{"id":177334,"date":"2025-07-05T09:30:23","date_gmt":"2025-07-05T12:30:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=177334"},"modified":"2025-07-05T13:42:05","modified_gmt":"2025-07-05T16:42:05","slug":"pedro-sanchez-e-o-fardo-da-lideranca-valores-dissuasao-e-a-alma-estrategica-da-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2025\/07\/05\/pedro-sanchez-e-o-fardo-da-lideranca-valores-dissuasao-e-a-alma-estrategica-da-europa\/","title":{"rendered":"Pedro S\u00e1nchez e o fardo da lideran\u00e7a: valores, dissuas\u00e3o e a alma estrat\u00e9gica da Europa"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-177339\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/PHOTO-2025-07-04-09-54-01-2.jpg\" alt=\"\" width=\"465\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/PHOTO-2025-07-04-09-54-01-2.jpg 465w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/PHOTO-2025-07-04-09-54-01-2-300x209.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 465px) 100vw, 465px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Prof. Dr. Abdelkrim CErrouaki<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-177335\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/PHOTO-2025-07-04-09-54-00.jpg\" alt=\"\" width=\"228\" height=\"348\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/PHOTO-2025-07-04-09-54-00.jpg 228w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/PHOTO-2025-07-04-09-54-00-197x300.jpg 197w\" sizes=\"(max-width: 228px) 100vw, 228px\" \/>Numa era em que a gravidade geopol\u00edtica muda de forma r\u00e1pida e imprevis\u00edvel, a C\u00fapula da OTAN de 2025 ser\u00e1 lembrada n\u00e3o apenas por sua hist\u00f3rica mudan\u00e7a pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m pelas falhas \u00e9ticas que revelou dentro da pr\u00f3pria Alian\u00e7a. Em 25 de junho, os Estados-membros da OTAN adotaram formalmente uma nova meta: 5% do PIB para gastos com defesa. Uma medida duas vezes mais ambiciosa que a meta anterior, a decis\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simb\u00f3lica quanto estrat\u00e9gica \u2014 uma declara\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia, \u00e0 China e, cada vez mais, ao Ir\u00e3, de que a OTAN est\u00e1 se preparando para uma contesta\u00e7\u00e3o sustentada em m\u00faltiplas frentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas em meio a essa urg\u00eancia renovada e postura assertiva, uma voz se destacou n\u00e3o por rejeitar a necessidade de dissuas\u00e3o, mas por redefinir o que significa for\u00e7a genu\u00edna em uma sociedade democr\u00e1tica. Pedro S\u00e1nchez, Primeiro-Ministro da Espanha, articulou uma vis\u00e3o de seguran\u00e7a coletiva enraizada n\u00e3o apenas no poder de fogo, mas tamb\u00e9m na resili\u00eancia interna, na coer\u00eancia democr\u00e1tica e na soberania estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>Num momento em que muitos l\u00edderes chegaram \u00e0 c\u00fapula munidos de ret\u00f3rica alarmista, S\u00e1nchez ofereceu algo ainda mais raro: clareza, equil\u00edbrio e integridade.<\/p>\n<div id=\"attachment_177353\" style=\"width: 333px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-177353\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-177353\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/PHOTO-2025-07-04-10-34-48.jpg\" alt=\"\" width=\"323\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/PHOTO-2025-07-04-10-34-48.jpg 376w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/PHOTO-2025-07-04-10-34-48-291x300.jpg 291w\" sizes=\"(max-width: 323px) 100vw, 323px\" \/><p id=\"caption-attachment-177353\" class=\"wp-caption-text\">Itana Paternostro\u00a0 entrevista Abdelkrim Errouaki<\/p><\/div>\n<p>Uma C\u00fapula Moldada pela Ansiedade Multipolar<\/p>\n<p>A c\u00fapula de 2025 acontece em um cen\u00e1rio de crescente complexidade geopol\u00edtica. O conflito na Ucr\u00e2nia continua em seu quarto ano, sem uma resolu\u00e7\u00e3o clara \u00e0 vista. A Bielorr\u00fassia se aproximou da R\u00fassia em quest\u00f5es de defesa e seguran\u00e7a, enquanto um aumento da atividade militar foi observado nas regi\u00f5es do \u00c1rtico e do B\u00e1ltico.<\/p>\n<p>As tens\u00f5es no Indo-Pac\u00edfico tamb\u00e9m aumentaram, com a China intensificando sua postura militar em torno de Taiwan e expandindo a coopera\u00e7\u00e3o industrial de defesa com a R\u00fassia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_177336\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-177336\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-177336\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/pedro-s.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"279\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/pedro-s.jpg 495w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/pedro-s-300x279.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-177336\" class=\"wp-caption-text\">Pedro Sanchez<\/p><\/div>\n<p>Os acontecimentos no Oriente M\u00e9dio atra\u00edram ainda mais a aten\u00e7\u00e3o para a vizinhan\u00e7a sul da Alian\u00e7a. Grupos armados ligados ao Ir\u00e3 tornaram-se mais ativos no L\u00edbano, S\u00edria e Iraque, e os desafios de seguran\u00e7a mar\u00edtima no Mar Vermelho afetaram as rotas comerciais globais. O conflito em curso entre Israel e Ir\u00e3 levantou preocupa\u00e7\u00f5es sobre o potencial de uma escalada regional mais ampla, levando a uma maior presen\u00e7a de for\u00e7as navais americanas e europeias na \u00e1rea. Em toda a regi\u00e3o \u2014 do Sahel ao Golfo \u2014 a Europa enfrenta um conjunto diversificado de desafios de seguran\u00e7a, incluindo amea\u00e7as h\u00edbridas, terrorismo e deslocamentos, que podem ser t\u00e3o desafiadores para a unidade europeia quanto a situa\u00e7\u00e3o no flanco oriental.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a promessa de 5% da OTAN \u00e9 menos uma reforma fiscal do que uma mudan\u00e7a doutrin\u00e1ria. Reflete o reconhecimento de que a dissuas\u00e3o no s\u00e9culo XXI deve ser multidirecional, flex\u00edvel e voltada para o futuro. \u00c9 tamb\u00e9m, como afirmou Josep Borrell \u2014 ex-Alto Representante da UE para os Neg\u00f3cios<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Estrangeiros \u2014 um teste de vontade estrat\u00e9gica:<\/p>\n<p>\u201cChina, R\u00fassia e Ir\u00e3 est\u00e3o atentos n\u00e3o apenas ao que dizemos, mas tamb\u00e9m aos nossos compromissos. A mensagem da OTAN deve ser inequ\u00edvoca: estamos prontos, estamos unidos e n\u00e3o somos ing\u00eanuos.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-177338\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/p-2.jpg\" alt=\"\" width=\"292\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/p-2.jpg 474w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/p-2-300x197.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 292px) 100vw, 292px\" \/><\/p>\n<p>Pedro S\u00e1nchez: Defesa sem Desarmamento de Valores<\/p>\n<p>Pedro S\u00e1nchez compareceu \u00e0 c\u00fapula n\u00e3o para desafiar o consenso, mas para mold\u00e1-lo com nuances. A Espanha, sob sua lideran\u00e7a, est\u00e1 a caminho de atingir 2% de gastos com defesa este ano, tendo aumentado seu or\u00e7amento militar em 70% em cinco anos. \u00c9 um dos cinco maiores contribuintes da OTAN em termos de desdobramentos operacionais. No entanto, S\u00e1nchez argumentou \u2014 de forma persuasiva \u2014 que a maturidade estrat\u00e9gica exige mais do que apenas n\u00fameros de gastos. Exige alinhamento entre a postura externa e a legitimidade interna.<\/p>\n<p>Como ele afirmou:<\/p>\n<p>\u201cA verdadeira seguran\u00e7a vem de dentro \u2014 quando os cidad\u00e3os se sentem protegidos n\u00e3o apenas de amea\u00e7as estrangeiras, mas tamb\u00e9m da pobreza, da desigualdade e da neglig\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Em vez de resistir diretamente ao limite de 5%, S\u00e1nchez defendeu uma compreens\u00e3o multidimensional da divis\u00e3o de responsabilidades. Ele prop\u00f4s uma mudan\u00e7a na discuss\u00e3o \u2014 de porcentagens contundentes para capacidades, coprodu\u00e7\u00e3o, compras conjuntas e interoperabilidade. Seu apelo para enfatizar como gastamos, n\u00e3o apenas quanto, representa uma recalibra\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, S\u00e1nchez apoiou firmemente o aprofundamento da coopera\u00e7\u00e3o entre as ind\u00fastrias de defesa europeias e norte-americanas, alavancando programas como o SAFE e o EDIP para construir cadeias de suprimentos dur\u00e1veis ??que atendam tanto ao desenvolvimento econ\u00f4mico quanto \u00e0 prontid\u00e3o militar. Trata-se da defesa n\u00e3o como um dreno do estado de bem-estar social, mas como um investimento estrat\u00e9gico em soberania, emprego e autossufici\u00eancia tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-177337\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/p-1.jpg\" alt=\"\" width=\"403\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/p-1.jpg 467w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/p-1-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/><\/p>\n<p>Recuperando a Vis\u00e3o do Sul da OTAN<\/p>\n<p>Uma das contribui\u00e7\u00f5es mais cruciais de S\u00e1nchez foi reconduzir a aten\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a para sua vizinhan\u00e7a meridional, h\u00e1 muito negligenciada. Embora o flanco oriental tenha merecido prioridade nos \u00faltimos anos, a conflagra\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio e a desestabiliza\u00e7\u00e3o do Sahel representam amea\u00e7as de longo prazo \u00e0 seguran\u00e7a europeia.<\/p>\n<p>S\u00e1nchez reafirmou o compromisso da Espanha com as miss\u00f5es da OTAN em ambos os teatros de opera\u00e7\u00f5es \u2014 destacando os quase 3.000 soldados espanh\u00f3is destacados do B\u00e1ltico ao Mediterr\u00e2neo \u2014 e apelou a uma abordagem mais integrada que inclua n\u00e3o apenas respostas militares, mas tamb\u00e9m engajamento diplom\u00e1tico e de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Sua interven\u00e7\u00e3o foi, em ess\u00eancia, um lembrete de que a seguran\u00e7a deve ser abrangente e indivis\u00edvel \u2014 que a legitimidade da OTAN n\u00e3o se baseia apenas em seus tanques e tratados, mas em sua capacidade de defender valores e a dignidade humana de Vilnius a Tr\u00edpoli.<\/p>\n<p>Entre a Autonomia Estrat\u00e9gica e a Unidade Transatl\u00e2ntica<\/p>\n<p>O argumento de S\u00e1nchez tamb\u00e9m se cruza com um debate mais profundo e ainda n\u00e3o resolvido na Europa: o que significa autonomia estrat\u00e9gica em um mundo p\u00f3s-Ucr\u00e2nia? Sua resposta n\u00e3o \u00e9 nacionalista nem isolacionista. \u00c9 uma defesa do direito da Europa de moldar seu destino estrat\u00e9gico dentro da Alian\u00e7a \u2014 n\u00e3o como um parceiro menor, mas como um pilar soberano.<\/p>\n<p>Ao faz\u00ea-lo, S\u00e1nchez ecoa uma vis\u00e3o que muitos l\u00edderes europeus defendem h\u00e1 muito tempo: uma Europa forte dentro da OTAN, n\u00e3o uma definida por ela. Ele entende que a unidade n\u00e3o exige uniformidade e que os governos democr\u00e1ticos devem manter a flexibilidade para equilibrar as demandas externas com a estabilidade interna.<\/p>\n<p>Como Borrell reiterou ap\u00f3s a c\u00fapula:<\/p>\n<p>\u201cA Europa precisa aumentar suas capacidades, sim \u2014 mas n\u00e3o sacrificando sua identidade. N\u00e3o somos apenas um ap\u00eandice da alian\u00e7a transatl\u00e2ntica; somos um pilar.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Militarismo e Reordena\u00e7\u00e3o Global: Chomsky, Attali, Sachs e o Imperativo da Paz na C\u00fapula da OTAN de 2025 em Haia<\/p>\n<p>Noam Chomsky: A OTAN e a Arquitetura da Guerra Perp\u00e9tua<\/p>\n<p>Noam Chomsky oferece uma cr\u00edtica contundente e implac\u00e1vel \u00e0 C\u00fapula da OTAN realizada em Haia em 25 de junho de 2025. Para Chomsky, a mais recente mudan\u00e7a estrat\u00e9gica da alian\u00e7a \u2014 centrada em um compromisso vinculativo dos Estados-membros de aumentar os gastos com defesa para 5% do PIB at\u00e9 2035 \u2014 personifica o aprofundamento da militariza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica internacional, impulsionada principalmente pelos imperativos hegem\u00f4nicos dos EUA.<\/p>\n<p>Ele interpreta essa mudan\u00e7a n\u00e3o como uma resposta leg\u00edtima aos crescentes desafios de seguran\u00e7a, mas como parte de uma tend\u00eancia de longa data na qual a OTAN funciona menos como uma coaliz\u00e3o defensiva e mais como uma extens\u00e3o do poder militar americano. Chomsky tra\u00e7a uma linha direta entre esses desenvolvimentos e o que ele identifica como uma &#8220;mentalidade de guerra&#8221; enraizada nas estruturas pol\u00edticas da era Trump, agora normalizada e institucionalizada na doutrina da OTAN.<\/p>\n<p>Essa escalada, argumenta ele, desvia recursos cr\u00edticos de necessidades sociais e ecol\u00f3gicas urgentes, refor\u00e7ando uma l\u00f3gica estrat\u00e9gica baseada na for\u00e7a em detrimento da diplomacia. A c\u00fapula, em sua vis\u00e3o, confirma a transi\u00e7\u00e3o da OTAN para um aparato do que ele chama de &#8220;imp\u00e9rio que nunca descansa&#8221; \u2014 um sistema que se prepara para a &#8220;guerra total&#8221; em vez da constru\u00e7\u00e3o da paz, e que mina as perspectivas de coopera\u00e7\u00e3o global e desescalada.<\/p>\n<p>Jacques Attali: Sinais de Desordem e o Caminho para a Renova\u00e7\u00e3o Estrat\u00e9gica<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora Jacques Attali n\u00e3o comente a c\u00fapula em termos diretos, seu arcabou\u00e7o geopol\u00edtico mais amplo \u2014 definido pelo conceito de &#8220;ru\u00eddo&#8221; \u2014 oferece uma lente convincente para interpretar a reuni\u00e3o da OTAN. Para Attali, o ano de 2025 marca um momento de extrema volatilidade: uma converg\u00eancia de rupturas militares, ecol\u00f3gicas, econ\u00f4micas e tecnol\u00f3gicas que podem culminar em um colapso catastr\u00f3fico ou em uma renova\u00e7\u00e3o sist\u00eamica.<\/p>\n<p>Ele v\u00ea o pacto de defesa de 5% da OTAN como um entre muitos &#8220;sinais&#8221; de uma &#8220;explos\u00e3o militar&#8221; global em desenvolvimento, paralelamente \u00e0s crises no Oriente M\u00e9dio, no Leste Asi\u00e1tico e em outros lugares. Ao contr\u00e1rio do foco singular de Chomsky no militarismo ocidental, Attali situa a c\u00fapula dentro de um espectro de for\u00e7as desestabilizadoras, interpretando-a tanto como um sintoma de risco acelerado quanto como um potencial ponto de inflex\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o estrutural.<\/p>\n<p>Attali permanece ambivalente: a c\u00fapula de Haia poderia aprofundar a l\u00f3gica do que ele chama de &#8220;economia da morte&#8221; ou, alternativamente, iniciar a consolida\u00e7\u00e3o da autonomia estrat\u00e9gica europeia por meio de uma identidade coletiva de defesa. Em suas palavras, \u201c2025 pode testemunhar o colapso \u2014 ou a cria\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e de uma nova ordem global\u201d. Seu diagn\u00f3stico \u00e9 menos ideol\u00f3gico do que sist\u00eamico, enfatizando a oportunidade dentro do colapso.<\/p>\n<p>Jeffrey Sachs: O Custo Moral das Prioridades Mal Alocadas<\/p>\n<p>Jeffrey Sachs acrescenta uma cr\u00edtica s\u00e9ria e pragm\u00e1tica ao coro de preocupa\u00e7\u00f5es. Defensor de longa data do desenvolvimento sustent\u00e1vel e do multilateralismo, Sachs v\u00ea a intensifica\u00e7\u00e3o da militariza\u00e7\u00e3o da OTAN como uma profunda m\u00e1 aloca\u00e7\u00e3o de prioridades globais em um momento em que a humanidade enfrenta desafios existenciais.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 meta de defesa de 5% do PIB anunciada em Haia, Sachs alertou que \u201cestamos financiando o confronto enquanto subfinanciamos a sobreviv\u00eancia\u201d. Ele enfatiza que, embora os gastos militares globais continuem a disparar \u2014 agora cada vez mais institucionalizados por c\u00fapulas como esta \u2014, esfor\u00e7os cruciais em estabiliza\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, redu\u00e7\u00e3o da pobreza, prepara\u00e7\u00e3o para pandemias e educa\u00e7\u00e3o permanecem drasticamente subfinanciados.<\/p>\n<p>Para Sachs, a c\u00fapula n\u00e3o \u00e9 meramente um evento geopol\u00edtico, mas uma falha moral de lideran\u00e7a. Em um mundo de recursos finitos e crises convergentes, dobrar a aposta no militarismo n\u00e3o \u00e9 previs\u00e3o estrat\u00e9gica, mas cegueira \u00e9tica. Ele argumenta que a trajet\u00f3ria atual da OTAN representa uma falha em reconhecer a natureza multidimensional da seguran\u00e7a global \u2014 onde a paz, a resili\u00eancia clim\u00e1tica e a equidade econ\u00f4mica n\u00e3o s\u00e3o opcionais, mas pilares centrais.<\/p>\n<p>Baseando-se nos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), Sachs defende um paradigma de seguran\u00e7a alternativo \u2014 enraizado n\u00e3o em or\u00e7amentos de defesa e corridas armamentistas, mas na resolu\u00e7\u00e3o cooperativa de problemas, na inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica para o bem p\u00fablico e no fortalecimento das institui\u00e7\u00f5es globais. A C\u00fapula de Haia, em sua opini\u00e3o, refor\u00e7a uma l\u00f3gica perigosa: a de que a seguran\u00e7a \u00e9 melhor garantida pela prepara\u00e7\u00e3o para a guerra, em vez de pela resolu\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es que levam ao conflito em primeiro lugar.<\/p>\n<p>Um Apelo por um Paradigma Centrado na Paz: Reflex\u00f5es Inspiradas por Federico Mayor Zaragoza e Boutros Boutros-Ghali<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0 luz dessas perspectivas, \u00e9 crucial reafirmar uma vis\u00e3o enraizada nos legados de Federico Mayor Zaragoza e Boutros Boutros-Ghali, ambos defensores da transi\u00e7\u00e3o de uma cultura de guerra para uma cultura de paz. De sua perspectiva, a seguran\u00e7a n\u00e3o pode ser constru\u00edda por meio de corridas armamentistas ou alian\u00e7as hegem\u00f4nicas, mas apenas por meio de governan\u00e7a inclusiva, desarmamento, educa\u00e7\u00e3o e respeito ao direito internacional.<\/p>\n<p>O compromisso da C\u00fapula da OTAN de elevar os gastos com defesa a n\u00edveis historicamente sem precedentes est\u00e1 em flagrante contradi\u00e7\u00e3o com esse legado. Reflete uma vis\u00e3o de mundo em que o poder e a dissuas\u00e3o s\u00e3o privilegiados em detrimento da solidariedade e da diplomacia \u2014 uma vis\u00e3o de mundo que tanto o prefeito Zaragoza quanto Boutros-Ghali alertaram que levaria \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Como o prefeito Zaragoza enfatizou repetidamente, a paz n\u00e3o \u00e9 meramente a aus\u00eancia de guerra; \u00e9 a presen\u00e7a de justi\u00e7a, equidade, sustentabilidade e participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Da mesma forma, Boutros-Ghali, em sua Agenda para a Paz, defendeu a revitaliza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas e a redefini\u00e7\u00e3o da soberania \u00e0 luz das responsabilidades humanas compartilhadas. A dire\u00e7\u00e3o militarizada adotada em Haia mina o esp\u00edrito multilateral que essas figuras representavam e refor\u00e7a estruturas de exclus\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que \u00e9 necess\u00e1rio agora n\u00e3o \u00e9 apenas uma cr\u00edtica ao militarismo, mas um redirecionamento concreto da vontade pol\u00edtica e dos recursos para o desenvolvimento humano, a educa\u00e7\u00e3o global, a recupera\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e a coopera\u00e7\u00e3o transfronteiri\u00e7a. O futuro da seguran\u00e7a global n\u00e3o reside nas armas, mas na constru\u00e7\u00e3o de sociedades resilientes por meio de institui\u00e7\u00f5es inclusivas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>onclus\u00e3o: Diagn\u00f3sticos Divergentes, Alarme Compartilhado e um Terceiro Caminho a Seguir<\/p>\n<p>Noam Chomsky, Jacques Attali e Jeffrey Sachs oferecem cr\u00edticas distintas, por\u00e9m contundentes, \u00e0 C\u00fapula da OTAN de 2025, em Haia. Chomsky v\u00ea nela uma consolida\u00e7\u00e3o do militarismo liderado pelos EUA; Attali a interpreta como um sinal crucial dentro de um sistema que oscila entre o colapso e a transforma\u00e7\u00e3o; Sachs alerta para as consequ\u00eancias morais e desenvolvimentistas de prioridades equivocadas.<\/p>\n<p>A esses diagn\u00f3sticos, eu acrescentaria uma quarta voz \u2014 a vis\u00e3o \u00e9tica e prospectiva do Prefeito Zaragoza e de Boutros-Ghali, que nos lembram que a arquitetura da paz deve ser constru\u00edda, n\u00e3o assumida. Em uma era de interdepend\u00eancia global, a seguran\u00e7a militarizada \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o. O que precisamos n\u00e3o \u00e9 de mais armamento, mas de mais coragem para investir naquilo que realmente garante o nosso futuro: coopera\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a e a dignidade de todos.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, a C\u00fapula de Haia n\u00e3o \u00e9 apenas um evento pol\u00edtico \u2014 \u00e9 um teste moral e civilizacional. O caminho que escolhermos agora ecoar\u00e1 por gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o: Profundidade Estrat\u00e9gica em uma Era Superficial<\/p>\n<p>A C\u00fapula da OTAN de 2025 ser\u00e1 lembrada pela determina\u00e7\u00e3o institucional, mas tamb\u00e9m pelas falhas morais que exp\u00f4s. Em uma sala repleta de l\u00edderes \u00e1vidos por demonstrar firmeza, Pedro S\u00e1nchez demonstrou profundidade. Ele lembrou a seus pares que a verdadeira dissuas\u00e3o n\u00e3o se mede apenas por linhas or\u00e7ament\u00e1rias, mas pela resili\u00eancia, coes\u00e3o e confian\u00e7a democr\u00e1tica das sociedades que defendemos.<\/p>\n<p>Em um momento em que a clareza geopol\u00edtica \u00e9 rara e a coragem pol\u00edtica ainda mais rara, a interven\u00e7\u00e3o de S\u00e1nchez modelou uma forma de lideran\u00e7a frequentemente negligenciada no discurso de seguran\u00e7a atual: firme, orientada por valores e fundamentada no interesse de longo prazo dos cidad\u00e3os. Ele n\u00e3o se op\u00f4s \u00e0 militariza\u00e7\u00e3o da postura, mas rejeitou a militariza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Nas palavras do Professor Federico Mayor, ex-Diretor-Geral da UNESCO:<\/p>\n<p>\u201cA for\u00e7a da Europa n\u00e3o \u00e9 a Europa da for\u00e7a, mas a Europa dos valores.\u201d<\/p>\n<p>Pedro S\u00e1nchez mostrou que esses valores n\u00e3o s\u00e3o uma fraqueza, mas uma arma \u2014 e, ao faz\u00ea-lo, ofereceu um modelo de lideran\u00e7a em um s\u00e9culo que exigir\u00e1 tanto coragem quanto consci\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Dr. Karim Errouaki atua como Embaixador e Enviado Especial do Conselho Internacional de Direitos Humanos para a Uni\u00e3o Europeia e \u00e9 Professor Honor\u00e1rio de Finan\u00e7as Internacionais e Geopol\u00edtica. Ele obteve um Bacharelado e um Mestrado em Matem\u00e1tica e Economia pela renomada Universidade Paris-Dauphine PSL e possui um Doutorado em Economia pela The New School, em Nova York. O Dr. Errouaki trabalhou de perto com seu mentor ao longo da vida, o Professor Edward J. Nell, com quem coescreveu o livro Rational Econometric Man (2013). Ele tamb\u00e9m tem a grande honra de ser o laureado com o Pr\u00eamio Internacional da Paz Nelson Mandela 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof. Dr. Abdelkrim CErrouaki Numa era em que a gravidade geopol\u00edtica muda de forma r\u00e1pida e imprevis\u00edvel, a C\u00fapula da OTAN de 2025 ser\u00e1 lembrada n\u00e3o apenas por sua hist\u00f3rica mudan\u00e7a pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m pelas falhas \u00e9ticas que revelou dentro da pr\u00f3pria Alian\u00e7a. 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