{"id":137774,"date":"2022-07-12T12:09:04","date_gmt":"2022-07-12T15:09:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=137774"},"modified":"2022-07-12T12:17:26","modified_gmt":"2022-07-12T15:17:26","slug":"ainda-nao-foi-a-tragedia-foi-so-mais-um-anuncio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2022\/07\/12\/ainda-nao-foi-a-tragedia-foi-so-mais-um-anuncio\/","title":{"rendered":"Ainda n\u00e3o foi a trag\u00e9dia, foi s\u00f3 mais um anuncio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ernesto.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-137775\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ernesto-300x161.jpg\" alt=\"ernesto\" width=\"300\" height=\"161\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ernesto-300x161.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ernesto.jpg 660w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Ernesto Marques<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/ernesto-marques.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-105432\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/ernesto-marques-150x150.png\" alt=\"ernesto marques\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Posterguei a escrita de um texto com a previs\u00e3o do \u00f3bvio: mais dia, menos dia, ter\u00edamos v\u00edtimas da intoler\u00e2ncia para enterrar. \u00c9 devastador ser obrigado a admitir que palavras reunidas no texto mais contundente e profundo que se possa escrever sobre o pino da granada puxada em Foz do Igua\u00e7u, s\u00e3o, a esta altura, completamente insuficientes.<br \/>\nN\u00e3o apenas porque n\u00e3o trar\u00e3o Marcelo Arruda de volta para a fam\u00edlia e para a cidade que o tinha como bom filho. Fam\u00edlia&#8230;<br \/>\nO mais devastador \u00e9 saber da possibilidade, quase certeza, de l\u00e1grimas em torrentes. Futuras e bem pr\u00f3ximas. Basta dar uma espiadinha b\u00e1sica no que se diz nas bolhas da intoler\u00e2ncia armada, onde moderados patridiotas, relativizam o absurdo. Os moderados relativizam. Outros, n\u00e3o se sabe se maioria ou minoria, festejam e glorificam a barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio visitar as tais bolhas, basta ver as declara\u00e7\u00f5es do \u201cmito\u201d. Dispensar o apoio de quem pratica viol\u00eancia contra opositores seria at\u00e9 um avan\u00e7o, considerando que o inomin\u00e1vel j\u00e1 recomendou metralhar petistas. Nas palavras do presidente da Rep\u00fablica, nenhum respeito a quem morreu.<\/p>\n<p>Pior: o \u201cmito\u201d autoproclamado defensor dos profissionais da seguran\u00e7a mostrou mais uma vez que antes de gostar de armados, ele gosta dos \u201cseus\u201d armados. Depois de assassinado por um insano a\u00e7ulado pelo discurso do \u00f3dio, o guarda civil Marcelo Arruda \u00e9 moralmente morto pela maior autoridade do pa\u00eds, ao ser nivelado ao celerado que o matou diante da filha rec\u00e9m-nascida.<br \/>\nMas o \u201cmito\u201d vai mais longe. Mente, escarra na hist\u00f3ria e contamina o sangue derramado com seus perdigotos.<\/p>\n<p>Metade do cinismo asqueroso dissimula o discurso da viol\u00eancia numa condena\u00e7\u00e3o t\u00edbia. A outra metade da dose cavalar de cinismo \u00e9 investida para a\u00e7ular a tribo a subir ainda mais o tom na disposi\u00e7\u00e3o para o \u00f3dio.<br \/>\nIngenuidade esperar ou pedir que o outro lado, em luto, n\u00e3o lute e simplesmente ofere\u00e7a a outra face, oferecendo tamb\u00e9m outros corpos como alvos da disposi\u00e7\u00e3o permanente para a viol\u00eancia. Nunca foi assim e, sejamos francos, nunca ser\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A poucos dias da Queda da Bastilha, esque\u00e7amos os \u201cismos\u201d e lembremos apenas do parlamento da Assembleia Nacional Francesa, dividido entre esquerda e direita muito antes do Manifesto Comunista.<br \/>\nAo longo de s\u00e9culos, na Bahia dos mal\u00eas e do 2 de Julho, pessoas com discernimento para escolher o lado esquerdo daquele plen\u00e1rio hist\u00f3rico, em qualquer tempo e lugar, nunca foram passivas. Brasil afora, n\u00e3o \u00e9 diferente. Militares tra\u00eddos e insubmissos do Capara\u00f3, jovens idealistas do Araguaia, guerrilheiros urbanos, sindicalistas, religiosos, quilombolas, ind\u00edgenas, sem-terra, sem-teto&#8230;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A lista \u00e9 extensa. Antes de Dom, Bruno e Marcelo, muita gente. Uma gota por nome lembrado, chorar\u00edamos aos litros. At\u00e9 quando? N\u00e3o se pode discursar pela vingan\u00e7a, tampouco se pode admitir recuos. Quem, e com que \u00e2nimo, ir\u00e1 \u00e0s ruas por justi\u00e7a hoje e pela paz, amanh\u00e3? Quando \u00e9 hoje? Quando ser\u00e1 o amanh\u00e3?<br \/>\nQuando o extraordin\u00e1rio se torna cotidiano, \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o, disse Che. Tomando licen\u00e7a sem pedir ao xar\u00e1, coloco a m\u00e1xima guevariana diante de um meu espelho ret\u00f3rico-sem\u00e2ntico: quando o bizarro se torna cotidiano, \u00e9 a barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Mas infelizmente n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o sem\u00e2ntica e j\u00e1 abandonamos o debate ret\u00f3rico. Agora \u00e9 \u00e0 vera, n\u00e3o m\u00e3o grande \u2013 ali\u00e1s, \u00e9 na bala, j\u00e1 que, segundo o mito, todo brasileiro deveria ter um fuzil.<br \/>\nBarbaridades por vir n\u00e3o ser\u00e3o contidas ou evitadas apenas com discursos pacificadores. At\u00e9 porque, s\u00f3 um lado tenta organizar um discurso pacificador, enquanto o outro, jocosamente, faz anivers\u00e1rio com uma arma no bolo.<\/p>\n<p>N\u00f3s, jornalistas, erramos quando rotulamos de \u201cexc\u00eantrico\u201d um sujeito fascista por natureza, cultor da censura e da tortura, racista, mis\u00f3gino e homof\u00f3bico. E mesmo depois de prometer, entre outros tantos absurdos, dar um golpe no dia seguinte \u00e0 posse; depois de defender a tortura e torturar a hist\u00f3ria para dizer que a ditadura n\u00e3o foi ditadura; depois de lamentar os 30 mil que a ditadura n\u00e3o matou; o mit\u00f4mano virou mito.<\/p>\n<p>Sim, vale o chav\u00e3o: a culpa \u00e9 da imprensa! N\u00e3o s\u00f3, mas tamb\u00e9m \u00e9 da imprensa. Mas autocr\u00edtica no olho dos outros, \u00e9 refresco. Este ser\u00e1, aqui entre n\u00f3s, jornalistas, um debate eternamente inconcluso.<br \/>\nSim, parte da culpa \u00e9 da imprensa mesmo. Mas no nosso peda\u00e7o \u00e9 poss\u00edvel criticar o cr\u00edtico e denunciar o denunciante. Mas quem fiscaliza o fiscal? Quem julga o juiz? Quem prende a pol\u00edcia?<\/p>\n<p>Do Vale do Javari a Foz do Igua\u00e7u, sirenes ensurdecedoras alertam para um Brumadinho de sangue prestes a romper a qualquer momento.<\/p>\n<p>Talvez seja imposs\u00edvel saber quantas armas legais e ilegais havia no pa\u00eds at\u00e9 31 de dezembro de 2018. Mas de 1 de janeiro de 2019 at\u00e9 hoje j\u00e1 nos aproximamos de 500 mil armas compradas legalmente com o est\u00edmulo direto do presidente e incentivos do seu governo.<\/p>\n<p>N\u00e3o, senhoras e senhores, as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o funcionando. Togados e fardados fora de suas respectivas casinhas, o baixo clero assumindo-se baixo meretr\u00edcio com a orgia or\u00e7amento secreto transmitida em tempo real, faltando s\u00f3 o presidente da C\u00e2mara mandar o STF tomar satisfa\u00e7\u00f5es no TCU. E o distinto Parquet, complacente com traquinagens intestinas de uns seus, capturar bilh\u00f5es para financiar veleidades e vaidades de procuradores.<\/p>\n<p>Conseguiram transformar Pindorama num brazil de ponta a cabe\u00e7a.<br \/>\nA democracia se restabelecer\u00e1 ou, se preciso for, se reinventar\u00e1 de alguma maneira. Mais dia, menos dia, com mais ou menos sangue derramado. Mas hoje, neste preciso momento em que voc\u00ea l\u00ea este text\u00e3o, h\u00e1 um Brumadinho de sangue prestes a romper e a conten\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia tantas vezes anunciada tem diferentes camadas de responsabilidades. A maior delas pesa sobre 11 pessoas investidas em cargos vital\u00edcios e com prerrogativas que ningu\u00e9m mais tem. Num outro n\u00edvel, compet\u00eancia constitucional e prerrogativas est\u00e3o concentradas numa \u00fanica pessoa, o procurador-geral da Rep\u00fablica, o baiano Augusto Aras.<\/p>\n<p>A atual composi\u00e7\u00e3o do STF tem a responsabilidade e a oportunidade hist\u00f3rica de limpar a mancha de pusil\u00e2nime inscrita em sua hist\u00f3ria pela cumplicidade com o AI-2. Sobre a cabe\u00e7a de Aras pedula, como espada de D\u00e2mocles, a tradi\u00e7\u00e3o de baianos como Ruy Barbosa, arquiteto do Estado republicano atualmente em demoli\u00e7\u00e3o, com STF e tudo.<\/p>\n<p>E a obriga\u00e7\u00e3o de fazer jus ao sangue de quem tombou na resist\u00eancia democr\u00e1tica, entre outras coisas, para que o Minist\u00e9rio P\u00fablico e quem o chefia, tenha os poderes que tem hoje.<\/p>\n<p>H\u00e1 um Brumadinho de sangue prestes a romper. Foz do Igua\u00e7u ainda n\u00e3o foi a trag\u00e9dia, foi s\u00f3 mais um an\u00fancio.<br \/>\nCom tiranos n\u00e3o combinam brasileiros cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>*Ernesto Marques \u00e9 jornalista e radialista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ernesto Marques Posterguei a escrita de um texto com a previs\u00e3o do \u00f3bvio: mais dia, menos dia, ter\u00edamos v\u00edtimas da intoler\u00e2ncia para enterrar. \u00c9 devastador ser obrigado a admitir que palavras reunidas no texto mais contundente e profundo que se possa escrever sobre o pino da granada puxada em Foz do Igua\u00e7u, s\u00e3o, a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[18953,4837,315,359],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137774"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=137774"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137774\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":137777,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137774\/revisions\/137777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=137774"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=137774"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=137774"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}