{"id":140492,"date":"2022-09-17T08:31:32","date_gmt":"2022-09-17T11:31:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=140492"},"modified":"2022-09-16T09:19:54","modified_gmt":"2022-09-16T12:19:54","slug":"abc-da-grapiunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2022\/09\/17\/abc-da-grapiunidade\/","title":{"rendered":"ABC da Grapiunidade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_58501\" style=\"width: 434px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-58501\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-58501\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/caboco-alencar-3.jpg\" alt=\"\" width=\"424\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/caboco-alencar-3.jpg 1000w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/caboco-alencar-3-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><p id=\"caption-attachment-58501\" class=\"wp-caption-text\">Caboco Alencar<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ernesto Marques<\/strong><\/p>\n<div class=\"mceTemp\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-105432\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/ernesto-marques-240x300.png\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/ernesto-marques-240x300.png 240w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/ernesto-marques.png 600w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/>Quando come\u00e7ou o confinamento, nas conversas com Daniel Thame, logo me preocupei: e o Caboclo? Quem \u00e9 papa-jaca n\u00e3o tem d\u00favidas, mas incautos de outras paragens talvez estejam em d\u00favida se me refiro \u00e0quele em cujos p\u00e9s, na Bahia, se recomenda que desconsolados chorem suas mazelas no centro da Pra\u00e7a 2 de Julho, vulgo Campo Grande.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E, claro, se a preocupa\u00e7\u00e3o era com a vida, esse Caboclo n\u00e3o \u00e9 de outro mundo. N\u00e3o \u00e9 monumento, como o da pra\u00e7a, mas \u00e9 uma entidade que se pode resumir em bom baian\u00eas como uma autarquia; um patrim\u00f4nio material e imaterial, tamb\u00e9m!<\/p>\n<p>Sim, porque tem uma dose de ancestralidade infundida em conhecimento tradicional, personificada numa figura em carne, osso e, sobretudo, alma.<\/p>\n<p>Uma combina\u00e7\u00e3o genuinamente baiana, dessas que comp\u00f5em um personagem idiossincr\u00e1tico, dono de um carisma improv\u00e1vel, capaz de cativar s\u00e9quitos de seguidos engajados e org\u00e2nicos, muito antes das redes sociais.<\/p>\n<p>Muito antes de um tal de Zuckerberg criar o Face, o Caboclo j\u00e1 tinha criado uma rede social poderosa no Planeta Cacau. Aonde! A rede do Caboclo existe \u00e9 de hooooooje, muito antes at\u00e9 do Orkut! E nunca houve plataforma melhor pra fazer um network em Itabuna.<\/p>\n<p>Eu, forasteiro que venho l\u00e1 do sert\u00e3o, na primeira passagem por Itabuna, em 2004, trabalhando numa campanha eleitoral, percebi isso logo na chegada, levado pelo companheiro Rui Correia, o \u201csenador da Bahia livre\u201d, e jamais eleito.<\/p>\n<p>Voltemos a falar da entidade, o Caboclo \u2013 a mai\u00fascula, ou caixa alta, como dizem os jornalistas das antigas, n\u00e3o \u00e9 simples rever\u00eancia. \u00c9 respeito \u00e0 lei que manda grafar substantivos pr\u00f3prios assim. \u00c9 nome de gente de carne e osso, com nome e sobrenome, tamb\u00e9m: Caboclo Alencar. Criador e mantenedor do ABC da Noite, uma verdadeira catedral de duas portas estreitas onde se re\u00fanem infi\u00e9is de v\u00e1rios credos, partidos, etnias e extratos sociais.<\/p>\n<p>Esse tipo ecumenismo s\u00f3cio-et\u00edlico-religioso s\u00f3 poderia ter como endere\u00e7o o Beco do Fuxico, logradouro cujo nome oficial nem itabunense conhece. Se voc\u00ea chegar na Avenida Cinquenten\u00e1rio, centro comercial de Itabuna e perguntar onde \u00e9 a Travessa Adolfo Leite, dificilmente algu\u00e9m saber\u00e1 responder. Mas se voc\u00ea estiver em Ilh\u00e9us e perguntar onde fica o Beco do Fuxico, com certeza qualquer um vai lhe dizer do Beco, cuja refer\u00eancia certeira \u00e9 o ABC da Noite, do Caboclo Alencar.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>H\u00e1 60 anos, ele transformou o pequeno a\u00e7ougue do padrasto no bar que terminaria virando \u00edcone da boemia grapi\u00fana. Tudo, rigorosamente, tudo que de mais importante aconteceu no Planeta Cacau nestas \u00faltimas seis d\u00e9cadas passou pelo balc\u00e3o do ABC. Seja pela presen\u00e7a frequente das lideran\u00e7as da cidade, porque ser repetente da \u201cEscolinha do ABC\u201d \u00e9 atestado de grapiunidade e credencial para muitas pretens\u00f5es pol\u00edticas, sociais e culturais. Seja porque todos os feitos da vida p\u00fablica ou privada, maus e bons, viraram pauta dos fuxiqueiros habituais.<\/p>\n<p>\u00c9 seguro afirmar sem receios, inclusive, que muitas fake news tenham se propagado nesses 60 anos de ABC, a partir de fuxicos regados \u00e0s incompar\u00e1veis batidas do Caboclo. Batida pra beber de joelhos, como muito bem define Daniel Thame. Mas ali, naquele enclave do \u00e9den dos biriteiros em plena terra, ajoelhar-se mesmo, s\u00f3 se for pra agradecer pela cria\u00e7\u00e3o daquela batida. N\u00e3o \u00e9 obra de Deus, mas \u00e9 do Caboclo. Este, sim, uma entidade! como j\u00e1 disse, \u00e9 obra d\u2019Ele. O que significa, por tabela, que aquela batida, \u00fanica e incompar\u00e1vel em todos os tempos e em todo o globo terrestre, no m\u00ednimo tem o dedo de Deus, que \u2013 Deus me perdoe! Pode ter intercedido pelas m\u00e3os do Caboclo quando ele concebeu a recita guardada a sete chaves&#8230;<\/p>\n<p>O segredo da sua cria\u00e7\u00e3o genu\u00edna, ele n\u00e3o revela, e ainda inaugura uma nova corrente de pensamento: o ego\u00edsmo filos\u00f3fico. \u201cQuem ensina o que sabe, \u00e9 porque n\u00e3o precisa\u201d, professa o dono de uma patente que dispensa registro.<\/p>\n<p>Tem l\u00e1 suas raz\u00f5es. O ABC serve apenas as batidas e mais nada. Com a sua cria\u00e7\u00e3o e muito trabalho, Caboclo Alencar sustentou a fam\u00edlia e chega aos 91 anos com uma vitalidade e mem\u00f3ria invej\u00e1veis. S\u00f3 revela um detalhe para explicar a diferen\u00e7a de pre\u00e7os: a melhor batida \u00e9 50% mais cara por ser feita com vodka, em vez de cacha\u00e7a. Depois da infus\u00e3o, a vodka n\u00e3o interfere no aroma.<\/p>\n<p>Durante a pandemia, ele foi cuidado e preservado como acervo vivo que \u00e9, s\u00edntese da alma itabunense. Os repetentes souberam esperar, e agora festejam a reabertura do ABC da Noite e celebram a vida do seu fundador. Os amigos v\u00e3o cuidar de reabrir o templo em car\u00e1ter colaborativo e em sistema de autogest\u00e3o. Mas o Caboclo, que de bobo tem nada, estar\u00e1 feliz com as homenagens, mas de olho no movimento&#8230;<\/p>\n<p>Itabuna fica mais grapi\u00fana, se \u00e9 que voc\u00eas me entendem, com o ABC da Noite reaberto. E \u00e9 esse amor que itabunenes t\u00eam pela cidade que fazem o visgo que prende gente como o pauligrapi\u00fana Daniel Thame e este forasteiro doido por uma chance de abater saudades com moderadas doses de batida de gengibre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>*Ernesto Marques \u00e9 jornalista e radialista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ernesto Marques Quando come\u00e7ou o confinamento, nas conversas com Daniel Thame, logo me preocupei: e o Caboclo? 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