{"id":151288,"date":"2023-06-10T07:51:04","date_gmt":"2023-06-10T10:51:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=151288"},"modified":"2023-06-09T11:54:51","modified_gmt":"2023-06-09T14:54:51","slug":"os-feriados-dias-santos-e-a-perda-da-religiosidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2023\/06\/10\/os-feriados-dias-santos-e-a-perda-da-religiosidade\/","title":{"rendered":"Os feriados, dias santos e a perda da religiosidade"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-151290\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Corpus-Christi-Diocese-de-Itabuna.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Corpus-Christi-Diocese-de-Itabuna.jpg 480w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Corpus-Christi-Diocese-de-Itabuna-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-151289\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Walmir-Rosario-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Walmir-Rosario-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Walmir-Rosario-1.jpg 410w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Lembro-me perfeitamente dos dias santos e feriados que eram respeitados no meu tempo de crian\u00e7a e adolescente. Nestas datas n\u00e3o precis\u00e1vamos frequentar a escola, muito menos o trabalho, para os que j\u00e1 pegavam pesado no batente. Era uma festa. Embora soub\u00e9ssemos pelo calend\u00e1rio, essas datas sempre eram acrescidas em fun\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o e legisla\u00e7\u00e3o estadual ou municipal.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos feriados corriqueiros, aqueles que se destacam na folhinha com letras vermelhas (acredito que para chamar mais a aten\u00e7\u00e3o), \u00e9ramos avisados que dias tais n\u00e3o precis\u00e1vamos vir \u00e0s aulas, pois a cidade estaria em festa com sua micareta. Festej\u00e1vamos os dias santos e o prefeito decretava feriado nas vit\u00f3rias da sele\u00e7\u00e3o de Itabuna, sem contar os pontos facultativos no servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Viv\u00edamos em constante estado de festa. E como hoje (08-06-2023), tamb\u00e9m chamado de quinta-feira, \u00e9 dia de Corpus Christi, me encontro no perfeito gozo de um merecido descanso, apesar de n\u00e3o trabalhar formalmente. Esse \u00e9 um feriado \u2013 ou ponto facultativo \u2013 estranho, que ningu\u00e9m sabe ao certo como aportou no Brasil com \u00e2nimo definitivo. Por ouvir dizer, me consta que iniciou como uma parada banc\u00e1ria e se perpetuou.<\/p>\n<p>Claro que esse feriado ou ponto facultativo (em algumas cidades) tem um pezinho na nossa ancestralidade portuguesa, com certeza, nas ra\u00edzes da religiosidade e atendimento \u00e0 bula papal editada por Urbano IV, l\u00e1 pelos long\u00ednquos idos de 1264. Pelo que se sabe, o papa teria incumbido o grande fil\u00f3sofo S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino para redigi-la, em comemora\u00e7\u00e3o a Corpus Christi.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>S\u00f3 que o papa Urbano IV n\u00e3o teve a felicidade de comemorar a data ou editar alguma indulg\u00eancia, pois morreu logo ap\u00f3s ter mandado instituir a homenagem, tanto \u00e9 assim que a bula somente foi reafirmada pelo Conc\u00edlio de Vienne, em 1311. No Brasil, pelas ordens do primeiro-ministro portugu\u00eas Marqu\u00eas de Pombal, as coisas pol\u00edticas e religiosas n\u00e3o caminhariam mais juntas, portanto deveria acabar essas comemora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas ela \u2013 a data \u2013 resistiu bravamente e se encontra em nosso meio at\u00e9 os dias de hoje. O S\u00e3o Jo\u00e3o tamb\u00e9m sofreu as persegui\u00e7\u00f5es em nome do estado laico, e hoje n\u00e3o \u00e9 comemorado em grande parte do Brasil. Em Itabuna, por exemplo, deixou de ser feriado h\u00e1 muitos anos e n\u00e3o tem mais a compet\u00eancia para fechar o com\u00e9rcio, ind\u00fastria e servi\u00e7os, embora os itabunenses se mandem para \u201cforrozar\u201d em Ibicu\u00ed e Jequi\u00e9.<\/p>\n<p>Lembro de certa feita em que os gerentes de bancos se sentiram atemorizados em funcionar em plena festa junina sem a devida seguran\u00e7a. \u00c9 que grande parte da Pol\u00edcia Militar teria sido transferida para os grandes s\u00edtios forrozeiros. E a solu\u00e7\u00e3o encontrada foi sensibilizar o poder p\u00fablico municipal para decretar o competente decreto de ponto facultativo, extensivo \u00e0 iniciativa privada, devido \u00e0 poss\u00edvel inseguran\u00e7a. Fechou tudo.<\/p>\n<p>Outro feriado tradicional de Itabuna era o dia do Caixeiro (comerci\u00e1rio), comemorado religiosamente em 30 de outubro, chovesse ou fizesse sol. De uns tempos pra c\u00e1, foi retirado do decreto e somente vale por acordo, atrav\u00e9s da negocia\u00e7\u00e3o sindical, e em data m\u00f3vel. Perdeu a gra\u00e7a, pois a maior comemora\u00e7\u00e3o era o Torneio Caixeiral, com a participa\u00e7\u00e3o de cerca de 50 equipes formadas por comerci\u00e1rios. Nem lembram mais.<\/p>\n<p>Duro mesmo eram as empresas e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos que t\u00eam em seu quadro de pessoal itabunenses e ilheenses, independente do munic\u00edpio onde est\u00e1 sediada, a exemplo da Ceplac e Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). Elas fechavam nos feriados e dias santos das duas cidades. Com o passar dos anos, a Ceplac apertou a corda e a Uesc ainda manteve por muito tempo. Hoje n\u00e3o tenho informa\u00e7\u00e3o de como \u00e9.<\/p>\n<p>A Ceplac, na sua sede regional, passou a obedecer apenas os feriados e dias santos de Ilh\u00e9us, por estar em solo ilheense. \u00c0 \u00e9poca foi um Deus nos acuda. Reclama\u00e7\u00f5es em todos os setores pelo antidemocr\u00e1tico gesto n\u00e3o comoveram os dirigentes. Da\u00ed, os inconformados servidores criaram uma comiss\u00e3o para tentar sensibilizar os diretores, reclamando do preju\u00edzo de n\u00e3o poderem exercer suas religiosidades aos padroeiros.<\/p>\n<p>Na Divis\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o \u00e9ramos sempre escalados nos carnavais para noticiar a participa\u00e7\u00e3o dos ceplaqueanos nos blocos e escolas de samba, sempre com muitas fotos publicadas no jornal interno Espelho Ceplaqueano. Ent\u00e3o, um dos diretores, a t\u00edtulo de brincadeira, sugeriu que poderiam at\u00e9 participar e que estenderiam as mat\u00e9rias jornal\u00edsticas do Espelho e, posteriormente da Agenda, para uma ampla cobertura nas missas e prociss\u00f5es, ressaltando a religiosidade dos servidores.<\/p>\n<p>A partir daquela data n\u00e3o se soube mais de qualquer reivindica\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is religiosos. At\u00e9 os dias de hoje n\u00e3o se sabe o motivo deles abandonarem seus santos padroeiros.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Walmir Ros\u00e1rio \u00e9 radialista, jornalista e advogado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio Lembro-me perfeitamente dos dias santos e feriados que eram respeitados no meu tempo de crian\u00e7a e adolescente. Nestas datas n\u00e3o precis\u00e1vamos frequentar a escola, muito menos o trabalho, para os que j\u00e1 pegavam pesado no batente. Era uma festa. 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