{"id":167412,"date":"2024-09-14T06:26:35","date_gmt":"2024-09-14T09:26:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=167412"},"modified":"2024-09-14T08:44:35","modified_gmt":"2024-09-14T11:44:35","slug":"alunos-colocados-a-prova-as-3-horas-da-manha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2024\/09\/14\/alunos-colocados-a-prova-as-3-horas-da-manha\/","title":{"rendered":"Alunos colocados \u00e0 prova \u00e0s 3 horas da manh\u00e3"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-167413\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Uesc.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Uesc.jpeg 400w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Uesc-300x200.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-157192\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Walmir-2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"265\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Walmir-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Walmir-2.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 265px) 100vw, 265px\" \/>O sugestivo t\u00edtulo n\u00e3o \u00e9 apenas uma apela\u00e7\u00e3o de editores de publica\u00e7\u00f5es sensacionalistas. \u00c9 verdade e dou que f\u00e9 que o que passarei a contar nas pr\u00f3ximas linhas \u00e9 por demais verdadeiro, embora manterei oculto o nome de um dos personagens: o autor de tal proposta, o professor que marcou o tal e absurdo hor\u00e1rio para uma prova.<\/p>\n<p>O fato aconteceu na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), no in\u00edcio dos da d\u00e9cada de 1990, portanto, no s\u00e9culo passado, e continua gravado em minha carcomida mem\u00f3ria, por ser esdr\u00faxula at\u00e9 onde n\u00e3o pode mais. N\u00e3o me lembro com riqueza de detalhes, pois n\u00e3o fui uma das pessoas atingidas, embora tenha sido abastecido com robustas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Numa tarde fui procurado no jornal A Regi\u00e3o, de Itabuna, do qual era editor, por alguns estudantes do curso de Direito, que pretendiam fazer uma s\u00e9ria den\u00fancia. Uma verdadeira bomba, diziam. Eles queriam, de uma s\u00f3 vez, lavar a honra e a alma, al\u00e9m de conseguirem provas e subs\u00eddios para ingressar com uma a\u00e7\u00e3o contra o dito professor e a Uesc.<\/p>\n<p>A Reda\u00e7\u00e3o inteira parou para ouvir a hist\u00f3ria, inclusive Daniel Thame, com quem eu dividia as responsabilidades, as artes e manhas do seman\u00e1rio de maior circula\u00e7\u00e3o de Itabuna, \u00e0 \u00e9poca. Ouvimos toda a hist\u00f3ria, contada e recontada por cada um dos alunos, sempre com um detalhe a mais, enquanto n\u00f3s, de in\u00edcio n\u00e3o os lev\u00e1ssemos a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>E n\u00e3o era pra menos a nossa desconfian\u00e7a, embora n\u00e3o estiv\u00e9ssemos cara a cara com alunos dos cursos fundamentais e sim com homens e mulheres, muitos deles casados, pais e av\u00f4s. Por certo n\u00e3o teriam deixado seus afazeres de fam\u00edlia e trabalho e se deslocados ao jornal para promover uma pegadinha em n\u00f3s e nos leitores.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O que mais afligia aos estudantes do curso de Direito era n\u00e3o participar da cola\u00e7\u00e3o de grau agendada para semanas pr\u00f3ximas, pelo fato de n\u00e3o terem realizada a \u00faltima prova de Direito Civil VI. Pior, ainda, para os que claudicavam com os resultados e notas nem t\u00e3o positivos, sendo que alguns poderiam ir buscar uma repescagem na famigerada prova final.<\/p>\n<p>E como ficariam os providenciamentos da cola\u00e7\u00e3o de grau e a famosa festa de formatura praticamente quitada. E era um pre\u00e7o alt\u00edssimo, valor inestim\u00e1vel, pagos em presta\u00e7\u00f5es mensais com muitas dificuldades. Sem falar nos convites, j\u00e1 distribu\u00eddos para amigos mais chegados e familiares, muitos dos quais moradores de outras cidades, estados.<\/p>\n<p>Seria uma vergonha dispensar os convidados, e ainda por cima, mudar a foto da turma, e ter que arcar com os novos custos. Maior que o inestim\u00e1vel preju\u00edzo financeiro seria a humilha\u00e7\u00e3o, pois, inevitavelmente, seria manchete dos jornais, r\u00e1dios e televis\u00f5es. Como \u00e0quela \u00e9poca n\u00e3o existiam as redes sociais a decep\u00e7\u00e3o seria bem menor, mas essa n\u00e3o \u00e9 hora para avalia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E os formandos em Direito pela Uesc (turno noturno) j\u00e1 se sentiam avacalhados pelo horrendo professor, capaz de ter proposto a realizar a quarta prova do \u00faltimo semestre num hor\u00e1rio altamente impr\u00f3prio, \u00e0s 3 da madrugada, fora do expediente da universidade. Viviam uma situa\u00e7\u00e3o assombrosa que os marcariam para o resto da vida. Que futuro profissional teriam?<\/p>\n<p>E somente a\u00ed \u00e9 que se encorajaram a contar a terr\u00edvel hist\u00f3ria, objeto da den\u00fancia que pretendiam fazer \u00e0 sociedade. Pelo que relataram, eles estavam assustados com a exiguidade do tempo e propuseram ao professor, um conceituado advogado, que marcasse a prova do quarto cr\u00e9dito para a semana seguinte, como meio de facilitar a vida de todos.<\/p>\n<p>De pronto, o professor n\u00e3o aceitou a proposta, sob a alega\u00e7\u00e3o que teriam um calend\u00e1rio a cumprir, no sentido de satisfazer a frequ\u00eancia (carga hor\u00e1ria) e a apresenta\u00e7\u00e3o dos temas da grade curricular. Sem acordo, a discurs\u00e3o foi aumentando e professor e alunos se distanciando de aparar as arestas para o pretendido acordo do dia da prova.<\/p>\n<p>L\u00e1 pras tantas, o dito professor resolve dar um chega na quest\u00e3o e prop\u00f5e realizar a prova, n\u00e3o na sexta-feira pretendida pelos alunos, mas no s\u00e1bado \u00e0s 3 da madrugada, hor\u00e1rio que dispunha em sua apertada agenda. A proposta, mesmo estranha, bizarra, estapaf\u00fardia, foi vista pelos alunos como vi\u00e1vel, apesar de exigir um pouco de sacrif\u00edcio. Mas, ao final de cinco anos, valeria.<\/p>\n<p>E na data aprazada chegaram ao campus da Uesc, convenceram o vigia sobre a prova e entraram para o pavilh\u00e3o de Direito. Restava apenas uma prova, cujo o tema estava por demais estudado. Tudo na cabe\u00e7a. Bastava tirar boas notas e, cada um estaria livre da viagem di\u00e1ria, dos sacrif\u00edcios em chegar quase \u00e0 meia-noite em casa. Agora, sim, todos fariam jus ao t\u00edtulo de doutor advogado.<\/p>\n<p>Em v\u00e3o aguardaram o professor at\u00e9 os primeiros raios de sol, quando come\u00e7aram a considerar que teriam sofrido uma pegadinha de muito mau gosto. Um crime, talvez, e que mereceria ser reparado nos tribunais. Mesmo assim, foram tirar a prova dos nove com o professor, que estranhou a ida na madrugada de um final de semana \u00e0 universidade para uma prova. Brincadeira.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s os \u00e2nimos amainados, consegui convenc\u00ea-los a se submeterem \u00e0 prova no dia estipulado pela universidade, pois o professor e a dire\u00e7\u00e3o da Uesc deveriam fazer de tudo para que n\u00e3o fossem prejudicados. De minha parte, ao contr\u00e1rio da pretendida mat\u00e9ria e manchete estampada na primeira p\u00e1gina, fiz uma notinha divertida na coluna Malha Fina, na p\u00e1gina 3. E tudo se resolveu.<\/p>\n<p>&#8212;-<\/p>\n<p>Walmir Ros\u00e1rio \u00e9 radialista, jornalista e advogado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio O sugestivo t\u00edtulo n\u00e3o \u00e9 apenas uma apela\u00e7\u00e3o de editores de publica\u00e7\u00f5es sensacionalistas. \u00c9 verdade e dou que f\u00e9 que o que passarei a contar nas pr\u00f3ximas linhas \u00e9 por demais verdadeiro, embora manterei oculto o nome de um dos personagens: o autor de tal proposta, o professor que marcou o tal e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":167413,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[3824,6148,25,1077],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167412"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=167412"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167412\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":167415,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167412\/revisions\/167415"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/167413"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=167412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=167412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=167412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}