{"id":144491,"date":"2022-12-17T08:13:41","date_gmt":"2022-12-17T11:13:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=144491"},"modified":"2022-12-16T17:05:28","modified_gmt":"2022-12-16T20:05:28","slug":"a-mulher-caridosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2022\/12\/17\/a-mulher-caridosa\/","title":{"rendered":"A Mulher Caridosa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Daniel Thame<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-144492\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/daniel-thame-2.jpg\" alt=\"\" width=\"237\" height=\"300\" \/>Os dois amigos chegaram \u00e0 pens\u00e3o modesta na cidade do interior paulista no domingo \u00e0 noite.<\/p>\n<p>Radialistas em in\u00edcio de carreira e, portanto, \u00a0escalados para as piores coberturas, iriam fazer reportagens sobre um encontro de prefeitos e vereadores.<\/p>\n<p>Tanta aten\u00e7\u00e3o para uma baboseira daquelas, que desde todo o sempre serviu de fachada para que os pol\u00edticos tivessem divers\u00e3o garantida bancada pelos cofres p\u00fablicos, s\u00f3 se justificava porque o prefeito era tamb\u00e9m o dono da r\u00e1dio onde eles trabalhavam.<\/p>\n<p>O dinheiro contado mal dava para as despesas. \u201cLuxos\u201d, s\u00f3 mesmo algumas doses de \u201cfogo paulista\u201d, uma mistura horrenda de pinga vagabunda com groselha, e uma visitinha ao puteiro local, ainda assim\u00a0 contando com a generosidade de uma mo\u00e7oila mais em conta, mais rodada e em, digamos, fim de carreira.<\/p>\n<p>Porque as putas que valiam a pena, preferiam prefeitos, vereadores, assessores mais graduados e mesmo os caipiras com aqueles \u201cerrrrrrrrrrrrrrrrrrres\u201d intermin\u00e1veis, mas com dinheiro\u00a0 no bolso.<\/p>\n<p>Da\u00ed que, a dona de pens\u00e3o, uma velhota l\u00e1 pelos seus 65 anos, vi\u00fava contrita, que era um trombolho repugnante na noite de domingo, passou a ser uma pessoa legal na segunda-feira, simp\u00e1tica na ter\u00e7a-feira, agrad\u00e1vel na quarta-feira e atraente na quinta-feira.<\/p>\n<p>Na sexta-feira os dois, que eram amigos de dividir um prato de comida, quase estavam saindo no tapa para ver quem iria dormir com a dona da pens\u00e3o, aquela del\u00edcia de mulher.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Ali era uma pens\u00e3o familiar e n\u00e3o haveria espa\u00e7o para briga, ainda mais uma briga entre amigos. Ela deu para os dois.<\/p>\n<p>Um de cada vez, \u00e9 bom que se registre, porque era uma senhora de respeito, com um enorme crucifixo sobre a cama e o retrato do saudoso falecido na penteadeira.<\/p>\n<p>E ainda exigiu que fosse com a luz apagada, no que os dois amigos, donos de uma imagina\u00e7\u00e3o f\u00e9rtil, n\u00e3o reclamaram.<\/p>\n<p>No dia seguinte, eles foram embora e ela foi \u00e0 missa.<\/p>\n<p>Comungou sem se confessar.<\/p>\n<p>Entendeu aquilo n\u00e3o como um pecado, mas como um ato de caridade crist\u00e3 a dois necessitados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>Conto extra\u00eddo do Livro \u201cA Mulher do Lobisomem\u201d, Daniel Thame, editora Via Litterarum<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Thame &nbsp; Os dois amigos chegaram \u00e0 pens\u00e3o modesta na cidade do interior paulista no domingo \u00e0 noite. 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