{"id":147546,"date":"2023-03-11T07:30:26","date_gmt":"2023-03-11T10:30:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=147546"},"modified":"2023-03-10T15:55:06","modified_gmt":"2023-03-10T18:55:06","slug":"cintos-de-seguranca-projeto-de-inutilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2023\/03\/11\/cintos-de-seguranca-projeto-de-inutilidade\/","title":{"rendered":"Cintos de seguran\u00e7a, projeto de inutilidade"},"content":{"rendered":"<p>11\u00d4nibus lotado1<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-147547\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Walmir-Rosario-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Walmir-Rosario-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Walmir-Rosario.jpg 410w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>O que deveria ser um tema s\u00e9rio \u00e9 tratado como vulgaridade, futilidade, desrespeito \u00e0 seguran\u00e7a e a dignidade humana. E o palco \u00e9 a C\u00e2mara Federal, em Bras\u00edlia. Pasmem, o projeto mistura alhos com bugalhos e tentaria dar seguran\u00e7a a uma parte dos milhares de passageiros de \u00f4nibus urbanos, relegando outra parte ao Deus dar\u00e1, ao infort\u00fanio que lhes cabe no latif\u00fandio do injusto transporte p\u00fablico brasileiro.<\/p>\n<p>Se por um lado, a lei diz que \u00e9 obrigat\u00f3rio o uso de cintos de seguran\u00e7a em ve\u00edculos, mas, por\u00e9m, todavia, contudo, entretanto, uma exce\u00e7\u00e3o foi colocada para salvar a legisla\u00e7\u00e3o diz: onde se \u00e9 permitido viajar em p\u00e9, ou seja, nos malfadados \u00f4nibus urbanos, pode, est\u00e1 tudo liberado. E a quest\u00e3o seguran\u00e7a desce esgoto abaixo, num confronto \u00e0 normal constitucional que declara igualdade entre os seres humanos em toda a nossa p\u00e1tria.<\/p>\n<p>E a justificativa \u00e9 a mais estapaf\u00fardia, explicando que se n\u00e3o for permitido passageiros em p\u00e9, o servi\u00e7o seria car\u00edssimo e impratic\u00e1vel, pois o n\u00famero de ve\u00edculos passaria para mais que o dobro. Pior, ainda, \u00e9 que o motorista n\u00e3o poderia dar partida no ve\u00edculo antes que o passageiro estivesse devidamente sentado. Tamb\u00e9m, o passageiro ao pedir para descer no ponto, somente poderia sair do assento, ap\u00f3s a parada e a consequente retirada do cinto de seguran\u00e7a. Uma p\u00e9rola, beira ao caos organizado.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Mas agora um milagroso projeto de lei pretende implantar a obrigatoriedade do cinto de seguran\u00e7a, mesmo nos \u00f4nibus que permitem passageiros em p\u00e9. Se lhes parece estranho, vejam a justificativa do parlamentar Jos\u00e9 Nelto (PP\/GO), no projeto de lei 2515\/2022, para alterar o C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro, estabelecendo o cinto de seguran\u00e7a como equipamento obrigat\u00f3rio nos assentos preferenciais, de passageiros, do motorista e cobrador dos ve\u00edculos de transportes coletivos.<\/p>\n<p>A justificativa do deputado goiano \u00e9 que, quando houver assentos dispon\u00edveis dentro desse meio de locomo\u00e7\u00e3o \u00e9 de suma import\u00e2ncia que haja cinto de seguran\u00e7a, j\u00e1 os demais que n\u00e3o obtiverem uma cadeira dentro do transporte coletivo, finalizar\u00e3o o percurso em p\u00e9 como j\u00e1 \u00e9 de costume. Vale salientar que n\u00e3o h\u00e1 motivo para que o cobrador e o motorista n\u00e3o usem cinto de seguran\u00e7a, tendo em vista que tal medida assegurar\u00e1 um poss\u00edvel acidente de trabalho.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o do j\u00e1 exposto, continua a justificativa: \u201ctal medida beneficiar\u00e1 idosos que j\u00e1 n\u00e3o possuem tanto preparo e for\u00e7a f\u00edsica necess\u00e1ria para utilizar esse tipo de meio de locomo\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m auxiliar\u00e1 m\u00e3es e suas respectivas crian\u00e7as que dependem desse tipo de transporte para se locomover\u201d. Aos que costumeiramente utilizam o transporte p\u00fablico de passageiros, resta uma pergunta: O deputado j\u00e1 andou em um desses \u00f4nibus?<\/p>\n<p>Acredito que n\u00e3o, do contr\u00e1rio n\u00e3o continuaria a justificativa com outras baboseiras, tais como a que se segue: \u201cDessa forma, a presente proposi\u00e7\u00e3o tem como finalidade instituir tal acess\u00f3rio de enorme e comprovada import\u00e2ncia, sem nenhum preju\u00edzo aos passageiros, levando em considera\u00e7\u00e3o que aqueles que n\u00e3o conseguirem se assentar, finalizarem a corrida em p\u00e9 como j\u00e1 feito cotidianamente\u201d. Melhor seria ter o desconhecido parlamentar permanecer calado. Ganhar\u00edamos muito com o sil\u00eancio do deputado.<\/p>\n<p>Pelo exposto no absurdo projeto, realmente o parlamentar n\u00e3o tem ou teve, bem como seus assessores, a menor intimidade com um \u00f4nibus urbano, notadamente nos hor\u00e1rios de maior movimento. Numa pegou uma fila num ponto ou terminal, jamais viu passageiros viajando pendurados nas portas (abertas, por sinal), muito menos o que acontece quando o motorista aplica um freio de arruma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nem por sonho sabe, ou por ouvir dizer, que os assentos preferenciais foram selecionados nos \u00f4nibus para o uso dos mais expertos, dos que chegam mais cedo e se abancam sem qualquer respeito ao que diz a lei, e muito menos aos idosos, gestantes e outros que deveriam ser beneficiados. Mesmo que os que por direito reclamem seus lugares, os infratores n\u00e3o d\u00e3o a m\u00ednima, pois fingem sono profundo, embora n\u00e3o seja o dos justos.<\/p>\n<p>N\u00e3o creio que o min\u00fasculo e inexpressivo projeto consiga chegar ao plen\u00e1rio, mas ser\u00e1 inclu\u00eddo no curr\u00edculo do inusitado parlamentar e divulgado pela imprensa e campanhas pol\u00edticas, como prova de seu suado trabalho. J\u00e1 os que sacolejam diariamente nos \u00f4nibus ter\u00e3o melhor sorte, pois se j\u00e1 est\u00e3o exclu\u00eddos sem o projeto de lei do deputado Jos\u00e9 Nelto, continuar\u00e3o sem causar nenhuma d\u00f3 ou piedade aos nossos ilustres parlamentares.<\/p>\n<p>Pegando uma carona nesse inexpressivo projeto, relato aqui o acontecido comigo dias recuados, ao embarcar num \u00f4nibus da Rota em Feira de Santana com destino a Senhor do Bonfim. Para comprar a passagem, tive que apresentar uma s\u00e9rie de documentos e cart\u00e3o de cr\u00e9dito. No embarque, s\u00f3 faltaram me exigir a certid\u00e3o de batismo e de \u00f3bito, mas, enfim viajei.<\/p>\n<p>Tratamento igual n\u00e3o foi dado aos que paravam o \u00f4nibus no meio da rodovia e embarcavam apenas pagando, em reais, moeda nacional, sem as outras exig\u00eancias a mim cobradas. Lota\u00e7\u00e3o esgotada nas poltronas, os viajantes em p\u00e9 n\u00e3o era alertados pelo motorista \u2013 ao contr\u00e1rio de n\u00f3s \u2013 pela falta de uso do cinto de seguran\u00e7a e ainda se recostavam em nossos assentos, alguns sentando-se nos bra\u00e7os das poltronas.<\/p>\n<p>Faltavam educa\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o. E ningu\u00e9m, sequer, cobrou a seguran\u00e7a. Fineza que conhecer o deputado Jos\u00e9 Nelto, que \u00e9 autor de diversos projetos, aconselh\u00e1-lo a desistir desse infrut\u00edfera empreitada. Quem sabe, mudar o foco para que o brasileiro possa ter um\u00a0 transporte digno pode at\u00e9 ter sido uma boa inten\u00e7\u00e3o, o que seria uma proposi\u00e7\u00e3o relevante, o que n\u00e3o \u00e9 o caso em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><em>Walmir Ros\u00e1rio \u00e9 Radialista, jornalista e advogado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>11\u00d4nibus lotado1 Walmir Ros\u00e1rio O que deveria ser um tema s\u00e9rio \u00e9 tratado como vulgaridade, futilidade, desrespeito \u00e0 seguran\u00e7a e a dignidade humana. E o palco \u00e9 a C\u00e2mara Federal, em Bras\u00edlia. 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