{"id":183963,"date":"2026-01-21T07:22:34","date_gmt":"2026-01-21T10:22:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=183963"},"modified":"2026-01-20T11:28:21","modified_gmt":"2026-01-20T14:28:21","slug":"manuel-leal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2026\/01\/21\/manuel-leal\/","title":{"rendered":"Manuel Leal"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-145707\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/leal.jpg\" alt=\"\" width=\"315\" height=\"202\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Paulo Peixinho\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-183964\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/paulo-p-221x300.jpg\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/paulo-p-221x300.jpg 221w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/paulo-p.jpg 405w\" sizes=\"(max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/>Lendo do amigo Ramiro Aquino, De Tabocas a Itabuna, 100 anos de Imprensa, lembrei de uma hist\u00f3ria. Essa aconteceu comigo. Antes, quero relembrar o profissionalismo, o faro, a valentia de Manuel Leal. Segundo Ramiro, Manuel, trafegava em uma linha t\u00eanue entre o santo e o dem\u00f4nio. O melhor jornalista que j\u00e1 existiu aqui.<\/p>\n<p>Eram exatamente as oito da manh\u00e3, de um dia qualquer da semana, quando o gerente da empresa de cacau, da qual eu era o propriet\u00e1rio, telefona a minha casa e informa, que tinha sido \u201cconvidado\u201d para ir \u00e0 delegacia de furtos e roubo pelo novo Delegado. Eu afirmei que iria. Ele consultou o policial civil que disse: a mensagem \u00e9 para o respons\u00e1vel pelas compras. Ele foi acompanhado do advogado e amigo.<\/p>\n<p>Fui ao escrit\u00f3rio esperar as not\u00edcias. Ao chegar o maior concorrente chegou para uma visita. Ing\u00eanuo imaginei que era uma cortesia, j\u00e1 que tinha inaugurado a empresa, e n\u00e3o teve coquetel de inaugura\u00e7\u00e3o, seria apenas despesa, queria negociar meu pr\u00f3prio cacau e criar uma Associa\u00e7\u00e3o de Produtores-Exportadores. O mundo do cacau no sul da Bahia tem sua pr\u00f3pria cultura, eu estava aprendendo a conviver na sociedade grapi\u00fana, tinha sa\u00eddo menino, e muitas vezes continuei menino. Tinha as vezes que inventar umas desculpas para as propostas escandalosas, dizendo tenho que consultar a diretoria, ou mesmo meu s\u00f3cio su\u00ed\u00e7o. Depois descobri que a visita era investigativa. O visitante poderoso j\u00e1 sabia de algo, inclusive o que um jornal tinha estampado da manchete.<\/p>\n<p>Enquanto esperava, conversava com o poderoso, que era ansioso, cada liga\u00e7\u00e3o ele queria saber, antes que eu atendesse, quem era. Como tinha um terminal ligado com a Bolsa de Nova Iorque, muitos concorrentes, ligavam para saber a cota\u00e7\u00e3o em tempo real.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Umas das chamadas era o advogado, que em seguida passou para o delegado. Ele me informou que iria falar nomes de pessoas, e eu diria sim ou n\u00e3o. Ou seja, se era cliente ou n\u00e3o. Como eram muitos, sugeri que podia levar o computador at\u00e9 a delegacia. Ele disse posso ir a\u00ed. Concordei.<\/p>\n<p>O concorrente, tinha audi\u00e7\u00e3o de tuberculoso, ouviu um dos primeiros nomes -, e disse \u00e9 seu primo.<\/p>\n<p>Dei-me conta que era mesmo, na hora n\u00e3o liguei os fatos, pois desde crian\u00e7a, o chamava pelo apelido, e diante da tens\u00e3o pois n\u00e3o sabia ainda do que tratava a investiga\u00e7\u00e3o. Sim, \u00e9 meu primo.<\/p>\n<p>Ela ficara aliviado, pensei que era por mim, imaginei. Ao levantar a cortina da sala de vidro percebi, que tinha muitos concorrentes na sala grande. E, disse, relaxem, O delegado est\u00e1 chegando aqui.<\/p>\n<p>A turma saiu \u00e0 francesa, lembro-me de um de olhos e treita de gato que entrou de mansinho, saiu de mansinho, e estava envolvido, segundo uns concorrentes. N\u00e3o posso afirmar.<\/p>\n<p>O poderoso tamb\u00e9m n\u00e3o ficou.<\/p>\n<p>Chegou o delegado, sujeito desconfiado, depois me disse que ele n\u00e3o confia nem em pol\u00edcia. Mas, que colocou Itabuna em ordem colocou. At\u00e9 o bispo queria tir\u00e1-lo das suas par\u00f3quias.<\/p>\n<p>O delegado dizia o nome, sim ou n\u00e3o, se sim imprimia extrato de compra e venda de cacau, fotoc\u00f3pia de nota fiscal e c\u00f3pia do cheque nominal. Levou uma pasta verde com os documentos, nunca nos procuram depois.<\/p>\n<p>Saindo o delegado a fofoca correu solta na cidade, manchete no jornal do ex-prefeito \u201cp\u00e3o-duro\u201d estampado: EXPORTADORA DE CACAU COMPRA CACAU FURTADO.<\/p>\n<p>Como dizia a velha Laura: \u201c quem n\u00e3o deve n\u00e3o treme\u201d.<\/p>\n<p>O ti-ti-ti correndo na rua, imaginei. Por\u00e9m, tinha muita gente tremendo e eu nem sabia.<\/p>\n<p>No outro dia pela manh\u00e3 o jornaleco do ex-prefeito estampava: EMPRESA X, EMPRESA Y E OUTRAS TRADICIONAIS EXPORTADORAS DE CACAU ENVOLVIDAS COM UMA GANGUE DE FURTOS. Gerentes presos, esqueceram de mim. Que agora rememoro.<\/p>\n<p>DOS FATOS:<\/p>\n<p>Um vizinho de um dep\u00f3sito de cacau, vendo um movimento altas horas da madrugada, caminh\u00f5es descarregando e carregando, imaginou ser ladr\u00f5es, chamou a pol\u00edcia. Os investigadores chegaram, eles assustados correram. Fugir por descarregar cacau em dep\u00f3sito privado \u00e9 estranho. Apertaram os meliantes que sa\u00edram entregando compradores e vendedores.<\/p>\n<p>Para meu azar ou sorte, meu primo tinha fazenda de cacau e estava tudo certo, mas ele comprava cacau barato e me vendia a pre\u00e7o de mercado. Por\u00e9m, o caso era mais embaixo, um gerente-geral de uma multinacional de cacau norte-americana, foi convidado para montar equipe e gerenciar uma trading francesa tradicional em suco de laranja, como ele andava fazendo as regras e controlava tudo, n\u00e3o tinha quem o controlasse, da\u00ed resolveu trazer cacau de Ilh\u00e9us, negociar com pequenos compradores e depois ele mesmo comprar. (depoimento dele).<\/p>\n<p>Deu com os burros n\u00b4agua. Pris\u00e3o. A empresa n\u00e3o durou muito tempo na regi\u00e3o, ruim para os fazendeiros, concorr\u00eancia \u00e9 sempre bom.<\/p>\n<p>Dizem que ter boa mem\u00f3ria \u00e9 ruim, por que se lembra de muita coisa boa e muita ruim. Talvez, isso tenha levado Jorge Lu\u00eds Borges, escrever o conto de Funes, o Memorioso. Onde ele relata a maldi\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Lembrei que guardava um cart\u00e3o de visitas do presidente da trading francesa que o conheci em um hotel, e me falara do projeto de comprar cacau no sul da Bahia. Achei o cart\u00e3o, como ele fala portugu\u00eas fluente, liguei para o Monsieur Camarino, e relatei os fatos. Para a surpresa (seria?) Dos funcion\u00e1rios brasileiros, foram avisados pelo o Presidente da Multinacional, de Paris que estavam furtando a empresa. No outro dia, pela tarde chegara a meu escrit\u00f3rio, tr\u00eas funcion\u00e1rios, dois j\u00e1 conhecia da multinacional norte-americana, e um outro com jeito de auditor.<\/p>\n<p>O pretenso auditor ou envolvido, iniciou um inqu\u00e9rito, eu calmamente o disse sugiro que ou procure a pol\u00edcia ou controle a sua casa. Amigo, sa\u00ed de suspeito a informante. Estou limpo. Se conselho lhe servir \u2013 por que os tolos n\u00e3o ouvem e os s\u00e1bios n\u00e3o precisam. Procure o Delegado.<\/p>\n<p>Quanto a Manuel Leal de Oliveira, s\u00f3 tenho gratid\u00e3o, por que mesmo seu estilo \u201cmanuelino\u201d seu profissionalismo, ou seu faro, n\u00e3o colocou uma linha da minha pessoa ou empresa.<\/p>\n<p>Tempos depois, um concorrente fofoqueiro e muito amigo de Manuel me disse: Manuel Leal deve gostar de voc\u00ea por que insisti para ele publicar algo sobre a sua empresa. Ele disse: meu faro n\u00e3o aponta para ele e o menino \u00e9 s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Manuel foi assassinado. O concorrente perdeu a prote\u00e7\u00e3o do dono de uma ind\u00fastria, o delegado foi removido. A multinacional n\u00e3o quer mais falar de cacau.<\/p>\n<p>Depois dizem que comprar cacau \u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Anos depois, a reda\u00e7\u00e3o do A Regi\u00e3o passou a ser minha vizinha de sala em outro endere\u00e7o. Tinha um advogado que sempre saia tarde do escrit\u00f3rio, morre de medo de esp\u00edritos, eu dizia: hoje \u00e9 dia de pauta, Manuel j\u00e1 deve estar chegando para influenciar Lu\u00eds Concei\u00e7\u00e3o, Doming\u00e3o e Daniel. Ele dizia: L\u00e1 Ele! Eu dizia deixa de medo homem. Por\u00e9m se Manuel aparecer eu converso com ele.<\/p>\n<p>Manuel nunca me apareceu! Mas, se aparecesse, agradeceria seu profissionalismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Peixinho\u00a0 Lendo do amigo Ramiro Aquino, De Tabocas a Itabuna, 100 anos de Imprensa, lembrei de uma hist\u00f3ria. Essa aconteceu comigo. Antes, quero relembrar o profissionalismo, o faro, a valentia de Manuel Leal. Segundo Ramiro, Manuel, trafegava em uma linha t\u00eanue entre o santo e o dem\u00f4nio. O melhor jornalista que j\u00e1 existiu aqui. 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