{"id":12330,"date":"2012-08-25T15:27:46","date_gmt":"2012-08-25T18:27:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=12330"},"modified":"2012-08-25T15:38:38","modified_gmt":"2012-08-25T18:38:38","slug":"onze-contra-dois-e-ainda-terminou-empatado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2012\/08\/25\/onze-contra-dois-e-ainda-terminou-empatado\/","title":{"rendered":"ONZE  CONTRA   DOIS.  E AINDA TERMINOU EMPATADO"},"content":{"rendered":"<p>R\u00e1dio Difusora Oeste, Osasco (SP), 1985. Para quem trabalha em radio pequena, cobrir uma partida da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira \u00e9 a gl\u00f3ria. Assim, at\u00e9 um jogo mulambento entre Brasil e Bol\u00edvia no Est\u00e1dio do Morumbi, pelas Eliminat\u00f3rias da Copa do Mundo de 86, no M\u00e9xico, ganhava ares de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil, dirigido pelo saudoso Tel\u00ea Santana, j\u00e1 estava classificado e o time era recheado de jogadores do S\u00e3o Paulo, como Oscar, Silas, Careca, Muller, Sidney e um Falc\u00e3o j\u00e1 em fase outonal. Enfim, a velha e boa m\u00e9dia com a sempre exigente torcida paulista.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s da aguerrida Difusora Oeste, era a chance rara de poder contar (como estou contando aqui) que cobrimos um jogo da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira. Grande m&#8230;, dir\u00e3o alguns, diante da maneira como o nosso time nacional foi banalizado e transformado em mercadoria para as nikes e cbfs da vida. Mas, naquele tempo a Sele\u00e7\u00e3o ainda era uma instui\u00e7\u00e3o quase sagrada.<\/p>\n<p>A equipe da r\u00e1dio para o jogo em quest\u00e3o tinha Alceu de Castro na narra\u00e7\u00e3o, Carlos Roberto nos coment\u00e1rios e eu como rep\u00f3rter de pista. Os \u201cfamosos quem?\u201d.<br \/>\nAlceu \u00a0era um sujeito simpl\u00f3rio, vindo do interior, que adorava imitar o Fiori Giglioti. Sem muito estudo, quando cismava com uma palavra bonita usava toda hora, mesmo que ela n\u00e3o fizesse o menor sentido na transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao receber a escala\u00e7\u00e3o da Bol\u00edvia, com aqueles nomes todos em espanhol, parecia que Alceu havia se deparado com a escala\u00e7\u00e3o de um time grego ou polon\u00eas, com seus nomes impronunci\u00e1veis.<\/p>\n<p>Vendo a dificuldade do narrador, Carlos Roberto passou dica:<br \/>\n-\u00d4 Alceu, pega uns cinco ou seis nomes mais f\u00e1ceis e toca a transmiss\u00e3o numa boa.<\/p>\n<p>Alceu acatou a sugest\u00e3o, mas talvez empolgado por estar narrando um jogo da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, em vez de cinco ou seis, ele s\u00f3 guardou o nome de dois jogadores da Bol\u00edvia: Garcia e Vaca.<\/p>\n<p>E era um tal de \u201cGarcia toca para Vaca\u201d, \u201cVaca lan\u00e7a para Garcia\u201d, \u201cVaca faz falta feia em Careca\u201d, recheados pelo \u201cbola com o n\u00famero 8\u201d, \u201colha o n\u00famero 5 avan\u00e7ando pela ponta\u201d. E a gente sem querer ou poder \u201cescalar\u201d mais alguns jogadores da Bol\u00edvia, com medo de que Alceu chutasse o pau da bandeira e a transmiss\u00e3o desandasse de vez.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, jogando \u201cs\u00f3\u201d com Garcia e Vaca, a Bol\u00edvia encarou o Brasil de igual para igual e arrancou um her\u00f3ico empate em 2&#215;2. Naquele tempo, empatar com o Brasil merecia o apodo \u201cher\u00f3ico\u201d. Hoje, at\u00e9 Venezuela ganha da gente sem que Hugo Chavez decrete feriado nacional.<br \/>\nEncerrada a transmiss\u00e3o, fomos todos tomar nosso fogo paulista (uma mistura de cacha\u00e7a com groselha, verdadeira bomba, mas era o que o or\u00e7amento minguado permitia) em paz.<\/p>\n<p>_________0-0-0-0-<\/p>\n<p>Tempos de fogo paulista, p\u00e3o com mortadela, cal\u00e7a velha azul e desbotada (porque s\u00f3 tinha uma). N\u00e3o parecia, mas \u00e9ramos felizes e s\u00f3 vir\u00edamos saber bem depois.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>R\u00e1dio Difusora Oeste, Osasco (SP), 1985. Para quem trabalha em radio pequena, cobrir uma partida da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira \u00e9 a gl\u00f3ria. Assim, at\u00e9 um jogo mulambento entre Brasil e Bol\u00edvia no Est\u00e1dio do Morumbi, pelas Eliminat\u00f3rias da Copa do Mundo de 86, no M\u00e9xico, ganhava ares de decis\u00e3o. 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