{"id":161704,"date":"2024-04-12T18:30:48","date_gmt":"2024-04-12T21:30:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=161704"},"modified":"2024-04-12T17:22:54","modified_gmt":"2024-04-12T20:22:54","slug":"161704","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2024\/04\/12\/161704\/","title":{"rendered":"M\u00e9dicas s\u00e3o maioria no quadro de profissionais do Materno-Infantil  de Ilh\u00e9us"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-161705\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/PHOTO-2024-04-12-11-41-56.jpg\" alt=\"\" width=\"408\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/PHOTO-2024-04-12-11-41-56.jpg 600w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/PHOTO-2024-04-12-11-41-56-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><\/p>\n<p>Itamara e os dois irm\u00e3os nasceram tendo o pr\u00f3prio pai como parteiro. Lavrador de fam\u00edlia humilde, \u201cseo\u201d Amaro aprendeu alguns segredos da medicina acompanhando um m\u00e9dico que atuava em Ponto Novo, munic\u00edpio localizado ao norte da Bahia, a 600 quil\u00f4metros de Ilh\u00e9us e a 176 da divisa com Pernambuco. O caminho do conhecimento pr\u00e1tico ele buscava em um livro que ganhou do amigo, intitulado \u00b4Onde n\u00e3o tem m\u00e9dico\u00b4. A ca\u00e7ula de \u201cseo\u201d Amaro, Itamara de Santana Lima, agora com 25 anos, considera a sua trajet\u00f3ria, at\u00e9 aqui, como indescrit\u00edvel e inacredit\u00e1vel. Ela \u00e9 a primeira jovem da cidade a cursar medicina numa universidade p\u00fablica da Bahia. Est\u00e1 no nono semestre da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e j\u00e1 atua em regime de internato no Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio, em Ilh\u00e9us, institui\u00e7\u00e3o do Governo da Bahia administrada pela Funda\u00e7\u00e3o Estatal Sa\u00fade da Fam\u00edlia (FESF SUS).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-161706\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/PHOTO-2024-04-12-11-41-56-1.jpg\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"226\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/PHOTO-2024-04-12-11-41-56-1.jpg 600w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/PHOTO-2024-04-12-11-41-56-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><\/p>\n<p>\u201cEu orava pra ter o que tenho hoje\u201d, diz. Na pequena Ponto Novo, cidade de 17 mil habitantes, \u201cseo\u201d Amaro e \u201cdona\u201d Itaci sabiam que s\u00f3 tinha uma sa\u00edda para os filhos crescerem na vida: estudar. Itamara sempre frequentou escola p\u00fablica. Passou em outros cursos, mas os pais deram a op\u00e7\u00e3o, caso ela quisesse continuar tentando a profiss\u00e3o dos sonhos. Era medicina, inspirada principalmente na mem\u00f3ria afetiva que tinha da ajuda que o pai dava \u00e0s pessoas. \u201cNem sempre foi assim. At\u00e9 o ensino m\u00e9dio a medicina era uma esp\u00e9cie de lenda urbana para mim\u201d, lembra. Mas ela seguiu. Aluna aplicada, ganhou bolsa de estudo e um cursinho em Salvador que lhe tomava quatro horas de \u00f4nibus todos os dias, abrigo na casa de uma tia e, depois a necessidade de uma transfer\u00eancia para Feira de Santana para, em uma cidade menor, mas perto da capital, pudesse diminuir dist\u00e2ncias entre casa e escola e dedicar mais tempo ao estudo.<\/p>\n<p>Sacrif\u00edcio<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Para assegurar as necessidades m\u00ednimas da filha, os pais de Itamara alugaram a pr\u00f3pria casa onde moravam e foram se abrigar numa garagem onde nem banheiro tinha. \u201cUsavam o banheiro do vizinho\u201d, ela lembra hoje, emocionada. Valeu a pena. Em 2019 Itamara ingressou na universidade, no curso dos sonhos. \u00c9 de quando tem a lembran\u00e7a de ter se encontrado pela primeira vez com um m\u00e9dico graduado. E hoje, a sua formatura est\u00e1 mais perto do que longe. O sonho \u00e9 voltar para Ponto Novo e clinicar para a comunidade onde nasceu. Antes disso, a filha do \u201cseo\u201d Amaro pretende fazer resid\u00eancia m\u00e9dica. Agora, no internato no HMIJS, Itamara \u00e9 acompanhada de perto pela preceptora, pediatra e neonatologista Veruska Lino.<\/p>\n<p>A doutora Veruska e a estudante Itamara integram uma hist\u00f3rica estat\u00edstica que revela a nova realidade da medicina na Bahia. Pela primeira vez, o n\u00famero de m\u00e9dicas superou o de profissionais homens no estado. S\u00e3o 15.150 m\u00e9dicas e 14.461 m\u00e9dicos, segundo o Conselho Regional de Medicina. Uma realidade que j\u00e1 chegou ao Hospital Materno Infantil, onde 60 s\u00e3o mulheres e 41 homens trabalhando na medicina. No internato, o percentual de mulheres \u00e9 ainda maior. Dos 45 estudantes que neste momento atuam na unidade, 31 s\u00e3o mulheres e 14, homens.<\/p>\n<p>Transforma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u201cMe sinto orgulhosa em vivenciar este momento\u201d, reconhece a m\u00e9dica Veruska. \u201c\u00c9 a percep\u00e7\u00e3o que estamos construindo um novo momento, onde sa\u00edmos das quatro paredes de uma casa e passamos a fazer a diferen\u00e7a fora do ciclo familiar\u201d, completa. Formada em medicina em 2014, ela lembra que a sua turma era basicamente composta por homens. \u201cTinha-se a falsa impress\u00e3o de que cursos mais dif\u00edceis e concorridos, os homens estavam mais preparados e com maiores chances. Era preconceito\u201d, afirma. No caso dela, segundo diz, o enfrentamento foi ainda maior, considerando o preconceito pela escolha da profiss\u00e3o at\u00e9 mesmo ao da cor de pele. \u201cSou uma mulher negra, vinda tamb\u00e9m, como Itamara, da escola p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>Doutora Veruska reconhece que este avan\u00e7o conquistado pelas mulheres \u2013 n\u00e3o s\u00f3 na medicina mas tamb\u00e9m em outras \u00e1reas \u2013 \u00e9 reflexo de uma longa luta travada pelos antepassados. \u201cComo costureira, minha m\u00e3e criou dez filhos. Eu sou a mais nova. Trabalhou para nos manter e, mulheres como ela, abriram caminhos e facilitaram as nossas vidas\u201d, assegura. A m\u00e9dica Veruska Lino e a estudante de medicina Itamara Lima reconhecem que fazem parte de um grupo que tem buscado evoluir e crescer atrav\u00e9s do conhecimento. E oferecer isso a outras pessoas. \u201cO que estamos vivenciando, para al\u00e9m de hist\u00f3rico, \u00e9 s\u00f3 o come\u00e7o. Vamos avan\u00e7ar ainda mais\u201d, assegura a doutora Veruska.<\/p>\n<p>Fotos Ascom HMIJS<\/p>\n<div class=\"yj6qo\"><\/div>\n<div class=\"adL\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Itamara e os dois irm\u00e3os nasceram tendo o pr\u00f3prio pai como parteiro. Lavrador de fam\u00edlia humilde, \u201cseo\u201d Amaro aprendeu alguns segredos da medicina acompanhando um m\u00e9dico que atuava em Ponto Novo, munic\u00edpio localizado ao norte da Bahia, a 600 quil\u00f4metros de Ilh\u00e9us e a 176 da divisa com Pernambuco. 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