{"id":127514,"date":"2021-11-30T15:13:31","date_gmt":"2021-11-30T18:13:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=127514"},"modified":"2021-11-30T10:10:50","modified_gmt":"2021-11-30T13:10:50","slug":"banco-da-vitoria-a-primeira-capital-do-cacau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2021\/11\/30\/banco-da-vitoria-a-primeira-capital-do-cacau\/","title":{"rendered":"Banco da Vit\u00f3ria, a primeira capital do cacau"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/banco-v.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-127516\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/banco-v.jpg\" alt=\"banco v\" width=\"422\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/banco-v.jpg 1361w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/banco-v-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/banco-v-1024x682.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 422px) 100vw, 422px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Roberto C. Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>O ge\u00f3grafo brasileiro Milton Almeida dos Santos (3 de maio de 1926 \u2013 24 de junho de 2001) dedicou um cap\u00edtulo inteiro ao Banco da Vit\u00f3ria no seu livro Zona do Cacau, publicado no ano de 1955. Neste livro Santos cita que o Banco da Vit\u00f3ria foi a primeira capital do cacau, antes mesmo das cidades de Ilh\u00e9us e Itabuna receberem este t\u00edtulo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/livro-zona-do-cacau.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-127515\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/livro-zona-do-cacau.jpg\" alt=\"livro zona do cacau\" width=\"375\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/livro-zona-do-cacau.jpg 375w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/livro-zona-do-cacau-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><\/a>Milton Santos era um ge\u00f3grafo internacionalmente reconhecido. Era tamb\u00e9m graduado em Direito e destacou-se por seus trabalhos em diversas \u00e1reas da geografia, em especial nos estudos de urbaniza\u00e7\u00e3o do Terceiro Mundo. Foi um dos grandes nomes da renova\u00e7\u00e3o da geografia no Brasil, ocorrida na d\u00e9cada de 1970. Tamb\u00e9m se destacou por seus trabalhos sobre a globaliza\u00e7\u00e3o nos anos 1990. A obra de Milton Santos caracterizou-se por apresentar um posicionamento cr\u00edtico ao sistema capitalista, e seus pressupostos te\u00f3ricos dominantes na geografia de seu tempo.<\/p>\n<p>Milton Santos nasceu no munic\u00edpio baiano de Brotas de Maca\u00fabas em 3 de maio de 1926. Santos foi professor catedr\u00e1tico no Col\u00e9gio Municipal de Ilh\u00e9us. Nesta cidade, al\u00e9m do magist\u00e9rio desenvolveu atividade jornal\u00edstica, estreitando sua amizade com pol\u00edticos de esquerda. Nesta \u00e9poca, escreveu o livro Zona do Cacau, posteriormente inclu\u00eddo na Cole\u00e7\u00e3o Brasiliana, j\u00e1 com influ\u00eancia da Escola Regional francesa.<\/p>\n<p>No Livro Zona do Cacau, o cap\u00edtulo 6 \u00e9 dedicado exclusivamente ao Banco da Vit\u00f3ria, descrevendo os momentos \u00e1ureos da comunidade e o seu decl\u00ednio econ\u00f4mico e social.<\/p>\n<p>Para poder validar meu argumento agora exposto, quanto a import\u00e2ncia do Banco da Vit\u00f3ria para forma\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Cacaueira e principalmente para o munic\u00edpio de Ilh\u00e9us no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, transcrevo o cap\u00edtulo do livro de Milton Santos.<\/p>\n<p>A antiga Capital do Cacau<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Quem passa, hoje, por Banco da Vit\u00f3ria, a quinze minutos de autom\u00f3vel da cidade de Ilh\u00e9us, cerca de onze quil\u00f4metros de percurso, talvez nem repare no seu modesto arruado, formado apenas por 4 ou cinco art\u00e9rias, uma das quais acompanha o tra\u00e7ado da rodovia. Mas a repousante localidade que os mapas n\u00e3o registram j\u00e1 foi, e em tempo n\u00e3o remotos, a \u201cmetr\u00f3pole do cacau\u201d. Era ali o centro, a sede do incipiente com\u00e9rcio da preciosa am\u00eandoa, onde todos quantos a produziram tinham que apoiar um pouco de montaria, ante de retornar viagem.<br \/>\nIsto foi no tempo das tropas de burro, quando o homem come\u00e7ava a n\u00e3o ter medo da natureza hostil e enfrentando todas as intemp\u00e9ries, plantava os fundamentos de um novo bandeirismo, com a epopeia do cacau.<\/p>\n<p>Depois, quando \u00e1reas maiores se foram conquistando e do seio da terra fecunda foram surgindo cada vez mais os gr\u00e3os de ouro, veio o trem roubando de sua influ\u00eancia a produ\u00e7\u00e3o de vasta zona e veio o caminh\u00e3o, cuja estrada primitiva passa a alguma dist\u00e2ncia do povoado.<\/p>\n<p>Banhada pelo rio Cachoeira, rio de planalto, em cuja margem esquerda se situa, \u00e9 nela que se encontra o ponto mais alto da navega\u00e7\u00e3o e at\u00e9 o advento dos ve\u00edculos motorizados, todos os lavradores vinham trazer ali o resultado de sua lavoura, que, em canoas, demandava o porto de Ilh\u00e9us, de onde, ent\u00e3o, podiam ganhar o seu destino, no estrangeiro.<br \/>\nExemplos de como a mudan\u00e7a nos meios de transporte \u00e9 capaz de contribuir para o estacionamento ou regresso dos n\u00facleos humanos, Banco da Vit\u00f3ria, foi, pouco a pouco perdendo a antiga import\u00e2ncia. Mas tarde, quando se juntaram os melanc\u00f3licos apelos dos moradores que desejavam sentir, mas que de perto o ru\u00eddo dos motores de explos\u00e3o, \u00e0s necessidades t\u00e9cnicas de encurtar o tra\u00e7ado da estrada de rodagem, esta fez seu caminho pelo fundo das casas, limitando com o rio a \u00e1rea do vilarejo. N\u00e3o demorou, entretanto, que habita\u00e7\u00f5es se fossem levantando de um lado e de outro da rodovia e partindo dela, novas art\u00e9rias crescessem. Era da estrada a import\u00e2ncia. O rio cuja serventia era agora m\u00ednima, ficou para os despejos da popula\u00e7\u00e3o. As casas j\u00e1 n\u00e3o olhavam mais para ele. Viraram-lhe as costas, namorando agora e somente a estrada de rodagem.<\/p>\n<p>Triste destino o desta outrora florescente capital do cacau, ao amar t\u00e3o fortemente o m\u00f3vel da sua pr\u00f3pria ru\u00edna. Vila de Banco da Vit\u00f3ria, assim \u00e9 conhecida oficialmente por ser cabe\u00e7a de um distrito. Mas, geogr\u00e1fica e sociologicamente vila n\u00e3o \u00e9, pois, n\u00e3o atende as condi\u00e7\u00f5es precisas para tanto: os agricultores que lhe moram em torno, do seu pequeno com\u00e9rcio n\u00e3o se utilizam para aquisi\u00e7\u00e3o das utilidades essenciais \u00e0 sua sobreviv\u00eancia. Fazem-no mesmo em Ilh\u00e9us, diretamente. \u00c9, de fato, um sub\u00farbio, arrabalde, bairro, ou que outros nomes lhe queiram dar, em rela\u00e7\u00e3o a nova capital do cacau, pois at\u00e9 os seus moradores, exceto alguns saudosistas e outros que comercializam ou t\u00eam fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, como funcion\u00e1rios do Matadouro, exerce sua atividade em Ilh\u00e9us. Ela que j\u00e1 foi cidade, pela natureza das fun\u00e7\u00f5es que desempenhava, pela sua import\u00e2ncia regional, \u00e9 hoje sub\u00farbio e mais ainda o que ser\u00e1 quando conclu\u00edda a pavimenta\u00e7\u00e3o da rodovia Ilh\u00e9us-Itabuna, o que n\u00e3o deve demorar muito. Ficando, assim, a menos de dez minutos da sede municipal ser\u00e1 certamente lembrada para \u201cweekends\u201d e alegres \u201cpic-nics\u201d nos seus bosques umbrosos.<br \/>\nBanco da Vit\u00f3ria \u00e9 um magn\u00edfico exemplo de povoa\u00e7\u00e3o sacrificada, a bem-dizer, pelo progresso. \u201d<br \/>\nZona do Cacau, cap\u00edtulo 6, p\u00e1ginas de 73 a 76. Publicado em 1955.<\/p>\n<p>Nota-se ent\u00e3o, pelo exposto pelo renomado doutor Milton Santos, porque escolhi o t\u00edtulo deste livro como Banco da Vit\u00f3ria, A Hist\u00f3ria Esquecida das Margens Vitoriosas do Rio Cachoeira.<\/p>\n<p>O Banco da Vit\u00f3ria que j\u00e1 foi, segundo o autor supracitado, a primeira capital do cacau e muito maior que muitas das cidades do sul da Bahia, n\u00e3o consta nem como coadjuvante secund\u00e1rio da hist\u00f3ria oficial de Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>O intuito deste livro \u00e9 tamb\u00e9m reparar este erro e dessa forma colocar nossa comunidade no grau de import\u00e2ncia social e hist\u00f3rica do sul da Bahia.<\/p>\n<p>O Banco da Vit\u00f3ria foi, por certo o umbigo da regi\u00e3o cacaueira do sul da Bahia e a sua import\u00e2ncia jamais deve ser negada, ofuscada e esquecida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberto C. 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