{"id":141756,"date":"2022-10-15T07:03:27","date_gmt":"2022-10-15T10:03:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=141756"},"modified":"2022-10-14T09:07:08","modified_gmt":"2022-10-14T12:07:08","slug":"a-chocante-materia-das-urnas-funerarias-de-isopor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2022\/10\/15\/a-chocante-materia-das-urnas-funerarias-de-isopor\/","title":{"rendered":"A chocante mat\u00e9ria das urnas funer\u00e1rias de isopor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-141757\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Urna-Funeraria-de-isopor-300x211.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"211\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Urna-Funeraria-de-isopor-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Urna-Funeraria-de-isopor.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-141137\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Walmir-Rosario-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>Est\u00e1vamos em setembro de 1999. \u00c0 \u00e9poca, entre outras atividades, eu exercia o cargo de assessor de comunica\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Itabuna, uma institui\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje bastante ativa no setor econ\u00f4mico e social. Semanalmente, public\u00e1vamos um tabloide, de nome Momento Empresarial, com 12 p\u00e1ginas, encartado no jornal Agora, de bastante sucesso, e volta e meia nossa mat\u00e9ria de capa se tornava a principal manchete do Agora.<\/p>\n<p>Na semana de 11 a 17 de setembro de 1999, a bendita capa apresentava a seguinte manchete: \u201cUrnas funer\u00e1rias fabricadas em isopor\u201d. Celeuma \u00e9 pouco para o fuzu\u00ea criado na cidade. E a confus\u00e3o se iniciou ainda na elabora\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, o que garantia o sucesso da publica\u00e7\u00e3o. Eu era o editor, redator, rep\u00f3rter, editorialista, articulista, produtor e mais que houvesse de necessidade na produ\u00e7\u00e3o do jornal.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-141758\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Urnas-de-funerarias-de-isopor-Mauro-Horta.jpg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"266\" \/>Imaginem, ent\u00e3o o sufoco que passei desde a elabora\u00e7\u00e3o at\u00e9 a circula\u00e7\u00e3o do Momento Empresarial. E fiz tudo dentro da conformidade dos manuais da t\u00e9cnica e \u00e9tica do jornalismo, com todos os detalhes. Um t\u00edtulo decente, uma reportagem que ouviu todos os principais interessados,\u00a0 mat\u00e9ria principal equilibrada, secund\u00e1ria com sustenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e destaques. O grande problema era apresentar o simples isopor para substituir as tradicionais urnas de madeira.<\/p>\n<p>O assunto chegou a meu conhecimento numas das concorridas reuni\u00f5es de quintas-feiras da CDL, na qual o empres\u00e1rio Mauro Horta apresentou a novidade que prometia transformar Itabuna na primeira sede dessa inusitada ind\u00fastria. Garantiu que com a tecnologia existente, a urna (caix\u00e3o) de madeira seria substitu\u00edda por outra, esta produzida a partir da espuma de poliestireno, conhecido popularmente como isopor.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O empres\u00e1rio revelou que a urna funer\u00e1ria de isopor estava patenteada junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial, e prometia revolucionar o mercado de \u201ccaix\u00f5es\u201d, principalmente junto aos menos favorecidos economicamente. Por\u00e9m ele alertava que seria preciso vencer o aspecto tradicional e religioso, por despertar a desconfian\u00e7a das pessoas em acreditar ser o isopor fr\u00e1gil, que n\u00e3o suportaria transportar o mais simples mortal ao cemit\u00e9rio, o que era um engano.<\/p>\n<p>E as engenhosas urnas de isopor seriam entregues, como manda a tradi\u00e7\u00e3o de nossa \u00faltima viagem num caix\u00e3o funer\u00e1rio de madeira, acrescida dos mais diversos acess\u00f3rios, a exemplo de forro de cetim branco acolchoado por dentro, cetim roxo por fora e outros motivos religiosos como a cruz. A vantagem seria o baixo custo do sepultamento, que seria reduzido dos atuais R$ 170,00 a R$ 5 mil, para m\u00f3dicos R$ 80,00, um al\u00edvio para os menos favorecidos economicamente.<\/p>\n<p>Ainda defendia o empres\u00e1rio, que devido ao baixo custo, o uso inicial das urnas de isopor dever\u00e1 ser mais intenso entre os indigentes e a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, que geralmente procura o servi\u00e7o social das prefeituras para custear o enterro. O invento de Mauro Horta j\u00e1 tinha ganhado, segundo afirmou, o apoio do prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, e de secret\u00e1rios municipais. \u201cUm caix\u00e3o tem que ser simples, singelo e barato, e esse \u00e9 o ideal\u201d, defendeu com ardor.<\/p>\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente era outro carro-chefe da inven\u00e7\u00e3o, evitando que no processo de desencarne os l\u00edquidos contaminassem o solo e o len\u00e7ol fre\u00e1tico. Esse processo seria realizado em apenas 90 dias, ao contr\u00e1rio dos cinco anos de hoje. Com o aumento dos problemas urbanos, a nova urna funer\u00e1ria resolveria a quest\u00e3o do espa\u00e7o nos cemit\u00e9rios, que segundo os c\u00e1lculos do empres\u00e1rio, a rela\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o poder\u00e1 ser reduzida em at\u00e9 16 vezes.<\/p>\n<p>E o projeto de Mauro Horta ia al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de urnas funer\u00e1rias de isopor e pretendia colocar no mercado um servi\u00e7o de seguro funer\u00e1rio, no qual as pessoas de baixo poder aquisitivo pagariam um valor mensal para adquirir o seu \u201ccaix\u00e3o\u201d, despreocupando a fam\u00edlia no caso de sua morte, que n\u00e3o teria de arcar com despesas inesperadas. A inten\u00e7\u00e3o era aliar os custos \u00e0 funcionalidade, no sentido de beneficiar a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, para a colocar f\u00e1brica de Itabuna em funcionamento, o empres\u00e1rio estava em busca de recursos para implantar o projeto, que poder\u00e1 gerar cerca de 400 empregos, entre a fabrica\u00e7\u00e3o de cinco mil urnas mensais e demais tipos de embalagens que ser\u00e3o produzidas. E se tivesse dificuldade em implant\u00e1-la na cidade, poderia lev\u00e1-la para o Rio Grande do Sul, cujo governador j\u00e1 teria manifestado interesse no projeto.<\/p>\n<p>Para os c\u00e9ticos, a urna funer\u00e1ria de isopor seria apenas uma brincadeira ou falta de respeito \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es e religi\u00f5es. Pouco importavam que a urna fosse moldada e injetada, com tr\u00eas pares de al\u00e7a, revestimento interno em cetim, externo em pigmento roxo e visor de acr\u00edlico ou suportasse, com seguran\u00e7a, 220 quilos. Da\u00ed a desconfian\u00e7a dos investidores e dos demais segmentos interessados, a exemplo das funer\u00e1rias e parentes dos defuntos.<\/p>\n<p>O maior problema da reportagem foi tentar convencer os donos de funer\u00e1rias a tecerem coment\u00e1rios a respeito do ambicioso projeto do empres\u00e1rio Mauro Horta. Por telefone, mesmo me identificando como sendo o jornalista Walmir Ros\u00e1rio (conhecido de sobra), assessor de comunica\u00e7\u00e3o da CDL de Itabuna, n\u00e3o consegui nenhuma palavra a respeito do tema da reportagem que elaborava.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, ouvi muitos xingamentos com palavras de baixo cal\u00e3o, impublic\u00e1veis nesta singela e familiar cr\u00f4nica, para o bem e o respeito que devo aos meus queridos e respeit\u00e1veis leitores. Como se n\u00e3o bastassem as palavras chulas, ofensivas e obscenas, fui amea\u00e7ado de morte matada, caso n\u00e3o calasse a boca e parasse de injuriar os inocentes mortos, decentemente enterrados de acordo com o ritual crist\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim que o jornal Agora foi publicado, com a manchete do caderno Momento Empresarial, a confus\u00e3o foi grande e os debates se afloraram, divergindo desde o novo padr\u00e3o de sepultamento at\u00e9 a mat\u00e9ria jornal\u00edstica. Confesso que me resguardei por uns dois dias e ficou nisso mesmo. O certo \u00e9 que o empres\u00e1rio Mauro Horta n\u00e3o conseguiu o financiamento para o seu projeto, nem em Itabuna ou nos pampas ga\u00facho.<\/p>\n<p>E os mortos sequer puderam inaugurar uma nova tecnologia funer\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Walmir Ros\u00e1rio \u00e9 radialista, jornalista e advogado<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio Est\u00e1vamos em setembro de 1999. \u00c0 \u00e9poca, entre outras atividades, eu exercia o cargo de assessor de comunica\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Itabuna, uma institui\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje bastante ativa no setor econ\u00f4mico e social. 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