{"id":135612,"date":"2022-05-21T08:09:47","date_gmt":"2022-05-21T11:09:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=135612"},"modified":"2022-05-20T11:15:51","modified_gmt":"2022-05-20T14:15:51","slug":"memorial-inedito-conta-a-historia-do-bairro-conceicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2022\/05\/21\/memorial-inedito-conta-a-historia-do-bairro-conceicao\/","title":{"rendered":"Memorial In\u00e9dito conta a hist\u00f3ria do Bairro Concei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Bairro-da-Concei\u00e7\u00e3o-antigo-e-moderno.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-135613\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Bairro-da-Concei\u00e7\u00e3o-antigo-e-moderno-300x132.jpg\" alt=\"Bairro da Concei\u00e7\u00e3o antigo e moderno\" width=\"300\" height=\"132\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Bairro-da-Concei\u00e7\u00e3o-antigo-e-moderno-300x132.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Bairro-da-Concei\u00e7\u00e3o-antigo-e-moderno.jpg 385w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Walmir-Ros\u00e1rio.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-120683\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Walmir-Ros\u00e1rio-150x150.jpg\" alt=\"Walmir Ros\u00e1rio\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>De forma bastante singela, acredito que o ato de viver pode ser comparado a assumir a dire\u00e7\u00e3o de um ve\u00edculo. Ter foco no presente do caminho que lhe rodeia, olhando, sempre, pelo retrovisor o passado, e analisando as possibilidades do futuro, do que possa vir pela frente. S\u00e3o atrav\u00e9s das hist\u00f3rias do passado que poderemos entender mais sobre n\u00f3s mesmos, para que possamos encarar o futuro sem qualquer receio.<\/p>\n<p>Dito isso, passo a narrar, com alegria, um \u201cachado\u201d importante da minha inf\u00e2ncia, vivida no bairro da Concei\u00e7\u00e3o em Itabuna. Essa descoberta \u00e9 um memorial de autoria das professoras Edith Oliveira de Santana, Jiunice Oliveira de Santana e do engenheiro agr\u00f4nomo e pesquisador aposentado da Ceplac, Sandoval Oliveira de Santana, que conta grande parte da hist\u00f3ria do bairro, em textos e fotos.<\/p>\n<p>O trabalho, que leva o nome Bairro da Concei\u00e7\u00e3o e os Prim\u00f3rdios, foi elaborado para homenagear o cinquenten\u00e1rio da implanta\u00e7\u00e3o da Par\u00f3quia Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o (8-12-1958 a 8-12-2008), com informa\u00e7\u00f5es antecedentes ao ano de 1958. Todo o trabalho foi realizado por meio de consultas aos moradores descendentes dos desbravadores, com registros dos personagens.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>E os tr\u00eas autores tinham motivos pra l\u00e1 de especiais para elaborar o memorial, haja vista que eram filhos de Marinheiro e dona Janu (Ant\u00f4nio Joaquim de Santana e Joana Oliveira de Santana), casal que ostenta o t\u00edtulo de quarto morador do bairro e o primeiro da rua Bela Vista. Os 13 filhos (uma adotiva) do casal se criaram no hoje bairro da Concei\u00e7\u00e3o, local que ainda residem filhos, netos e bisnetos.<\/p>\n<p>Marinheiro, sergipano do distrito de Outeiro, munic\u00edpio de Maruim, era um homem conhecedor do mundo, sempre a bordo dos navios da Marinha de Guerra Brasil e participou ativamente da \u201cRevolta da Chibata\u201d. Pretendendo mudar de vida, aporta em Ilh\u00e9us e vai trabalhar nas ro\u00e7as de cacau, tornando-se, posteriormente, administrador de fazendas e especialista no plantio e manuten\u00e7\u00e3o de cacaueiros.<\/p>\n<p>Em 1932, Marinheiro muda-se para Itabuna em busca de escola para seus seis filhos, construindo uma casa na rec\u00e9m-criada Abiss\u00ednia (bairro da Concei\u00e7\u00e3o), que se tornara promissora com a constru\u00e7\u00e3o da ponte G\u00f3es Calmon, sobre o rio Cachoeira e a estrada para Macuco (hoje Buerarema). Conhecedor do mundo, Marinheiro participava da pol\u00edtica local com ideias inovadoras para as campanhas pol\u00edticas e a administra\u00e7\u00e3o municipal.<\/p>\n<p>Formalmente, o Concei\u00e7\u00e3o \u00e9 o segundo bairro criado, embora em sua \u00e1rea, a Marimbeta, ostente a primazia de abrigar a primeira casa constru\u00edda de Itabuna, na ro\u00e7a de F\u00e9lix Severino do Amor Divino, um dos fundadores de Itabuna. E o memorial descreve que morar ali na d\u00e9cada de 1930 era uma demonstra\u00e7\u00e3o de coragem e trabalho, por ser um local de vegeta\u00e7\u00e3o densa e contar com muitos animais silvestres.<\/p>\n<p>\u00c0quela \u00e9poca as casas eram feitas de taipas, adobes (crus ou queimados), telhados de palmeiras e poucos de telhas, que j\u00e1 serviam para se defender as intemp\u00e9ries, das on\u00e7as e outros animais selvagens, muitos destes transformados em misturas na alimenta\u00e7\u00e3o. Naqueles tempos bicudos, para matar a sede os moradores recorriam aos leitos dos ribeir\u00f5es e \u00e0 noite utilizavam fif\u00f3s e placas, alimentados com querosene.<\/p>\n<p>Para cozinhar bastava cortar a madeira na mata, tocar fogo e colocar as panelas de barro. Os mais abastados possu\u00edam fog\u00f5es a lenha, geralmente fora de casa. Nas panelas, feij\u00e3o, carnes de ca\u00e7a, peixes do rio Cachoeira em abund\u00e2ncia e muitas frutas na sobremesa. As vestimentas para os marmanjos eram cal\u00e7a curta, depois comprida, camisas com bot\u00f5es e cuecas samba can\u00e7\u00e3o; a depender da condi\u00e7\u00e3o financeira, ternos de linho ou gabardine. As mulheres: vestido, saia, blusa, capote, combina\u00e7\u00e3o, an\u00e1gua e cal\u00e7ola.<\/p>\n<p>Aos poucos, o arruamento foi tomando forma urbana devido a crescente constru\u00e7\u00e3o de casas, apareceram as primeiras vendas (mercearias) e padarias, melhorando as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, o \u201cbairro\u201d come\u00e7ou a ser chamado pejorativamente de Aldeia, e mais pra frente de Abiss\u00ednia, devido a algumas mortes decorrentes de briga, injustamente comparada com a guerra no pa\u00eds africano.<\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 1940, mesmo um aglomerado urbano de condi\u00e7\u00f5es in\u00f3spitas, o bairro da Concei\u00e7\u00e3o possu\u00eda uma economia pr\u00f3spera, ganhando destaque nos anos 1950, quando come\u00e7ou a se consolidar. Nesse per\u00edodo, com as secas em Sergipe, os moradores de Itabuna convidavam os parentes para morar no \u201celdorado do cacau\u201d, \u00e9poca em que o bairro da Concei\u00e7\u00e3o recebeu uma grande leva de migrantes.<\/p>\n<p>Se em 1\u00b0 de mar\u00e7o de 1928 o bairro ganha a ponte G\u00f3es Calmon como primeiro vetor de crescimento, em 1955 veio o segundo com a constru\u00e7\u00e3o da Igreja de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, inaugurada em 08 de dezembro de 1958, quando a velha capela de madeira deu lugar a uma grande matriz. Neste mesmo per\u00edodo a f\u00e9 dos moradores era atendida pelas igrejas Assembleia de Deus, Batista Teos\u00f3polis e Crist\u00e3 do Brasil.<\/p>\n<p>Constru\u00edda pela batuta dos frades capuchinhos Isa\u00edas e Justo (italianos) e Apol\u00f4nio (brasileiro\/pernambucano), a Igreja de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o marcou, decisivamente, o desenvolvimento do bairro. Enquanto a obra ia sendo tocada, a prefeitura passou a urbanizar o bairro, com a abertura e rebaixamento de ruas, a pra\u00e7a em frente a igreja e a canaliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em algumas ruas.<\/p>\n<p>Daquela \u00e9poca aos dias de hoje, o bairro passou por v\u00e1rias etapas de crescimento e desenvolvimento, com boas escolas p\u00fablicas e privadas; na \u00e1rea de lazer e esportes \u2013 clube social, times de futebol, a sede do Itabuna Esporte Clube, bares e restaurantes, supermercados, dentre outros equipamentos urbanos. Mais que isso, sua gente se destaca na sociedade nas mais diversas \u00e1reas liter\u00e1ria, art\u00edstica, esportiva e profissional.<\/p>\n<p><strong><em>*Radialista, jornalista e advogado<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio De forma bastante singela, acredito que o ato de viver pode ser comparado a assumir a dire\u00e7\u00e3o de um ve\u00edculo. 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