{"id":178765,"date":"2025-08-11T09:36:18","date_gmt":"2025-08-11T12:36:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=178765"},"modified":"2025-08-11T09:36:18","modified_gmt":"2025-08-11T12:36:18","slug":"jorge-amado-por-cyro-de-mattos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2025\/08\/11\/jorge-amado-por-cyro-de-mattos\/","title":{"rendered":"Jorge Amado, por Cyro de Mattos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-122005\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Jorge-Amado-1-300x187.jpg\" alt=\"\" width=\"366\" height=\"228\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Jorge-Amado-1-300x187.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Jorge-Amado-1.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 366px) 100vw, 366px\" \/>Jorge Amado de Faria nasceu na fazenda Auric\u00eddia, im\u00f3vel rural pertencente a Ferradas, na \u00e9poca distrito do munic\u00edpio de Itabuna. Foi em 10 de agosto de 1912. O pai era um fazendeiro do cacau, participou das lutas pelo desbravamento e conquista da terra.\u00a0 Aos dois anos, a fam\u00edlia passou a residir efetivamente em Ilh\u00e9us, cidade sul baiana que tem a ver com o Brasil nascendo como na\u00e7\u00e3o. Antes de se transferir para a cidade de praias bel\u00edssimas, assistiu o pai ser v\u00edtima de uma tocaia, escapando por sorte.<\/p>\n<div id=\"attachment_169114\" style=\"width: 228px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-169114\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-169114\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/cyro.jpg\" alt=\"\" width=\"218\" height=\"210\" \/><p id=\"caption-attachment-169114\" class=\"wp-caption-text\">Cyro de Mattos (foto de Jaqueline Alencart)<\/p><\/div>\n<p>Declarou mais tarde que era um menino de Itabuna e de Ilh\u00e9us, como o Adonias Filho, que \u00e9 nascido em Itaju\u00edpe, antigo Pirangi, criado em Ilh\u00e9us. Considerava-se um grapi\u00fana, homem de ra\u00edzes enfincadas na civiliza\u00e7\u00e3o cacaueira baiana. Sua passagem em Ilh\u00e9us deu-lhe inspira\u00e7\u00e3o para escrever Terras do Sem Fim, S\u00e3o Jorge dos Ilh\u00e9us e Gabriela, Cravo e Canela, romances. \u00a0de sua segunda fase como ficcionista.<\/p>\n<p>No terminal de suas cria\u00e7\u00f5es romanescas escreveu o estupendo Tocaia Grande, que acontece no condado imagin\u00e1rio de Iris\u00f3polis, identificado como \u00a0\u00a0Pirangi, antes de ser Itaju\u00edpe. Para o Capit\u00e3o Nat\u00e1rio da Fonseca, Tocaia Grande era o para\u00edso. Para o frei Zygmunt, um valhacouto de bandidos, reino da lux\u00faria, dana\u00e7\u00e3o de Satan\u00e1s!<\/p>\n<p>O pai enviou-lhe aos onze anos de idade para estudar em Salvador, no Col\u00e9gio Ant\u00f4nio Vieira. Nesse educand\u00e1rio conheceu o padre Lu\u00eds Gonzaga Cabral. Numa reda\u00e7\u00e3o sobre o mar, o padre ficou impressionado com a narrativa\u00a0\u00a0 de um dos alunos. Quando retornou com as provas examinadas, disse para os alunos: \u201cTenho uma aqui que eu fa\u00e7o quest\u00e3o de ler, esse vai ser escritor.\u201d Referia-se ao adolescente Jorge Amado, que cumprindo o vatic\u00ednio do padre Cabral iria se tornar d\u00e9cadas depois romancista de mais de vinte milh\u00f5es de leitores.<\/p>\n<p>Residiu no Rio, Paris e Praga. Tornou-se deputado federal pelo PCB, por S\u00e3o Paulo. Nos idos agitados de 1936 foi preso como v\u00e1rios intelectuais, que moravam em diversos pontos do Pa\u00eds. Graciliano Ramos em Macei\u00f3. Ficou preso dois meses na Pol\u00edcia Central do Rio. Foi expulso do Brasil, teve seus livros queimados em pra\u00e7a p\u00fablica durante o regime do Estado Novo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Decepcionado com os atos irracionais do ditador Stalin, perseguidor implac\u00e1vel dos que discordavam de sua maneira de governar o povo russo, rompe com o partido. Prosseguiu na caminhada corajosa de ser um escritor irreverente, compromissado com os derrotados, os exclu\u00eddos da vida pela opress\u00e3o do sistema pol\u00edtico defeituoso, organizado com preconceitos e desigualdades sociais. Sentia-se antes de tudo como um escritor do povo, de putas e vagabundos, capit\u00e3es da areia, duma gente oprimida pelo sistema regrado pelo homem dito como civilizado.<\/p>\n<p>Em 1961 candidatou-se \u00e0 Academia Brasileira de Letras por insist\u00eancia de amigos acad\u00eamicos. Otavio Mangabeira antes de morrer disse que gostaria de ser sucedido na casa de Machado de Assis por Jorge Amado. S\u00f3 vestiu o fard\u00e3o da Academia tr\u00eas vezes, a primeira quando foi tomar posse, depois para receber Adonias Filho e Dias Gomes. N\u00e3o se dava bem no fard\u00e3o. Tinha uma facilidade incr\u00edvel na arte de fazer amigos, escreveu pref\u00e1cios para muitos escritores emergentes e consagrados, mas conservou sempre sua independ\u00eancia intelectual, que n\u00e3o tinha pre\u00e7o. Escrever cansava, mas era uma maneira de se divertir como um homem de esp\u00edrito irreverente.<\/p>\n<p>Certa vez me disse que onde est\u00e1 um agrupamento humano de natureza associativa h\u00e1 a ambi\u00e7\u00e3o, a inveja e o fuxico. Observou ainda que as artes s\u00e3o necess\u00e1rias como o p\u00e3o \u00e9 vital para a sobreviv\u00eancia humana. Esse escritor grand\u00e3o, de cora\u00e7\u00e3o generoso, \u00e9 o patrono da cadeira de n\u00famero 5 da Academia de Letras de Itabuna, ocupada atualmente por esse cronista. Tive a sorte de ser seu amigo, aprendi muito com ele. Faz falta, muita falta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Amado de Faria nasceu na fazenda Auric\u00eddia, im\u00f3vel rural pertencente a Ferradas, na \u00e9poca distrito do munic\u00edpio de Itabuna. Foi em 10 de agosto de 1912. 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