{"id":176959,"date":"2025-06-22T13:30:36","date_gmt":"2025-06-22T16:30:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=176959"},"modified":"2025-06-22T10:00:40","modified_gmt":"2025-06-22T13:00:40","slug":"em-aula-entrevista-na-facom-jaciara-santos-desvenda-essencia-do-jornalismo-policial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2025\/06\/22\/em-aula-entrevista-na-facom-jaciara-santos-desvenda-essencia-do-jornalismo-policial\/","title":{"rendered":"Em aula-entrevista na Facom, Jaciara Santos desvenda ess\u00eancia do jornalismo policial"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-176961\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/abi-facom-4.jpeg\" alt=\"\" width=\"410\" height=\"307\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/abi-facom-4.jpeg 600w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/abi-facom-4-300x225.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/>\u201cN\u00e3o existe ningu\u00e9m totalmente bom, nem totalmente mau. O jornalismo me ensinou isso.\u201d\u00a0Foi esse olhar humanizado sobre a realidade que a jornalista baiana Jaciara Santos apresentou aos estudantes da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da UFBA, durante uma aula-entrevista promovida ontem (4\/6) pelo professor Alexandro Mota, para a disciplina\u00a0Gest\u00e3o de Pr\u00e1ticas e Processos Jornal\u00edsticos.<\/p>\n<p>Veterana da imprensa baiana, a diretora de Comunica\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Bahiana de Imprensa (ABI) foi recebida com entusiasmo por jovens do terceiro semestre do curso de Jornalismo, com idades entre 19 a 22 anos, com os quais ela compartilhou sua passagem por ve\u00edculos baianos como\u00a0Jornal da Bahia,\u00a0Correio,\u00a0TV Aratu\u00a0e experi\u00eancias a \u00e1rea de assessoria.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-176962\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/abi-facom-3.jpg\" alt=\"\" width=\"378\" height=\"201\" \/><\/p>\n<p>Sua voz suave e postura t\u00edmida dominou a sala pela for\u00e7a da experi\u00eancia, da sensatez e da \u00e9tica que marcaram d\u00e9cadas de carreira \u2014 sobretudo nas p\u00e1ginas da editoria policial, onde desafiou estigmas e consolidou seu estilo.<\/p>\n<p>Ao chegar, trouxe consigo uma pasta cuidadosamente organizada com recortes de mat\u00e9rias hist\u00f3ricas, pr\u00eamios conquistados e imagens emblem\u00e1ticas. Um verdadeiro relic\u00e1rio de jornalismo, que, ao final do encontro, despertou nos alunos uma mistura de encantamento, surpresa e respeito. \u201cQue capricho, que preciosidade\u201d, diziam, diante da riqueza do acervo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Coragem, sensibilidade e justi\u00e7a<br \/>\nCom humildade e bom humor, Jaciara compartilhou epis\u00f3dios marcantes de sua trajet\u00f3ria, como quando venceu o pr\u00f3prio preconceito ao aceitar o desafio de cobrir seguran\u00e7a p\u00fablica. A proposta veio de um editor que enxergou nela o talento necess\u00e1rio para assumir uma coluna sobre crimes antigos. Ela aceitou, e ali encontrou sua voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-176963\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/abi-facom-1.jpg\" alt=\"\" width=\"354\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/abi-facom-1.jpg 600w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/abi-facom-1-300x195.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><\/p>\n<p>Jaciara relatou coberturas de alto impacto, como a s\u00e9rie de reportagens sobre grupos de exterm\u00ednio na Bahia, que lhe rendeu pr\u00eamios da ABI e do Banco do Brasil, e men\u00e7\u00e3o honrosa da Universidade de Columbia. Tamb\u00e9m compartilhou a hist\u00f3ria de um jovem que sobreviveu a uma chacina policial, mas ficou tetrapl\u00e9gico \u2014 uma das mat\u00e9rias mais tocantes de sua carreira.<\/p>\n<p>Outro momento forte foi quando admitiu um erro jornal\u00edstico que contribuiu para a pris\u00e3o injusta de tr\u00eas policiais. \u201cEu errei, mas depois consegui provar que eles eram inocentes. Essa foi a mat\u00e9ria da minha vida\u201d, admitiu. A experi\u00eancia virou aprendizado e lema:\u00a0\u201cRep\u00f3rter erra, sim. Mas precisa admitir o erro.\u201d<\/p>\n<p>Troca com os estudantes<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-176964\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/abi-facom-2.jpg\" alt=\"\" width=\"346\" height=\"195\" \/><br \/>\nO encontro foi uma troca afetiva e intelectual. Os alunos fizeram perguntas sobre \u00e9tica, persuas\u00e3o, press\u00e3o de reda\u00e7\u00e3o, sensacionalismo, processo criativo, ass\u00e9dio moral, racismo e o impacto das linhas editoriais. Em todas as respostas, Jaciara foi honesta, acolhedora e firme em seus princ\u00edpios.<\/p>\n<p>A jornalista defendeu a import\u00e2ncia de ouvir os dois lados de uma hist\u00f3ria e condenou a autocensura. Criticou o jornalismo que se limita a repetir vers\u00f5es oficiais e lamentou o avan\u00e7o do sensacionalismo nos telejornais populares. \u201cA gente n\u00e3o pode naturalizar a viol\u00eancia. Nem deixar que audi\u00eancia justifique a falta de apura\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m compartilhou experi\u00eancias pessoais de medo, de cobertura sob risco e do preconceito de g\u00eanero, em uma atividade com predomin\u00e2ncia masculina. E refor\u00e7ou, com do\u00e7ura, a import\u00e2ncia do diploma de jornalismo, da empatia com fontes e do compromisso com a verdade.<\/p>\n<p>Um legado que inspira<br \/>\nA aula terminou com uma salva de palmas demorada, carregada de satisfa\u00e7\u00e3o. Em cima da mesa, estava a pasta com o acervo profissional de Jaciara, que os alunos \u2013 curiosos \u2013 pararam para folhear. Aqueles pap\u00e9is amarelados, com manchetes corajosas e hist\u00f3rias impactantes, n\u00e3o eram apenas registros de uma carreira, eram testemunhos de um jornalismo comprometido com a dignidade humana.<\/p>\n<p>Atualmente, Jaciara est\u00e1 fora das reda\u00e7\u00f5es e da atividade de assessoria de imprensa, mas segue atuante na Associa\u00e7\u00e3o Bahiana de Imprensa (ABI), como diretora de Comunica\u00e7\u00e3o, e integra o Conselho de \u00c9tica do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba). \u00c9 tamb\u00e9m uma das idealizadoras do\u00a0Protocolo Antifeminic\u00eddio, que orienta jornalistas a noticiar crimes de g\u00eanero com responsabilidade e respeito \u00e0 v\u00edtima e sua fam\u00edlia, al\u00e9m de fazer parte do Conselho Editorial da\u00a0Revista Mem\u00f3ria da Imprensa.<\/p>\n<p>\u201cO jornalismo precisa de gente como voc\u00eas\u201d, disse ela, ao se despedir dos alunos. E foi imposs\u00edvel n\u00e3o acreditar que cada futuro jornalista ali saiu diferente \u2014 mais inspirado, mais sens\u00edvel, mais preparado para contar hist\u00f3rias que realmente importam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o existe ningu\u00e9m totalmente bom, nem totalmente mau. O jornalismo me ensinou isso.\u201d\u00a0Foi esse olhar humanizado sobre a realidade que a jornalista baiana Jaciara Santos apresentou aos estudantes da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da UFBA, durante uma aula-entrevista promovida ontem (4\/6) pelo professor Alexandro Mota, para a disciplina\u00a0Gest\u00e3o de Pr\u00e1ticas e Processos Jornal\u00edsticos. 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