{"id":161960,"date":"2024-04-20T08:08:26","date_gmt":"2024-04-20T11:08:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=161960"},"modified":"2024-04-19T09:14:19","modified_gmt":"2024-04-19T12:14:19","slug":"cacau-o-cultivo-queridinho-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2024\/04\/20\/cacau-o-cultivo-queridinho-do-brasil\/","title":{"rendered":"Cacau, o cultivo queridinho do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-147900\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/cacau-ouro.jpg\" alt=\"\" width=\"371\" height=\"278\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/cacau-ouro.jpg 500w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/cacau-ouro-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 371px) 100vw, 371px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-157192\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Walmir-2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"241\" height=\"181\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Walmir-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Walmir-2.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 241px) 100vw, 241px\" \/>Muito cuspe e giz j\u00e1 foi gasto para explicar as nuances do cultivo do cacau e a cultura dos cacauicultores do Sul da Bahia. O cacauicultor era odiado e amado em livros, reportagens<br \/>\nde jornais, r\u00e1dios, televis\u00f5es, passando pelos workshops e congressos, com os pr\u00f3s e contras expl\u00edcitos em acalorados e exaustivos debates. Ora os produtores eram elogiados<br \/>\npela prote\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, outras vezes execrados pela monocultura e destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em cada um desses debates era comum algu\u00e9m citar trechos de livros do itabunense<br \/>\nJorge Amado, mostrando o cacauicultor como um criminoso contumaz na elimina\u00e7\u00e3o da<br \/>\nfloresta, acredito que por desconhecer o tema. Agora se descobre ser a cacauicultura a<br \/>\navalista na manuten\u00e7\u00e3o da nossa rica Mata Atl\u00e2ntica. Que ningu\u00e9m leve isso a s\u00e9rio, pois<br \/>\nos pioneiros n\u00e3o sabiam que os p\u00e9s de cacau tamb\u00e9m produziam a pleno sol.<\/p>\n<p>Hoje, passado muito tempo dedicado \u00e0 pesquisa, o cacau brasileiro pode ser plantado de<br \/>\nnorte a sul, leste a oeste, independente de clima e altitude, com comprova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas<br \/>\ne a recomenda\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas pertinentes. H\u00e1 alguns anos, era considerado imposs\u00edvel, e<br \/>\nseria considerado louco quem tentasse plantar cacau j\u00e1 nas chamadas \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitos se aventuraram e colheram bons resultados. Os 100 mil\u00edmetros de chuvas mensais<br \/>\nforam solucionados com a irriga\u00e7\u00e3o e fertirriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em meados da d\u00e9cada de 1960, com a erradica\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 na regi\u00e3o de Uba\u00edra, Santa<br \/>\nIn\u00eas, Mutu\u00edpe e boa parte do Rec\u00f4ncavo, a Ceplac, de forma corajosa, substituiu muitas<br \/>\ndessas \u00e1reas com o plantio de cacau. Renovou as esperan\u00e7as dos produtores rurais em<br \/>\nfazendas de apenas terras nuas. Era a ci\u00eancia rural chegando na hora certa para iniciar, na<\/p>\n<p>Bahia, o Brasil do agro vencedor de hoje.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Em tempos atuais, lemos, ouvimos e vemos reportagens sobre a cacauicultura pedindo<br \/>\nespa\u00e7o e ultrapassando novas fronteiras nunca antes imagin\u00e1veis para receber os p\u00e9s de<br \/>\ncacau. E n\u00e3o s\u00e3o mais aqueles plantados em sementes, na ponta do fac\u00e3o, como faziam<br \/>\nos pioneiros das \u201cterras do sem fim\u201d. Nem pensar! Eles utilizam o que de mais modernos<br \/>\nsaem dos laborat\u00f3rios: clones altamente produtivos, tolerantes \u00e0s doen\u00e7as, com alto teor<br \/>\nde gordura conforme manda a engenharia gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>Na conjuntura atual do cacau n\u00e3o mais nos desesperamos com o pre\u00e7o de manuten\u00e7\u00e3o do<br \/>\nestoque regulador e os acordos da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Cacau. A demanda est\u00e1<br \/>\naquecida e a oferta em d\u00e9ficit, o que faz aumentar o pre\u00e7o. E o cacauicultor brasileiro<br \/>\naproveita para vender o produto a pre\u00e7o mais que justo e investir na lavoura utilizando as<br \/>\nmais modernas t\u00e9cnicas do mundo. Ele tem meios de influir na pol\u00edtica econ\u00f4mica,<br \/>\nexportando e produzindo chocolate para o mercado interno.<\/p>\n<p>Agora, grande parte da produ\u00e7\u00e3o brasileira tradicional est\u00e1 sob os cuidados de<br \/>\nagricultores, filhos e netos dos pioneiros, que deixaram as grandes cidades e capitais para<br \/>\nenfrentar o dia a dia na fazenda, na busca de erradicar ou minorar os efeitos devastadores<br \/>\nda vassoura de bruxa no capital familiar. Repovoaram a lavoura com material gen\u00e9tico\u00a0adequado e produzem chocolate de qualidade, ao contr\u00e1rio de antes, quando o cacau era uma simples commoditie.<\/p>\n<p>Pesava contra a cacauicultura o esp\u00edrito empreendedor do cacauicultor sem disposi\u00e7\u00e3o de<br \/>\nganhar novos mercados com produtos de alta qualidade, embora tivesse coragem de<br \/>\nimplantar a cacauicultura em todo o Sul da Bahia, numa \u00e1rea compreendendo mais de 100<br \/>\nmunic\u00edpios. E n\u00e3o apenas plantou cacau, implantou uma cultura, a cacaueira, por meio do<br \/>\n\u201cvisgo do cacau\u201d, e que resistiu a todo o tipo de intemp\u00e9rie, inclusive a vassoura de bruxa.<\/p>\n<p>Infelizmente, o cacauicultor de antes n\u00e3o teve o devido preparo, e dependia da ajuda de<br \/>\nmecanismos governamentais para convencer os empres\u00e1rios chocolateiros dos pa\u00edses<br \/>\neuropeus, extremamente colonialistas, a comparem o cacau brasileiro, de melhor<br \/>\nqualidade, do que o africano e asi\u00e1tico. Se os pais n\u00e3o tiveram essa ousadia comercial,<br \/>\nseus filhos e netos fazem isso sem qualquer cerim\u00f4nia, conquistando novos mercados.<\/p>\n<p>Lembro-me de uma reportagem que fiz com um dos grandes produtores e sindicalista da<br \/>\ncacauicultura, Weldon Setenta, que ganhou o Brasil e o mundo. Quando perguntei se n\u00e3o<br \/>\nteria sido mais vi\u00e1vel ao produtor diversificar a produ\u00e7\u00e3o, ele me deu a seguinte resposta:<br \/>\n\u2013 Como produtor rural n\u00e3o posso descuidar ou diminuir os investimentos na produ\u00e7\u00e3o de<br \/>\ncacau em que o mercado me paga US$ 5 mil a tonelada, para produzir outros, vendidos a<br \/>\npre\u00e7os bem menores. O que falta \u00e9 uma pol\u00edtica de governo para a agricultura \u2013 revelou.<\/p>\n<p>Essa entrevista foi feita h\u00e1 muitas d\u00e9cadas e agora o pre\u00e7o do cacau em am\u00eandoas<br \/>\ndobrou, chegando a US$ 10 mil. Podemos afirmar que o cacau continua sendo uma<br \/>\nexcelente commoditie, desde que produzido com qualidade, sem falarmos na<br \/>\nverticaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, incluindo desde o cacau fino ao produto final, do simples<br \/>\nchocolate caseiro aos chocolates especiais que ganham pr\u00eamios em todo o mundo.<\/p>\n<p>Se antes diz\u00edamos que os cacauicultores tinham problemas insol\u00faveis, tanto da porteira<br \/>\npra dentro como da porteira pra fora, acredito que esses percal\u00e7os foram reduzidos e as<br \/>\nnovas oportunidades aproveitadas. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o agro brasileiro nada de<br \/>\nbra\u00e7adas e consegue se manter na dianteira da produ\u00e7\u00e3o brasileira vendida para o nosso<br \/>\nconsumo e o mundial, alimentando pessoas com produtos de qualidade.<\/p>\n<p>S\u00f3 posso desejar sucesso aos novos cacauicultores do cerrado aos dos estados<br \/>\nnordestinos, inclusive beirando \u00e0 caatinga pelo esp\u00edrito inovador; aos da Amaz\u00f4nia, que<br \/>\nconseguiram vencer o estigma de cacau de baixa qualidade e hoje s\u00e3o premiados; e aos<br \/>\npaulistas da regi\u00e3o de Registro, que viram no cacau uma excelente oportunidade em dar<br \/>\n\u00eanfase ao cultivo do cacau. J\u00e1 os do Sul da Bahia nos d\u00e3o demonstra\u00e7\u00e3o de que acreditar<br \/>\nna ci\u00eancia \u00e9 uma atitude inteligente, mesmo que demorem gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O cacau foi, \u00e9, e sempre ser\u00e1, o manjar dos deuses!<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Walmir Ros\u00e1rio \u00e9 radialista, jornalista e advogado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio &nbsp; Muito cuspe e giz j\u00e1 foi gasto para explicar as nuances do cultivo do cacau e a cultura dos cacauicultores do Sul da Bahia. O cacauicultor era odiado e amado em livros, reportagens de jornais, r\u00e1dios, televis\u00f5es, passando pelos workshops e congressos, com os pr\u00f3s e contras expl\u00edcitos em acalorados e exaustivos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":147900,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[20,185,1077],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161960"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161960"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161960\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":161961,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161960\/revisions\/161961"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/147900"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}