{"id":163551,"date":"2024-06-01T07:30:56","date_gmt":"2024-06-01T10:30:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=163551"},"modified":"2024-05-31T16:26:30","modified_gmt":"2024-05-31T19:26:30","slug":"companheiro-de-viagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2024\/06\/01\/companheiro-de-viagem\/","title":{"rendered":"Companheiro de viagem"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-163552\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/PHOTO-2024-05-31-15-52-39.jpg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/PHOTO-2024-05-31-15-52-39.jpg 600w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/PHOTO-2024-05-31-15-52-39-300x240.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Vania Fernandes<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-162373\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/vania-300x286.jpg\" alt=\"\" width=\"217\" height=\"207\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/vania-300x286.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/vania.jpg 345w\" sizes=\"(max-width: 217px) 100vw, 217px\" \/>Minha amiga costuma viajar de carro. Dirige muito bem, adora um volante. Mas daquela vez decidiu que faria a viagem de \u00f4nibus. Voltava de Salvador quando deu-se o fato.<\/p>\n<p>Vinha sentada na primeira fileira logo atr\u00e1s do motorista. Ao seu lado, ningu\u00e9m. E ela queria que fosse assim a viagem toda. Estava confort\u00e1vel ocupando as duas poltronas com as pernas bem espichadas. Mas, infelizmente, n\u00e3o foi o que aconteceu. Quando o carro parou em Feira de Santana, entrou um sujeito que, pedindo licen\u00e7a, sentou-se ao lado dela.<\/p>\n<p>A\u00ed a viagem tranquila at\u00e9 ent\u00e3o, come\u00e7ou a desregular. Alegando um pouco de frio, aumentou a temperatura do ar condicionado, e ajeitou o cobertor. Queria dormir. O sujeito ao seu lado, espichou o bra\u00e7o, fechou a sua pr\u00f3pria sa\u00edda de ar e foi para fechar a dela tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>N\u00e3o prestou. Ela n\u00e3o gostou da intromiss\u00e3o. Bateu no bra\u00e7o dele impedindo-lhe que fizesse qualquer mudan\u00e7a.<br \/>\n&#8211; U\u00e9, disse ele, n\u00e3o entendi. A senhora n\u00e3o falou que estava com frio?<br \/>\n&#8211; Mas eu n\u00e3o lhe pedi para mexer no meu ar.<br \/>\n&#8211; Mas eu tenho rinite al\u00e9rgica.<br \/>\n&#8211; Ent\u00e3o desligue o seu.<br \/>\n&#8211; A senhora vire para l\u00e1.<br \/>\n&#8211; Eu viro para onde eu quiser virar. A poltrona \u00e9 minha. Vire o senhor para onde quiser.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A viagem que poderia ser tranquila seguiu fazendo barulho. A poltrona do tal sujeito tinha vontade pr\u00f3pria. Toda hora rangia seus dentes e ca\u00eda para tr\u00e1s. Minha amiga reclamou, pediu-lhe que fizesse menos zoada e que ele respeitasse o seu sil\u00eancio. O homem lhe disse que s\u00f3 poderia viajar com a poltrona ereta, por causa de uma h\u00e9rnia na lombar, mas que a dita cuja estava com defeito. Ela o aconselhou a ir reclamar com o motorista. Ele resmungou algo e permaneceu onde estava. N\u00e3o demorou para a poltrona cair para tr\u00e1s novamente. A viagem parecia n\u00e3o ter fim. A cadeira ruidosa continuava a impor a sua pr\u00f3pria vontade. Queria seguir deitada, era teimosa. Talvez quisesse dormir tamb\u00e9m. V\u00e1 saber. A cada solavanco, provocado pelos buracos da estrada, a bicha relinchava para tr\u00e1s, para depois ser puxada para a frente novamente. O vai-e-vem continuou por quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Quando o \u00f4nibus chegou em Jequi\u00e9 o tal sujeito saltou para tomar um caf\u00e9 e a minha amiga aproveitou para mudar de assento. Quando o cara retornou, mudou de lugar tamb\u00e9m. E assim seguiram em paz at\u00e9 o destino final.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vania Fernandes Minha amiga costuma viajar de carro. Dirige muito bem, adora um volante. Mas daquela vez decidiu que faria a viagem de \u00f4nibus. Voltava de Salvador quando deu-se o fato. 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