{"id":146861,"date":"2023-02-18T08:56:06","date_gmt":"2023-02-18T11:56:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=146861"},"modified":"2023-02-17T10:07:54","modified_gmt":"2023-02-17T13:07:54","slug":"homenagem-a-joao-machado-cafezeiro-e-a-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2023\/02\/18\/homenagem-a-joao-machado-cafezeiro-e-a-atlantica\/","title":{"rendered":"Homenagem a Jo\u00e3o Machado Cafezeiro e a Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_146863\" style=\"width: 278px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-146863\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-146863\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/joao-machado.jpg\" alt=\"\" width=\"268\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/joao-machado.jpg 750w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/joao-machado-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 268px) 100vw, 268px\" \/><p id=\"caption-attachment-146863\" class=\"wp-caption-text\">Joao Machado Cafezeiro<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Por Valdir Barbosa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meados da d\u00e9cada de noventa\u00a0rec\u00e9m-passada. Ano eleitoral. Abrigado no Luxor Regente, hotel luxuoso situado\u00a0entre o posto 4 e 5 da Atl\u00e2ntica cuidava de investigar crime de extors\u00e3o\u00a0mediante sequestro que vitimara empres\u00e1rio feirense. Durante meses estive por\u00a0l\u00e1, monitorando liga\u00e7\u00f5es entre integrantes da quadrilha baseados na Cidade\u00a0Maravilhosa e outros espalhados em v\u00e1rios munic\u00edpios brasileiros, dentre eles\u00a0Juiz de Fora, Vit\u00f3ria da Conquista e Salvador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-146862\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/av-atlantica-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/av-atlantica-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/av-atlantica.jpg 310w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u00a0 \u00a0A miss\u00e3o foi exitosa, todos os\u00a0bandidos findaram presos tempos depois de iniciados os trabalhos apurat\u00f3rios,\u00a0t\u00e3o logo foi liberado o ref\u00e9m, pois a fam\u00edlia optou pelo pagamento do resgate,\u00a0destarte, inexistiu interfer\u00eancia da policia baiana, enquanto n\u00e3o findou o\u00a0calv\u00e1rio do cativeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o \u00e9 sobre isto que\u00a0desejo falar. Em verdade, lembrando-me deste trabalho, remeto meu pensar a\u00a0momentos deveras prazerosos que pude desfrutar, naquele tempo, ao lado do\u00a0genial Jo\u00e3o Machado Cafezeiro, o mago da contabilidade. Morava ele na \u00e9poca,\u00a0naquela referida hospedaria, assim, com seu apoio pude tamb\u00e9m permanecer no\u00a0ambiente sofisticado, frente \u00e0s \u00e1guas azuis da praia de Copacabana, enquanto\u00a0cuidava do mister respons\u00e1vel por me fazer longe de meu canto, meses a fio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em outras oportunidades,\u00a0quando estive na Guanabara, a servi\u00e7o de interesses da policia de nosso Estado,\u00a0privei ali da companhia de Caf\u00e9, assim, seu suporte foi sempre o b\u00e1lsamo que\u00a0p\u00f4de transformar o peso do esfor\u00e7o, do sacrif\u00edcio, das labutas e da saudade, em\u00a0fardos mais leves, poss\u00edveis de serem conduzidos sem muita dor.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Quantos fins de tardes e de semanas, enquanto a massa que mexia diuturnamente n\u00e3o dava\u00a0ponto, secamos garrafas de Buchanan\u2019s, no bar do Regente, desta forma, na\u00a0esteira de sua voz grave pude conhecer muito de tudo. Das coisas boas desta\u00a0vida, dos atalhos, dos segredos e das armadilhas, dos sen\u00f5es e dos porqu\u00eas, dos\u00a0pr\u00f3s e dos contra, das verdades e mentiras que fazem parte do cotidiano de\u00a0todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aprendi\u00a0com ele a arte do profissionalismo, testemunhando no seu exemplo, que os\u00a0deleites da vida jamais ser\u00e3o mais importantes que o dever. Poucos, ou nenhum\u00a0dos homens e mulheres com quem pude conviver, nestes sessenta e quatro anos\u00a0quase j\u00e1 vividos foram t\u00e3o apaixonados pelos prazeres da mesa, do copo e da\u00a0carne, por\u00e9m, seu maior orgasmo residia na defesa dos interesses dos clientes,<\/p>\n<p>todos apaixonados por sua expertise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Volvo\u00a0\u00e0quele ano tratado no in\u00edcio destas linhas. Penso que o dia era 15 de novembro,\u00a0creio se tratava de um s\u00e1bado e o feriado pela data da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica\u00a0coincidia com elei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o recordo se majorit\u00e1rias ou n\u00e3o. Jo\u00e3o n\u00e3o iria a\u00a0Bangu, por algum motivo tamb\u00e9m o meu fim de semana seria de nada fazer, certo \u00e9\u00a0que antes das dez, depois do banho, ap\u00f3s minha corrida costumeira, quando<\/p>\n<p>varava os doze quil\u00f4metros na via glamourosa, indo e vindo, fizemos o desjejum\u00a0juntos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele,\u00a0como sempre esportiva, mas elegantemente trajado, cal\u00e7a de brim e camisa\u00a0branca, ambas de fino acabamento, sapato mocassim tamb\u00e9m alvo como nuvens na\u00a0Pedra da G\u00e1vea, aceita me acompanhar numa andada que se estendeu at\u00e9 o antigo\u00a0Meridien, no cruzamento da Atl\u00e2ntica com a Princesa Isabel. \u00a0Entre cigarro e outro,\u00a0fumados de forma intermitente, resmungando ao voltar, posto caminhar n\u00e3o era<\/p>\n<p>seu forte findamos na recep\u00e7\u00e3o do hotel, ap\u00f3s justificar o voto, numa escola\u00a0pr\u00f3xima a Santa Clara. Passavam das 13 horas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lembramos-nos\u00a0da lei seca e os restaurantes do entorno confirmaram a proibi\u00e7\u00e3o da venda de<\/p>\n<p>bebidas alco\u00f3licas. O bar e restaurante do Luxor tamb\u00e9m aderiram \u00e0 ordem legal\u00a0e uma tristeza pr\u00f3pria dos abstinentes tomou conta de n\u00f3s. Disse-lhe, amigo,\u00a0voc\u00ea \u00e9 insuper\u00e1vel na seara contabilista, mas ela n\u00e3o nos socorrer\u00e1 agora e\u00a0falei do principio ontol\u00f3gico do direito que infere: tudo que n\u00e3o estiver juridicamente\u00a0proibido estar\u00e1 juridicamente facultado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fomos\u00a0at\u00e9 o gerente de plant\u00e3o e, com lastro na dita premissa, admiti seu impedimento\u00a0por vender o produto proibido, contudo, enfoquei a hip\u00f3tese de que a lei n\u00e3o\u00a0nos negava o direito ter, por empr\u00e9stimo, uma garrafa de u\u00edsque.\u00a0O funcion\u00e1rio qualificado, de bem com a vida embarcou na nossa onda e mandou<\/p>\n<p>servir a bebida no apartamento, sob compromisso de que na manh\u00e3 seguinte\u00a0repus\u00e9ssemos ao estoque, o Buchanan\u2019s cedido em comodato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O\u00a0resto do dia voou nas asas dos efl\u00favios et\u00edlicos, entre gargalhadas de\u00a0Cafezeiro ecoando no quarto, entre hist\u00f3rias fascinantes, pr\u00eamios que pude\u00a0ganhar enquanto estive ao seu lado, nestes anos todos que voaram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Combalido\u00a0desde algum tempo, ainda assim sorvi generosas ta\u00e7as de vinho na sua companhia,\u00a0nas derradeiras \u00e9pocas, entre conversas sem fim, nos \u00faltimos abrigos onde\u00a0esteve ao lado de Lene, companheira de muitos anos e Vanessa uma das adoradas\u00a0filhas, como todos os outros que soube amar ao seu jeito, \u00a0mesmo distantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As\u00a0muitas oportunidades vividas ao seu lado nestes \u00faltimos encontros, foram capazes de inspirar<\/p>\n<p>personagem de romance que concluo, onde ele figurar\u00e1 como Jota Malhado. Hoje,\u00a0meu guru parceiro se foi. Cedo, Riserio, grande m\u00e9dico atuante em Conquista,\u00a0fraterno amigo comum, me reportou quase em tempo real, os \u00faltimos momentos\u00a0dessa inesquec\u00edvel figura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o\u00a0o conduzirei a ultima morada terrena. Frente \u00e0 tela onde derramo lagrimas\u00a0sentidas e estas lembran\u00e7as, bebo \u00e0 sua mem\u00f3ria como fizemos juntos por varias\u00a0d\u00e9cadas. Ali\u00e1s, n\u00e3o duvido, Caf\u00e9, o traquino de sempre fugiu, partiu em busca\u00a0de paz, esta paz que tanto desejamos e que apenas brota nas sendas et\u00e9reas de\u00a0um mundo de onde viemos e para onde voltaremos todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como\u00a0bom ca\u00e7ador, quando tiver de ser, um dia lhe pego fuj\u00e3o, e haveremos, sem\u00a0d\u00favida, de gargalhar juntos outra vez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Valdir Barbosa &nbsp; Meados da d\u00e9cada de noventa\u00a0rec\u00e9m-passada. Ano eleitoral. Abrigado no Luxor Regente, hotel luxuoso situado\u00a0entre o posto 4 e 5 da Atl\u00e2ntica cuidava de investigar crime de extors\u00e3o\u00a0mediante sequestro que vitimara empres\u00e1rio feirense. 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