{"id":178943,"date":"2025-08-16T10:30:52","date_gmt":"2025-08-16T13:30:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=178943"},"modified":"2025-08-15T12:12:09","modified_gmt":"2025-08-15T15:12:09","slug":"artas-postas-na-mala","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2025\/08\/16\/artas-postas-na-mala\/","title":{"rendered":"Cartas postas na mala"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-178944\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/as-cartas.jpg\" alt=\"\" width=\"318\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/as-cartas.jpg 409w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/as-cartas-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/as-cartas-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Cyro de Mattos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_169114\" style=\"width: 227px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-169114\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-169114\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/cyro.jpg\" alt=\"\" width=\"217\" height=\"209\" \/><p id=\"caption-attachment-169114\" class=\"wp-caption-text\"><em>Cyro de Mattos (foto de Jaqueline Alencart)<\/em><\/p><\/div>\n<p>Com cerca de 65 anos dedicados \u00e0 literatura como forma de vida, atrav\u00e9s de atividades constantes e produ\u00e7\u00e3o de livros pessoais, resolvo cuidar das cartas que me foram endere\u00e7adas durante d\u00e9cadas por escritores, poetas, professores doutores e especialistas, com vistas a produzir razo\u00e1vel volume cheio de observa\u00e7\u00f5es e compreens\u00f5es sobre a vida.\u00a0 As cartas s\u00e3o os instrumentos de comunica\u00e7\u00e3o achados pelos humanos em certa \u00e9poca de sua evolu\u00e7\u00e3o para se aproximar de parentes e amigos, usando seu espa\u00e7o \u00fatil para revelar intimidades, levar not\u00edcias, informa\u00e7\u00f5es de momentos alegres e tristes.<\/p>\n<p>Com a expans\u00e3o da telegrafia prestaram um servi\u00e7o de muita utilidade \u00e0 literatura e \u00e0 cultura. Como g\u00eanero epistolar s\u00e3o conhecidas e apreciadas at\u00e9 hoje as cartas rom\u00e2nticas de Vitor Hugo, entre Abelardo e Helo\u00edsa, as de Proust, Flaubert e de Soror Mariana.\u00a0 As famosas cartas ao pai e a Milena, de Kafka, reveladoras de rela\u00e7\u00f5es agudas em fam\u00edlia. As Cartas de Inglaterra, de Rui Barbosa, escritas no ex\u00edlio, mostram um ferino panflet\u00e1rio nas entrelinhas, que preferiu cotejar a monarquia inglesa com a rep\u00fablica brasileira, ao inv\u00e9s de relatar a vida ideal londrina.\u00a0 Para alguns, o epistol\u00e1rio de Machado de Assis mostra um Machado diferente, com destaque a missiva a Jos\u00e9 de Alencar sobre Castro Alves e \u00e0 sua esposa Carolina.<\/p>\n<p>Textos do g\u00eanero epistolar no Brasil revelam o esp\u00edrito de seus autores, a singeleza de suas atitudes, o pensamento privilegiado sobre assuntos intricados da arte ou do contexto social e pol\u00edtico.\u00a0 Como uma troca de intimidades e reflex\u00f5es sobre a vida revelam prazerosos momentos, da experi\u00eancia e testemunho, afeto e cordialidade, sutilezas do pensamento arguto. Isso \u00e9 visto com clareza entre as cartas de Fernando Sabino e Clarice Lispector, Godofredo Rangel e Monteiro Lobato, M\u00e1rio de Andrade e Manuel Bandeira, Ribeiro Couto e Alceu Amoroso Lima\u2019, Caio Porf\u00edrio Carneiro e Jo\u00e3o Ant\u00f4nio. Durante d\u00e9cadas esses autores revelaram nas cartas o nascimento e a evolu\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o marcada pela cordialidade, discuss\u00e3o coloquial dirigida, compreens\u00e3o e franqueza respeitosa.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Noticiam discurs\u00f5es dirigidas para um assunto importante, aliviam decep\u00e7\u00f5es, mergulham numa conviv\u00eancia em que o cora\u00e7\u00e3o fala sem interfer\u00eancia a outro cora\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o estou equivocado, h\u00e1 muito tempo li em Machado de Assis que \u201co pugilato das ideias \u00e9 pior do que o das ruas\u201d. Permita-me o genial bruxo de Cosme Velho, isso \u00e9 contrariado quando lemos a correspond\u00eancia trocada entre v\u00e1rios escritores adeptos do g\u00eanero. Mostram que prosadores de fic\u00e7\u00e3o e poetas em ess\u00eancia s\u00e3o cordiais, generosos, solid\u00e1rios. Um com o cora\u00e7\u00e3o pulsa no outro, nas ideias, prop\u00f3sitos e atitudes espont\u00e2neas, que a vida exige quando a concebemos com respeito e lisura \u00e9tica.<\/p>\n<p>Falam de uma infinidade de gestos como o melhor exemplo, abordam problemas complexos, respeitam as opini\u00f5es, e, mesmo quando discordam, colocam o relacionamento n\u00e3o como um pugilato, acima de tudo vale o esp\u00edrito da cordialidade, sem qualquer intermedia\u00e7\u00e3o ou patrulhamento de grupo. Assim sendo, a leitura de cartas torna-se sempre frut\u00edfera, transmissora do conhecimento humano. E a religi\u00e3o, o amor, a cultura aparecem como elementos reconfortantes da vida, n\u00e3o inibit\u00f3rios do nosso estar na vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cyro de Mattos &nbsp; Com cerca de 65 anos dedicados \u00e0 literatura como forma de vida, atrav\u00e9s de atividades constantes e produ\u00e7\u00e3o de livros pessoais, resolvo cuidar das cartas que me foram endere\u00e7adas durante d\u00e9cadas por escritores, poetas, professores doutores e especialistas, com vistas a produzir razo\u00e1vel volume cheio de observa\u00e7\u00f5es e compreens\u00f5es sobre a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":178944,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[33433],"tags":[40459,28430,28779],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178943"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=178943"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178943\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":178946,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178943\/revisions\/178946"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/178944"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=178943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=178943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=178943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}