{"id":173049,"date":"2025-03-01T07:26:54","date_gmt":"2025-03-01T10:26:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=173049"},"modified":"2025-02-26T16:36:34","modified_gmt":"2025-02-26T19:36:34","slug":"firmino-rocha-o-orgulho-da-poesia-itabunense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2025\/03\/01\/firmino-rocha-o-orgulho-da-poesia-itabunense\/","title":{"rendered":"Firmino Rocha, o orgulho da poesia itabunense"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-173050\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/f-r.jpg\" alt=\"\" width=\"246\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/f-r.jpg 209w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/f-r-196x300.jpg 196w\" sizes=\"(max-width: 246px) 100vw, 246px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-157192\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Walmir-2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"218\" height=\"164\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Walmir-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Walmir-2.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 218px) 100vw, 218px\" \/>Embora nunca tenhamos marcado qualquer encontro, religiosamente nos v\u00edamos, e sempre ao cair da tarde. Posso afirmar que nossos h\u00e1bitos eram bem distintos em variados aspectos. Assim que terminava o expediente, eu o famoso operador de som da antiga R\u00e1dio Clube de Itabuna, Eliezer Ribeiro (Corpinho de Le\u00e3o), nos dirig\u00edamos ao Ita Bar para tomarmos um (uns) aperitivo(s).<\/p>\n<p>Aos poucos, vislumbr\u00e1vamos a figura do nosso personagem cruzar a rua que separava a pra\u00e7a Olinto Leone, onde morava, e embocar no beco em dire\u00e7\u00e3o ao Ita Bar. Passava rente ao saudoso castelinho, com sua pasta de couro, daquelas que os vendedores viajantes utilizavam \u00e0quela \u00e9poca. No interior da pasta, nada de tal\u00f5es de pedidos ou prospectos de publicidades. S\u00f3 poesias.<\/p>\n<p>Pelo caminho o ritual di\u00e1rio era o mesmo: cumprimentava a todos com sorrisos, algumas frases de elogios, especialmente flores para as mulheres. Essa distin\u00e7\u00e3o era rotineira. As pessoas que ainda n\u00e3o o conheciam geralmente olhavam aquela figura com desconfian\u00e7a, at\u00e9 serem informados e certificados que se tratava de Firmino Rocha, poeta, pessoa de bem, e para alguns com a cabe\u00e7a nas nuvens.<\/p>\n<p>A indument\u00e1ria era a mesma: um terno surrado, voltado para a cor cinza, \u00e0s vezes com gravata, bem frouxa no pesco\u00e7o e a cabe\u00e7a protegida por um chap\u00e9u de baeta. Sempre com um sorriso nos l\u00e1bios. Se houvesse oportunidade, abriria a maleta e pegaria os pap\u00e9is soltos ou o caderno e os mostraria, declamando uma das dezenas de poesias.<\/p>\n<p>Ao chegar ao Ita, sentava-se num banco junto ao balc\u00e3o ou \u00e0 mesa diante dos convites. Luzia, a gar\u00e7onete com anos de experi\u00eancia e conhecimento dos fregueses, lhe servia uma cachacinha pura ou o famoso \u201cleite de on\u00e7a\u201d, aperitivo da casa. Engrenava a conversa, apresentava seus novos trabalhos, desfiava versos de seus novos poemas.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Nascido em 7-6-1910, \u00e0 \u00e9poca desses nossos encontros (1964-65 em diante), Firmino Rocha, diplomado em Ci\u00eancias e Letras, pouco se preocupava com o academicismo e sim com o que lhe rodeava. E assim, rodava, ou rondava Itabuna ao cair da noite, visitando bares e lanchonetes, revendo os amigos, conversando ou declamando versos.<\/p>\n<p>Quem recorda bastante de Firmino Rocha \u00e9 o advogado Gabriel Nunes (ex-presidente da OAB de Itabuna), muitas das vezes dos encontros na choperia e lanchonete Model, na avenida do Cinquenten\u00e1rio. Para Gabriel, Firmino Rocha era um poeta que quebrou os tabus e padr\u00f5es da \u00e9poca, com um estilo eminentemente conhecido como o modernismo baiano.<\/p>\n<p>E numa das viagens aos Estados Unidos, Gabriel Nunes foi visitar a sede da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), que exibe em seu hall uma bela homenagem a mais conhecida poesia de Firmino Rocha, \u201cDeram um Fuzil ao Menino\u201d, concebida por protesto \u00e0 Segunda Guerra Mundial. \u201cAssim que vi a mensagem me senti tamb\u00e9m celebrado, pois era um grapi\u00fana como o amigo Firmino Rocha\u201d, declara Gabriel.<\/p>\n<p>Mas como o tempo \u00e9 implac\u00e1vel, Firmino Rocha morre aos 61 anos (1\u00ba de julho de 1971), deixando parte de sua obra publicada em jornais de Ilh\u00e9us e Itabuna e singelos livros que editou. Mas quis o tempo preparar a reabilita\u00e7\u00e3o do poeta itabunense em 2008, por a\u00e7\u00e3o do professor Fl\u00e1vio Sim\u00f5es Costa, quando diretor-presidente da Funda\u00e7\u00e3o Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC).<\/p>\n<p>Ao chegar a Itabuna em in\u00edcio dos anos 1960, o professor Fl\u00e1vio Sim\u00f5es foi um daqueles abordados pelo poeta Firmino Rocha, enquanto passeava com sua filha pela pra\u00e7a Olinto Leone. Em quase todas as tardes Fl\u00e1vio Sim\u00f5es ouvia os poemas de Firmino Rocha. Na FICC chegou a oportunidade de homenagear o poeta itabunense, editando o livro \u201cFirmino Rocha \u2013 Poemas escolhidos e in\u00e9ditos\u201d, editado pela Via Litterarum.<\/p>\n<p>O meu exemplar, autografado por Fl\u00e1vio Sim\u00f5es, \u00e9 guardado como uma rel\u00edquia em local de destaque na minha biblioteca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>DERAM UM FUZIL AO MENINO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Adeus luares de Maio.<\/p>\n<p>Adeus tran\u00e7as de Maria.<\/p>\n<p>Nunca mais a inoc\u00eancia,<\/p>\n<p>nunca mais a alegria,<\/p>\n<p>nunca mais a grande m\u00fasica<\/p>\n<p>no cora\u00e7\u00e3o do menino.<\/p>\n<p>Agora \u00e9 o tambor da morte<\/p>\n<p>rufando nos campos negros.<\/p>\n<p>Agora s\u00e3o os p\u00e9s violentos<\/p>\n<p>ferindo a terra bendita.<\/p>\n<p>A cantiga, onde ficou a cantiga?<\/p>\n<p>No caderno de n\u00fameros,<\/p>\n<p>o verso ficou sozinho.<\/p>\n<p>Adeus ribeirinhos dourados.<\/p>\n<p>Adeus estrelas tang\u00edveis.<\/p>\n<p>Adeus tudo que \u00e9 de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio Embora nunca tenhamos marcado qualquer encontro, religiosamente nos v\u00edamos, e sempre ao cair da tarde. Posso afirmar que nossos h\u00e1bitos eram bem distintos em variados aspectos. Assim que terminava o expediente, eu o famoso operador de som da antiga R\u00e1dio Clube de Itabuna, Eliezer Ribeiro (Corpinho de Le\u00e3o), nos dirig\u00edamos ao Ita Bar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":173050,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[39383,39,9012,1077],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173049"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=173049"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173049\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":173051,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173049\/revisions\/173051"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/173050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=173049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=173049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=173049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}