{"id":181703,"date":"2025-11-07T18:30:03","date_gmt":"2025-11-07T21:30:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=181703"},"modified":"2025-11-07T10:12:43","modified_gmt":"2025-11-07T13:12:43","slug":"pintora-modernista-do-brasil-e-resgatada-por-pesquisadora-em-livro-apos-decadas-de-invisibilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2025\/11\/07\/pintora-modernista-do-brasil-e-resgatada-por-pesquisadora-em-livro-apos-decadas-de-invisibilidade\/","title":{"rendered":"Pintora modernista do Brasil \u00e9 resgatada por pesquisadora em livro ap\u00f3s d\u00e9cadas de invisibilidade"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-181704\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/PHOTO-2025-11-06-00-13-36.jpg\" alt=\"\" width=\"317\" height=\"322\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/PHOTO-2025-11-06-00-13-36.jpg 473w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/PHOTO-2025-11-06-00-13-36-296x300.jpg 296w\" sizes=\"(max-width: 317px) 100vw, 317px\" \/>A jornalista, pesquisadora e escritora Maz\u00e9 Torquato Chotil, baseada em Paris, resgata a trajet\u00f3ria da artista pl\u00e1stica Lucy Citti Ferreira, brasileira de forma\u00e7\u00e3o europeia, cuja obra transita entre S\u00e3o Paulo e a capital francesa. No livro\u00a0Lucy Citti Ferreira: a pintora esquecida do modernismo, Maz\u00e9 revela uma artista aut\u00f4noma, sens\u00edvel e injustamente apagada da hist\u00f3ria da arte brasileira.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-181705\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/PHOTO-2025-11-06-00-13-37-208x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"325\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/PHOTO-2025-11-06-00-13-37-208x300.jpg 208w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/PHOTO-2025-11-06-00-13-37.jpg 266w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/>A artista pl\u00e1stica Lucy Citti Ferreira viveu entre dois mundos, o Brasil e a Fran\u00e7a, e construiu uma trajet\u00f3ria singular no modernismo brasileiro. Nascida em S\u00e3o Paulo, em maio de 1911, Lucy passou parte da inf\u00e2ncia e juventude na Europa, especialmente na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia, o que influenciou profundamente sua forma\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Estudou nas escolas de belas-artes francesas e desenvolveu uma produ\u00e7\u00e3o marcada pela sensibilidade, pelo rigor t\u00e9cnico e por um di\u00e1logo constante entre pintura e m\u00fasica.<\/p>\n<p>Apesar de sua forma\u00e7\u00e3o s\u00f3lida e da atua\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio art\u00edstico paulista, Lucy foi, por d\u00e9cadas, relegada ao esquecimento. A jornalista e escritora Maz\u00e9 Torquato Chotil, autora do livro\u00a0Lucy Citti Ferreira: a pintora esquecida do modernismo, decidiu enfrentar esse apagamento hist\u00f3rico. \u201cEla era artista tal qual o Lasar Segall\u201d, afirma Maz\u00e9, referindo-se ao pintor com quem Lucy manteve uma rela\u00e7\u00e3o profissional e afetiva. \u201cSegall dizia: \u2018Ela n\u00e3o era minha aluna, era minha colega de trabalho\u2019.\u201d<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Maz\u00e9 explica que o desafio maior foi justamente falar de Lucy como artista aut\u00f4noma, e n\u00e3o como musa ou sombra de Segall. \u201cQuando ela volta ao Brasil, j\u00e1 era uma pintora formada, com diploma, com experi\u00eancia europeia. Era uma profissional\u00a0\u00e0 part enti\u00e8re, como dizem os franceses.\u201d A autora destaca que a pintura de Lucy e Segall compartilhava influ\u00eancias europeias e que foi [o escritor e figura-chave do\u00a0Modernismo\u00a0brasileiro] M\u00e1rio de Andrade quem os apresentou, reconhecendo afinidades est\u00e9ticas entre os dois.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-181706\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/PHOTO-2025-11-06-00-16-33-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"198\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/PHOTO-2025-11-06-00-16-33-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/PHOTO-2025-11-06-00-16-33.jpg 413w\" sizes=\"(max-width: 198px) 100vw, 198px\" \/>A biografia escrita por Maz\u00e9 \u00e9 tamb\u00e9m um exerc\u00edcio de justi\u00e7a hist\u00f3rica, especialmente no que diz respeito \u00e0 invisibiliza\u00e7\u00e3o das mulheres artistas. \u201cComo muitas outras, Lucy foi esquecida porque era mulher. Pintora, numa \u00e9poca em que isso n\u00e3o era permitido.\u201d A autora\u00a0lembra que mesmo nomes como Anita Malfatti\u00a0e\u00a0Tarsila do Amaral foram \u201cdesenterradas\u201d apenas nos anos 1980, ap\u00f3s d\u00e9cadas de apagamento.<\/p>\n<p>O trabalho de pesquisa foi intenso. Maz\u00e9 passou dias mergulhada no centro de documenta\u00e7\u00e3o da\u00a0Pinacoteca\u00a0do Estado de S\u00e3o Paulo, onde Lucy deixou um acervo valioso antes de morrer. \u201cEla fez um testamento do material que tinha \u2014 arquivos, cartas, muitas telas \u2014 e doou \u00e0 APAC (Associa\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o e Apoio \u00e0 Cultura), com a condi\u00e7\u00e3o de que fossem distribu\u00eddas a outros museus.\u201d Hoje, obras de Lucy est\u00e3o presentes em institui\u00e7\u00f5es como o Museu de Arte Judaica de Paris, o MUnA em Minas Gerais, e at\u00e9 em cidades como Bauru, ampliando o acesso \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O resgate de uma artista apagada pela hist\u00f3ria e pelo mercado<br \/>\nMaz\u00e9 conta que o processo de escrita envolveu \u201clapidar a mat\u00e9ria da mem\u00f3ria\u201d, express\u00e3o que usa para descrever o trabalho de reconstru\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria de Lucy a partir de documentos, cartas e testemunhos. \u201cFiquei horas e horas lendo o material que ela doou. As cartas trocadas com Segall s\u00e3o muito interessantes, revelam n\u00e3o s\u00f3 a rela\u00e7\u00e3o art\u00edstica, mas tamb\u00e9m aspectos \u00edntimos e emocionais.\u201d<\/p>\n<p>Um epis\u00f3dio marcante na vida de Lucy foi o esc\u00e2ndalo envolvendo obras suas vendidas como se fossem de Lasar Segall, por valores muito superiores. Para Maz\u00e9, esse caso \u00e9 emblem\u00e1tico do apagamento das mulheres na hist\u00f3ria da arte. \u201cIsso me lembra, num espelho reverso, a rela\u00e7\u00e3o entre\u00a0Rodin\u00a0e\u00a0Camille Claudel. Claro que n\u00e3o \u00e9 a mesma hist\u00f3ria, mas h\u00e1 paralelos e pensei sobre isso durante a escritura do livro\u201d, conta.<\/p>\n<p>A autora tamb\u00e9m destaca a rela\u00e7\u00e3o de Lucy com Paris, cidade onde viveu sozinha, estudou, pintou e se afastou dos circuitos sociais. \u201cEla tinha um esp\u00edrito po\u00e9tico, exc\u00eantrico, recusava os padr\u00f5es da \u00e9poca. Pintou at\u00e9 um padre nu, viveu como quis.\u201d Essa liberdade, segundo Maz\u00e9, foi essencial para sua arte, mas tamb\u00e9m contribuiu para sua reclus\u00e3o e para a falta de visibilidade.<\/p>\n<p>Ao final da vida, Lucy fez quest\u00e3o de doar seu acervo, garantindo que sua obra fosse estudada e preservada. Para Maz\u00e9, esse gesto \u00e9 um legado poderoso. \u201cEla queria que o p\u00fablico brasileiro tivesse acesso \u00e0 sua arte. E hoje, gra\u00e7as a esse gesto e ao trabalho de pesquisadores, podemos finalmente reconhecer sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria da arte brasileira do s\u00e9culo 20.\u201d<\/p>\n<p>O livro\u00a0Lucy Citti Ferreira: a pintora esquecida do modernismo\u00a0se encontra dispon\u00edvel em Paris\u00a0na Livraria Portuguesa e Brasileira, e no Brasil com distribui\u00e7\u00e3o da Editora Patu\u00e1.<\/p>\n<p>(da RFI.FR)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A jornalista, pesquisadora e escritora Maz\u00e9 Torquato Chotil, baseada em Paris, resgata a trajet\u00f3ria da artista pl\u00e1stica Lucy Citti Ferreira, brasileira de forma\u00e7\u00e3o europeia, cuja obra transita entre S\u00e3o Paulo e a capital francesa. 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