{"id":145447,"date":"2023-01-14T07:27:07","date_gmt":"2023-01-14T10:27:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=145447"},"modified":"2023-01-13T10:36:53","modified_gmt":"2023-01-13T13:36:53","slug":"os-dois-anos-do-sumico-de-tyrone-perrucho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2023\/01\/14\/os-dois-anos-do-sumico-de-tyrone-perrucho\/","title":{"rendered":"Os dois anos do sumi\u00e7o de Tyrone Perrucho"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-145448\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Tyrone-Perrucho-nadando.jpg\" alt=\"\" width=\"477\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Tyrone-Perrucho-nadando.jpg 576w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Tyrone-Perrucho-nadando-300x204.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 477px) 100vw, 477px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Walmir Ros\u00e1rio<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-145449\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Walmir-Rosario-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Walmir-Rosario-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Walmir-Rosario.jpg 410w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Na tarde de ontem (quarta-feira, 11 de janeiro), pasmem os senhores e senhoras, eu me encontrava no bar Mac Vita, como um simples expectador, assistindo a meus amigos Batista e Walter J\u00fanior beberem um litr\u00e3o de Coca Cola. Confesso que me sentia incomodado, haja vista considerar uma profana\u00e7\u00e3o de um dos botecos de memor\u00e1veis hist\u00f3rias festivas de Canavieiras, sede ocasional da Confraria d\u2019O Berimbau e da Clube dos Rolas Cansadas.<\/p>\n<p>Eis que de repente um carro d\u00e1 uma parada e ou\u00e7o algumas perguntas: Quem foi o melhor ponta-esquerda de Itabuna? E o melhor zagueiro? Respondo que Fernando Riela e Ronaldo Dantas, Piaba, dentre outros. E a\u00ed reconhe\u00e7o o autor das perguntas, o engenheiro agr\u00f4nomo e advogado Jo\u00e3o Geraldo, que faz nova pergunta: \u201cE quem mais desfrutou das noites e madrugadas de Canavieiras?\u201d. E ele mesmo responde: \u201cTyrone Perrucho\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Geraldo segue caminho e n\u00f3s continuamos nossa amena conversa tendo como testemunha um litr\u00e3o de Coca Cola, embora, de antem\u00e3o, confesso que n\u00e3o bebi. Na manh\u00e3 desta quinta-feira recebo, via whatsapp, uma foto de Tyrone Perrucho, enviada por Alberto Fiscal. J\u00e1 Raimundo Ribeiro, direto do Bel\u00e9m do Par\u00e1, responde presente na chamada. Foi a\u00ed que caiu a ficha: hoje \u00e9 o segundo anivers\u00e1rio sem Tyrone Perrucho.<\/p>\n<p>Tyrone era uma pessoa que se destacava por suas diferen\u00e7as. Na foto acima, aparece ele como se estivesse saindo de uma epopeia de nata\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s atravessar um bra\u00e7o de mar, cruzar de uma margem a outra de um rio. Que nada, era simplesmente uma foto para a sua gloriosa cole\u00e7\u00e3o. O dito cujo sequer sabia nadar; at\u00e9 que tentou, mas o professor gentilmente solicitou que ele buscasse algo mais parecido com suas habilidades.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Na realidade, o nosso ausente personagem gostava mesmo era de se dedicar \u00e0 reda\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o do seu jornal, o Tabu, morto de morte matada assim que completou 50 anos. Foi um chega pra l\u00e1 que deixou os leitores de boca aberta. Fora disso, nada mais lhe aprazia do que jogar conversa fora, de prefer\u00eancia num dos botequins em que \u201csentava pra\u00e7a\u201d com frequente habitualidade, com a presen\u00e7a de amigos tantos.<\/p>\n<p>Era pau pra toda a obra. Comemorava de tudo, datas festivas, anivers\u00e1rios, casamentos, batizados. Quando n\u00e3o os tinha, inventava, astuciava. H\u00e1 d\u00e9cadas passadas escandalizou a sociedade canavieirense e o judici\u00e1rio ao marcar seu casamento civil \u00e0 beira da praia, ele, a coligada e convidados vestidos rigorosamente em trajes de banho. As autoridades forenses n\u00e3o permitiram e a praia da Costa continuou, apenas, como s\u00edtio de comemora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao planejar sua sonhada aposentadoria na Ceplac \u2013 ap\u00f3s 30 longos anos de bons servi\u00e7os prestados \u2013, jurou que todos os dias beberia duas cervejas para abrir o apetite. Passou a comer pela manh\u00e3, ao meio-dia e \u00e0 noite. Na ilha da Atalaia, onde se refugiou, mantinha contato com os amigos, via telefone, e-mail ou whatsapp, geralmente avisando o boteco que nos receberia, fazendo quest\u00e3o de informar que se tratava apenas um aviso e n\u00e3o convite.<\/p>\n<p>Certa feita, comprou um carro novo em Salvador, apenas e t\u00e3o somente para aproveitar a viagem de forma et\u00edlica e ainda convida o amigo da vida inteira, Ant\u00f4nio Tolentino (Tol\u00e9) para irem juntos. Tol\u00e9 avisou que iria a Itabuna no domingo para assistir a um jogo do Itabuna, pois ainda n\u00e3o conhecia o novo (\u00e0 \u00e9poca) Est\u00e1dio Luiz Viana Filho. Tyrone diz que tamb\u00e9m gostaria de estar presente, mesmo sem gostar de futebol.<\/p>\n<p>Chegaram em Salvador, pegaram o carro e viajaram com destino a Itabuna e Canavieiras, viagem que demorou quase uma semana. Conforme o garantido, chegaram a tempo de assistir a partida futebol\u00edstica, mas caminhos diversos o tiraram do est\u00e1dio, para a tristeza de Tol\u00e9, que somente foi conhecer o Itabun\u00e3o um ano e meio depois, numa viagem feita em sigilo absoluto, para evitar a presen\u00e7a e interfer\u00eancia do amigo Tyrone.<\/p>\n<p>Ao ler a cr\u00f4nica sobre a recupera\u00e7\u00e3o do famoso jipinho Gurgel, um dos mais antigos colegas da velha Divis\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o (Dicom) da Ceplac, Raimundo Nogueira, retrucou: \u201cN\u00e3o sei o porqu\u00ea dessa implic\u00e2ncia do amigo Perrucho com os carros. Tamb\u00e9m n\u00e3o sei o motivo que alguns colegas passaram a rejeitar as caronas por ele oferecidas, rumo quase sempre a uma boa farra&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>E continuou. E por falar nessa mat\u00e9ria e o proverbial descaso de Tyrone Perrucho em cuidados com seus carros, certa feita aconteceram dois casos t\u00edpicos. Primeiro, roubaram a antena da sua Bras\u00edlia e ele, prontamente, colocou um fio de arame farpado no lugar, e como funcionou nunca mais tirou. Segundo, certa feita, algu\u00e9m no banco traseiro deixou cair uma caixa de ovos caipira que se espatifou. Os ovos ali quebrados e mau cheiro correlato permaneceram no carro, intocado, por mais de dois meses. Sobrou mau cheiro e faltaram caronas.<\/p>\n<p>Pois \u00e9! Dois anos sem o amigo e promoteur Tyrone Perrucho e a alegria que nos contagiava, por certo diminuiu bastante. Como se diz na pol\u00edtica, ele n\u00e3o preparou em tempo um substituto \u00e0 altura para agregar os seus amigos, que hoje vivem desgarrados, errantes de bar em bar. Tamb\u00e9m nem deu tempo, a tal da Covid-19 lhe pegou de jeito, levando para o outro mundo, se \u00e9 que existe.<\/p>\n<p>At\u00e9 que ensaiaram uma campanha do tipo \u201cVolte Tyrone Perrucho\u201d, mas n\u00e3o funcionou. Fica apenas a eterna lembran\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;-<\/p>\n<p>Walmir Ros\u00e1rio \u00e9 radialista, jornalista e advogado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Walmir Ros\u00e1rio Na tarde de ontem (quarta-feira, 11 de janeiro), pasmem os senhores e senhoras, eu me encontrava no bar Mac Vita, como um simples expectador, assistindo a meus amigos Batista e Walter J\u00fanior beberem um litr\u00e3o de Coca Cola. 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