{"id":128101,"date":"2021-12-10T08:48:47","date_gmt":"2021-12-10T11:48:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=128101"},"modified":"2021-12-10T08:50:58","modified_gmt":"2021-12-10T11:50:58","slug":"candidato-bom-nao-se-lambuza-de-dende","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2021\/12\/10\/candidato-bom-nao-se-lambuza-de-dende\/","title":{"rendered":"Candidato bom n\u00e3o se lambuza de dend\u00ea"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Jos\u00e9 Carlos Teixeira, no Ol\u00e1Bahia<\/strong><\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-c8dd770 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"c8dd770\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/teixeira.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-128102\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/teixeira-300x240.jpg\" alt=\"teixeira\" width=\"300\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/teixeira-300x240.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/teixeira.jpg 490w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Que marqueteiro, que nada. Esque\u00e7am. O mais importante assessor de todo e qualquer candidato a prefeito de Feira de Santana nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado pouco ou quase nada entendia de marketing eleitoral. Mas sem ele o candidato corria o risco de ver a candidatura naufragar \u00e0s v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o dominava nenhuma dessas t\u00e9cnicas que o marketing pol\u00edtico inventou para potencializar a aceita\u00e7\u00e3o do candidato junto ao eleitorado, como, por exemplo, ajustar o discurso do candidato \u00e0quilo que o eleitor quer ouvir, com base nos resultados das pesquisas qualitativas.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabia o que era algoritmo, desconhecia as t\u00e9cnicas de SEO (<em>search engine optimization<\/em>, que, em portugu\u00eas, quer dizer otimiza\u00e7\u00e3o para mecanismos de busca), e nunca ouvira falar de facebook, youtube, instagram, twitter e tik tok, pois tudo isso ainda n\u00e3o exista.<\/p>\n<p>Sequer imaginava que era poss\u00edvel fazer um impulsionamento segmentado em rede social de modo que aquela mensagem com o retrato do candidato segurando uma crian\u00e7a fosse entregue apenas e t\u00e3o somente a mulheres donas-de-casa na faixa et\u00e1ria de 20 a 42 anos e moradoras dos distritos de Humildes, Matinha e Jaguara, desprezando todas as demais, para com isso ganhar mais alguns preciosos votos.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de outros assessores, que labutavam o tempo todo, desde o in\u00edcio da campanha at\u00e9 a total apura\u00e7\u00e3o dos votos, ele s\u00f3 come\u00e7ava a trabalhar, ainda em ritmo vagaroso, no in\u00edcio de setembro, quase sempre \u00e0 noite, nos fins de semana. Sua labuta ia se intensificando e chegava ao auge no dia 27 de setembro, praticamente as v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse dia, a Bahia comemora os g\u00eameos Cosme e Dami\u00e3o, os santos meninos \u2013 identificados, no sincretismo religioso afro-baiano com os ib\u00eajis, os orix\u00e1s-crian\u00e7as do candombl\u00e9 \u2013, com festas onde \u00e9 servido o caruru, uma fartura de comidas \u00e0 base de dend\u00ea, verdadeiro banquete.<\/p>\n<p>Aos convidados s\u00e3o oferecidos pratos com fartas por\u00e7\u00f5es do caruru propriamente dito, mais vatap\u00e1, galinha de xinxim, omolokum, acaraj\u00e9, abar\u00e1, farofa de azeite etc.<\/p>\n<p>Nesse dia, o candidato \u00e9 convidado a muitos carurus. Com empenho e dom\u00ednio da agenda, comparece a uns cinco ou seis, escolhidos quase sempre pelo crit\u00e9rio da maior ou menor quantidade de votos que a visita pode render.<\/p>\n<p>Em todos, ele \u00e9 convidado a saborear um prato de caruru. N\u00e3o um prato qualquer, mas um prato generoso \u2013 afinal, ali est\u00e1, quem sabe, o futuro prefeito da cidade, a quem o dono da festa n\u00e3o pode desagradar.<\/p>\n<p>Todos sabem que ir a um caruru e recusar o prato que lhe oferecido \u00e9 cometer uma irrepar\u00e1vel desfeita ao dono da casa. Imagine um candidato cometendo t\u00e3o grave pecado. Mas, como encarar aquela comida toda, sobretudo sabendo que aquilo vai se repetir durante o resto da noite? Afinal, cada prato de caruru, segundo nutricionistas, pode superar 2 mil calorias.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que entra o comedor de caruru. Aquele importante assessor que desconhecia as sutilezas marqueteiras da moderna disputa eleitoral, mas era bom de garfo e um espanto em fazer a comida desaparecer dos pratos que lhe chegavam \u00e0 m\u00e3o com rapidez e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O candidato, com o prato na m\u00e3o, conversa com um, conversa com outro, belisca a por\u00e7\u00e3o de arroz, mas n\u00e3o encara as comidas que levam dend\u00ea. Num determinado momento, pessoas que o acompanham fazem uma barreira e, sem que ningu\u00e9m perceba, ele entrega o prato ao ilustre assessor, que em poucos minutos faz desaparecer a comida.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o fica nisso. Ao devolver o prato vazio, sempre ouve do dono da festa: \u201cGostou, hem? Vou mandar botar mais um pouco\u201d. Para poupar o est\u00f4mago do pobre assessor \u2013 afinal, a noite ser\u00e1 longa \u2013, muitas vezes o candidato pede: \u201cPor favor, s\u00f3 um pouquinho de vatap\u00e1, nunca comi um t\u00e3o delicioso\u201d. Quando vem o segundo prato, o ritual se repete, com o assessor fazendo a comida desaparecer.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que, nos \u00faltimos anos, a quantidade de carurus festivos, aqueles com muitos convidados, vem diminuindo bastante. Mais por causa da crise econ\u00f4mica, que por falta de f\u00e9 nos santos maba\u00e7as. De todo modo, os candidatos continuam recebendo convites para a festa. E ai daquele que n\u00e3o contar com o aux\u00edlio luxuoso de um comedor de caruru. Arrisca-se a passar dias retido em casa, abatido e fazendo sucessivas visitas ao trono, exatamente na \u00faltima semana da campanha eleitoral.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><em>*Jos\u00e9 Carlos Teixeira \u00e9 jornalista, graduado em comunica\u00e7\u00e3o social pela Universidade Federal da Bahia e p\u00f3s-graduado em marketing pol\u00edtico pela Universidade Cat\u00f3lica do Salvador.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Carlos Teixeira, no Ol\u00e1Bahia Que marqueteiro, que nada. Esque\u00e7am. O mais importante assessor de todo e qualquer candidato a prefeito de Feira de Santana nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado pouco ou quase nada entendia de marketing eleitoral. 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