{"id":152746,"date":"2023-07-22T09:39:41","date_gmt":"2023-07-22T12:39:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=152746"},"modified":"2023-07-22T10:30:02","modified_gmt":"2023-07-22T13:30:02","slug":"cronica-das-minhas-saudades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2023\/07\/22\/cronica-das-minhas-saudades\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nica das minhas saudades"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Giorlando Lima<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-152747\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Gio-300x293.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"293\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Gio-300x293.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Gio.jpg 332w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Neste s\u00e1bado, amanheci pensando em saudade. Ela tem sido minha companheira ao longo da vida. Sa\u00ed da casa dos meus pais, pela primeira vez, h\u00e1 36 anos. Ainda novo e sempre pensando que, por saber o caminho de volta e por presumir muita vida ainda pela frente, bastaria a vontade para voltar a qualquer momento. Fui engolido pelo tempo e pelo mundo. Logo, a saudade que apenas fazia c\u00f3cegas se instalou como uma alergia. Quando perdi o meu pai, ela j\u00e1 havia virado dor.<\/p>\n<p>Cada vez mais, nos tempos atuais, as fam\u00edlias est\u00e3o dispersas, espalhadas pelo mundo. Os desafios, as oportunidades e um certo charme contido na aventura de explorar outros lugares para conquistar o pr\u00f3prio espa\u00e7o, nos esparramam para longe uns dos outros. E as circunst\u00e2ncias nos amarram onde estamos. Ficamos a depender dos feriados, do d\u00e9cimo-terceiro sal\u00e1rio, das promo\u00e7\u00f5es de passagens e, no fim, o que nos acode \u00e9 a tecnologia. Do velho e obsoleto orelh\u00e3o perto da pens\u00e3o ao Facebook e Whatsapp.<\/p>\n<p>A saudade \u00e9 uma palavra \u00fanica da nossa l\u00edngua e condi\u00e7\u00e3o insepar\u00e1vel da nossa vida. Quem n\u00e3o a tem n\u00e3o est\u00e1 vivo. Ela, \u00e0s vezes, \u00e9 uma lembran\u00e7a doce, carregada de esperan\u00e7a, porque a gente sabe que vai voltar ou vai receber de volta quem para longe foi. Mas, muitas vezes \u00e9 dor. E dor que faz chorar.<\/p>\n<p>Enquanto meus filhos cresciam, por um erro de c\u00e1lculo da minha vida e, ao mesmo tempo por sorte e bondade de Deus, eu tive que deixar Vit\u00f3ria da Conquista (ou Salvador, onde tamb\u00e9m moramos) para trabalhar em outras cidades, muitas delas em long\u00ednquos estados do Brasil. Foram cerca de dez anos em que eu vivia a minha fam\u00edlia apenas em alguns finais de semana. Eu estive em Itabuna, Aracaju, Fortaleza, Bel\u00e9m, S\u00e3o Lu\u00eds, Imperatriz, Macap\u00e1, Boa Vista&#8230; e meus filhos em Conquista ou Salvador. Era a saudade coceira. A lembran\u00e7a doce deles me fazia sonhar com a volta. Ela sempre foi poss\u00edvel. A saudade al\u00e9rgica era da minha casa materna. Se estavam longe os meus filhos, mais distante, na velha Jacobina, ficava D. Ant\u00f4nia. E era dif\u00edcil voltar l\u00e1. Faltava tempo, dizia eu.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Hoje, tenho uma saudade suave do meu pai. A lembran\u00e7a dele vem sorrindo, imagino que ele est\u00e1 em algum lugar melhor e isso \u00e9 confort\u00e1vel. Tenho ido mais a Jacobina. Porque sei que agora \u00e9 que o tempo \u00e9 menor. Para mim, aos 55, e para minha m\u00e3e, aos 83. E uso o telefone para lhe sentir a vida, expressa nas mesmas hist\u00f3rias e nas gargalhadas que, nos anos mais mo\u00e7os dela, viravam choro sem ela saber o porqu\u00ea.<\/p>\n<p>Nestes dias, porque a perspectiva de uma dor insuport\u00e1vel me impele, eu fa\u00e7o o que posso e mais do que posso para estar com meus filhos. Meu amigo querido Daniel Thame um dia reparou que ao me agoniar a saudade de ver meus filhos eu pegava o avi\u00e3o como se pegasse o \u00f4nibus de Itabuna para Itaju\u00edpe. E ainda fa\u00e7o assim, ou os chamo para perto com as mais lamuriosas chantagens emocionais. Pois aquele tempo perdido &#8220;fazendo a vida&#8221; deixou um v\u00e1cuo enorme formado pelo tanto de abra\u00e7o que eu quis dar nos dois e as circunst\u00e2ncias impediram.<\/p>\n<p>Meu filho mora em Campinas, na companhia de sua ador\u00e1vel esposa. J\u00e1 planejou morar no Jap\u00e3o e agora est\u00e1 tudo certo para que se mudem para os Estados Unidos. Sorrio, sinceramente, por eles, porque seus planos seguem exitosos, mas tamb\u00e9m n\u00e3o finjo que j\u00e1 choro de saudade.<\/p>\n<p>Minha filha mora e estuda no Rio de Janeiro e isso j\u00e1 \u00e9 longe o suficiente para a saudade ser das que apertam e tiram l\u00e1grimas, mas \u00e9 mais cruciante saber que h\u00e1 jap\u00f5es e estados unidos para ela tamb\u00e9m. E ent\u00e3o, temo que o \u00f4nibus Itabuna-Itaju\u00edpe j\u00e1 n\u00e3o seja o suficiente para eu reencontr\u00e1-los.<\/p>\n<p>Hoje cedo pensei com grande saudade, esta com alegria, de uma amiga que conheci na inf\u00e2ncia. Me lembrei da amizade generosa de D\u00e9bora demonstrada j\u00e1 na idade adulta. Ela est\u00e1 bem e eu comemoro a vida dela e de todas as amigas e amigos, incluindo a minha fam\u00edlia, onde est\u00e3o as minhas melhores amizades.<\/p>\n<p>Hoje tamb\u00e9m pensei em procurar meu amigo Vivaldo Sabi\u00e1 para falar de Paulo Mascena, um dos bons que nos deixaram. A mim com saudade dolorosa.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que eu soube que Moraiszinho se foi, hoje, no dia das minhas saudades. Conheci Morais em 1984 e dele tive sempre carinho. Fiquei triste. \u00c9 mais uma saudade das que doem.<\/p>\n<p>De saudade a gente n\u00e3o se livra enquanto viver. Saudade \u00e9 condi\u00e7\u00e3o do amor.<\/p>\n<p>E ainda bem que Dulcy est\u00e1 aqui. Sem saudade, s\u00f3 amor e cuidado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Giorlando Lima &nbsp; Neste s\u00e1bado, amanheci pensando em saudade. Ela tem sido minha companheira ao longo da vida. Sa\u00ed da casa dos meus pais, pela primeira vez, h\u00e1 36 anos. 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