{"id":172338,"date":"2025-02-08T08:30:48","date_gmt":"2025-02-08T11:30:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=172338"},"modified":"2025-02-06T09:43:41","modified_gmt":"2025-02-06T12:43:41","slug":"fernandas-do-brasil-de-central-a-eunice-paiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2025\/02\/08\/fernandas-do-brasil-de-central-a-eunice-paiva\/","title":{"rendered":"Fernandas do Brasil &#8211; de Central a Eunice Paiva"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Se a Academia reconhecer, \u00f3timo. Se n\u00e3o, t\u00e1 tudo bem. Esse patrim\u00f4nio \u00e9 nosso!<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_172340\" style=\"width: 429px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-172340\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-172340\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fernandas.jpg\" alt=\"\" width=\"419\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fernandas.jpg 600w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fernandas-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 419px) 100vw, 419px\" \/><p id=\"caption-attachment-172340\" class=\"wp-caption-text\">Fernanda Montenegro e Fernanda Torres Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o\/ Hick Duarte \/ Hering<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Rog\u00e9rio Silva<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-172339\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/rogerio-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"237\" height=\"237\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/rogerio.jpeg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/rogerio-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 237px) 100vw, 237px\" \/>Queria ter mais tempo pra escrever porque isso nos ajuda a conversar conosco. E a bofetada veio revendo Fernanda, a m\u00e3e, quase 30 anos depois.<\/p>\n<p>Nesse misto de Oscar com Copa do Mundo que o Brasil vive, fui visitar uma velha amiga que vi envelhecer na televis\u00e3o e no cinema. Convivi mais com Fernanda Montenegro do que com a minha av\u00f3. E por isso posso gozar de intimidade ao falar dela.<\/p>\n<p>Central do Brasil \u00e9 daquelas coisas necess\u00e1rias para se experimentar na vida e reassistir de tempos em tempos tomando doses de realidade do nosso povo. Se hoje podemos desfrutar de \u00e1udios e emojis nas mensagens instant\u00e2neas que nos emburreceram na escrita, como era no passado de apenas 3 d\u00e9cadas quando t\u00ednhamos apenas papel, caneta e Correios?<\/p>\n<p>Papel, caneta, Correios e a ignor\u00e2ncia de n\u00e3o saber juntar as letras certinho na escrita a um parente distante, ao marido preso, ao filho que foi estudar longe, ao desumano que te enganou.<\/p>\n<p>Fernanda, a m\u00e3e, estava l\u00e1 em sua banca, na Central do Brasil, para ser o instrumento de conex\u00e3o entre habitantes de um mundo nosso t\u00e3o cruel e desigual chamado Brasil.<\/p>\n<p>Tudo bem. \u00c9 verdade que nem sempre a carta chegava ao seu destino. Mofava na gaveta do quartinho da velha senhora. Ela n\u00e3o era apenas a escrevedora das mensagens, mas tamb\u00e9m a justiceira que se negava a ser c\u00famplice das trapa\u00e7as de lar\u00e1pios ou de v\u00edtimas que cairiam, inevitavelmente, nas m\u00e3os de seus algozes. Na maioria das vezes, companheiros violentos e agressores. Ainda tinha um vi\u00e9s de cambalacho, pois o engavetamento proposital das correspond\u00eancias soava como \u201capenas metade do servi\u00e7o prestado\u201d.<\/p>\n<p>Dora e Josu\u00e9 s\u00e3o um retrato do Brasil que assiste ao trem passar, numa Central em que dever\u00edamos ser protagonistas, n\u00e3o coadjuvantes<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nTem uma dor de cotovelo de um Oscar que n\u00e3o veio. E da\u00ed? Quem melhor que n\u00f3s mesmos para conhecermos a verdade t\u00e3o bem desenhada na tela que exp\u00f5e as v\u00edsceras do nosso cotidiano?<\/p>\n<p>Se a pol\u00eamica do momento transita na \u00f3rbita dos franceses que resolveram contar a hist\u00f3ria dos mexicanos e causa revolta latina, isso n\u00e3o nos toca. N\u00f3s contamos nossas agruras com a propriedade que s\u00f3 nos pertence.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 a Academia, vai entender? N\u00e3o sei. Far\u00e1 diferen\u00e7a?<\/p>\n<p>Fernanda, a m\u00e3e, a mesma incumbida de ser a Imaculada em outra obra bel\u00edssima do cinema brasileiro, saber\u00e1 dizer a Fernanda, a filha, se isso importa ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>M\u00eas que vem \u00e9 mar\u00e7o. Central do Brasil n\u00e3o estar\u00e1 em cartaz. E sim a hist\u00f3ria da fam\u00edlia Paiva, que ainda est\u00e1 aqui.<\/p>\n<p>-Cad\u00ea o seu marido?<\/p>\n<p>-Eu n\u00e3o tenho marido.<\/p>\n<p>-E seus filhos?<\/p>\n<p>-Eu n\u00e3o tenho filhos, marido, cachorro. S\u00f3 eu e basta.<\/p>\n<p>-E quem cuida de voc\u00ea?<\/p>\n<p>-Eu mesma.<\/p>\n<p>\u00c9 a sobreviv\u00eancia de quem rasga os trilhos no sub\u00farbio carioca, de Cascadura a Madureira, que se re\u00fane na Central, de brasis diversos ignorantes e s\u00e1bios, remetentes ou destinat\u00e1rios. No analfabetismo ou na ditadura, hist\u00f3rias reais que contam um Brasil de doer, mas indispens\u00e1vel para a nossa compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Premiado ou n\u00e3o. Com Oscar ou n\u00e3o. O reconhecimento que vale \u00e9 tupiniquim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rog\u00e9rio Silva \u00e9 grapiuna, radicado nas minas gerais, entre chocolate e p\u00e3o de queijo, oxe, uai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a Academia reconhecer, \u00f3timo. Se n\u00e3o, t\u00e1 tudo bem. Esse patrim\u00f4nio \u00e9 nosso! Rog\u00e9rio Silva Queria ter mais tempo pra escrever porque isso nos ajuda a conversar conosco. E a bofetada veio revendo Fernanda, a m\u00e3e, quase 30 anos depois. 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