{"id":174516,"date":"2025-04-12T09:21:04","date_gmt":"2025-04-12T12:21:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=174516"},"modified":"2025-04-11T10:24:03","modified_gmt":"2025-04-11T13:24:03","slug":"para-eles-eu-nao-sou-minha-e-ela-nao-e-dela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2025\/04\/12\/para-eles-eu-nao-sou-minha-e-ela-nao-e-dela\/","title":{"rendered":"Para eles, eu n\u00e3o sou minha. E ela n\u00e3o \u00e9 dela"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>J\u00e9ssica Brito<\/em><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-174517\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/PHOTO-2025-04-11-09-54-45-300x243.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"243\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/PHOTO-2025-04-11-09-54-45-300x243.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/PHOTO-2025-04-11-09-54-45.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Parece clich\u00ea, mas n\u00e3o \u00e9. Todos os dias, n\u00f3s mulheres precisamos reafirmar que somos donas de n\u00f3s mesmas. Que nosso corpo, nossas escolhas, nosso sil\u00eancio ou nossa fala \u2013 tudo isso nos pertence. E que ningu\u00e9m, absolutamente ningu\u00e9m, tem o direito de atravessar essa linha.<\/p>\n<p>A cada novo dia, os dados mostram o crescimento da viol\u00eancia contra a mulher. Mas \u00e9 importante lembrar: a viol\u00eancia n\u00e3o come\u00e7a no tapa. Ela come\u00e7a no grito, no verbo que fere, na amea\u00e7a sussurrada, no olhar que intimida. Antes do corpo ser tocado, muitas vezes j\u00e1 foi violado pelo medo.<\/p>\n<p>Eu tinha 17 anos quando fui encurralada a caminho do cursinho pr\u00e9-vestibular. Ele me prensou contra a parede com tanta for\u00e7a que deixou marca no meu bra\u00e7o. Por sorte \u2013 ou instinto \u2013 eu consegui gritar, reagir e me soltar. Mas o que veio depois tamb\u00e9m doeu: o julgamento. Me perguntaram o tamanho da minha saia. A culpa, mais uma vez, escorregando das m\u00e3os do agressor e caindo sobre a v\u00edtima.<\/p>\n<p>Passei meses com medo de andar na rua. Passei meses sem coragem de vestir uma saia.<\/p>\n<p>Hoje, eu penso em todas as mulheres que vivem viol\u00eancias muito maiores, silenciosas, dom\u00e9sticas, invis\u00edveis. Penso nas que foram violentadas, nas que ainda vivem com seus agressores, nas que n\u00e3o conseguiram sair a tempo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>E penso tamb\u00e9m em como tentam suavizar o que \u00e9 insuport\u00e1vel: dizem que &#8220;feminic\u00eddio&#8221; \u00e9 s\u00f3 um nome a mais para o homic\u00eddio. N\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Feminic\u00eddio \u00e9 quando uma mulher \u00e9 assassinada por ser mulher.<br \/>\nQuando um homem acha que ela n\u00e3o tem o direito de ir, de dizer n\u00e3o, de se separar, de viver. Quando ele acredita que ela \u00e9 sua posse \u2013 e se ela ousar contrari\u00e1-lo, paga com a vida.<\/p>\n<p>\u201cPara eles, eu n\u00e3o sou minha. E ela n\u00e3o \u00e9 dela.\u201d<br \/>\nMas \u00e9 por isso que continuamos falando, gritando, escrevendo. Porque precisamos lembrar, todos os dias, que somos sim: nossas. E que ningu\u00e9m tem o direito de nos tirar de n\u00f3s mesmas.<br \/>\n&#8212;<\/p>\n<p>J\u00e9ssica Brito \u00e9 jornalista do Grupo Ipol\u00edtica de Comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e9ssica Brito Parece clich\u00ea, mas n\u00e3o \u00e9. Todos os dias, n\u00f3s mulheres precisamos reafirmar que somos donas de n\u00f3s mesmas. Que nosso corpo, nossas escolhas, nosso sil\u00eancio ou nossa fala \u2013 tudo isso nos pertence. E que ningu\u00e9m, absolutamente ningu\u00e9m, tem o direito de atravessar essa linha. 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