{"id":15113,"date":"2012-12-11T15:30:02","date_gmt":"2012-12-11T18:30:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=15113"},"modified":"2012-12-11T15:30:02","modified_gmt":"2012-12-11T18:30:02","slug":"a-violencia-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2012\/12\/11\/a-violencia-urbana\/","title":{"rendered":"A viol\u00eancia urbana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Sione Porto<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/sione.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-15114\" title=\"sione\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/sione-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Nasceu com a humanidade. Sempre existiu. Cresceu com a sociedade contempor\u00e2nea. Faz v\u00edtima todos os dias. Cabe aos estados, no plano constitucional, o seu combate. Parte da sociedade mundial j\u00e1 foi atingida pela viol\u00eancia urbana, n\u00e3o somente o Brasil. EUA viveu tempos dif\u00edceis com as gangues de Nova Iorque, muito bem retratadas no filme hom\u00f4nimo de Martin Scorsese (<em>Gangs of New York<\/em>, 2002). A cidade de Los Angeles viveu momentos cr\u00edticos quando o Tribunal do J\u00fari, em 1992, absolveu tr\u00eas policiais brancos e um hisp\u00e2nico que espancaram o taxista negro Rodney King, ap\u00f3s uma persegui\u00e7\u00e3o em alta velocidade. Revoltados, milhares de pessoas promoveram saques, inc\u00eandios, assassinatos e depreda\u00e7\u00f5es, ao longo de seis dias ap\u00f3s o veredicto, sendo necess\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito nas ruas.<\/p>\n<p>V\u00e1rios estudos est\u00e3o direcionados \u00e0 viol\u00eancia urbana e ao combate \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o, que antes era privil\u00e9gio dos grandes centros, eixo Rio-S\u00e3o Paulo, por\u00e9m chegou, hoje, \u00e0 maioria das cidades da federa\u00e7\u00e3o. O impacto decorre do crescimento populacional, m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, da priva\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, desigualdades sociais, gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda. A explos\u00e3o de revolta contra mis\u00e9ria gerou laborat\u00f3rio de agressividade. Na atualidade, \u00e9 pauta de v\u00e1rias an\u00e1lises multidisciplinares. Esse car\u00e1ter end\u00eamico \u00e9 abrangido por \u00a0m\u00faltiplos aspectos, dentre esses, temos tr\u00eas fen\u00f4menos a considerar:<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>a)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Banalidade do delito (banaliza\u00e7\u00e3o de crimes): modalidade que evoluiu no tempo. Quando crimes corriqueiros ganham expans\u00e3o: amea\u00e7as de morte aos cidad\u00e3os; agress\u00f5es contra as integridades f\u00edsicas dos indiv\u00edduos, amigos, conhecidos, inimigos ou rivais; <em>bullying<\/em> (trabalho e col\u00e9gios), furtos; brigas de gangues; ataques entre torcidas de futebol advers\u00e1rias; pegas de carros, tiroteios em vias p\u00fablicas; homic\u00eddios dolosos, consumados e tentados por motivo f\u00fatil ou sem motivo justificado; pequeno tr\u00e1fico de drogas il\u00edcitas, dentre outros crimes;<\/p>\n<p>b)\u00a0\u00a0\u00a0 Universaliza\u00e7\u00e3o dos crimes (\u00eaxodo federativo de maior potencial de viol\u00eancia). Esse fen\u00f4meno ocorre por conta da migra\u00e7\u00e3o de meliantes altamente perigosos, procurados pela justi\u00e7a de seus domic\u00edlios (foragidos) que saem de seus territ\u00f3rios com a finalidade de praticar crimes em outros locais, a exemplo de tr\u00e1fico de armas, narcotr\u00e1fico pesado de drogas de todas as esp\u00e9cies, naturais e sint\u00e9ticas, que geram homic\u00eddios qualificados (execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias de desafetos, concorrentes, chacinas, toque de recolher, tiroteios entre quadrilhas, atos terroristas, como inc\u00eandios a empresas de via\u00e7\u00e3o, quase sempre a coletivos municipais); assaltos a m\u00e3o armada, furto e roubo a institui\u00e7\u00f5es financeiras, ag\u00eancias banc\u00e1rias, caixas eletr\u00f4nicos, correios e lot\u00e9ricas, com uso de explosivos, sequestro de pessoas, etc.;<\/p>\n<p>c)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Comando prisional criminoso (l\u00edderes de fac\u00e7\u00f5es criminosas, oriundas dos pres\u00eddios e penitenci\u00e1rias), hoje em grande evid\u00eancia. Citamos o Comando Vermelho, com centro de atua\u00e7\u00e3o no Rio de janeiro, e o PCC,em S\u00e3o Paulo, que se espalharam nos estados e cidades de m\u00e9dio e grande porte, reproduzindo atos criminosos de todos os g\u00eaneros, desafiando as institui\u00e7\u00f5es legais e toda sociedade, os quais s\u00e3o respons\u00e1veis pelas execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias, mortes de policiais e de pessoas do povo, com objetivo de enfrentamento contra os governos e demonstra\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A inefici\u00eancia da seguran\u00e7a p\u00fablica brasileira \u00e9 respons\u00e1vel pelo quadro ca\u00f3tico em que vivemos. N\u00e3o h\u00e1 controle de armas nas fronteiras do Brasil com pa\u00edses vizinhos. N\u00e3o h\u00e1 controle interno e externo nas unidades prisionais, em raz\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o de agentes penitenci\u00e1rios e da fragilidade no controle de visitas dos internos e advogados corruptos, cujas ordens il\u00edcitas saem atrav\u00e9s de celulares, recados e bilhetes. Uso de menores nos homic\u00eddios, arregimentados por traficantes, ap\u00f3s vici\u00e1-los e coloc\u00e1-los no com\u00e9rcio il\u00edcito de drogas, culminando, por fim, na execu\u00e7\u00e3o desses adolescentes, quando n\u00e3o necessitam mais dos seus servi\u00e7os, como queima de arquivo.<\/p>\n<p>Enquanto as quadrilhas se organizam e proliferam, bem como os crimes crescem geom\u00e9trica e aritmeticamente, a seguran\u00e7a encolhe. Temos em todo territ\u00f3rio nacional, algumas delegacias sem funcionamento, as existentes com estruturas prec\u00e1rias, sem ve\u00edculos e combust\u00edvel, armas, coletes bal\u00edsticos, algumas sem delegados, outras sem escriv\u00e3es e agentes investigadores; vis\u00edveis ainda, postos de pol\u00edcias rodovi\u00e1rias estaduais e federais desativados.<\/p>\n<p>\u00c9 desanimador o estado em que vivem os cidad\u00e3os, buscando o meio de sobreviv\u00eancia a este cen\u00e1rio de viol\u00eancia, com seus im\u00f3veis repletos de grades, com port\u00f5es eletr\u00f4nicos, cercas el\u00e9tricas e c\u00e2maras de seguran\u00e7a. Ningu\u00e9m mais pode bater um papo nas cal\u00e7adas como outrora, parar o carro para conversar com um amigo e, muito menos, ir a uma balada e voltar de madrugada. Isso nem pensar, pois levam seu carro e ainda h\u00e1 a possibilidade de ser assassinado.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a realidade brasileira. A capital paulista saltou de 182 homic\u00eddios em 2011 para 329, em 2012, at\u00e9 fim de novembro. Na Bahia, somente capital Salvador e Regi\u00e3o Metropolitana, houve 2.037 homic\u00eddios em 2011, enquanto Itabuna, quinta maior cidade do estado, j\u00e1 conta com 160 homic\u00eddios em 2012.<\/p>\n<p>Um modelo novo de seguran\u00e7a se faz necess\u00e1rio para coibir a viol\u00eancia generalizada em todo territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Seguran\u00e7a eficiente para poder assegurar a paz social e melhorar a reputa\u00e7\u00e3o do Brasil, urge para restabelecer a ordem, n\u00e3o deixando o poder paralelo tomar conta das comunidades, que pode chegar aos outros estados da federa\u00e7\u00e3o, sendo necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de UPPs (vejam os custos que pagam os contribuintes).<\/p>\n<p>Em sua obra c\u00e9lebre <em>A Peste<\/em> (1947), o escritor franc\u00eas Albert Camus apregoa que as pessoas se acostumaram com a epidemia e os milhares de mortes, tornando para todos algo normal, assim como a popula\u00e7\u00e3o brasileira, j\u00e1 acostumada a tanta viol\u00eancia, sobretudo a midiatizada, o que faz as p\u00e1ginas policiais dos jornais e programas de TV do g\u00eanero, campe\u00f5es de audi\u00eancia, com seu p\u00fablico fiel e cativo.<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Sione Maria Porto de Oliveira<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Delegada de Pol\u00edcia Civil<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>\u00a0Membro da ALITA (Academia de Letras de Itabuna)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sione Porto Nasceu com a humanidade. 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