{"id":141135,"date":"2022-10-01T08:14:45","date_gmt":"2022-10-01T11:14:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=141135"},"modified":"2022-09-29T10:25:48","modified_gmt":"2022-09-29T13:25:48","slug":"leleu-figura-irreverente-do-beco-do-fuxico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2022\/10\/01\/leleu-figura-irreverente-do-beco-do-fuxico\/","title":{"rendered":"Lel\u00e9u, figura irreverente do Beco do Fuxico"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-141138\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Leleu-no-carnaval.jpg\" alt=\"\" width=\"361\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Leleu-no-carnaval.jpg 432w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Leleu-no-carnaval-300x297.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Leleu-no-carnaval-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 361px) 100vw, 361px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-141137\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Walmir-Rosario-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>Assim era Lel\u00e9u: irreverente, contagiante, apaixonado pelo futebol e pelo Flamengo, das bebidas, do Carnaval. Esse comportamento n\u00e3o chamaria a aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o fosse pelo seu modo extravagante de viver a mil por hora. Menos quando estava s\u00f3brio, ocasi\u00e3o em que se dedicava ao afazeres dom\u00e9sticos e o trabalho, com muita responsabilidade para quem cuidava das contas a pagar de outras pessoas.<\/p>\n<p>De longe era f\u00e1cil conhecer o seu estado f\u00edsico e emocional. Se abst\u00eamio, calmo, cumprimentando todos que passavam com muita distin\u00e7\u00e3o, conversando em voz baixa e pasta na m\u00e3o para cumprir sua tarefa profissional. Foi por muito tempo o homem de confian\u00e7a do ilustre advogado Victor Midlej, respons\u00e1vel pelo recebimento das contas e os pagamentos em banco, mesmo em tempos de internet.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-141136\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Leleu-flamenguista-2-300x178.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"178\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Leleu-flamenguista-2-300x178.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Leleu-flamenguista-2.jpg 303w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Se chumbado, envernizado, o seu cumprimento era exc\u00eantrico, mirabolante. Assim que avistava um conhecido, um amigo, de longe gritava: \u201cOlha a\u00ed que ruma de pesos mortos\u201d. Destilava mais alguns improp\u00e9rios do seu refinado vocabul\u00e1rio e contava a todos os motivos da euforia, que iria desde a vit\u00f3ria do Flamengo, at\u00e9 o mais simples motivo para uma comemora\u00e7\u00e3o em alto estilo.<\/p>\n<p>Para tanto n\u00e3o importava a data, bastava n\u00e3o ter compromissos profissionais. E o seu local de chegada era sempre o Beco do Fuxico, nas tr\u00eas dimens\u00f5es: Baixo, m\u00e9dio e alto, visitando todos os bares, barbearias, alfaiatarias e lojas. Antes de entrar, em alto som se anunciava: \u201cPesos mortos\u201d. Alguns o convidavam para tomar mais uma cacha\u00e7a e ele prontamente aceitava e tamb\u00e9m se servia da cerveja, sem a menor cerim\u00f4nia.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Nos carnavais todos se admiravam da sua resist\u00eancia e muitos n\u00e3o sabiam se ele embebedava uma s\u00f3 vez e continuava, ou se a cada soneca recuperava o \u00e2nimo e come\u00e7ava tudo de novo. Devidamente fantasiado \u2013 muitas das vezes de roupas femininas \u2013 nem mesmo importava se toleravam seus beijos e abra\u00e7os. O bom mesmo era comemorar, e no Beco do Fuxico.<\/p>\n<p>Fora dos seus dias de festa, como j\u00e1 disse, vivia uma vida normal. Os que pouco ou n\u00e3o o conheciam ficavam em d\u00favida quais papeis ele representava, se o de Lel\u00e9u ou de Claudionor Menezes de Andrade. Eram personagens completamente distintos e um n\u00e3o interferia no outro, o que o tornava uma figura folcl\u00f3rica, quando revestido Lel\u00e9u, e um cidad\u00e3o, trabalhador comum nos momentos de Claudionor.<\/p>\n<p>Querido por todos, seu anivers\u00e1rio era comemorado no Alto Beco do Fuxico a cada fim de semana mais pr\u00f3ximo dos dias 6 a 9 de outubro. No dia 6 o aniversariante era o propriet\u00e1rio do bar Artigos para Beber, Jos\u00e9 Eduardo Gomes; e no dia 9 o advogado Pedro Carlos Nunes de Almeida (Pep\u00ea) e o pr\u00f3prio Lel\u00e9u. Mais tarde se juntaram o produtor de eventos Alex Alves (6) e o agr\u00f4nomo Paulo Fernando Nunes da Cruz (Polenga), dia 19.<\/p>\n<p>Ao fundar a desabusada Academia de Letras, Artes, M\u00fasica, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopias, Etc., (Alambique), o jornalista Daniel Thame, nomeou Lel\u00e9u para o cargo de Diretor para Assuntos Meiot\u00edsticos, com posse formal no Alto Beco do Fuxico. Certa data, ao sair de casa para participar de uma pretensa reuni\u00e3o da Academia \u2013 no Alto Beco do Fuxico \u2013 tentou atravessar o canal do Lava-p\u00e9s em plena enchente e foi arrastado de uma ponte a outra, saindo das \u00e1guas com a maior naturalidade do mundo.<\/p>\n<p>Mas hoje Itabuna e o Beco do Fuxico est\u00e3o de luto com a morte precoce de Claudionor Menezes de Andrade, que ser\u00e1 sempre lembrado pelos amigos ou simples conhecidos, os que o viram crescer, jogar futebol amador, participar da vida ativa de Itabuna. Tamb\u00e9m n\u00e3o o esquecer\u00e3o os que o viam chegar ao beco com suas estramb\u00f3ticas fantasias, devidamente alegre e biritado, irradiando alegria, sempre gritando. \u201cvai\u2026pesos mortos!<\/p>\n<p>&#8212;-<\/p>\n<p>Walmir Ros\u00e1rio \u00e9 radialista, jornalista e advogado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Walmir Ros\u00e1rio Assim era Lel\u00e9u: irreverente, contagiante, apaixonado pelo futebol e pelo Flamengo, das bebidas, do Carnaval. Esse comportamento n\u00e3o chamaria a aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o fosse pelo seu modo extravagante de viver a mil por hora. 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