{"id":139656,"date":"2022-08-27T08:05:24","date_gmt":"2022-08-27T11:05:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=139656"},"modified":"2022-08-26T10:11:46","modified_gmt":"2022-08-26T13:11:46","slug":"as-experiencias-alemas-do-fotografo-newton-maxwell","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2022\/08\/27\/as-experiencias-alemas-do-fotografo-newton-maxwell\/","title":{"rendered":"As experi\u00eancias alem\u00e3s do fot\u00f3grafo Newton Maxwell"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-139657\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Newton-Maxwell-Acervo-Historia-de-Itabuna-222.jpg\" alt=\"\" width=\"272\" height=\"261\" \/>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-77408\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>Na primeira metade da d\u00e9cada de 1960 estud\u00e1vamos o curso ginasial \u2013 com muito orgulho \u2013 no Col\u00e9gio Estadual de Itabuna (CEI), ap\u00f3s uma concorrida prova de Admiss\u00e3o ao Gin\u00e1sio, um verdadeiro \u201cvestibular\u201d, com a realiza\u00e7\u00e3o de provas escritas e orais. Vestir o uniforme do CEI era uma prova de status para qualquer aluno daquela \u00e9poca, notadamente os residentes nos bairros, como eu.<\/p>\n<p>O Estadual, como era chamado, se localizava em frente a antiga feira livre (hoje sede da Justi\u00e7a Federal e Receita Federal, antes CCPP), e o apito do trem de ferro sempre interrompia nossas aulas para avisar que estaria de partida para Ilh\u00e9us, ou, quem sabe, chegando de l\u00e1. Fora o trem, nos divert\u00edamos com a parada dos \u00f4nibus da Sulba, bem ao lado, e a tela colorida formada pelos toldos das barracas da feira.<\/p>\n<p>A ainda pequena \u2013 mas j\u00e1 pujante \u2013 Itabuna daquela \u00e9poca fervilhava. Para n\u00f3s adolescente tudo era festa \u2013 fora os estudos \u2013 e a cidade nos encantava pela sua din\u00e2mica social, econ\u00f4mica e cultural. Em frente a esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, a pict\u00f3ria pra\u00e7a Jo\u00e3o Pessoa, nos deslumbrava com sua arboriza\u00e7\u00e3o milimetricamente desenhada pelos competentes jardineiros, ou melhor, artistas pl\u00e1sticos da paisagem.<\/p>\n<p>No meio dos p\u00e9s de ficus que formavam a paisagem, mais de uma dezena de fot\u00f3grafos, chamados por n\u00f3s de retratistas (os que retratam), acompanhado da express\u00e3o lambe-lambe, qualificando-os de forma pejorativa. Mas explico aos que n\u00e3o conheceram a revela\u00e7\u00e3o do filme fotogr\u00e1fico e c\u00f3pia das imagens em papel especial, as fotos eram retocadas, \u00e0s vezes, com o ar assoprado ou a saliva do profissional.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Profissionais da fotografia disp\u00fanhamos \u00e0 mancheia e posso aqui citar sem fazer esfor\u00e7o na mem\u00f3ria para lembrar dos competentes fot\u00f3grafos \u2013 ou retratistas, como queiram \u2013, que registravam a mem\u00f3ria da cidade e de seu povo. Alem\u00e3o era um deles, que chegava imponente em sua motocicleta (tal e qual); \u00c9merson, que construiu um acervo de fazer inveja; Armando, substitu\u00eddo por dona Dete, al\u00e9m dos mais novos Isa\u00edas Alves, Sabino Primitivo, Jota Carlos, Zeca, Waldyr e o multifacetado Newton Maxwell, o Bui\u00e3o.<\/p>\n<p>Poderia eu tomar horas do seu precioso tempo para citar as artes cometidas por esses magn\u00e2nimos artistas da fotografia, muitos dos quais trabalhei junto na reportagem, o que muito me orgulha. Mas hoje, me deterei num caso sempre relembrado quando o assunto \u00e9 educa\u00e7\u00e3o, melhor dizendo, o ensino a n\u00f3s dedicado pelos ilustrados professores do Col\u00e9gio Estadual de Itabuna.<\/p>\n<p>Na sala em que eu estudava lembro bem de alguns colegas mais chegados, como Abelardo Brand\u00e3o Moreira (Bel) e Carlos Bastos, dois craques do CEI campe\u00e3o no futebol de sal\u00e3o; Rafael, de Buerarema, hoje m\u00e9dico em Itamb\u00e9; o saudoso Edson Gordo; Otoni, hoje no Rio de Janeiro, e por a\u00ed afora. Boas mesmo eram as aulas de m\u00fasica, lecionadas no casar\u00e3o de Gileno Amado, na pra\u00e7a Olinto Leone.<\/p>\n<p>N\u00e3o que f\u00f4ssemos apaixonados pela mat\u00e9ria, mas por poder flanar pelo centro da cidade em dire\u00e7\u00e3o ao endere\u00e7o de nossas aulas. Uma das vantagens era o casar\u00e3o ser vizinho da resid\u00eancia de um dos colegas com quem estudava no contraturno, Otoni, filho de uma das figuras de destaque na sociedade itabunense, por ser dan\u00e7arino sapateador e fot\u00f3grafo, Newton Maxwell, cujo est\u00fadio fotogr\u00e1fico ficava na parte da frente.<\/p>\n<p>Numa dessas tardes, chega uma numerosa fam\u00edlia vinda de uma cidade vizinha em busca das aguardadas fotos, posadas em v\u00e1rios \u00e2ngulos e n\u00famero de pessoas, algumas delas com as crian\u00e7as em cima de cavalinhos de pau ou no colo dos adultos. Bui\u00e3o recebe as pessoas com fidalguia, oferece assento e \u00e1gua enquanto localizaria as fotos. Eis que Maxwell reaparece com um volumoso envelope \u00e0s m\u00e3os como se fossem verdadeiros trof\u00e9us, dignos de serem postados no melhor local da sala de estar da casa da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Assim que as fotos s\u00e3o retiradas do envelope, se torna vis\u00edvel o cenho franzido dos donos das imagens, como se n\u00e3o estivessem apreciando a obra-prima sa\u00edda das poderosas lentes de Newton Maxwell. De soslaio, observo que as fotos n\u00e3o estavam nas cores P&amp;B e sim s\u00e9pia, causando o desencanto da numerosa fam\u00edlia retratada pelo artista da imagem. E a senhora, que parecia ser a m\u00e3e da fam\u00edlia reagiu, palidamente:<\/p>\n<p>\u2013 Meu senhor, a nossa foto tinha que ser em preto e branco e n\u00e3o nessa cor enferrujada \u2013, disse, de forma sisuda.<\/p>\n<p>Sem perder a fleuma e demonstrando estar ofendido com a opini\u00e3o, Maxwell exclama:<\/p>\n<p>\u2013 Pois fique sabendo a senhora, que essas fotos s\u00e3o o que de mais moderno existem no mundo da arte. Fui um dos tr\u00eas fot\u00f3grafos escolhidos por essa empresa alem\u00e3 para lan\u00e7ar essa novidade no Brasil. Mas se a senhora n\u00e3o quer, n\u00e3o tem problema, eu mandarei essas fotos para a Alemanha, para mostrar como vivemos num pa\u00eds t\u00e3o atrasado \u2013.<\/p>\n<p>Envergonhada, a fam\u00edlia recebe as fotos, paga o restante pelo servi\u00e7o prestado e sai satisfeita por ser a primeira no mundo a aparecer em tamanha novidade. Trocando em mi\u00fados, a cor s\u00e9pia nas fotos foi um imperdo\u00e1vel descuido de Maxwell, que usou produtos qu\u00edmicos vencidos, perdendo a qualidade nas cores P&amp;B das fotos. A empresa alem\u00e3 era apenas mais uma cria\u00e7\u00e3o do insuper\u00e1vel Newton Maxwell, Bui\u00e3o para os \u00edntimos.<\/p>\n<p>*Radialista, jornalista e advogado<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio Na primeira metade da d\u00e9cada de 1960 estud\u00e1vamos o curso ginasial \u2013 com muito orgulho \u2013 no Col\u00e9gio Estadual de Itabuna (CEI), ap\u00f3s uma concorrida prova de Admiss\u00e3o ao Gin\u00e1sio, um verdadeiro \u201cvestibular\u201d, com a realiza\u00e7\u00e3o de provas escritas e orais. 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