{"id":164604,"date":"2024-06-29T08:00:59","date_gmt":"2024-06-29T11:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=164604"},"modified":"2024-06-28T09:43:52","modified_gmt":"2024-06-28T12:43:52","slug":"a-saga-do-acaraje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2024\/06\/29\/a-saga-do-acaraje\/","title":{"rendered":"A saga do acaraj\u00e9"},"content":{"rendered":"<div class=\"adn ads\" data-message-id=\"#msg-a:r-3729930253569185563\" data-legacy-message-id=\"1905ed34576c2ba7\">\n<div class=\"gs\">\n<div class=\"\">\n<div id=\":1iy\" class=\"ii gt\">\n<div id=\":1ix\" class=\"a3s aiL \">\n<div><\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-164605\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/PHOTO-2024-06-28-09-29-36.jpg\" alt=\"\" width=\"337\" height=\"410\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/PHOTO-2024-06-28-09-29-36.jpg 452w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/PHOTO-2024-06-28-09-29-36-247x300.jpg 247w\" sizes=\"(max-width: 337px) 100vw, 337px\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><strong>V\u00e2nia Fagundes\u00a0<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-162373\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/vania-300x286.jpg\" alt=\"\" width=\"227\" height=\"216\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/vania-300x286.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/vania.jpg 345w\" sizes=\"(max-width: 227px) 100vw, 227px\" \/>Sexta-feira, come\u00e7o da noite. Saio do trabalho com uma vontade retada de comer um acaraj\u00e9. Quando ela bate, n\u00e3o combato, pois \u00e9 desejo de orix\u00e1. Meu motorista, Jo\u00e3o, me espera na rua. Detalhe: o carro \u00e9 dele. Damos carona a um colega que teve o carro arrombado e ainda est\u00e1 \u00e0s voltas com o seguro e as suas chatices. No caminho o deixamos no Campo Grande, pertinho do seu ap. Chego em casa, falo pro meu marido do meu desejo e pe\u00e7o o carro dele emprestado (vendi o meu) para ir comprar a iguaria baiana. Preciso dar de comer ao meu corpo desejoso de dend\u00ea.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Lembro que s\u00f3 tenho uma nota de 2 reais na carteira e outra de 1 d\u00f3lar que guardo desde sempre.<\/div>\n<div>Dizem que atrai dindin. N\u00e3o fa\u00e7o desfeita \u00e0 cren\u00e7a nenhuma. Pe\u00e7o 10 reais emprestado pra ele que me d\u00e1 um cheupe (bronca) por eu estar sem dinheiro mais uma vez. Rebelde que sou (sempre fui), digo-lhe que n\u00e3o quero mais e que vou me virar. Me pico pra Rua Bar\u00e3o de Loreto. No final da ladeira vendem deliciosos acaraj\u00e9s. Estaciono, des\u00e7o do carro e, decep\u00e7\u00e3o, s\u00f3 aceitam em cash.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Volto pro carro. Preciso sacar dinheiro em algum caixa eletr\u00f4nico. Parto novamente pro Largo da Gra\u00e7a. Estaciono na porta da garagem do banco que est\u00e1 trancada com corrente e cadeado. Ao lado, encostados em um carro, duas senhorinhas e um rapaz conversam. Pergunto se posso parar ali, ou se a Transalvador vai rebocar ou multar o carro. Eles me respondem que posso parar sem problemas, mas que acham que a porta do banco est\u00e1 fechada por conta do hor\u00e1rio e dos assaltos.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"gs\">\n<div class=\"\">\n<div id=\":1iy\" class=\"ii gt\">\n<div id=\":1ix\" class=\"a3s aiL \">\n<div>Me aconselham a ir para o shopping mais pr\u00f3ximo. Educadamente digo que vou tentar, e subo a escadaria do pr\u00e9dio. Dou com os burros n\u2019\u00e1gua. Volto e conto pra eles a minha agonia para comer um acaraj\u00e9. \u00caita orix\u00e1 danado! O rapaz me oferece dinheiro. A princ\u00edpio n\u00e3o aceito. Mas ele insiste, disse que \u00e9 de boa, e eu acabo aceitando. Me d\u00e1 duas notas de 2 reais e me pergunta se t\u00e1 bom. Eu digo que sim, pois tenho 2 na carteira e vou catar umas moedas que o marido sempre deixa no console do carro. Aviso que preciso comprar dois, pois vou levar um para ele. O pequeno grupo \u00e9 muito simp\u00e1tico e acabo conversando um pouco. Gente bacana, do bem e de esquerda.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O rapaz aponta para uma barraca iluminada do outro lado da pra\u00e7a, e diz que l\u00e1 vende acaraj\u00e9, que assim n\u00e3o terei que dar outra volta de carro novamente. As senhorinhas me dizem que o acaraj\u00e9 da Bar\u00e3o de Loreto \u00e9 mais gostoso. Resolvo arriscar e experimentar o da baiana do outro lago do largo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Vou andando. Ao chegar na barraca, pergunto o pre\u00e7o, mas descubro que o dinheiro que consegui s\u00f3 d\u00e1 para comprar um. Pergunto se aceita cart\u00e3o. In\u00eas, a simp\u00e1tica baiana, responde que sim. Pe\u00e7o um com camar\u00e3o e vatap\u00e1 e outro s\u00f3 com pimenta. Volto para o carro, torcendo para ainda encontrar o grupo. Devolvo o dinheiro do professor (ele d\u00e1 aula na faculdade que funciona na antiga igreja da Gra\u00e7a, que se encontra em reforma). Ah, esses professores, criaturas lindas. Me despe\u00e7o de todos e volto feliz para casa. Sacio meu orix\u00e1, a mim e ao meu marido. S\u00f3 me arrependi de uma coisa: n\u00e3o ter comprado acaraj\u00e9 para todos eles. Achei que n\u00e3o os encontraria mais l\u00e1.<\/div>\n<div>Fiquei devendo. Um dia eu pago.<\/p>\n<div class=\"yj6qo\"><\/div>\n<div class=\"adL\">\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"adL\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00e2nia Fagundes\u00a0 Sexta-feira, come\u00e7o da noite. Saio do trabalho com uma vontade retada de comer um acaraj\u00e9. Quando ela bate, n\u00e3o combato, pois \u00e9 desejo de orix\u00e1. Meu motorista, Jo\u00e3o, me espera na rua. Detalhe: o carro \u00e9 dele. 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