{"id":156876,"date":"2023-11-18T09:30:04","date_gmt":"2023-11-18T12:30:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=156876"},"modified":"2023-11-15T11:41:46","modified_gmt":"2023-11-15T14:41:46","slug":"vive-la-vie-um-bar-inesquecivel-e-para-chamar-de-meu-segundo-lar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2023\/11\/18\/vive-la-vie-um-bar-inesquecivel-e-para-chamar-de-meu-segundo-lar\/","title":{"rendered":"Vive La Vie- um bar inesquec\u00edvel e para chamar de meu segundo lar!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Silvio Porto<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-156866\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/silvio-porto-211x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"211\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/silvio-porto-211x300.jpeg 211w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/silvio-porto.jpeg 387w\" sizes=\"(max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/>Li o livro do Jaguar, Confesso que Bebi e resolvi escrever uma homenagem ao amigo Tasso dono de um dos melhores bares que j\u00e1 existiu em Itabuna no final da d\u00e9cada de 80.<\/p>\n<p>Com um texto engra\u00e7ado, bem constru\u00eddo e inteligente, Jaguar, que foi um dos fundadores do Pasquim, fez, sim, jornalismo, ao mesmo tempo em que fez humor e literatura. Em tempos em que cada vez mais tenta-se converter o jornalismo em algo isolado do resto, definindo-o em conceitos que excluem outras formas de arte, afirmo que o livro de Jaguar \u00e9 um exemplo do contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E \u00e9 jornalismo \u2013 e de qualidade \u2013 pelo seguinte: o livro conta hist\u00f3rias, das pessoas e dos lugares. Hist\u00f3rias de nomes conhecidos que tomaram seus aperitivos nos botecos da vida, hist\u00f3rias dos donos dos bares, hist\u00f3rias contadas pelos donos dos bares, hist\u00f3rias dos bares. No fim das contas, jornalismo \u00e9 isso: contar hist\u00f3rias. E parte do bom jornalismo \u00e9 contar hist\u00f3rias relevantes e interessantes. \u00c9 o caso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os bares tamb\u00e9m s\u00e3o a cultura de uma cidade, e, ao contr\u00e1rio do que devem achar os mais conservadores, cr\u00f4nicas sobre a boemia n\u00e3o estimulam o abuso de \u00e1lcool \u2013 um problema s\u00e9rio \u2013, mas seu consumo consciente como mais uma forma de divers\u00e3o, t\u00e3o normal quanto as outras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o poderia fazer uma cr\u00f4nica sobre o melhor bar que existiu em Itabuna, sem me inspirar no melhor livro sobre bares que j\u00e1 li do Jaguar: Confesso que bebi.<\/p>\n<p>Abel Silva poeta da MPB , certa feita disse com muita inspira\u00e7\u00e3o:&#8221; o bar \u00e9 o descanso do lar&#8221;.<\/p>\n<p>Entre tantas m\u00fasicas de sua autoria( nesta em parceria com Sueli Costa) , Jura Secreta que Simone eternizou :<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 uma coisa me entristece<br \/>\nO beijo de amor que n\u00e3o roubei<br \/>\nA jura secreta que n\u00e3o fiz<br \/>\nA briga de amor que eu n\u00e3o causei<br \/>\nNada do que posso me alucina<br \/>\nTanto quanto o que n\u00e3o fiz<br \/>\nNada do que eu quero me suprime<br \/>\nDo que por n\u00e3o saber ainda n\u00e3o quis<br \/>\nS\u00f3 uma palavra me devora<br \/>\nAquela que meu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o diz<br \/>\nS\u00f3 o que me cega \u00e9 o que me faz infeliz<br \/>\n\u00c9 o brilho do olhar que eu n\u00e3o sofri.\u201d<\/p>\n<p>Os grandes cl\u00e1ssicos de Pixiguinha, Noel Rosa, Vinicius, Tom Jobim, Chico Buarque, s\u00f3 existiram por causa da mesa de um bar.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Alguns amigos me chamavam para beber 08hs da manh\u00e3 e eu dizia , mas ainda \u00e9 muito cedo.<\/p>\n<p>Cedo aqui, no Jap\u00e3o j\u00e1 \u00e9 08hs da noite. Se a gente estivesse l\u00e1 , j\u00e1 n\u00e3o estaria bebendo?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E t\u00e1 certo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Vive La Vie tinha uma coisa boa.<\/p>\n<p>O dono Tasso bom de conversa, tricolor do Flu do Rio de quatro costados, n\u00e3o deixava o cara sozinho na mesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Voc\u00ea sentado no bar sozinho, \u00e9 muito triste, passa uma de menor abandonado.<\/p>\n<p>Ele grande observador , sempre dava uma aten\u00e7\u00e3o especial aos solit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Paulo Mendes Campos, autor de uma frase , que sempre gostei e agora chegando na chamada terceira idade, mais ainda, chorando a morte dos amigos: &#8220;Na proximidade do crep\u00fasculo , homem nenhum de alguma sensibilidade pode distinguir entre os mortos e os vivos que o acompanham &#8220;.<\/p>\n<p>Paulo Mendes Campos, doutor em bar, cr\u00f4nica e poesia, reuniu em livro, algumas cr\u00f4nicas, com uma delas com o nome O amor acaba.<\/p>\n<p>Porque bebemos tanto assim?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um bar legal e perfeito precisa de pelo menos uma destas qualidades: boa circula\u00e7\u00e3o de ar, bom propriet\u00e1rio, bons gar\u00e7ons, bons fregueses e boa bebida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Vive La Vie , eu diria chegou l\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O grande ator americano Humphrey Bogart, que no filme Casablanca, o seu personagem era dono do Bar mais famoso do cinema , certa feita disse a seguinte frase:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Todo homem est\u00e1 sempre tr\u00eas doses abaixo do normal&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todos lembram do filme, considerado um dos grandes filmes de todos os tempos, Casablanca tem um Rick&#8217;s Caf\u00e9 , onde Bogart e Ingrid Bergman imortalizaram uma can\u00e7\u00e3o, um romance e um bar.<\/p>\n<p>Em Itaipava no estado do Rio tem o bar do Carlinhos, e um aviso: &#8220;S\u00f3 aturamos b\u00eabados ricos&#8221;.<\/p>\n<p>Dizem que os herdeiros da fam\u00edlia Real Portuguesa s\u00e3o habitu\u00e9s do boteco.<\/p>\n<p>Jaguar quando l\u00e1 esteve bebericando e comendo, doou uma tabuleta que dizia: &#8220;se voc\u00ea bebe para esquecer, pague antes de beber&#8221;.<\/p>\n<p>Na mesa de bar, tudo acontece, e quando dois conterr\u00e2neos se encontram , pode ter certeza que depois de muita conversa, no final descobrem que s\u00e3o parentes, principalmente se s\u00e3o baianos ou mineiros.<\/p>\n<p>Nossa fam\u00edlia tem parentes demais, a sorte, e que minha m\u00e3e n\u00e3o era frequentadora de boteco e n\u00e3o bebia, se n\u00e3o meu irm\u00e3o a parentada dobrava.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lu , minha sobrinha que \u00e9 chegada num boteco, poderia at\u00e9 fazer esta parte, mas n\u00e3o puxou a av\u00f3 neste particular de descobrir parente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lu bebendo puxou mais ao pessoal de Bodinho seu pai, Bebeto seu tio, que fazia farras de dois a tr\u00eas dias sem tirar o copo da boca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Amizade boa , nasce muito nos botecos e bares da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vinicius de Moraes dizia que o melhor amigo do homem \u00e9 o cachorro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como ele n\u00e3o tinha um, dizia que o seu u\u00edsque era um cachorro engarrafado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dizia ainda Vinicius que preferia ser um b\u00eabado conhecido do que um alco\u00f3latra an\u00f4nimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No pinguim , bar famoso em Ribeir\u00e3o Preto , S\u00e3o Paulo certa feita li no sanit\u00e1rio masculino:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesada e como menstrua\u00e7\u00e3o, vem uma vez por m\u00eas e acaba em 04 dias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paulo Francis sempre dizia que bebia para tornar as pessoas interessantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E de bar em bar a gente aprende uma grande filosofia de vida e raz\u00e3o para viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Vive La Vie tinha uma clientela fiel e cativa. N\u00e3o teve vida longa e deixou saudades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sergio Cabral , o pai, disse certa feita que os que n\u00e3o amam os botecos e bares est\u00e3o perdoados.<\/p>\n<p>E viva a vida!<\/p>\n<p>Vive La Vie!<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Silvio Porto \u00a0m\u00e9dico e, como se denota, tem um texto maravilhoso e envolvente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Silvio Porto Li o livro do Jaguar, Confesso que Bebi e resolvi escrever uma homenagem ao amigo Tasso dono de um dos melhores bares que j\u00e1 existiu em Itabuna no final da d\u00e9cada de 80. 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