu\u00e1rio cheio de coisas bonitas. 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