{"id":164240,"date":"2024-06-18T09:20:49","date_gmt":"2024-06-18T12:20:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=164240"},"modified":"2024-06-18T09:20:49","modified_gmt":"2024-06-18T12:20:49","slug":"sao-joao-na-bahia-tradicao-identidade-e-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2024\/06\/18\/sao-joao-na-bahia-tradicao-identidade-e-economia\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Jo\u00e3o na Bahia: tradi\u00e7\u00e3o, identidade e economia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-163490\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Apresentacao-programacao-Sao-Joao-2024.-Foto-Joa-SouzaGOVBA-8.jpeg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Apresentacao-programacao-Sao-Joao-2024.-Foto-Joa-SouzaGOVBA-8.jpeg 600w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Apresentacao-programacao-Sao-Joao-2024.-Foto-Joa-SouzaGOVBA-8-300x200.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 495px) 100vw, 495px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Efson Lima<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-162356\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Efson-Lima-240x300.jpg\" alt=\"\" width=\"226\" height=\"283\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Efson-Lima-240x300.jpg 240w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Efson-Lima.jpg 410w\" sizes=\"(max-width: 226px) 100vw, 226px\" \/>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Os festejos juninos j\u00e1 come\u00e7aram na Bahia e, certamente, em todo o nordeste. Algumas cidades realizam festas com dura\u00e7\u00e3o de um m\u00eas. Tamb\u00e9m \u00e9 razo\u00e1vel que n\u00e3o devemos comparar festas, mas o S\u00e3o Jo\u00e3o transmite uma sensa\u00e7\u00e3o de que todo munic\u00edpio, pelo menos no nordeste, de algum modo, acende uma fogueira, as pessoas colocam bandeirolas nas ruas e pra\u00e7as ou um trio de sanfoneiro est\u00e1 a embalar as emo\u00e7\u00f5es. \u00c9 sem d\u00favida a festa do dan\u00e7ar coladinho, mas \u201cn\u00e3o\u201d continua sendo \u201cn\u00e3o\u201d\u00a0 e vale respeitar as diversas formas de amar.<\/p>\n<p>Em outras cidades, as pra\u00e7as s\u00e3o tomadas por grandes atra\u00e7\u00f5es, cujas festas movimentam a economia local, lotando pousadas e hot\u00e9is. As casas dos moradores s\u00e3o alugadas, o interior da Bahia \u00e9 envolvido e as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas das cidades, inclusive, os processos eleitorais s\u00e3o impactados. Afinal, as elei\u00e7\u00f5es est\u00e3o logo ali: outubro.<\/p>\n<p>Em Salvador, a principal pra\u00e7a de festa junina do Governo do Estado \u00e9 no Parque de Exposi\u00e7\u00f5es, inclusive, estive l\u00e1 recentemente para apreciar as atra\u00e7\u00f5es com meu amigo L\u00e9liton Andrade, por sinal, esse artigo tem sugest\u00e3o dele. Sem d\u00favida, uma festa para agradar os diversos gostos. No dia em que estive, acompanhei Luis Caldas, Jo\u00e3o Gomes, Psirico e Escandurras. Observei atentamente, M\u00e1rcio Victor, de Psirico, defender a presen\u00e7a daquela atra\u00e7\u00e3o no S\u00e3o Jo\u00e3o ao apontar que a m\u00fasica nordestina \u00e9 \u00a0a que deve estar nas festas juninas. Por sinal, o show dele foi iniciado com duas m\u00fasicas e uma quadrilha junina, complementava a tr\u00edade, o tel\u00e3o exibindo o rei do bai\u00e3o, Luiz Gonzaga. A partir da\u00ed, as m\u00fasicas do grupo levaram o p\u00fablico ao del\u00edrio. Preciso confidenciar que dancei. \u00a0Gostei muito dos esfor\u00e7os empreendidos para articular os ritmos e promover uma mistura necess\u00e1ria aos ouvidos, inclusive, o visual dos bailarinos. A roupa usada por M\u00e1rcio Victor tamb\u00e9m trazia os elementos nordestinos. Perdemos a tradi\u00e7\u00e3o? Muitos v\u00e3o dizer que sim. S\u00f3 o tempo dir\u00e1 para n\u00f3s.<\/p>\n<p>As festas privadas em diversas cidades viveram o boom no passado, agora, lamentam com a perda de p\u00fablico e de patrocinadores. Alguns chegam a culpar o Estado e prefeituras por investirem nas festas p\u00fablicas. As festas p\u00fablicas s\u00e3o necess\u00e1rias, elas democratizam o acesso aos artistas. \u00c9 \u00f3bvio que os valores das atra\u00e7\u00f5es precisam guardar alguma razoabilidade e proporcionalidade\u00a0 e a qualidade do recurso p\u00fablico assegurada. N\u00e3o \u00e9 cr\u00edvel tamb\u00e9m entender que a realiza\u00e7\u00e3o de festas \u00e9 investimento em cultura, quando os grupos teatrais, de dan\u00e7as, cinema e tantas outras manifesta\u00e7\u00f5es locais ficam \u00e0 margem ao longo do ano.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Particularmente, tenho apre\u00e7o \u00e0s festas juninas no interior da Bahia. Afinal, minha inf\u00e2ncia foi povoada por algumas dessas em Entroncamento de Itap\u00e9, \u00e0 margem da BR 415. Lembro da rua sendo decorada com bandeirolas pelos moradores; estas eram feitas com revistas, sacolas, jornais. Elas eram cortadas em torno de rodas de conversas e est\u00f3rias. As crian\u00e7as, eu era uma delas, iam colando no barbante com uma goma improvisada de farinha de mandioca. As noites eram felizes. Bananeiras, folhas de bambu, p\u00e9s de laranjas eram colocadas nas ruas. As fogueiras eram preparadas pelas fam\u00edlias. Um par de roupas era comprada por minha m\u00e3e. As noites eram memor\u00e1veis.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso deixar de registrar a alimenta\u00e7\u00e3o: amendoim, canjica, milho cozido e aquele assado na fogueira. As fam\u00edlias assavam carne de boi e de porco. Faria falta na semana, mas o S\u00e3o Jo\u00e3o era a festa na frente de casa. O licor era para os adultos, mas, muitas crian\u00e7as \u00e0s escondidas bicava, tomava um gole. A magia tomava conta.<\/p>\n<p>Cresci e meus textos agora s\u00e3o povoados pelos n\u00fameros.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, trago alguns.<\/p>\n<p>No tocante aos aspectos econ\u00f4micos, a Secretaria de Turismo do Estado, por meio da Sufotur, aguarda mais de 1,7 milh\u00e3o de pessoas de fora do Estado, claro que uma parte dessa gente, \u00e9 de baianos radicados em outros estados, que visitam seus parentes, especialmente, no interior da Bahia. De todo modo, 2 bilh\u00f5es de reais s\u00e3o a proje\u00e7\u00e3o de recurso financeiro a circular na economia baiana em decorr\u00eancia dos festejos. Sem falar no aporte financeiro do Estado aos munic\u00edpios baianos para realizar o maior S\u00e3o Jo\u00e3o do mundo, afinal, quase duas centenas de munic\u00edpios s\u00e3o contemplados com recursos, gerando renda e trabalho para os baianos.<\/p>\n<p>Por oportuno, registro que a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, por meio da Coordena\u00e7\u00e3o de Fomento ao Artesanato, tem feito um trabalho de marketing interessante, pois, convida os artistas, que se apresentam na festa, a comentarem sobre o artesanato baiano; chama as pessoas para tirarem fotos e enaltecerem a produ\u00e7\u00e3o artesanal; a identidade do artesanato da Bahia \u00e9 projetada nos tel\u00f5es nos intervalos das atra\u00e7\u00f5es.\u00a0 Assim, as a\u00e7\u00f5es governamentais s\u00e3o articuladas e mesclam os diversos atores da festa junina. Ganham os baianos.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, falta tempo para viver a magia. A magia junina j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais a mesma de quando crian\u00e7a, agora, a fase adulta imp\u00f5e obriga\u00e7\u00f5es e a curti\u00e7\u00e3o ganha um sentido de dever. N\u00e3o \u00e9 mais o l\u00fadico desinteressado. Agora, o lazer se imp\u00f5e como necess\u00e1rio para descarregar os compromissos e \u00a0recarregar a bateria. Assim, registramos, mentalmente, no calend\u00e1rio que estamos no meio do ano. Para nossa sorte, nascemos nordestino.\u00a0 Para n\u00f3s \u00e9 a certeza que o ano chegou na sua metade, precisamos renovar as energias para subir a ladeira e entregar logo, logo, em dezembro, 2024. Enquanto, n\u00e3o damos lugar para \u201c Ent\u00e3o, \u00e9 Natal\u201d, cantemos que \u201cO maior amor do mundo \u00e9 o meu\/<br \/>\nE ele \u00e9 todinho seu\u201d e que \u201c Quando oiei&#8217; a terra ardendo\/<br \/>\nQual fogueira de S\u00e3o Jo\u00e3o\/<br \/>\nEu preguntei&#8217; a Deus do c\u00e9u, uai\/<br \/>\nPor que tamanha judia\u00e7\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p>Uma pl\u00e1stica sobre o nordeste \u00e9 apresentada e a Bahia cada vez mais nordeste. Nem parece que um dia, o Estado da Bahia j\u00e1 esteve, pelo menos por meio de burocratas, tra\u00e7ado como regi\u00e3o Leste ao lado do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo. Nada contra a esses estados, mas somos mesmo: \u201cnordeste, cabra da peste\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>OBS: o presente texto \u00e9 decorrente da sugest\u00e3o de meu amigo L\u00e9liton Andrade, enfermeiro e oriundo do territ\u00f3rio da Chapada Diamantina. Registro aqui meus agradecimentos.<\/p>\n<p>&#8212;-<\/p>\n<p>Efson Lima \u2013 Doutor em direito\/Ufba. Advogado. Membro das Academias de Letras de Ilh\u00e9us e \u00a0Grapi\u00fana de Artes e Letras (Agral). efsonlima@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Efson Lima \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Os festejos juninos j\u00e1 come\u00e7aram na Bahia e, certamente, em todo o nordeste. Algumas cidades realizam festas com dura\u00e7\u00e3o de um m\u00eas. 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