{"id":137660,"date":"2022-07-09T08:30:11","date_gmt":"2022-07-09T11:30:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=137660"},"modified":"2022-07-08T09:39:35","modified_gmt":"2022-07-08T12:39:35","slug":"gabriel-nunes-o-comandante-do-itabuna-de-1970","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2022\/07\/09\/gabriel-nunes-o-comandante-do-itabuna-de-1970\/","title":{"rendered":"Gabriel Nunes, o comandante do Itabuna de 1970"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_137661\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/walmir-gabriel.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-137661\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-137661\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/walmir-gabriel-300x157.jpg\" alt=\"Gabriel Nunes (presidente), Ailton, Betinho, Americano, Caxinguel\u00ea, Chuvisco, Reizinho, Ivo Hoffmann (t\u00e9cnico), Z\u00e9 Rodrigues (roupeiro) e Ramirez Silvane (representante em Salvador). Agachados: Miltinho, Luizinho, Carl\u00e3o, Ronaldo, Romualdo, Tombinho (massagista) e Ant\u00f4nio da Silva J\u00fanior (gerente da Casa do Atleta). O mascote \u00e9 o ex-jogador Gilberto (filho do lend\u00e1rio Santinho). \" width=\"300\" height=\"157\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/walmir-gabriel-300x157.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/walmir-gabriel-1024x535.jpg 1024w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/walmir-gabriel.jpg 1225w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-137661\" class=\"wp-caption-text\">Gabriel Nunes (presidente), Ailton, Betinho, Americano, Caxinguel\u00ea, Chuvisco, Reizinho, Ivo Hoffmann (t\u00e9cnico), Z\u00e9 Rodrigues (roupeiro) e Ramirez Silvane (representante em Salvador).<br \/>Agachados: Miltinho, Luizinho, Carl\u00e3o, Ronaldo, Romualdo, Tombinho (massagista) e Ant\u00f4nio da Silva J\u00fanior (gerente da Casa do Atleta). O mascote \u00e9 o ex-jogador Gilberto (filho do lend\u00e1rio Santinho).<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-77408\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-150x150.jpg\" alt=\"walmir\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Em 1970, tudo indicava que o Itabuna Esporte Clube pretendia se tornar tema de pe\u00e7a teatral do jornalista e dramaturgo N\u00e9lson Rodrigues, com direito ao personagem Sobrenatural de Almeida mandando na trama. Pois \u00e9, disso n\u00e3o duvidem, jamais. Neste ano, o Azul\u00e3o, o Meu Time de F\u00e9, esteve no inferno, passou pelo purgat\u00f3rio, aterrissou no c\u00e9u e novamente desceu ao fogo do inferno.<\/p>\n<p>E n\u00e3o era pra menos, no in\u00edcio do ano era um time insolvente, falido, sem diretoria, largado ao Deus Dar\u00e1, quando em fevereiro de 1970 o advogado Gabriel Nunes re\u00fane uma diretoria para assumir o clube. Mesmo sem experi\u00eancia alguma na administra\u00e7\u00e3o de clubes de futebol, a diretoria arrega\u00e7a as mangas e inicia um trabalho para tirar o Itabuna do enorme atoleiro que se encontrava.<\/p>\n<p>O \u00fanico saldo positivo eram 22 jogadores, na grande maioria amadores, e alguns profissionais remanescentes do time de craques que contratara. E assim come\u00e7aram a disputar o Campeonato Baiano de 1970. O que a diretoria n\u00e3o contava era a concorr\u00eancia da Copa do Mundo, na qual o Brasil se sagrou tricampe\u00e3o no M\u00e9xico, e o inverno rigoroso que afastavam a torcida dos est\u00e1dios.<\/p>\n<p>Neste ano, o certame baiano era visto pela Federa\u00e7\u00e3o Bahiana de Futebol, al\u00e9m de Bahia e Vit\u00f3ria, apenas um compromisso de segundo plano, pois esses dois times pretendiam mesmo era jogar o Campeonato Brasileiro. Em Itabuna, os planos de Gabriel Nunes eram bem mais modestos, como recolocar o Itabuna no cen\u00e1rio futebol\u00edstico que pertencia. O grande entrave era a falta de dinheiro para honrar as d\u00edvidas e formar um bom time.<\/p>\n<p>Grande parte dos atletas do Itabuna exercia outra profiss\u00e3o, como Carl\u00e3o, taxista em Ilh\u00e9us; os goleiros Luiz Carlos, banc\u00e1rio; Galalau, seguran\u00e7a banc\u00e1rio; e por a\u00ed afora. Diante do caos reinante, o presidente Gabriel Nunes encontrava dificuldades em contratar \u00f4nibus para o transporte dos atletas e da torcida, al\u00e9m de honrar com o pagamento de sal\u00e1rios e bichos nas vit\u00f3rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A cada jogo era um sufoco e era preciso fazer campanhas para arrecadar dinheiro, junto \u00e0 torcida. Como n\u00e3o haviam recursos para pagar os jogadores, a diretoria recorre \u00e0 parceria. Os atletas abririam m\u00e3o dos sal\u00e1rios e bichos e receberiam 70% da renda que o Itabuna faria jus e os outros 30% ficariam para as despesas. \u00c0quela \u00e9poca, o vencedor ficava com 60% e o perdedor com 40%, tiradas as outras despesas.<\/p>\n<p>Imediatamente todos toparam. E o presidente Gabriel Nunes fez um alerta: Temos que ganhar os jogos para levarmos 60%, o que mexeu com o brio dos atletas. Logo no segundo jogo o Itabuna perde para o Gal\u00edcia, no campo da Gra\u00e7a, por 1X0, gol de \u00c9lcio, ex-Itabuna. No pr\u00f3ximo jogo, contra o Vit\u00f3ria, os guerreiros de Itabuna conseguiram virar o jogo e aplicar 2X1 no rubro-negro baiano, ganhando a confian\u00e7a da fan\u00e1tica torcida.<\/p>\n<p>Outra prova importante foi contra o tima\u00e7o do Feira T\u00eanis Clube. O jogo foi realizado em Itabuna debaixo de uma forte chuva. O zagueiro Americano, ao atrasar uma bola para o goleiro Betinho, ela para numa po\u00e7a d\u2019\u00e1gua e o Feira marca 1X0. No intervalo, Gabriel vai ao vesti\u00e1rio, conversa com os jogadores e Americano responde para que a diretoria ficasse tranquila pois ganhariam o jogo. Ao final 2X1, conforme prometido.<\/p>\n<p>Outra partida herc\u00falea foi contra o Jequi\u00e9, outra sensa\u00e7\u00e3o do interior. S\u00f3 que o Itabuna n\u00e3o tinha dinheiro para contratar os \u00f4nibus e tampouco se hospedar num hotel. A proposta era viajarem no dia do jogo, em carros dos diretores, fazerem uma parada para o lanche na estrada, jogar a partida e fazer nova parada para outro lanche refor\u00e7ado na volta, o que foi prontamente aceito por todos.<\/p>\n<p>S\u00f3 que a imprensa divulgou essa not\u00edcia, mexendo com os brios dos torcedores, que de logo se movimentaram com as famosas vaquinhas. Um torcedor itabunense que morava em Jequi\u00e9 reuniu outros conterr\u00e2neos e pagaram o hotel; os de Itabuna pagaram as despesas com as refei\u00e7\u00f5es e Frederico Midlej conseguiu os \u00f4nibus para o transporte. E o resultado do jogo foi 1X1.<\/p>\n<p>Mais pra frente o Itabuna empata com o Bahia no campo da Gra\u00e7a. E esta viagem foi mais uma epopeia, com a entrada de Gabriel em \u201ccampo\u201d, para fazer uma campanha na R\u00e1dio Difusora e conseguir as 28 passagens de avi\u00e3o, junto a Jos\u00e9 Laurindo, representante da Avia\u00e7\u00e3o Sadia. O sucesso foi t\u00e3o grande que foram doadas 30 passagens. E, novamente Frederico Midlej consegue mais dois \u00f4nibus para a torcida e a charanga.<\/p>\n<p>Das 16 partidas do segundo turno o Itabuna vence 13 e se torna o time a ser batido pelo Bahia e Vit\u00f3ria. Faltava apenas um jogo para o Itabuna Esporte Clube ganhar o segundo turno e se tornar um dos finalistas para disputar o t\u00edtulo com o Bahia. Em 13 de setembro de 1970, o Itabuna enfrenta o Ideal de Santo Amaro, bastando um empate para se tornar campe\u00e3o do segundo turno. E assim foi feito.<\/p>\n<p>No dia seguinte, o presidente Gabriel Nunes liga para o interventor da Federa\u00e7\u00e3o Bahiana, C\u00edcero Bahia Dantas (do departamento jur\u00eddico do Bahia) para marcar a data dos jogos, que seriam disputados numa melhor de tr\u00eas (um jogo em cada sede e outro em campo neutro). Sem mais delongas, o interventor pede que Gabriel ligue na pr\u00f3xima semana, pois existia um recurso impetrado pelo Bahia.<\/p>\n<p>Sentindo o \u201ccheiro\u201d de maracutaia, Gabriel Nunes se dirige a Salvador com G\u00e9rson Souza e descobre o plano de colocar o Itabuna na \u201cgeladeira\u201d por v\u00e1rios meses, enquanto o Bahia disputaria o Brasileir\u00e3o. E assim foi feito, jogaram no lixo o regulamento do campeonato e o Itabuna amargou mais uma derrota no tapet\u00e3o baiano, prejudicando uma equipe m\u00f3dica e vencedora.<\/p>\n<p>De in\u00edcio, a diretoria imaginou dar o troco, convidando o Fluminense de Feira, \u00faltimo campe\u00e3o, para jogar em Itabuna e colocar as faixas no verdadeiro campe\u00e3o, o que n\u00e3o foi aceito pela Assembleia Geral. Vencido o mandato, a diretoria liderada por Gabriel Nunes entrega o Itabuna Esporte Clube saneado, j\u00e1 vice-campe\u00e3o, enquanto a nova diretoria teria o compromisso de jogar as partidas finais tr\u00eas meses depois.<\/p>\n<p>O Itabuna vencedor foi desfeito e tomou duas goleadas. Na primeira, 3X0, no dia 13 de dezembro, e a segunda, por 6X0, em 16 de dezembro. Era assim o futebol baiano.<\/p>\n<p>*Radialista, jornalista e advogado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio Em 1970, tudo indicava que o Itabuna Esporte Clube pretendia se tornar tema de pe\u00e7a teatral do jornalista e dramaturgo N\u00e9lson Rodrigues, com direito ao personagem Sobrenatural de Almeida mandando na trama. Pois \u00e9, disso n\u00e3o duvidem, jamais. 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